Oscar 2025 – A Verdadeira Dor

A Verdadeira Dor (A Real Pain, 2024) – indicado em duas categorias: Ator Coadjuvante (Kieran Culkin) e Roteiro Original.

Dois primos americanos que cresceram juntos e acabaram se distanciando fazem uma viagem à Polônia para conhecerem melhor o passado da falecida avó, que se confunde com o contexto da Segunda Guerra. Dois perfis diferentes e a amizade acaba não se sustentando, sobrando apenas as histórias da juventude e ressentimento.

Com Jesse Eisenberg na direção, produção, roteiro e papel principal, A Verdadeira Dor é um filme aparentemente simples, com uma história contada cronologicamente enquanto os personagens passeiam pela Polônia, visitando inclusive campos de concentração. Eisenberg acerta nos diálogos, desenvolvendo bem a relação entre os primos. Um parece ser o bacana, amado por todos, aquele que anima qualquer festa, enquanto o outro é o quadrado, que admira o jeito destemido do primo. É interessante perceber os caminhos que eles tomam ao longo da vida.

Se David, o personagem de Eisenberg, é mais contido e convencional, Benji dá a Kieran Culkin a oportunidade de brilhar, chamando toda a atenção para si. Pode-se dizer que ambos dividem o protagonismo no filme, mas Culkin foi colocado como coadjuvante para efeito de premiações, o que funcionou: ele deve levar um Oscar pelo papel. Benji dá ao título original um duplo significado: a verdadeira dor pode se referir ao sofrimento dos judeus perseguidos pelo nazismo, ou mesmo à dor que acomete os adultos na rotina da vida adulta, cheia de esforço e sacrifícios. Ou pode se referir a Benji, um “verdadeiro pé no saco”. Tipos como ele podem receber adjetivos elogiosos, como intenso ou autêntico, mas não passam de chatos.

Com uma fotografia altamente funcional, que nos apresenta respeitosamente lugares que exalam tristeza, A Verdadeira Dor faz um ótimo retrato do indivíduo de classe média que se aproxima da meia idade. Enquanto uns já têm tudo nos trilhos, com família e carreira, outros ainda não sabem o que farão do resto de suas vidas. David e Benji são pessoas que você conhece, se não você mesmo. Para quem se considerava queimado pelo Lex Luthor equivocado que interpretou, Eisenberg acertou em cheio com esse drama de pequenas proporções e grande profundidade.

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O Oscar 2025 e Anora

Hoje, 23 de janeiro, foi o dia do anúncio dos indicados ao Oscar 2025! A ser realizada no domingo de Carnaval, 2 de março, a cerimônia pode ser aquela em que Fernanda Torres sai com uma estatueta nas mãos! Ainda Estou Aqui (2024), longa estrelado por ela e Selton Mello e dirigido por Walter Salles, tem o recorde de três indicações ao prêmio norte-americano: Melhor Atriz, Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Se tem chances de levar, é uma questão discutível, já que cada categoria tem seus favoritos. Já é uma vitória o reconhecimento do longa e do Cinema Brasileiro, ainda mais se tratando de um prêmio americano, feito para americanos, com poucas exceções.

À medida em que os filmes indicados chegam ao Brasil, O Pipoqueiro traz aqui uma visão geral, para te situar nesse cenário.

Anora (2024) – indicado em seis categorias: Filme, Direção (Sean Baker), Atriz Principal (Mikey Madison), Ator Coadjuvante (Yura Borisov), Roteiro Original e Montagem.

Uma dançarina erótica de uma boate (Madison) conhece um jovem russo (Mark Eydelshteyn) de família milionária e começa a fazer programas sucessivos com ele, até que, num impulso, eles decidem se casar. O que parecia ser um tíquete para uma vida melhor se torna um pesadelo para Ani.

Com direção, roteiro, produção e montagem de Sean Baker (do badalado Projeto Flórida, 2017), Anora já chegou ao circuito comercial com a Palma de Ouro de Cannes, uma bela chancela para um cineasta já querido e esperado pelo público mais antenado. A história é bem realista, jogando personagens do submundo novaiorquino e milionários russos numa mistura que dá uma liga interessante. Da protagonista, sabemos o suficiente para nos importarmos com ela e não muito além disso, e os demais personagens vão aparecendo de forma marcante.

A fotografia urbana é bem eficiente e a montagem é enxuta, deixando o que importa e imprimindo um ritmo adequado, nem arrastado, nem acelerado. O senso de urgência que a história assume impacta no espectador e nos vemos torcendo por Ani, por mais que ela não se encaixe em nenhum estereótipo de mocinha em perigo. Ela é forte, mas vivendo situações de perigo real que podem oferecer risco. Todo esse quadro bem montado faz de Anora o melhor trabalho de Baker, que segue sendo um nome a ser acompanhado.

