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Ilógico coração

Silvia Ribeiro

O corpo necessita de forma abundante, e é difícil explicar. Uma sensação inevitalmente interessante e que ocupe um lugar de capa no livro da nossa história.

Por mais que esse órgão carregue consigo o objetivo inicial de mudar as nossas dinâmicas, ele tem um lado humano.

E, acima de tudo, quando não consegue processar essas agitações sensoriais, age como se sempre soubesse da proximidade desses sentimentos.

É com ele que encontramos forças que jamais imagináríamos possuir. Portanto, ele é o único ser capaz de transformar a vida em coisa rara e criar presenças inesquecíveis.

Naturalmente, não descarta o título de “guardião dos grandes amores”.

Durante algum tempo, eu acreditei que viver as suas loucuras fosse uma missão. Algo que tivesse sido acordado entre forças ocultas e, supostamente, desconhecidas.

Não achava justo olhar para dentro de mim mesma e ver a imagem de alguém sorrindo sem se esconder, e não saber o que fazer com o eco das suas risadas me mostrando o que foi bonito.

Me assustava saber de cor a tonalidade exata dos seus olhos, e carregar na memória o instante do seu último gozo.

Tentei definir essas sensações e decidir sem culpa o que eu estava sentindo, porém, pela primeira vez, eu tive a consciência que havia chegado a minha hora.

Me perguntava o tempo inteiro se aquilo era uma “punição”.

Talvez.

Por expandir os meus desejos? Por querer carícias com significados? Por sentir fome de um corpo? Por tocar a saudade sem véu?

Porquês que nunca chegaram com respostas.

Mas, veio ele.

E com ele, um ilógico coração

Blogueiro

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