Silvia Ribeiro

Caminhe em direção ao que você acredita e não fique espalhando os seus cacos por aí sem nenhum critério. Guarde-os para o seu terapeuta, com certeza ele saberá como colar.

Ninguém precisa participar das suas “quebras”. Sem contar que é muito chato.

Tem horas que a fragilidade nos alcança e queremos nos fazer notáveis, só que na maioria das vezes a única coisa que conseguimos é ficar à mercê do outro.

Esperamos que o outro nos olhe, que o outro nos ouça, que o outro nos dê colo, que o outro nos vingue. Que o outro nos deseje, e que o outro nos diga somente aquilo que torcemos para ouvir.

Uma verdadeira overdose de “outro”. Para  simplificar- queremos que esse outro faça todo o trabalho sujo por nós.

Damos vida ao nosso imaginário, fazemos barulho com o coração, e cruzamos os dedos pra que alguém se intereja com os nossos anseios e coloque uma pitada de verde esperança no nosso prato. Bendita carência!

Pondere essa dependência, e não veja em outra pessoa um recurso pra te fazer menos compulsivo por afetividade. Não imponha a sua presença, muito menos o seu bemquerer, isso pode ser constrangedor para ambas as partes.

Tentar se encaixar numa caixinha que não te cabe só vai te apertar. Esteja somente onde corações pulsem na mesma sintonia dos seus sentimentos.

Em alguns casos aprenda a dar a sua ausência a quem fica feliz com ela, e pode crer que isso faz um bem danado. E de maneira nenhuma se entristeça por isso.

Olhe bem à sua volta! Veja como as janelas se abrem pra você, e se sentir vontade pule-as sem medo de esfolar as suas emoções ou desagradar o seu juízo. Lembre-se que “curativos” existem pra isso.

Ainda que o seu coração resolva fazer alguma traquinagem…

Não bata em portas que se fecharam pra você, não atravesse ruas pra se encontrar com quem nunca está do outro lado, tampouco abra os braços pra quem não sabe te acolher.

Não distribua palavras pra quem não sabe ler, não permita que o seu nome esteja numa lista de espera, e de forma alguma colecione desimportâncias.

Não é sobre o “outro”.

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