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Esperança

As muitas coloridas e variadas luzes mantêm seu brilho após a grande festa. Muitos desejos se realizaram. Outros tantos se frustraram, mas, para a maioria das pessoas, especialmente as cristãs, as festas natalinas trouxeram algum conforto. Pelos reencontros, pelo expressar de desejos de sucessos uns aos outros, pela troca de presentes como forma de dizer que quem recebe não foi esquecido. É uma festa para abraçar familiares, mandar e receber mensagens espiritualizadas, motivadoras, carinhosas.

O dia seguinte traz seu próprio brilho enquanto algumas pequenas lâmpadas, que formam o manto das árvores de Natal, começam a se apagar. E mesmo sua grande beleza, ampliada pelo simples fato de serem sazonais, se distancia do interesse, mesmo das crianças que já focam em outras “novidades”. Inclusive das telas dos celulares, que são capazes de se renovam a cada instante e, assim, podem prender a atenção, não só de crianças, mas também de muitos adultos sedentos por um preenchimento que tantos estímulos já não tem o poder de satisfazer.

Mas há uma nova expectativa de vida que começa a se formar com mais intensidade. Há uma nova comemoração se aproximando. Eis que o horizonte aos poucos se abre num alento pueril para acreditar numa mudança consistente para dias melhores ou para a consolidação de resultados que sustentarão outros tantos, ainda melhores.

É como estar num velho navio que, depois de uma grande tempestade, com seus momentos de heroísmo e prontidão, sustos e incertezas que são a tônica de toda tormenta, perceber que a calmaria se instala. Novos planos são moldados e a memória da tristeza pela não realização dos sonhos previstos, competem pela atenção e instilam, cada um com suas nuances, a convicção de nova oportunidade e a angústia pelas perdas no trajeto. As sensações se aproximam, no convés desse barco em que se é o capitão, como o velho marujo que perdeu uma das pernas no embate com uma grande baleia e, por isso, coxeia. Seu caminhar produz o som triplo característico do pisar arrastado com uma antiga bota, e duas batidas secas: essa da bengala de madeira e a outra, o pisar com a prótese cônica, referida como “perna-de-pau”. Causaria receio ao navegante do tempo, aquele sobressalto cultuado àquilo que se desconhece, se não fosse a convicção de que é tão somente um novo dia a embalar o barco.

E o fim do ciclo é logo ali, mais um ou dois dias e o portal do renascer se apresenta. Serão, se tivermos a primazia de vencer os nossos desafios, mais trezentos e sessenta e cinco dias de oportunidades de abraçar a felicidade e contribuir para que outros também o façam. Afinal, os sonhos são o alimento que vai nutrir e energizar a realização de tudo o que representa sucesso para cada um e que, naturalmente, não tem a mesma forma ou aparência para todos. E o melhor é que, também logo ali, se iniciará o novo ciclo com suas assincronias, de momentos bons e de momentos desafiadores. Mas sempre, com esperança.

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