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Revolução

No best-seller mundial “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, do genial Dale Carnegie, lançado nos EUA, em outubro de 1936, entre tantas, há uma citação particularmente impactante. Neste clássico, reeditado inúmeras vezes e ainda sucesso de vendas, nota-se uma metáfora interessante. Utilizando um fato e análise científica acerca de uma enorme árvore centenária que, sem motivo aparente, tombou fragorosamente.  Pesquisadores avaliaram que aquela planta existia ali desde muito antes do “descobrimento” da América. Suportou ventos assustadores de tufões, queimadas, longos períodos de estiagem e até inundações. Essas informações são comprovadas pelos anéis que formam o seu tronco. Então, o que teria destroçado aquela majestosa árvore? Que força brutal a teria vencido?

Para espanto geral, identificou-se em suas raízes e na base do tronco, centenas de cupins, individualmente menores que 1 cm de comprimento e 0,4cm de diâmetro. E foram exatamente eles os causadores da decadência e consequente desmoronamento daquela gigante da natureza.

A analogia que traz Carnegie, é que enfrentamos com força, coragem e disposição os grandes desafios da vida, mas nos deixamos abater por problemas de menor importância. No entanto, são esses que nos corroem por dentro, minando nossas forças. Nós os levamos em nosso cerne onde quer que estejamos. Para o trabalho, para o lazer, para as relações e até para a cama, quando, às vezes substituímos o nosso repouso pela atenção àquilo que não vale nosso tempo nem nossas preocupações.

Tenho ouvido, com certa frequência, inquietações de pessoas quanto ao domínio das máquinas e novas tecnologias sobre a humanidade. Toda essa tensão foi ampliada pelo cinema, que apresentou cenários catastróficos dispostos por invasões alienígenas, por rebelião de artefatos robotizados construídos por cientistas ou mesmo por corpos celestes desgovernados que atingem a terra.

Tenho buscado eliminar os “cupins” que teimam em infestar minha mente e minha alma. E os inseticidas que uso são: molhar o jardim e um pequeno pomar; desligar a televisão; conversar presencialmente com as pessoas; minimizar o uso do celular, valendo-me dele e das redes sociais, para contato com amigos distantes. Mesmo na condição PcD, tento evitar o sedentarismo.

E tem dado certo. A ansiedade reduziu. Houve melhoria, inclusive física, de memória e de humor. Tenho fruído mais sorrisos do que notícias preocupantes, tenho ouvido mais casos de sucesso do que de sofrimento, tenho visto a mim nas pessoas de boa aura.

Dessa forma, grande parte da percepção de adversidades que muitos veem no desenvolvimento tecnológico passam ao largo de meu olhar. Ainda consigo perceber que a distância é menor entre mim e as pessoas queridas; que inúmeras doenças tendem a ser definitivamente erradicadas; que a vida tem sido prolongada com bom nível de qualidade; que há equipamentos de suporte às PcD que emprestam liberdade e confiança para uma vida mais feliz, dinâmica, independente e autônoma. Enfim, hoje prefiro acreditar que o desenvolvimento de novas tecnologias divergem do futurismo trágico de “Eu, robô”(2004), Matrix(1999) ou “O Exterminador do Futuro” (1984); tendendo mais para “Os Jetsons” (desenho/1962) e “IA-Inteligência Artificial(2001), revolucionários em prol dafelicidade.

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