Aniversário - Pixabay
Já faz um tempo que perdi o encanto pelo meu próprio aniversário. Quando mais nova, era um dia em que até o ar tinha um cheiro diferente. Após um punhado de anos e alguns inevitáveis sermões da vida, o brilho seguiu a vela e se apagou um pouco.
Tomaram espaço outras preocupações, como se já estará na hora de fazer
mamografia. Ou colono. Bate uma certa ansiedade pela passagem do tempo e os sonhos que ficaram pelo caminho. E vem também o medo de perder as pessoas queridas que vi completarem a mesma idade que completo nessa data. Pois se eu já estou aqui, quer dizer que elas estão mais pra lá ainda…
Até que eu vi o João Pedro fazer 5 anos.
E me lembrei de um sentimento muito bom que andava meio esquecido em meu baú de hipocondrias. A festa começou no café da manhã. Um bolo feito pelo pai, em família, nós quatro. Balões colados no lustre. De pijama, ele soprou a vela e aquela fumaça já anunciava que a quinta-feira seria diferente. Vestiu sua roupa preferida e foi brincar com o irmão. Pouco depois, recebeu um vídeo da sua professora com um recado. Os olhos brilharam.
Foi ele quem escolheu o cardápio do almoço. Algo especial, que movimentou a casa.
Em seguida, foi à loja escolher um presente. Levou uma guitarra que toca
sozinha e saiu se achando o próprio Slash, de quem, brincamos, tem o mesmo estilo.
Na aula online, ouviu os parabéns no descompasso carinhoso dos seus
coleguinhas. Mais tarde, teve mensagem das primas. E visita dos avós com outro bolo caseiro, de banana, como ele mais gosta. Foi a sobremesa do jantar, que comeu muito alegre.
Na hora de dormir, recebi seu abraço apertado. Perguntei se tinha gostado do seu dia e ele disse que sim, com um enorme sorriso. Tive certeza que adormeceu encantado. Com fé de que a vida é boa e de que o amor existe.
Se aniversário tiver utilidade, João Pedro me lembrou qual seria ela.
Reforçar as coisas boas. Partilhar carinho. Nutrir uma couraça macia e terna que a dureza da vida não seja capaz de desfazer. Viver o presente, agradecer as alegrias e se encantar pelas coisas mais simples que existem. Afinal, é essa a razão de todos os exames periódicos…
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