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No sofá daquele coração

Silvia Ribeiro

E mais uma vez ele veio me visitar, chegou meio acabrunhado e um tanto sem aptidão, tinha uma comodidade inigualável e dava a impressão que finalmente havia encontrado o seu lugar de estimação. Ali havia alguém que abraça forte.

Dentre todas essas facetas me pareceu um tanto matreiro e dono das suas saudades. E com um jeito de menino levado foi se achegando sem pedir licença e se apoderando de mim percorrendo cada canto de sentimentos esquecidos.

Revelou os seus desatinos e todas aquelas fantasias que falamos em silêncio, me tirou pra dançar no ritmo daquela canção que transformamos em nossa e com uma desenvoltura fácil atiçou a minha pele. Tinha um olhar destemido e sem muitas pretensões, porém eram precisos e certeiros causando um certo furor na minha cintura.

Os seus passos traziam uma leveza de conquista e uma propriedade de sedução que não oscilava provocando uma sensação de pertencimento que eu nunca havia experimentado antes.

Mostrava um aconchego sexy regado de artimanhas que os meus desejos entendiam, e os seus lábios eram festivos diante da minha nuca. Naquele instante a gente só queria dar aquelas gargalhadas que ainda não havíamos dado, dividir o suor que escorria entre nós dois, e buscar aquele prazer que acabara de bater à nossa porta, sem ter mais tempo pra pensar e apenas viver.

E eu desejei avidamente sair do meu conforto e ir morar naquela bagunça de emoções que não me levavam à sério, fugir de todos os paradigmas que queriam se expressar, deixar que o meu corpo se exibisse e que a minha alma contasse aquela história que acabava de se manifestar sem rasuras e de forma quente como um vendedor de sonhos.

Peguei as malas e quando dei por mim já estava eu lá.

Sentada no sofá daquele coração.

*
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