Per aspera ad aspera

Pandora – Charles Edward Perugini (1839-1918).
Victória Farias

Per aspera ad aspera = por (caminhos) tortuosos à (caminhos) tortuosos.

Os primeiros dias de 2021 parecem ter sido escritos pela perfeita caligrafia de Deus. Traduzindo: não fazem o menor sentido. A segunda-feira eterna, que insistia em ser sombra em todas as nossas ações, parece dar lugar a uma tardia terça-feira.

Depois de uma virada no mínimo interessante – para usar poucas palavras –, cobramos de um ano – que não pode responder por si só – promessas (?) que ele não fez. 

Mas esperar coisas concretas de objetos inanimados é uma das nossas muitas especialidades. Quem nunca exigiu que uma bola cruzasse a linha do gol ou que a comida ficasse pronta mais rápido no forno? Somos uma eterna torcida daquilo que não pode nos dar nada de volta. 

Isso é o que muitos especialistas chamam de esperança. Uma predisposição em dar roupagem positiva – ou menos pior – a uma coisa que, obviamente, não vai nada bem.

Geralmente usamos isso quando o time está perdendo de quatro a zero, ou quando você sabe que o gás está prestes a acabar. Ainda assim prefere o gol de consolação, e reza para que o fogo que ainda resta derreta pelo menos o gelo da lasanha. Esperança. 

A única coisa que Pandora, claramente uma humana – em todos os sentidos que a palavra carrega – conseguiu que ficasse dentro da caixa. A única coisa que nasce intrínseca a nós. Os sentimentos que conseguiram escapar – desespero, fúria, desprezo – adquirimos ao longo da vida. Ainda bem! Já pensou ter de carregar o peso da esperança mais todas essas coisas quando nascemos? Ufa.

Entrando agora na terceira – já – semana do ano, que será de ameaças, jogos de poder e perturbações políticas – não, caro leitor, não estou profetizando, até porque não sou eu a encarregada disso nessa história, só estou te contando aquilo que Pandora não queria que você soubesse – só nós resta torcer e esperar para que o almoço fique pronto o mais rápido possível.

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Victória Farias

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