Num canto de bar

Mário Sérgio Depois da forte chuva caída à tarde que aplacou o escaldante dia, uma brisa, ainda úmida, dançava fagueira entre as paredes velhas dos prédios que resistiam na parte mais antiga do centro. O burburinho das ruas retomava seu espaço nas calçadas que em alguns pontos refletia as almas apressadas com compromissos ainda a cumprir dentro do expediente comercial. Gente que se esbarra, gente … Continuar lendo Num canto de bar

É preciso comemorar

Mário Sérgio No dia 24 de outubro, quinta-feira, foi comemorado o Dia Mundial de Combate à Poliomielite. Uma doença viral, infecciosa, incapacitante e fatal. Até a década de 1970, causou milhares de mortes mundo afora e propiciou a milhões de pessoas alguma deficiência. Na maioria das vezes nos membros inferiores. A data, proposta pelo Rotary Clube Internacional, é uma homenagem ao mês de nascimento do … Continuar lendo É preciso comemorar

Tentar de novo

Mário Sérgio Caminham pelo longo corredor que range, duas jovens senhoras. Seus corpos, que essas paredes de drywall viram perder o viço juvenil, já mostram sinais de cansaço, pelos anos de trabalho. O piso elevado, ou flutuante, sobre suportes próprios para que passem sob eles tubos e fios lógicos e elétricos, reflete o som de seus passos, hoje mais lentos que de quando vieram felizes, … Continuar lendo Tentar de novo

Viver um grande amor

Mário Sérgio Há uma fase boa em nossas histórias que, sem que nos demos conta, os hormônios parecem ganhar uma dose extra de estimulantes. E então, adolescentes, acreditamos amar “para sempre” a primeira pessoa que nos dirige um tipo de olhar que até então não percebíamos. Aquele olhar que traz em si uma torrente de sentimentos envolventes, cuja descrição demanda palavras e termos que ainda … Continuar lendo Viver um grande amor

Deusa da minha rua

Mário Sérgio Naquela infância muito feliz, apesar das pernas finas que mal me sustentavam entre os ferros de um aparelho ortopédico, a liberdade era um presente diário. Brincávamos com bolinhas de gude ou tampinhas de garrafas; soltávamos papagaio, cujo nome foi ajustado ao gosto paulista, passando a ser mais conhecido como “soltar pipa”; jogo de finca; e outros, jogados de pé, em que participei quase … Continuar lendo Deusa da minha rua

Só nos resta viver

Mário Sérgio Se estivesse entre nós, o espetacular paraibano Ariano Suassuna teria também 97 anos. E com toda a certeza a sua irreverência, inteligência e rapidez de raciocínio estaria produzindo maravilhas. Dizemos “também”, por que nasceu no mesmo ano que outros expoentes, como Tom Jobin; o grande cantor Lúcio Alves; o ótimo irreverente Bezerra da Silva; a atriz Laura Cardoso; o escritor colombiano Gabriel Garcia … Continuar lendo Só nos resta viver

Caminhos

Mário Sérgio Entre as inúmeras sugestões de emprego que tantas pessoas propuseram para o meu futuro, engraxate foi das mais comuns. E não me furtei à indicação. Entre meus oito e dez anos ganhei algum dinheiro com essa atividade, incluindo mais de um formato: presencial, com minha caixa estacionada em frente ao bar e lanchonete Arco-íris, na esquina da rua em que morávamos; e “delivery”, … Continuar lendo Caminhos

Quando eu me levantar

Mário Sérgio Lembrei, aqui nesses dias de intensas queimadas, em que fuligens encobrem os céus, um momento de vazio em que o coração pareceu também queimar. O bar que já foi mais conceituado, hoje chamado de “copo sujo”, não como referência à sua higiene, mas como reminiscência daqueles que se perdem nas muitas paisagens de seu efêmero espaço. Ali estava eu, muito jovem ainda, com … Continuar lendo Quando eu me levantar

Apego

Mário Sérgio “Se fosse permitido, eu revertia o tempo…”  Esta frase da música “Uma Canção Desnaturada” (Ópera do Malandro/1979), do genial Chico Buarque, dá uma ideia do mal que se causa a alguém quando o bem-querer se transforma em obsessão.  Milton de Oliveira e Mirabeau também no ano de 1979, se valiam da maravilhosa voz da mineira guerreira, Clara Nunes, para lançar o belo samba … Continuar lendo Apego

Independência

Mário Sérgio Há alguns anos, uma querida amiga se viu na iminência de utilizar cadeira de rodas por um longo período. A cirurgia no fêmur criaria limitações para que ela ficasse de pé. E a notícia foi recebida com grande pesar e também alguma resistência. Muito ativa e atuante nas ações em prol da inserção social de PcD, ela sabia dos problemas que envolvem a … Continuar lendo Independência