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Uma serva

Silvia Ribeiro

Conscientemente, não planejo um efeito nas minhas escritas. Embora, tenha a certeza absoluta das reações que elas causam.

Até porque, já me falaram muito sobre esses fenômenos.

E quando recebo esse tipo de resposta, através de um amigo, ou muitas vezes, de alguém que eu nunca vi na vida, relembro o meu primeiro contato/interesse pela leitura.

Episódios que produzem em mim significados que até eu mesma não conhecia, e que eclodem de maneira devastadora.

E principalmente, abrem espaços para uma sensação de utilidade que me parece ser válida. Ouso dizer que, conversam timidamente com a minha vaidade.

Penso numa série de coisas que eu poderia dizer. Pitadas do cotidiano, romances tórridos e falidos, assuntos que estão em evidência ou uma inibida nuance autobiográfica.

E em determinado momento, o meu lápis começa a palestrar totalmente apartado de mim. E não me dá sequer a chance de me enfiar no meio da conversa. Para mim, não sobra muito o que dizer.

As vezes me debruço nas suas frases e me contamino com as suas inspirações. Me sinto lisonjeada por ser “usada”, e digna desse conchavo.

Uma experiência humana, para os céticos, e uma adequação espiritual para os mais crédulos. Ambas, me impressionam.

Como sempre digo, não tenho um estilo em primeiro plano, e um aviso antecipado sobre o que eu vou produzir. E a possibilidade de partilhar sentimentos e descobertas é uma excitação que eu me esforço para manter.

Não vou dizer que escrever é uma jornada verdadeiramente adulta, as vezes, me sinto como uma criança sentada numa gangorra, esperando o vento me balançar. E quando ele vem sinto cócegas nos movimentos dos meus sentidos. É uma delícia.

É por conta dessas “devaneadas”, que eu me aproximo de corpos, mentes e espíritos que eu não conheço.

Este é o olhar de uma serva.

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