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O risco do amor

Silvia Ribeiro

O risco do amor.

Ver destroços da sua alma solitária vagando em dias nublados, e um frio que não passa.

Madrugadas insones levando os seus olhos à contar estrelas que não acabam mais.

Um fatídico cheiro de saudade açoitando a pele, lembrando os velhos engenhos cheios de sangue.

O coração tresloucado bendizendo cada gesto que afaga, e cada gota de um beijo molhado.

Irradiações intensas por toda as células, imperceptivelmente entrando pelo quarto, tentando emanar carícias que parecem abstratas.

Mãos agonizantes que se perdem num abismo de ilusões que quebrou-se de repente, sem uma forma gentil de dizer adeus.

O risco do amor.

Comer o seu corpo com a gula de uma fera faminta.

Guardar o cântico dos seus gemidos na memória, e ouvi-los no silêncio de uma rua inteira.

Paralisar o seu perfume em todas as curvas da minha anca.

Fazer versos sagrados para imortalizar a sua língua na aréola dos meus seios.

Ah! O risco do amor.

E as absolutas certezas?

Eis, que viram voando na cauda de um cometa.

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