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Não é de hoje que pessoas oprimidas aliam-se aos seus opressores para sobreviverem. Isso acontece a todo momento. Negam sua essência, sua história e seu passado em troca de um pouco de sensação de pertencimento. Não são todos que estão dispostos a guerrear pelo que são. Concordo que nem sempre os contextos permitem a guerra. No entanto, a resignação à opressão é adoecedora.
A misoginia entre mulheres é um dos maiores exemplos desse mecanismo. É uma das coisas mais tristes de nossa socialização. A raiva naturalizada contra atitudes e posturas ditas “femininas” reforça todos os estigmas – loucura, histeria, desequilíbrio – e não contribui em nada para nossa evolução. O compartilhamento de risadas ao lado daquele que debocha é apenas um ensaio de quando o objeto do riso será você.
Pense por um minuto. Será mesmo que não se está sendo condicionada a jogar o jogo cuja vitória já está dada (e não será sua)? A cegueira funcional que nos habita vai tolerar até que nos tenha sido retirado tudo?
Você, amiga do patriarcado, pode pensar que está imune. Não está. O patriarcado puxa o pé de todas as suas defensoras. É só esperar para ver. Há inúmeros exemplos. Vêm na forma de decepções, traições, apunhalamento e desconsideração. Vem na forma de violências múltiplas, de defasagem em reconhecimento, de preterimento, machismo, preconceito, desdém.
Queria deixar registrado que a maior falta de dignidade possível é defender quem te despreza. Não seja puxa-saco. Tenha autocrítica, vigilância constante e questione sua realidade. Parece mais fácil ir com o mais forte, mas não é. Paga-se com um percentual da vida. A conta moral chegará fatalmente. Como mulheres, precisamos parir-nos de novo e de novo até enxergarmos o que é tão simples: somos nós por nós, apenas.
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