Segundo o pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicot, uma boa mãe é aquela que tende a tornar-se desnecessária para seus filhos com o passar o tempo. Não é difícil compreender essa ideia. A mãe deveria atender às necessidades de seus bebês e crianças pequenas e, gradualmente, permitir que adquiram independência e autonomia. O que deveria restar entre ambos seria uma relação prazerosa de convivência e harmonia, sem codependências.
Estou com bastante dificuldade nesse particular acima.
Tornar-me desnecessária está sendo verdadeiramente terrível. Embora, de alguma forma, tenha sido sempre esse o meu desejo – que soubessem fazer as coisas sozinhos e crescessem com certa autossuficiência – , quando isso se concretiza, fico meio sem lugar.
Como assim hoje não querem assistir a um filme da seção “família”? Como assim não preciso explicar mais muitas coisas? Como assim já sabem fazer quase tudo sem ajuda?
Que grande dualidade de sentimentos. O êxito em algo que nos esvazia de uma função. Não que seja um êxito absoluto. E não que eu já não sirva mais para nada. Mas essa transição, esse afrouxar das mãos dadas é bonito e doloroso. É natural, libertador para ambos e ao mesmo tempo dilacerante.
Repito para mim mesma que faz parte. E sigo com meus bebês fantasmas no colo tomando muito cuidado para não confundi-los com os dois seres amados de ossos longos e vozes firmes que desabrocharam em minha casa.
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