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Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

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Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Pensamentos

Taís Civitarese

Achei que duraria três semanas e lá se vão dez. O nome disso é ilusão, negação. Achei que seria mais um susto de Deus. Mas Deus, dessa vez, estava falando sério.

Achei que não precisaria comprar máscaras. E por fim, acabei com um punhado delas, de diferentes estampas. Achei que nem me cadastraria na escola virtual. E ciberneticamente, já estamos escolados.

No início disso tudo, perdi minha avó. E assim como ela, parece que o mundo entrou em outra dimensão. Saio às ruas e não reconheço as cenas do dia a dia. Não vejo ninguém. Uma cidade meio fantasma, um velho oeste tropical.

Pedi canetas Bic pelo correio. Confesso, precisava ver o semblante de alguém. Dar bom dia ao entregador, assinar um papel. ‘Ainda há vida’, imaginar. Mas o elevador desce e sobe em puro silêncio pelo prédio. Meus vizinhos, idosos, estão todos enclausurados.

Aqui dentro, as crianças brincam. Estranhamente, não se importam. Não perguntam muito. Trazem respiro. Só querem saber se já está no horário de ver televisão.

Sinto falta da minha avó todos os dias. Tudo me lembra ela. Sobretudo, as leituras sobre o feminismo. O cheiro do ar me lembra a casa dela. E no tempo que sobra, me vêm lembranças.

Aprendi a fazer uma faxina das boas. Estou com orgulhosos calos de rodo nas mãos. E penso: sou dona de tudo, posso cuidar de tudo! Até me acomodar novamente no sofá mais próximo.

Papai me preocupa, mas finjo que não. Sobre isso, não sou capaz de dizer mais nada. Mamãe está bem, ativa e altiva. Ela parece fraquinha, mas é muito, muito mais forte que eu.

E assim vão passando os dias. Fico inventando memórias. Pensando em uns tempos perdidos. Lembrando de 1990, quando fui a um comitê eleitoral com minha tia pegar panfletos com a foto de um homem barbado para distribuir na rua. Eu tinha 9 anos. Não sabia quem era Lula e Collor me lembrava lápis de cor. Minha tia era tão jovem. Recém-formada na faculdade federal. Havia ali tanta esperança! Hoje, não sei se isso existe mais. Já faz 30 anos. Em 2018, minha tia votou no atual presidente. Tudo muda e nada muda muito em 30 anos. 

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