Então nosso patrão resolveu abolir a censura? Ou teria resolvido abolir a ética? Vendeu a alma para o alaranjado e quer seguir nos fazendo de otários?
Olha, eu amo os nerds. No colégio em que estudei, ouvia-se dos professores: seus colegas mais estudiosos serão os seus chefes de amanhã. Não foi mentira. Sempre admirei as habilidades cognitivas e meu sonho era ser muito inteligente. No entanto, se essa habilidade não estiver aliada a bons valores, de que serve?
Serve para destruir o mundo.
Existe o talento, existe a inteligência e existem os valores. São partes de uma mesma engenhoca chamada ser humano e que tem grande potencial para produzir coisas boas. Mark Zuckerberg conectou as pessoas. E daí, foi só ladeira abaixo. Endossou algoritmos angustiantes, aderiu a técnicas dopaminérgicas para viciar o usuário de rede social, não oferece suporte adequado a quem sofre golpes nas redes (sic eu mesma), nunca incluiu um mecanismo protetor para o excesso de tempo de uso e, agora, passou a vassoura no que restava de princípios em sua Meta: a moderação.
Seria economia? A empresa está precisando de dinheiro? Seria alinhamento político? Sem dúvida. Marcos homologou a carteirinha de trouxas de todos nós. Disfarçou de direito à liberdade o que, na verdade, é o direito à enganação alheia. Tudo na vida em sociedade tem moderação. Seja ela dada pelo espaço do outro, pelo direito do outro, pela lei, pela natureza, pela escassez. Nada é total neste mundo. O que está imoderado, alucinado e quase napoleônico é o delírio trumpista e o medo de Zuck em ficar de fora da festa. Blergh para ambos!