Quando o governo propôs, no orçamento anual, uma redução significativa dos direitos das PcD, houve uma mobilização importante desse grupo de pessoas.  

Abaixo-assinados, visitas a parlamentares, correspondências aos representantes e às entidades que atuam em favor desse segmento, além de outras iniciativas. A expectativa, considerando que esse recorte social alcança quase 20% da população, era de um movimento significativamente maior. Mas conquistou alguns avanços. Ou melhor, evitou parte dos retrocessos. Era, entendo, de se esperar mais visibilidade nessas valiosas demandas para um público já naturalmente sacrificado. Todavia, ficou praticamente restrito aos grupos mais aguerridos e a algumas pessoas, mais ativas, que se importam.

Por outro lado, não faz tanto tempo assim, as pessoas ficaram aturdidas com a Máfia de anões do Orçamento. Seguiram-se o escândalo do Mensalão; o caso Coroa-Brastel; a compra da Refinaria de Pasadena; a aquisição fantasma dos respiradouros durante a Pandemia; os segredos envolvendo gastos milionários de Cartões Corporativos; os desvios dos Fundos de Pensão; malas com milhões num apartamento e dinheiro na cueca; todo o banditismo envolvendo os Correios, a Petrobrás e as áreas de energia, saúde e educação. Sem falar na aposentadoria de pessoas simples: os roubos do INSS…

Causa muita dor saber que tantos desmandos, tanta corrupção e malversação do dinheiro público ainda encontram espaço para se empenhar no massacre dos direitos conquistados com tanto esforço pelas PcD. A batalha por evitar os danos da proposta esbarrou, certamente, no receio de muitos em perder ainda mais do mínimo que já haviam conquistado. Valores que não oferecem dignidade, nem permitem a emancipação dessas pessoas, mas auxiliam na sobrevivência. Na verdade, funcionam como instrumento de preservação na condição pobreza, de dependência eterna, asseverando votos pelo receio da represália, não pela gratidão, não pela consciência, mas pelo medo. É uma grande pena que seja assim.

Imagine-se os grandes talentos e capacidades inatos de um sem-número de brasileiros sendo burilados como diamantes brutos e se transformando em joias reluzentes. Ou em borboletas após a fase dos casulos educacionais em escolas apolíticas, focadas no aprendizado e na aplicação do conhecimento. Ah! Que País de glórias teríamos.  

Por outro lado, causa estranheza, a quem ainda pensa, a sensação de que todo esse volume de indecências parece já não incomodar as pessoas. Passa a ser visto como coisa natural, inevitável mesmo. E é assustador porque mesmo aqueles cuja vida seja bastante afetada negativamente, mais espezinhada, defendem vigorosamente aos seus opressores, os que os mantêm reféns, como gado encurralado aguardando o abate.

Crises, em qualquer época, tem o condão de elevar alguns e massacrar a muitos. A diferença está, quase sempre, na capacidade de aplicar, com inteligência, boas práticas, conhecimentos resultantes das experiências e a coragem de enfrentar estrategicamente as adversidades. Por outro lado, a maldade também é capaz de se aprimorar, de usar truques e habilidades para enganar inocentes, manipular dados, convencer incautos e driblar aquilo que se ponderou justamente para produzir regras e acordos. Essa dinâmica determina quem perde e quem ganha, quem é ingênuo e quem é Master.

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