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Terra do nunca

Silvia Ribeiro

Ela se viu passeando por uma senda que parecia não ter um final… E uma menina assustada em busca da “Terra do nunca” se expressava. “Nunca cresça”.

Tinha um andar ligeiro que parecia querer dizer algo, e uma curiosidade estampada no vestido que sobressaía diante daquele andar amedrontado.

Perguntas e mais perguntas rondavam aquela cabecinha. No entanto, suas mãos frágeis e pequeninas não alcançavam as respostas.

Suas emoções dançavam euforicamente envolvendo a sua cintura e se esvaíam feito bolas de sabão. E isso parecia fascinar aqueles olhos jaboticabados.

Mesmo sem entender nada do que se passava não precisava provar nada pra ninguém, e ela estimava aquele clima de deboche consiga mesma.

A verdade é que aquela busca por significados não fazia muito sentido. Ela só se importava com algo que a tirasse daquele estado de nostalgia, e que de alguma maneira pudesse divagar nas suas lembranças e deduzir as saudades que ela não sabia bem ao certo de onde vinham.

Talvez uma irreverência infantil pudesse descrever o seu anseio e aquele oco de respostas. Mas como poderia acalmar o seu coração se ela havia caminhado apenas alguns passos?

Até que ela decidiu que não precisava ser incrível na arte de adivinhações e prosseguiu.

Hoje…

Lá vai a menina! Muita coisa não mudou e os seus pés já andaram bastante.

Pessoas estão fazendo falta, sentimentos trocaram de morada, biografias não saíram do rascunho, e paredes demandaram cores ousadas.

Coletividades foram substituídas por solitude, chicotes atirados no lixo, várias ambições não fazem mais sentido, energias densas evaporaram. E cidadãs e cidadãos chegaram de mala e cuia dentro do peito.

E ela…

Brinca no quintal da sua casa intentando desvendar os seus mistérios, construindo os seus amores, colecionando lápis, e rindo das suas patetices.

Dentro dela…

Muitas perguntas pra poucas respostas e uma menina assustada em busca da “Terra do nunca” segue adiante.

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