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Kraven e a dança dos personagens Marvel no Cinema

A editora Marvel tem milhares de personagens e é comum ver questionamentos sobre a presença ou ausência de alguns deles no Cinema, como por que Reed Richards (o Sr. Fantástico) não aparece ao lado dos colegas geniais Tony Stark (Homem de Ferro) e Bruce Banner (Hulk)? Outra dúvida pertinente é: por que diabos a Sony achou que seria uma boa ideia lançar filmes de personagens isolados do universo do Homem-Aranha? Com a estreia – e retumbante fracasso nas bilheterias – de Kraven, o Caçador (Kraven: the Hunter, 2024), alguns voltam a atenção para essa questão e vamos aqui buscar esclarecê-la.

Fundada em 1939 como Timely Comics, renomeada em 1951 para Atlas Comics e finalmente chegando ao nome Marvel Comics em 1961, a editora se tornou a casa de artistas famosos, como Stan Lee, Jack Kirby, Joe Simon e Steve Ditko, que criaram diversos personagens ao longo dos anos. O androide Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino, foram os primeiros dessa leva de heróis e vilões que conhecemos hoje, criados respectivamente por Carl Burgos e Bill Everett. Ao longo das décadas, a editora teve grande sucesso financeiro, o que não se repetiu nos anos 90, quando declarou falência.

Em meio a várias jogadas para não quebrar, a Marvel decidiu vender os direitos de adaptação para o cinema de seus personagens principais. Os Homens de Preto (que vieram na compra da finada Malibu Comics) se tornaram uma franquia de sucesso, seguidos por Blade, o Caçador de Vampiros (que Wesley Snipes trouxe de volta em Deadpool e Wolverine, 2024), os X-Men e o mais bem sucedido de todos, o Homem-Aranha, na pele de Tobey Maguire. O problema é que não existia a visão amplamente conhecida de hoje, de se criar um universo coeso com todos eles, e cada estúdio comprou o que achou mais interessante, separando o pessoal.

Em 1996, a New Line Cinema levou os direitos para fazer Blade, e lançou uma trilogia de sucesso. A Sony Pictures levou o Homem-Aranha e, pouco depois, a Fox comprou os X-Men e o Quarteto Fantástico. A Universal Pictures ficou com o Hulk. E assim em diante. Cada negociação envolveu certas condições, e a duração da proteção desses direitos nos Estados Unidos depende de algumas variáveis.

Em 2005, já boa das pernas, a Marvel começou a readquirir alguns desses direitos, e Blade voltou para casa em 2006. Com a aquisição da Marvel pela Disney em 2009, outros personagens se reuniram lá, e logo retornaram também o Motoqueiro Fantasma, o Demolidor e os demais heróis das séries da Netflix. Em 2021, a Disney comprou a Fox, trazendo mais gente de volta: os supergrupos X-Men e Quarteto Fantástico.

Além dessas aquisições e prazos expirados, tivemos outra negociação importante em 2012: os estúdios Marvel, visando inserir o popular Homem-Aranha em seu universo (o MCU), fizeram uma sociedade com a Sony, primeiro incluindo o Cabeça de Teia em uma história de grupo (Capitão América: Guerra Civil, 2016), apresentando-o, para na sequência lançar aventuras solo do herói. Só aí que foi possível ver Peter Parker interagir com Tony Stark, Steve Rogers e companhia.

Como o olho de executivos de estúdios de cinema pode ser grande, tiveram uma “grande” ideia na Sony: já que a nossa estrela está no MCU, trazendo dinheiro para nós sem precisarmos produzir os filmes, vamos abrir outras frentes de batalha e ganhar mais dinheiro. A Sony é detentora dos direitos de mais de 900 personagens, todos ligados ao “amigão da vizinhança”. Foi aí que surgiu o chamado Universo do Aranha da Sony (ou apenas SSU, na sigla original). Em 2018, tivemos o lançamento de Venom, longa capenga, mas divertido, que fez US$856 milhões nas bilheterias e iludiu os produtores, que pensaram que seria assim em todos esses derivados. O mais novo fracasso, Kraven, dentre vários outros, acaba de encerrar a farra.

Venom iludiu o pessoal da Sony, e logo tiveram Morbius

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Pacote séries novas – parte II

O Pipoqueiro preparou mais um pacote de novas séries, para te ajudar a navegar em meio a tantas opções. São todas boas? Não necessariamente.

Shrinking – Falando a Real (Apple TV)

Das melhores opções de série disponíveis hoje, Shrinking já está em sua segunda temporada. Ainda muito lembrado pelo Marshall de How I Met Your Mother, Jason Segel ganha outro presente com Jimmy, o psicólogo que, cansado de ver seus pacientes repetindo os mesmos erros, passa a se envolver nas vidas deles, relevando os fundamentos básicos da profissão. A vida do próprio Jimmy está uma bagunça quando o conhecemos, passando por um longo luto em razão da morte da esposa.

