Pé na estrada. Assim viveu Lô Borges – tênis surrado, alma livre, autógrafos dados com o mesmo gesto simples de quem oferece um pedaço de vida. Assim viveu, assim despediu.
Da esquina de Paraisópolis com Divinópolis, no bairro Santa Tereza de Belo Horizonte, partiu o menino do Clube da Esquina para o gigante movimento da música mineira e brasileira. Daquele canto de cidade, entre ladeiras e sinos, ecoou o som que atravessou montanhas e mares.
“Da janela lateral do quarto de dormir”, vimos com Lô o mundo pequeno e imenso ao mesmo tempo: uma igreja, um muro branco, um voo de pássaro, um velho sinal. No balanço dos dias, entre nasceres e pôr do sol das montanhas, havia sempre um girassol em nossos cabelos – vento solar, estrelas do mar, a terra azul da cor do vestido que ele cantava.
Se eu cantar, não chore não, é só poesia – parecia dizer sua voz, leve e firme como o vento. Lô pedia pouco: dançar, amar, mais um dia, uma rua, um sol. Havia nessa simplicidade um modo de ser Minas – discreta, mas profunda, que fala mais pelo som do que pelas palavras.
Despedimos de Lô em cantoria, como se a música fosse o único idioma possível para dizer adeus. Mas, um silêncio… Milton Nascimento – e somos avassalados por sua e nossa dor. Na cumplicidade, vivemos a despedida de Lô Borges.
Ah… o eco de Lô Borges é eterno e nas estradas de Minas, escutaremos sua pegada – leve, firme, encantada. Nas montanhas, o eco de sua voz se mistura ao vento solar e lunar.
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Nosso mineiro de corpo e alma, partiu para o outro plano e nos deixou suas melodias encantadas e eternizadas! Vai fazer muuta falta! R.I. P.