Sandra Belchiolina
Às vezes, um grande poeta do interior de Minas Gerais pede passagem – e eu deixo.
Afinal, alguém um dia teve a ousadia de cortar o tempo em fatias e chamar isso de ano.
Um gesto quase genial: organizar a esperança como quem organiza a vida,
fazendo-a operar até o limite de si mesma.
Doze meses: tanto para qualquer pessoa se cansar, desgastar, se perder de si.
E então, justo quando tudo parece desbotar,
surge o milagre silencioso da renovação –
outro número, outra paisagem, outra vontade de acreditar
que, daqui para frente, algo pode enfim ser diferente.
Para você, desejo aquilo que realmente importa:
um sonho que se realize,
um afeto que encontre seu caminho,
uma esperança que se refaça por dentro.
Desejo cores que se abram,
alegrias que se deixem sorrir,
músicas que emocionem sem pedir licença.
E, no fundo, desejo apenas que você deseje –
e que deseje muito,
que deseje grande.
Como escolhemos atravessar o tempo?
Assim, observo as luzes de Natal se acendendo e um novo número no calendário, lembrando que nosso querido poeta tem poesia para a vida.