Clara sentiu que aquele era o momento. Todos em família, sentados à mesa. Estavam reunidos para o jantar. Ela não aguentava mais guardar aquela verdade apenas para si mesma. Precisava fazer o que devia ser feito.
Bebeu um gole d’água, limpou a garganta e disse em alto e bom som:
– Eu votei no Bolsonaro.
Fez-se um silêncio. Sua mãe deixou cair o garfo sobre o prato. Seu pai engasgou com um pedaço de frango e precisou de três acessos de tosse para se recuperar.
Ambos olharam-na com um olhar estupefato, permeado de desgosto.
– Minha filha.
Apenas Bete, a gata, que parecia tudo compreender, aproximou-se de Clara e aconchegou-se em suas pernas como forma de consolo e comiseração.
– Desculpe-me mãe. – Foi tudo o que Clara conseguiu dizer.
Se pai levantou-se da mesa desconcertado.
– Preciso de um tempo. – E foi caminhando em direção ao interior do apartamento, escorando-se discretamente na parede do corredor.
A mãe explodiu em lágrimas:
– O que foi que fiz de errado? Onde errei?
Clara não tinha explicação. Disse que foi na onda, gostava do número daquele candidato. Era a sua idade.
– Papai nunca irá me perdoar, não é, mãe? E nem você.
– É difícil para nós, minha filha. Mas iremos tentar. Precisamos aceitá-la como você é.
Clara pediu perdão. Disse que tinha agido no impulso, que não pensou direito. Que estava arrependida. A mãe prometeu guardar segredo e jamais revelar aquele fato a nenhum parente. Não queria que Clara fosse tratada de maneira diferente.
Quanto ao pai, ela aguardaria o seu momento.
Terminaram de comer, tiraram a mesa e foram dormir.
Ao deitar, os pais se olharam e não conseguiram trocar sequer uma palavra. Toda uma nuvem de pensamentos desgostosos se apoderava de suas mentes naquele momento.
De uma coisa, tinham certeza: a partir dali, a vida em família jamais seria a mesma.
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