Categories: Convidados

Qual é a cor?

Rosangela Maluf

Em todos os meus documentos, consta que a minha “cor” é branca. 

Entretanto, nem sempre fui uma pessoa clarinha. 

Curti, desde que me entendo por gente, as marquinhas de pequenos biquínis usados meio escondidos do pai. Queimada de praia, queimada de piscina, queimada da janela do meu quarto, sempre moreninha, mulatinha, quase uma negrinha (sem nenhuma conotação racial).

Faz muitos anos que deixei de colocar a praia entre as minhas opções de viagem, seja nas férias ou nos feriados. Detesto o calor, mesmo com a brisa que vem do mar. Detesto areia, me sinto muito mal “à milanesa”. Não gosto de transpirar e água fria…nem pensar.

Como adoro o inverno, o frio e a neve, deixo sempre minhas férias agendadas para onde o termômetro se apresentar mais baixo e onde o dinheiro me permitir chegar. 

Tudo isto pra dizer que aqui, em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, durante o mês de novembro, fez um calor absurdo. 

O sol torrava o dia inteiro e  durante duas horas eu me deitava sobre uma toalha, em cima da minha cama. Janelas enormes, prédio antigo, e eu lá, confortavelmente deitada, só com a calcinha do biquini, caprichando na marquinha. 

Naquele dia, tomei meu café da manhã e lá fui eu para a agendada sessão de acupuntura. Pouca coisa faltava para tentar para minimizar o Tremor Essencial, uma chatice que me acompanha há muito tempo e por ser Familiar incomoda a várias pessoas da nossa família.

Pontualmente cheguei ao consultório. 

Confirmei o agendamento. 

Fiz o Pix e encaminharam-me para o preenchimento da ficha. 

Era a minha primeira vez ali. 

Entreguei os documentos enquanto a assistente copiava os dados: nome completo, filiação, data de nascimento, estado civil, etc etc etc   Quase não respondi a nenhuma pergunta. A maior parte das informações já havia sido entregue.

Tudo preenchido, sessão já paga, que eu esperasse na sala ao lado a minha vez para ser atendida. Ah, e que eu levasse o papel para que a acupunturista tivesse acesso aos meus dados ( e a internet, me perguntei? )

Bom. Tirei o meu celular dei uma pesquisada no what’s, depois no Face, e por último no Instagram. Tudo certo nenhuma nova mensagem. Voltei com o celular pra bolsa. Tirei uma pequena lista que eu deveria seguir assim que terminasse a acupuntura. 

Olhei, fiz mentalmente o roteiro que eu deveria seguir. 

Resolvi olhar a folha que eu deveria entregar. E para minha surpresa, vejo no espaço destinado à cor da pele, a caligrafia da assistente e a cor, que até então nunca me haviam dado: Parda, cor parda.

Ri muito e pensei em como contaria esta novidade para a turma toda.

Pensei com os meus botões, nunca me colori, tão depressa!!! 

*
Curta: Facebook / Instagram
Blogueiro

Share
Published by
Blogueiro

Recent Posts

Sonho

Peter Rossi Que história é essa? Não me comprometa! Só me comprometa! Vida às avessas,…

19 horas ago

O rei está nu, sem coroa e algemado

“O ex-príncipe Andrew foi preso”. O texto poderia ser só isso. Esta frase sintetiza boa…

2 dias ago

Entre o véu e o espelho

Sandra Belchiolina Sem falso moralismo — porque ele derrete no primeiro suor de fevereiro —…

3 dias ago

Em nome do amor

Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com O pai não aceita o fim da relação de 15 anos…

4 dias ago

Lembranças dos melhores tempos

Na próxima semana, pretendo, vou discorrer sobre mais um carnaval bem curtido na minha existência.…

5 dias ago

O Fantástico Mundo de Zé

Victória Farias “Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele…

6 dias ago