
Tadeu Duarte
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Ao se despedir de Micheque Gospel no aeroporto, Jair chorou.
Um choro teatral, é verdade, mas Jair parecia mesmo inconsolável por não poder ir à posse de McDonald Trump, mesmo após ter descolado um convite na internet.
Aquelas lágrimas que jamais caíram para os mais de 700 mil mortos na pandemia, deixaram os olhos marejados do Capitão Cloroquina.
De uma forma inexplicável, Jair me emociona e desperta os meus instintos mais primitivos. Quando o vi chorando em um evento no Planalto, depois de ter sido demitido pela população brasileira por ocasião das eleições de 2022, fiquei sonhando a lhe dar uma voadora ou um pesco-tapa com telefone sem fio.
Ali, Jair chorava pela democracia, aquela que não conseguiu por fim com um novo golpe militar.
Jair é um homem que coleciona grandes derrotas em sua vida.
Foi o primeiro presidente a não conseguir se reeleger na Nova República. Não conseguiu fundar seu partido neofascista Aliança Pelo Brasil. Não conseguiu manter seus dois casamentos anteriores nem dar a mínima educação aos seus tantos filhos. Também não conseguiu permanecer por um período razoável em qualquer partido político. Em resumo, Jair é um bunda suja expulso do Exército e um demi-bombeé que não consegue ter uma ereção sem o azulzinho. Por fim, sua protuberante barriga de cadela prenha expõe ao mundo que Jair não conseguiu sequer manter o seu tão alegado histórico de atleta.
Enquanto Jair lançava mentiras e perdigotos aos jornalistas, Michiliquenta estava nas alturas rumo ao baile que Jair foi barrado.
Acompanhada pelo primeiríssimo Primeiro Damo da República, o senhor Ao-Gostinho Fernandez, o multiuso das make, hair, degustação, blogs e blow jobs, que ia fazendo biquinhos instagramáveis & lacradores para fotos, enquanto Micheque, com seus óculos de para-brisa de Chevette, comemorava o afastamento, ainda que temporário, de Jair Boca Porca.
Quando ainda acreditava na possibilidade de Xandão e o PGR Gonet o deixarem fugir, digo, viajar, Jair disse ao New York Times que havia suspendido o uso do Viagra, de tão assanhado frente a possibilidade de apertar as mãos e olhar nos olhos de McTrump, seu ídolo máximo, obviamente atrás apenas de Carlos Alberto Brilhante Ustra, o famigerado torturador da Ditadura.
Sempre com uma carta golpista na manga, o Dick Vigarista Jair tinha um plano ao lado do poderoso agente laranja McDonald Trump: ele organizaria a Resistência Parlapatona à ditadura do Xandão. Já havia inclusive obtido apoio dos Palhaços Bozo & Ronald McDonald, do Mickey e Pateta. Além é claro, do Brinquedo Assassino, Freddy Krueger e Darth Vader, pois, uma guerra civil que se preze precisa de uma violência advinda do lado negro da força.
Sem Micheque, sem Viagra e sem o Militares, o barrigudo e paumolecente Jair se agarrou à esperança de ser salvo pelos poderes externos de McTrump, Musk e Zuckenberg, na “Campanha Global Pela Liberdade de Expressão”.
Vejam como a vida é irônica, Jair agora é quem aparenta estar acometido pela mesma idiotia de seus apoiadores que ficavam às portas dos quartéis tentando contactar apoio extraterreste, com as luzes do celular sobre suas cabeças ocas.
Em seu despacho o PGR Gonet sepultou qualquer esperança de um rolezinho americano de Jair: “A viagem desejada pretende satisfazer interesse privado do requerente, que não se entremostra imprescindível. Não há, na exposição do pedido, evidência de que a jornada ao exterior acudiria a algum interesse vital do requerente, capaz de sobrelevar o interesse público que se opõe à saída do requerente do país. A situação descrita não revela necessidade básica, urgente e indeclinável, apta para expecionar o comando de permanência no Brasil, deliberado por motivos de ordem pública. É ocioso apontar que o requerente não exerce função que confira status de representação oficial do Brasil à sua presença na cerimônia oficial dos Estados Unidos.”
Plunct, Plact, Zuuum; Jair não vai a lugar nenhum. Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado e autorizado se quiser voar.
Para Jair, pior do que não assistir à posse de McTrump nos EUA, será assistir a quarta posse de Lula no Brasil em 2026, quando muito provavelmente ele estará ao lado de Xico Picadinho e Tião pé-de-mesa, diretamente da Papuda.
Como não custa nada chorar nem sonhar, Jair esperneia contra as leis, sabendo que abaixo da linha do Equador a esperança é um urubu vestido de verde e amarelo com a camisa da CBF.