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A visitante

Taís Civitarese

Quando a morte bate na porta, a gente atende em silêncio. Ela entra, se acomoda e nos mira nos olhos como uma convidada desde sempre anunciada.

Ela faz o seu trabalho lentamente. Não reagimos. O que fazer diante da grande senhora do tempo? Ela o encerra com precisão. Está feito. E deixa-nos a mercê da ceifagem da vida de alguém amado.

Ela tem o toque gélido. Não tem rosto. É solene e autoritária.

Seu cheiro permanece no ar após a partida. Impregna-se em nós e demora a ir embora.

Permanecemos na sala. Não há luta, não há grito. Não há nenhuma rebelião possível.

A morte caminha de mãos dadas com o tempo. Fomos avisados. Era esse o preço da felicidade. Era esse o preço de se desfrutar da vida. O preço de cada raio de sol, do colo de mãe, de cada beijo recebido, da fruta madura.

Assim foi feito o acordo e ele foi cobrado. Não tem agiota, inteligência artificial, acerto judicial, remédio ou magia.

Aceitemos. Se faríamos tudo de novo? Faríamos tudo de novo.

Ainda precisamos dele, do tempo. Agora somente ele, mais uma vez, para sedimentar a devastação que a partida de alguém amado provoca. Ela leva e ele cura. Ele atende a porta para a morte, ele a expulsa temporariamente.

Ele carrega-nos nos braços pelo rio da vida até o próximo desaguar.

Tais Civitarese

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