Daniel na cova dos leões - Fonte: Internet

Daniel na cova dos leões

Daniel na cova dos leões - Fonte: Internet
Daniel na cova dos leões – Fonte: Internet
Tadeu Duarte
tadeu.ufmg@gmail.com

No dia 24 de dezembro, véspera de natal e apenas quatro dias após ser colocado em liberdade condicional por já ter cumprido um terço de sua pena injusta, Daniel Silveira, ex-deputado federal e mártir da liberdade de expressão, foi novamente preso por ordem do STF, via Ditador da Toga (alcunha dada por Silas Malafaia) Alexandre de Moraes.

O pretexto jurídico da vez foi alegar que nosso musculoso guerreiro democrático “desrespeitou as condições de sua liberdade condicional”, apenas por ter ficado passeando por mais de dez horas fora de casa. 

Já não basta o desconforto e a humilhação pública da obrigatoriedade de usar uma tornozeleira eletrônica em sua canela grossa? É um escárnio da justiça tratar um homem de conduta ilibada como Daniel Silveira como bandido.

Então quer dizer que na ditadura do Xandão alguém em liberdade condicional não pode dar um rolezinho no shopping pra comer um Big Mac? Não pode ir à igreja orar pedindo aos céus uma guerra civil? Não é possível que ele tenha que abrir mão das delícias da vida noturna apenas porque a lei determina que ele tenha que estar em casa às 22 horas, quando todos sabemos que as baladinhas mais top começam à partir da meia noite.

Falando em festas, a prisão ganha requintes de crueldade, pois foi decretada justo agora, no finalzinho do ano, quando Daniel estava programando descer lá pra BC, onde os bombonzinhos estão bronzeando e só esperando pra chegar e morder.

Para Silveira não adiantou nem mesmo passar rapidinho pelo hospital e meter o álibi do atestado médico, pois Xandão o considerou suspeito.

Para perseguir nosso preso político, o Cabeça de Ovo do STF duvida até mesmo da medicina. Não é a primeira vez que Daniel sofre tal injustiça,  foi assim em sua antiga empresa, onde Daniel trabalhou como trocador de ônibus e seus antigos empregadores o processaram por apresentar atestados médicos “fajutos” para faltar ao serviço. 

Tal processo o impediu de entrar para a Polícia Militar, o que Daniel só conseguiu após decisão da justiça.

Entre 2012 e 2018, o bravo Cabo Silveira fez uma brilhante carreira na Polícia Militar carioca, mas ainda assim foi perseguido pela corporação. Na sua ficha policial consta que o PM Daniel tinha “mau comportamento”, chegou a ficar 26 dias preso e 54 detido, recebendo também 14 repreensões e 2 advertências. Com essa longa ficha corrida, de acordo com o boletim da corporação, por fim Daniel foi considerado “inadequado para o serviço policial militar”.

Em entrevista à revista Piauí, Daniel revelou aos risos que na sua trajetória como policial militar “Não dá pra contar quantas vezes acionei o gatilho, mas não tive desvios de conduta, nunca matei ninguém. Não por erro”, continuou rindo outra vez. “Matei o quê? Uns doze, por aí, mas dentro da legalidade, sempre em confronto”.

Formado em direito pela Universidade Estácio de Sá, o agora Doutor Silveira foi eleito deputado federal em 2018, pelo Partido Social Liberal (PSL), com 31.789 votos. Uma semana após quebrar a placa em homenagem à vereadora carioca Mariele Franco, morta pela milícia carioca, junto com o também deputado Rodrigo Amorim e sob os aplausos do governador eleito, Wilson Witzel. 

Apesar do mimimi da esquerda, Daniel afirma que a placa colocada na praça Floriano Peixoto era fake e não oficial, assim sendo, ele não pode ser acusado de depredar o patrimônio público.

Antes mesmo de assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados, Daniel Silveira & Rodrigo Amorim, em sua “Cruzada pela Educação”, invadiram o Colégio Pedro II para acabar com qualquer “marxismo cultural existente nas escolas”. Ali, foram recebidos com vaias pelos estudantes e saíram de lá afirmando terem encontrado naquela escola uma “forte doutrinação”.

Em 2022 a denominada “justiça brasileira” o condenou a indenizar em 20 mil reais a direção do Colégio Pedro II, mais os custos processuais e também a apagar o vídeo da sua invasão, numa clara violação à sua liberdade de expressão.

Sua forte atuação parlamentar logo trouxe problemas com os poderes vigentes. O Sistema é foda, parceiro.

Daniel protocolou um Projeto de Lei (PL) que tinha o objetivo de instituir o Dia Nacional em Memória das Vítimas do Comunismo no Brasil. Sem conseguir citar o número de “genocídios” no país, Daniel queria conscientizar os brasileiros dos perigos da “ameaça comunista”.

