Para o mundo que eu quero descer…
Pedi socorro…
Vou para a poesia…
Uma criança de 10 anos está numa mesa de cirurgia agarrada à sua girafa de pelúcia, provavelmente a única coisa que lhe dá suporte para sua fantasia de menina. Um refúgio no pescoço de uma girafa. Lá fora, um mundo insano. Fundamentalistas aos berros dizem coisas que não entendem e nem fazem sentido. Ela possui o corpo e mente estraçalhados pela violência sofrida ao longo de tão poucos anos. E o circo está montado além das portas. Estará ela num pesadelo? Acordará para a vida?
Com mais esse horror na mídia, e, agora se tratando da agressão a uma criança. Presenciamos o desrespeito à lei e a privacidade. Que Brasil é esse? Que dias sombrios são esses? Dias em que o impensável escandaliza, banaliza e passa para aqueles que só sabem berrar infâmias.
Ao que me parece, quanto mais se fale do monstro mais ele se fortalece. Busco outra saída…
Utilizei o título para apresentar minha primeira monografia – Da Palavra Falada a Palavra Falante. Nessa, defendia que a poesia e o mito eram expressões para dizer o indizível. Na época, anos 90, debrucei-me sobre o tema. Defendi que, para dizer o não dito e dependendo da dimensão da vivência humana, precisaríamos utilizar desses recursos de linguagem para expressá-la.
Nesse tempo, a transmissão que me interessava era altruísta e positiva – falar de nossas alegrias e esperanças. Retorno ao tema e penso que desde 2018, especialmente no Brasil, acirram-se os ataques que falam sobre o lado desumano de nossa civilização – incivilizada em muitos aspectos.
Diante disso e cansada de falar não falando, vou pedi socorro ao silêncio. Tenho pensado se é nele que encontraremos uma solução. Lembrando que não é omissão, lembrando que não é desconhecimento…
O silêncio…
Magnífico silêncio…
Onde há tanto barulho…
Silêncio…
Vamos deixar a vida entrar, porque da morte já estávamos fartos
No silêncio observamos e fortalecemos
Fortalecemos para caminhar
Qual caminho?
Do avanço
Porque de retrocesso já basta o que temos vivido.
Quero silêncio nesse Brasil.
Vamos escutar…
É da escuta que precisamos.
É da empatia que precisamos
Em algum lugar…
Uma criança agarrada ao seu bichinho de pelúcia… padece.
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