Silvia Ribeiro
Havia me aprontado para viver um grande amor.
Nem sei quem foi que disse que existe um “ritual” para isso. Mas, algumas experiências perenes me fizeram ter essa atitude de parcimônia.
Aprendi através de alguns falatórios, que os ilustres corações apaixonados nunca foram dignos de bom senso. E quero crer que, essas agitações a despeito de se sentir parte de alguém são características que nos mostram a graça da vida.
Durante algum tempo criei um esboço tórrido, com traços viris e visando sempre a intenção romântica. Nada que se perdesse num manuscrito incompleto.
Isso ficou evidente nas minhas fantasias, quando reuni um conjunto de sentimentos que tiveram o aval do meu coração e da intimidade do meu corpo.
Salientando: muitas delas eram inéditas.
Esse personagem foi utilizado para simbolizar os meus desejos e personalizar o meu lado fêmea. Uma influência que pretendia ter amor e sexo, e vice-versa, sem acanhamento.
Por outro lado, experimentar como é entrar dentro de um parêntese romântico, sem uma edição barata de botequim e falácias que se escondem atrás de um biombo.
Sem pretender oficializar um manual de um “sujeito primoroso”, desenrolo alguns pensamentos. De certo, com uma compleição forte.
Um cara com gostosuras no olhar, manifestações de loucuras e gentilezas de todos os tipos. Propositadamente, feito para seduzir a alma. No entanto, sem transitar na vulgaridade.
Num curto período de tempo observei todo o espetáculo que eu havia criado no interior do meu imaginário, e me senti diretamente conectada com uma sensação de totalidade e de pertencimento.
Ironicamente, eu atuava naquele cenário como se tivesse me emancipando.
Segundo a minha teoria:
Estava vivenciando um bom augúrio.
Futuro, não é passado nem presente, mas com certeza dependem deles para se concretizar.
Sem dúvida.