Sincronicidades 

Silvia Ribeiro

Aprendi a reparar nas sincronicidades.

Uma fresta vasta abduziu a minha curiosidade, e consequentemente, abrangeu os seus significados. Uma peripécia que em tempos remotos seria completamente inviável no meu cotidiano.

Percebo que essa metodologia tem modificado a minha maneira de descortinar as conexões íntimas, e aumentado as minhas chances de progressão.

Acima de tudo, me expõe uma autonomia emocional que me aproxima das ligações que emergem aparentemente do nada, e de repente, resultam num mimo cedido pelo destino. Sejam, elos afetivos, consaguíneos ou meramente cordiais.

Atualmente, é comum me ver fazendo alianças reais com as sincronicidades, baseada num encantamento que me transmuta por dentro e por fora.

Consciente de uma crítica cética que se debruça num lado do meu cérebro, e a exatidão de vários impulsos de crenças que vivem na outra parte dele, tenho o agrado de observar os dois.

E, enquanto cidadã rezadeira que sou, pendo para o ângulo das minhas ideologias. Outro fator crucial, para a longevidade da minha fé.

Em conversas com os meus botões, assimilo a vastidão de detalhes “sobrenaturais”, que leigamente analisando podem soar estranhos. Forças que vivem no anonimato.

Observo com afinidade frequências energéticas, arquétipos e símbolos. Mapa astral, significados de nomes e coisas do gênero. Sem esquecer, horas iguais e as suas definições. Exemplo: 11:11h.

Misturando essas referências geniais, exercícios místicos e desafios com o além, me redescubro constantemente.

Ingênuos pontos que envolvem um labirinto inesgotável de reflexões sobre a minha necessidade de romper o véu que transcende o mundo físico, encurtam a trajetória que dá acesso ao “além matéria”. Altero a minha cegueira e multiplico os meus sentidos.

Enredada num diálogo lírico, treino um vocabulário alinhado com o meu coração. E digo, por mais simples que pareça ser, é primordial um sinal de divagação no meu comportamento. Um manual invisível aos olhos.

Uma senhorita acabou de chegar.

A formosa joaninha veio com um vestido de poá vermelho.

-Será o que veio dizer?

Vou perguntar.

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