“Domingo, colorido pelo sol: as morenas na praia que gingam no samba e no meu futebol…” Este é o refrão do samba-enredo Domingo (1977), de Adhemar Vinhaes / Aurinho da Ilha / Ione Do Nascimento, defendido pela Escola União da Ilha no desfile daquele ano, no Rio. Num ritmo um pouco menos efusivo, mais infantil, o grande e saudoso Sílvio Santos também festejou esse dia: “Domingo é dia de alegria.
Vamos sorrir e cantar…”. Numa pesquisa rápida, encontraremos dezenas – talvez centenas – de canções que fazem loas a este primeiro dia da semana. E hoje, domingo de carnaval, não pode ser diferente.
Em algumas cidades, em razão de horários de labuta, alguns trabalhadores encontraram datas e horários alternativos para também comemorar nos folguedos de Momo. É o caso do Galo da Madrugada, no Recife. E muito mais próximos de nós, em Belo Horizonte, a Banda Mole, do saudoso Bororó; e o Bloco dos Sujos, pelos históricos caminhos da bela Nova Lima, na grande BH.
E é mais do que justificado o empenho em tirar as fantasias do dia a dia para vestir a alegria do despojamento, a ironia com a própria condição ou situação, a projeção caricata de sonhos impossíveis. Beber até cair. Dançar até furar os sapatos. Suar camisas e lavar a alma. Promover um “by-pass” nos problemas e excluí-los de nossa memória… pelo menos até a Quarta-Feira de Cinzas.
Mas, no domingo, não. No carnaval, o domingo dispensa o frango com macarronada, o estiramento no sofá, a visita protocolar aos sogros, os repetitivos canais de streaming, seus filmes e suas séries. Como bem instituído por Joãozinho Carnavalesco e Maurinho da Mazze, no samba Alegrias de Domingo (1989), lançado pelo ótimo “Originais do Samba” e reinventado pelo genial e meteórico grupo Sambô, em 2012: “Peço duas cervejas / só prá refrescar / E um acerto prá noite / a gente se encontrar”. Mesmo porque, esse é o domingo perfeito, mágico: normalmente, não há expediente amanhã. Então é para se esbaldar de verdade, remover o lodo das ideias, expulsar a tristeza, varrer pra longe quaisquer problemas, transformar inibições em coragem de ser feliz. Ao menos por alguns dias. Ao menos nesse Carnaval, acreditar que integramos a corte real, que somos líderes, que somos bonitos, pessoas de sucesso… somos tudo o de bom e de melhor que a vida nos restringe nos outros dias do ano. Que bom poder gritar, confiantes na verdade personalíssima de um sonho que ninguém reconhece: “Eu sou o Sol”, com a mesma convicção com que Jorge Bem cantou essas palavras que escreveu no samba “O Dia Que o Sol Declarou o Seu Amor Pela Terra” (1981).
Já não é tão simples superar os grandes desafios ao corpo quando se aproximam os 70 anos de muita história e de muitos desafios. Mas quero acreditar que ainda tenho alguma energia para esse turbilhão de alegrias, afinal minha Escola de Samba favorita, a Mocidade Independente de Padre Miguel já cantou em 1992: “Sonhar não custa nada…”
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