Maritaca

Peter Rossi Na minha terra bando de maritacas, numa algazarra imensa, fofocam e sorriem, e depois pousam nas mangueiras. Verdes como as folhas, ficam por lá e se emudecem. Dormem, será? Prefiro as maritacas bem acordadas e procuro entender sobre o que tanto conversam. Para os que não conhecem, as maritacas são como pequenos papagaios, verdes, completamente verdes, e voam em bandos numa barulheira só! … Continuar lendo Maritaca

Peter Rossi Novo ano pela frente. Antigas decisões não tomadas vão sendo repristinadas e, assim, a vida segue. São muitos os planos que, bem sabemos, não serão implementados. Mas somos assim mesmo, deitamos na cama da espera e nos cobrimos com nossos sonhos. Vida que segue! A pensar aqui, no que poderei fazer de maneira diversa. Não posso me dar ao deleite de pensar muito … Continuar lendo

Embrulhos

Peter Rossi Esses momentos luzidios e chuvosos de dezembro nos convidam às reflexões, muitas delas repetidas de anos anteriores e nunca levadas a termo. Nos preocupamos, em demasia, com cartões e papeis de embrulho coloridos. Seguimos em fila indiana aos caixas das lojas do shopping, absolutamente resignados com a demora. Também, por qual razão deixamos para a última hora? E haja formalidade! O mais importante … Continuar lendo Embrulhos

A tensão do calendário

Peter Rossi A cada dia que passa, sobrevive, percebo as folhas do calendário mais elásticas. Parecem feitas de goma e, educadas, se assentam umas sobre as outras. Calmas, tranquilas, ocupando todos os espaços que nossos olhos aflitos insistem em pensar existir. Na minha idade, percebo que os calendários de papel, leves, livres e soltos, não existem mais. Eles foram absolutamente úteis. Os pespontos me permitiam … Continuar lendo A tensão do calendário

A caderneta

Peter Rossi Embora negasse, além do medo de altura que fazia suas pernas formigarem, Ernesto tinha um lado hipocondríaco. Volta e meia sentia dores que nunca se repetiam. Quedava na cama pensando que a vida se esvairia dali algumas horas. Organizava os pensamentos e estabelecia suas prioridades, embora convicto de que jamais conseguiria atingi-las. Numa dessas, quase voltando da morte que não lhe assombrou e … Continuar lendo A caderneta

Sílvia e os avós

Peter Rossi Sílvia vivia com a mãe, Otília, em uma casinha simples, cercada de luz e felicidade por todos os lados. Aquela casa que a gente sempre imagina, com uma cerca baixa, jardins de rosas na frente, cada um ladeando um caminho de pedrinhas até o primeiro degrau da escada da varanda. Moravam apenas as duas. Otília com seus quarenta e poucos e Sílvia com … Continuar lendo Sílvia e os avós

Tempos atrás

Peter Rossi Fico assuntando se na verdade preferia ter nascido há tempos atrás. Sempre pensei assim, desde menino. Sempre fui encantado com as roupas, o porte, o jeito das pessoas andar, dialogar. Me encanta as mesuras nunca dispensáveis. A timidez do respeito excessivo em qualquer abordagem. Me vejo, com certa frequência, dispensando todo e qualquer equipamento que, de uma forma ou de outra, não sobrevive … Continuar lendo Tempos atrás