Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Tabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Liberdade, ainda que molhada

Bandeira de Minas Gerais - Liberdade, ainda que molhada
Bandeira de Minas Gerais – Liberdade, ainda que molhada
Victória Farias

Ouça o seu coração. Não importa se ele vai te mandar entrar em uma fila enorme para comprar uma roupa que você não tem dinheiro para pagar, ou se ele vai te dizer para sair de casa com sombrinha, mesmo com o seu cérebro dizendo – sombrinha, para quê? Tá fazendo 40° graus em Belo Horizonte. Carrega sombrinha só quem é bobo.

A parte boba de mim está rindo, enquanto a que se acha esperta está torcendo as meias em uma marquise.

Ah, Belo Horizonte. A saudade que eu senti de você foi apagada da minha memória no momento que tive que subir dois morros por ter descido do ônibus no ponto errado.

Você me desaponta toda vez que me promete sol e calor, com direito a uma gelada na Sapucaí na sexta-feira à noite, e me entrega uma avenida Amazonas alagada, onde o caos impera.

Eu confiei em você, quando disse que a sua comida era a melhor do mundo, mas você me entregou um pão de queijo queimado, enrolando em um saquinho de papel, só por que eu não prestei atenção no produto que a atendente embrulhava.

Eu jurei para o mundo que as pessoas daqui eram legais, até eu ter que voltar para casa às pressas, depois de que alguém com pressa passar correndo por mim e pela minha correria, e me banhar com o líquido gelado das poças d’água.

Eu me pergunto que mal te fiz. Te magoei por não saber latim, e não poder entregar sua mensagem de ordem em preto e vermelho pelo mundo?

Te desapontei por não me expressar tanto pelo uai, e usar o diminutivo apenas quando necessário?

Virei as costa para você, depois de olhar para o mar e pensa que, talvez, te trocaria pelas águas cristalinas que não parecem ter fim?

Pois bem, sugiro que façamos as pazes. Nem água cristalina, nem pão de queijo queimado vão me fazer desistir de você.

Eu ficarei aqui, rodeando seus morros e tentando não me afogar nos seus alagamentos. Juro que serei mais paciente quanto a minha sexta-feira à noite.

Agora, se você me dá licença, terei que me ausentar por um momento. Começou a chover dentro do escritório. Talvez se eu for lá fora me molhe menos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.