Incluído nos inquéritos das Fake News, Daniel postava ao menos duas mensagens diárias com desinformação e ataques ao STF e TSE, afirmando ao defender o voto impresso: “O voto impresso vai acontecer ou então o STF e a Justiça Eleitoral não mais existirão porque a gente não vai permitir”.

Preso pela primeira vez em fevereiro de 2021, apenas por divulgar um vídeo defendendo um novo AI-5, ameaçar o ministro do STF Edson Fachin com “uma surra bem dada nessa sua cara com um gato morto até ele miar, de preferência, após cada refeição”.

Na ocasião, ele postou: “Polícia Federal na minha casa neste exato momento com ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Aos esquerdistas que estão comemorando, relaxem, tenho imunidade material. Só vou dormir fora de casa e provar para o Brasil quem são os ministros dessa suprema corte. Ser preso sob estas circunstâncias é motivo de orgulho”.

Em 20 de Abril de 2022, Daniel Silveira foi condenado pelo STF a uma pena maior que imaginou: vai dormir fora de casa durante 8 anos e 9 meses de prisão em regime fechado, além de sua perda de mandato, suspenção dos direitos políticos e uma multa de 212 mil reais, por conta de “atos antidemocráticos” contra ministros do STF.

Enquanto esteve em liberdade condicional nesse período, Daniel Silveira foi acusado de violar as medidas cautelares por 227 vezes, incluindo a ocasião corriqueira em que sua tornozeleira eletrônica foi roída e retirada pelo seu cachorro enquanto Daniel dormia. 

Em sua sentença, Xandão, o Ditador da Toga, escreveu que “a Constituição garante a liberdade de expressão com responsabilidade e não como escudo protetivo para práticas de atividades ilícitas, para discursos de ódio e discursos contra a democracia e às instituições. Esse é o limite do exercício deturpado de liberdade inexistente de expressão”.

No dia seguinte à condenação de Daniel Silveira pelo STF, Bolsonaro publicou um decreto concedendo a graça constitucional e perdoando Daniel pelos crimes pelos quais foi condenado.

Xandão em sua eterna perseguição à Daniel Silveira, dessa vez suspendeu o perdão concedido à ele por Bolsonaro, alegando uma inconstitucionalidade boba. O Ditador da Toga entendeu que a graça concedida à Daniel não vale, pois e ex-presidente, hoje também inelegível, “decretou seu indulto com desvio de finalidade, interesse pessoal e por estar absolutamente desconectado do interesse público”.

Em 2022 Daniel concorreu pelo Rio de Janeiro a uma vaga no Senado, e obteve 1.566.352  votos, ficando em terceiro lugar, atrás de Romário (PL) e Alessandro Molon (PSB), sem conseguir ser eleito. 

Dessa vez concorreu pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e assinou a sua filiação dentro da cadeia, com a ficha de inscrição levada por ninguém menos que Roberto Jefferson, hoje também preso pela mesma balela de “ataque à democracia e às instituições democráticas”, com o acréscimo de ter recebido com granadas e fuzis os agentes da Polícia Federal que foram cumprir seu mandado de prisão.

Com seus 1,92 de altura e 115 kilos, o ex-trocador de ônibus, ex-policial, ex-deputado e professor de Muay Thai, Daniel Silveira está novamente detido na Cadeia Pública José Frederico Marques, ou, para os íntimos, Benfica.

Sem direito à ceia de Natal e comemoração de ano novo. Tem sua dieta restrita à alimentação prisional, e, sem seus suplementos como creatina e whey protein e trembolona, perdeu seu shape. Não recebe sequer um  bulletproof coffee (ou café à prova de balas) que é sua refeição matinal preferida, uma mistura de café  batido com canela, gordura de côco e manteiga sem sal.

Tais parcialidades e arbitrariedades da justiça brasileira precisam ser futuramente corrigidas por uma instância superior e apropriada, e será, tão logo Donald Trump assuma a presidência dos EUA.

Daniel está preso na cova dos leões, mas não está sozinho. 

Junto à ele, na luta pela liberdade da Ditadura, estão Roberto Jefferson, o general de 4 estrelas Walter Braga Netto, o general Mario Fernandes, os tenentes coronéis Helio Ferreira Lima, Rodrigo Bezerra Azevedo, Rafael Marins de Oliveira e o agente da PF Wladimir Matos Soares, todos partícipes da operação “Punhal Verde e Amarelo”, que visava o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes e a implementação da República Chumbo Grosso, obviamente com Bolsonaro no poder.

Falando em Bolsonaro, do jeito que a Ditadura do Judiciário avança, é bem capaz dele logo logo fazer companhia à Silveira.

Só no Brasil: o capitão do povo defensor dos valores de Deus, pátria, família, cloroquina, ditadura, AI-5, tortura e liberdade, teve sua eleição roubada e pode parar na cadeia.

 

 

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