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O sequestro de Istambul

Wander Aguiar

Estávamos eu, meu pai e minha prima em Istambul, na Turquia! Após jantarmos, tive a brilhante ideia de tomar uma saideira fumando um narguile. Parti sozinho para desbravar o desconhecido. Nessa, fui abordado por um afegão de uns 50 anos, bem-vestido e educado. Ele queria dicas de lugares animados, sugeri os arredores da praça Taksi, com vários bares e restaurantes. Depois disso ele me chamou para acompanhá-lo, mas não aceitei, afinal, um bom mineiro é sempre desconfiado.

Durante o papo, ele me contou que trabalhava na Fiat da Itália e que no Brasil conhecia a fábrica da Fiat de Betim! Pronto… Não podia ser um golpe! Que gringo conhece Betim? Entramos no táxi e seguimos em direção ao lugar que eu havia indicado. Ao descer falei pra ficarmos no bar que achei legal, ele sugeriu que andássemos um pouco mais, já que não conhecíamos muito bem o local.

Ele parou em frente uma porta e perguntou se era uma Night Club (puteiro), e quando o porteiro disse que sim ele propôs entrarmos: e lá fomos nós. UM PUTEIRO NUM SUBSOLO EM ISTAMBUL COM UM AFEGÃO DESCONHECIDO! É muita coisa errada numa frase só. Aquilo era minha cara. Uma experiência antropológica única na minha vida.

Chegaram duas mulheres pra conversar, pedi um copo de cerveja que custava R$80,00, e que seria o único. As duas pediram bebidas e deixei claro que pagaria apenas a minha. Terminei meu copo, fui ao banheiro e mandei um áudio para meus amigos contando a situação.

Voltei à mesa e um novo copo de cerveja chegou pra mim. Quando terminei, meu “amigo” pegou a conta e disse que íamos dividir, repliquei que pagaria apenas as minhas duas cervejas, foi quando ele se sentiu ofendido, jogou a comanda em mim dizendo que eu estava chamando o de mentiroso e que eu pagaria a conta toda.

Abri a comanda. O valor convertido era de aproximadamente R$5.000,00, quase morri. Na minha segunda recusa, me tiraram da mesa e me levaram pra um canto! Pensei “vou no mínimo apanhar muito!” Entre uma ameaça e outra quase fiz um strip-tease pra mostrar que o que eu tinha era somente o que estava em minha carteira: R$200,00. Pra piorar minha situação, enroscaram meu cachecol e o puxaram com força. Meu inglês sumiu, em mineirês eu dizia: “moço, moço, me deixa ir embora, eu sou pobre no Brasil”.

Sem comunicação, pegaram o que eu tinha, deixando uns R$50,00 comigo. Saí correndo procurando a porta, tomei mais uns tapas nas costas e fugi. No outro dia segui para outra experiência traumática, mas deixarei essa pra contar na próxima oportunidade.

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  • Imagino o sufoco que passaram.
    Esse perrengue daria um bom filme campeão de bilheteria.
    Só vou a Istambul se você estiver junto.

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