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Leānder Quadragesimae

Às vezes a vida não vai te apresentar nada, não vai te entregar nenhuma questão, muito menos pedir que você faça dos limões alguma limonada. Escrevo este texto depois de perceber que eu não tinha nada para escrever. Na verdade, existem muitas coisas, mas neste exato momento nada me instiga. Escrevo, porque de alguma maneira esse texto vai no sentido contrário da sociedade da performance, ele não tem nenhum resultado.

A partir do convite para me tornar um escritor deste blog, redobrei minha atenção sobre o processo criativo dos artistas, e das inspirações que provocam os escritores aqui do Mirante. Neste sentido, só pude perceber que eu sou eu, e não adiantaria escrever um texto com mil firulas que brotaram na minha mente, durante um fim de semana chuvoso, se durante este mesmo fim de semana eu só consegui dormir. Então, caros e fiéis leitores, assim como vocês, não sei muito bem o que fazer.

Há meia hora perguntei à minha amiga Victória Farias brilhante autora aqui do blog como ela lida com a escrita nessas situações, e ela me iluminou dizendo que quando não há nada, está tudo bem dizer sobre a linearidade das coisas. Então, por um exercício de percepção, notei que talvez as coisas tenham se acalmado por aqui. Digo talvez, porque em alguns momentos tenho convicção que só temos certeza das coisas quando elas passam como os melhores dias das nossas vidas que ao serem vividos, não possuem este título.

Por fim, não espero que vocês façam nada com nada do que foi entregue para vocês. Esse texto não tem conclusão, não espero que tenha, não espero que concluam. Não quero que eu seja lido com expectativa, não quero escrever sob expectativa. Talvez não querendo nada, mesmo com tudo nas mãos, não seja tão ruim assim. Talvez seja o que sempre foi, mas foi romantizado e capitalizado. Mesmo que eu ainda tenha medo de não entregar o que eu acho que é esperado, talvez não esperando nada de mim, eu não espere nada dos outros, ou da vida.  

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