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Desembaralhe

Desembaralhe – Foto: Pixabay
Tais Civitarese

O patriarcado deu errado. Eis um fato consumado.

Até quem se alia a ele será, um dia, tragado por sua voracidade. Fato.

Minhas amigas, não se iludam!

Venho do futuro para lhes dizer apenas isso. Não adianta dançar conforme a música. Seus passos jamais serão bons o suficiente. Ou em breve, a “playlist” mudará e você precisará aprender tudo de novo.

Não adianta pintar o cabelo. Eles querem vender tinta e a cada mês do ano, estabelecerão uma nova cor para o momento.

Não adianta fazer o seu melhor. Eles querem sua alma inteirinha. E quando a tiverem, morrerão de tédio e farão cara de desprezo enquanto comem um pacote de amendoim torrado.

Esse jogo não foi feito para nós mulheres. Jogue-o e aguarde a sua rasteira vespertina. Ela virá. Vire a personagem perfeita. Não adiantará nada. Na hora derradeira, tal como um papel amassado, você será arremessada ao vento. Quando muito, depositada feito cinza numa lata de cerveja. Ali, ao menos, poderá se reciclar. Um destino levemente menos trágico.

Abstraia desse sistema e invente o seu próprio. O “amorarcado”, “pessoarcado”, ou qualquer outro que lhe aprouver.

Viva sua vida a despeito de expectativas que jamais foram suas. Você não perderá um dia sequer por isso.

Eu sei que é tentador. Sei que você ouve mil promessas. Sei que parece fantástico. Parece perfeito. Um castelo de aço, tricô e vidro. Não é! É gélido como uma madrugada. É escuro como um beco à noite. E é solitário como o silêncio.

Sei que você acha que descobriu o segredo. Que sabe burlar o sistema. Entenda que, quando o fizer, eles já terão inventado outros códigos e outras senhas. Não caia nessa. Atente-se.

Foque no seu desejo e caminhe com ele, apenas. Quantas histórias precisamos ouvir para chegar à conclusão que, no fundo, sempre soubemos?

Siga sua caminhada. Calce seus próprios sapatos. Leve sua bolsa consigo. Carregue seus livros. E não se esqueça de destrancar a porta.

*

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