Skip to main content
 -
Eduardo de Ávila
Araxaense e belo-horizontino; Advogado e Jornalista; caçula e temporão; 60 anos vagando pela vida nas ruas do interior e da metrópole observando o comportamento de pessoas e da própria sombra. Debater e discutir – de maneira saudável e com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

 - Daniela Piroli
Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Governo francês barra celular em sala de aula

Foto: divulgação | Unasp

Por Daniela Piroli Cabral

contato@danielapiroli.com.br

Desde o início de setembro, está proibido o uso de aparelhos celulares e de outros dispositivos com acesso à internet nas escolas de ensino fundamental da França. Tal mudança, que abrange crianças entre 3 e 15 anos, é parte da reforma escolar que vem sendo promovida pelo ministério da educação do país.

A medida causou polêmica e muita discussão no mundo todo. Dados mostram que 80% dos adolescentes entre 13 e 19 anos têm um smartphone na França e o impacto do uso desregulado destes dispositivos no ambiente escolar provoca uma série de problemas que vão desde diminuição dos níveis de concentração e, consequentemente, dos níveis de aprendizagem, até a redução da prática de atividades físicas e empobrecimento das interações sociais.

Na proposta original, o governo falava em “desintoxicação” para a distração nas salas de aula. Mas na prática, sabemos que esta é uma importante medida de cunho econômico (já que a educação representa a maior parte dos gastos públicos do país) e de saúde pública.

Sabemos o quanto o uso do celular pode ser nocivo para nós adultos. Não é incomum estabelecermos padrões de uso nocivo com os smartphones em nossos trabalhos (com impactos sobre a produtividade), em nossa rotina do sono (com impactos sobre a quantidade e a qualidade do sono), em nossas interações sociais (com impactos sobre a qualidade da comunicação e do contato social) e até ao dirigir veículos.

Os efeitos desta exposição a cérebros de crianças e adolescentes, que ainda estão em formação, que não desenvolveram maturidade para autorregulagem e processamento dos conteúdos da internet podem ser muito ruins.

Há tempos, venho falando aos meus pacientes e escrevendo sobre o tecnoestresse e sobre quão  danosa pode ser a exposição à redes sociais para a saúde mental das pessoas. Na minha humilde opinião, o governo francês está combatendo a depressão, a ansiedade pela via do combate ao isolamento e ao silenciamento que o uso excessivo e indiscriminados dos aparelhos produz. O governo francês está reforçando os laços sociais reais e promovendo o aumento dos níveis de atividade física das crianças. O governo francês está fazendo no contexto macro o que muitos pais não conseguem fazer no contexto do micro.  

Postagens relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.