Sobre eventos adversos graves - fonte: Pixabay
Na última semana, um imbróglio, envolvendo a Anvisa e o Instituto Butantã, quase roubou nosso fio de esperança em relação à vacina da Covid. Por determinação da Anvisa (e quem está por trás dela), as pesquisas da imunização, já em fase 3, realizadas no instituto, foram interrompidas temporariamente. O que aconteceu foi um “evento adverso grave”.
Depois de muita desinformação, idas, vindas e esclarecimentos prestados, a solução veio (graças!) tempestiva e a nossa angústia em relação ao nosso incerto futuro no contexto da pandemia se arrefeceu. As pesquisas foram retomadas a tempo.
O que está por trás disso? Um presidente, cuja a única preocupação é seu próprio ganho pessoal com a pandemia. Se os estudos chineses bem sucedidos foram suspensos, “Oba, minha vitória”. Você ganha, táoquei? Mas a perda é de todos. Perde a população que se vê insegura frente a um líder que comemora o fracasso da vacina. Perde a nação que já perdeu mais de cento e sessenta e seis mil pessoas e toda a credibilidade no plano internacional.
Desculpem-me se avanço mais uma vez para além do meu campo de conhecimento, que é a Psicologia, mas a verdade é que fica cada vez mais evidente a perversidade deste que nos (des)governa. E de perversão eu sei um pouco. Sei também dos impactos que a pandemia e o distanciamento social estão provocando em termos de saúde mental. Difícil localizar um momento na nossa história recente em que estivemos tão vulneráveis psíquica e materialmente.
O voluntário da pesquisa faleceu por suicídio, o laudo finalmente revelou. Então essa confusão toda também esconde em si a dificuldade de se noticiar adequadamente as mortes por suicídio. Claro, preservar a privacidade dos envolvidos é fundamental, mas tratar o suicídio como um “evento adverso grave” chega a ser quase tão hipócrita quanto o “estupro culposo”. Mais uma vez, a criatividade da mídia, para esconder, atenuar e evitar tratar dignamente a temática da morte voluntária, me preocupa.
Novamente houve desinformação e a perda de um momento oportuno para se abordar adequadamente a morte por suicídio e sensibilizar a população a respeito da saúde mental e da busca por ajuda. Fico me questionando se esse voluntário imaginou que sua morte seria comemorada desta forma, que causaria toda essa mixórdia nacional. E que mensagem pode ser extraída disso, neste contexto todo. Não é paradoxal morrer voluntariamente num momento em que se busca a preservação da vida?
Então, para finalizar, vamos às redefinições: evento adverso grave é a pandemia. Evento adverso grave é termos como liderança máxima de nossa nação este ser perverso.
E sim, sou maricas e quero a vacina. Gratuita e obrigatória para todos.
Gosto das meias palavras. Ou das poucas. Das reticências que dão margem à imaginação. Dos…
Daniela Piroli Cabral danielapirolicabral@gmail.com Perdoar e não esquecer Opinar e não conhecer Sofrer e não…
Já havia percebido no final de ano, quando me visto de Papai Noel, que o…
Grandes romances parecem reencontros. Uma sensação de que algo continua depois de um tempo abstrato,…
Início de ano e aquela ressaca das festas parece tomar conta de nós como se…
Rosângela Maluf Ontem, quando eu morri, era quarta feira, 19 de abril, dois dias depois…