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Os cantos, as poesias, e os fins

Silvia Ribeiro
Nascemos um para o outro, mas sem aqueles nós que só obedecem o que aperta, exigindo uma sensatez que todo grande amor desconhece.
Estamos sempre revoltos em desejos, e soltos nos nossos “eu te amo”, fazendo com que os nossos corpos segurem as delícias dos instantes, sem desconfiar dos detalhes entre a euforia do agora, e a mansidão de um depois, carregando consigo uma ousada nudez diante do espelho.
Somos livres nas nossas inteirezas, com gozos explícitos divagando na alma, e as nossas risadas se espreguiçam como se fossem florir ao entardecer, fazendo com que o prazer proponha pequenas cortesias à nossa pele.
Temos um ir e vir dentro dos nossos sentidos, tornando o nosso olhar enigmático, e um arrepio que se escuta de longe, fazendo de cada encontro um raiar de primeiro dia.
As nossas mãos viajam em sutis movimentos, como se fossem mantras. Elas trazem para o nosso sorriso um querer que tem memória com curvas preferidas, e a voz de uma chama que não se cala, arrancando de dentro do peito uma maneira gostosa de se entregar.
Os nossos abraços têm versos com intactas ilusões. Sentimos os gostos que não nos indagam, se expressando nas confidências que fazemos, e vivendo o amor sem eternidades.
Os sonhos são os nossos sagrados e os nossos pecados e, desde então, todas as palavras que brotam em nossas nucas são boas e nos transformam em apenas um ser que nasce entre lençóis, dentro do silêncio desses mundos que nos tiram a chance de nos calarmos.
Em nós nascem os cantos, as poesias, e os fins…
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