É fevereiro e nada está brilhando em Belo Horizonte. Ninguém está se dizendo aquilo que não é, e o cheiro da cidade, que não é lá essas coisas em dias normais, permanece o mesmo.
O único jeito de participar de alguma folia é, infelizmente – e ignorando a todos os apelos dos nossos queridos escritores Eduardo e Guilherme – assistindo a pífia participação do Alok no BBB. Que nem para nos presentear com passos de samba serviu.
Como já disse aqui nessa mesma batdata e batcanal, eu nunca fui fã número um de carnaval, por conta de um controle mental a lá – insira aqui um filme de controle mental da sua preferência – que colocava a festa de fevereiro – às vezes de março – como o pior que a cultura brasileira pode oferecer.
No ano passado, em um sábado de carnaval, foi a primeira vez que tomei as ruas, descendo Bahia e subindo Floresta, para bailar com desconhecidos, que como eu, aproveitaram aqueles quatro dias de escape para colocarem em prática o mantra: “Conhece a ti mesmo.” Me percebi extraordinariamente persistente a caminhadas infinitas.
Hoje, de molho no meu sofá, depois de superar uma cirurgia (quase e uma pandemia de coronavírus) – eu jurava que ia morrer, e minha avó, sem eu saber, estava pensando em como dar notícia à minha mãe sobre os últimos dias de glória da sua falecida filha – tive o desprazer de ler e ouvir posicionamentos de vários líderes religiosos, de diversas denominações, clamando que essa falta de folia seria um castigo de Deus. Qual deles? O carioca ou aquele que nunca nega a felicidade aos seus filhos?
Enquanto ando pela casa parecendo uma visagem daquilo que não pertence mais a esse plano físico, escuto nos fones aquilo que poderia ter sido cantado a voz de milhares, mas que se tornou só meu, tão íntimo quanto um carnaval solitário pode ser. No refrão, canto sozinha, sabendo que aqueles que ocupariam as ruas comigo cantam sozinhos também.
O cantor: – e a vida?!
Todos nós: – é bonita e é bonita!
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