Dentre vários pontos positivos, Shrinking tem duas participações a serem ressaltadas: Harrison Ford e Michael Urie. Ford usa e abusa de sua fama de rabugento como o mentor de Paul, com um mau humor muito engraçado e sendo invariavelmente a voz da razão. Urie vive Brian, o melhor amigo de Jimmy, um advogado vaidoso que conhece bem seus próprios defeitos, mas se mantém pra cima. Sempre a alegria da cena, Brian é hilário, somando bastante a um grupo coeso.

Detetive Alex Cross (Amazon Prime Video)

Baseado no personagem de James Patterson que já ganhou três filmes no cinema (dois razoáveis estrelados por Morgan Freeman e um sofrível com Tyler Perry), Alex Cross agora vive no corpo de Aldis Hodge (de Adão Negro, 2022). Descrito como uma mistura brilhante de detetive e psicólogo, ele é apresentado em meio ao assassinato da esposa, numa sequência confusa que não dá a menor vontade de prosseguir. Daí a gente pula para um interrogatório forçado, que percebemos só existir para mostrar o quão fodão Cross é.

Com um carimbo de genérica, a série certamente ficará esquecida no catálogo da Prime Video, que parece ter se empolgado com o sucesso de Reacher para criar mais atrações protagonizadas por brutamontes inteligentes. Hodge está longe de ser ruim, mas o físico malhadão, pronto para espancar alguém, não combina muito com o personagem, que constrói suas tramas mais no aspecto psicológico que no físico. Com tantas opções estreando o tempo todo, não vai ser Detetive Alex Cross que vai cavar seu lugar entre os hits da temporada.

Dexter: Pecado Original (Dexter: Original Sin, Paramount+)

Depois de ser trazido de volta para New Blood, Dexter parecia ter sua carreira de assassinatos encerrada de vez. O final da temporada foi muito claro. O dinheiro deve ter falado mais alto e resolveram criar uma série sobre o início de Dexter na polícia, o estagiário do departamento enquanto terminava o curso de Medicina. Michael C. Hall, no entanto, faz participação dando andamento à história no presente, mostrando que nada está encerrado. Isso, além de seguir como narrador, com aquela ironia na voz que aprendemos a amar.

Criada pelo veterano Clyde Phillips, das duas séries anteriores, Pecado Original promete ser boa exatamente por trazer os envolvidos originais. No primeiro episódio, conhecemos as versões mais jovens de vários velhos conhecidos. A começar pelo icônico Harry Morgan, vivido anteriormente por James Remar. Ele é a voz na cabeça de Dexter, que faz com que ele pense em tudo antes de matar alguém. Desta vez, temos Christian Slater (de Pisque Duas Vezes, 2023) no papel, o que causa certa estranheza, por mais natural que tenha sido escalar alguém mais novo. E Patrick Gibson (de The O.A.) faz Dexter, abusando um pouco de caretas psicóticas.

Serão dez episódios mostrando Dexter aprendendo a ser um técnico forense da polícia, além dele observando como pessoas normais se comportam para tentar ser como uma delas. A inadequação do personagem é o que o faz ser querido, mesmo matando gente. Gibson ainda precisa acertar seu tom na caracterização, e Molly Brown (de Evil) está ótima como a irmã desbocada Debra. E temos ainda outras duas celebridades com personagens fixos: Patrick Dempsey e a eterna Buffy Sarah Michelle Gellar. O produtor deve estar apostando alto no sucesso dessa série, já que outra está engatilhada para dar continuidade: Dexter: Resurrection.

Rivais (Rivals, Disney+)

Outra opção gostosa de assistir, porém bem mais carregada sexualmente que comédias costumam ser, é Rivais, série do Disney+ baseada no livro muito vendido de Jilly Cooper, jornalista e escritora famosa na Inglaterra. Ambientada numa cidade pequena inglesa nos anos oitenta, a história gira em torno da rivalidade de um político aristocrata, Rupert Campbell-Black (Alex Hassell, o Translúcido de The Boys), e o novo rico Lorde Tony Baddingham (David Tennant, um dos Dr. Who), dono de um canal de televisão local. Vários personagens interessantes se somam a esse caldo, com diversas subtramas igualmente divertidas.

 Os episódios são feitos de forma a deixar o espectador ávido pelo próximo, deixando ganchos entre eles. A forma como a personalidade de cada um é desenvolvida é bastante honesta, fazendo com que os conheçamos melhor e é aí que começa a torcida por alguns deles. A fotografia, com belas paisagens britânicas e imponentes castelos, torna tudo mais prazeroso. Rivais agradou tanto que a segunda temporada já está garantida, levando-nos de volta ao chamado Cooperverso.

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Beatles ’64 mostra a invasão da banda nos EUA

 

A relativamente curta história dos Beatles (enquanto em atividade) rende análises e comentários interminavelmente. Sempre se encontra material ou assunto. Recentemente, Peter Jackson focou na implosão do grupo, nas gravações do álbum Let It Be, e nos deu o documentário Get Back (2021). Pouco antes, Ron Howard havia feito Eight Days a Week (2016), mostrando como era complicado para os rapazes fazerem turnês, que demandavam uma logística enorme e até disfarces, para driblar a multidão de fãs.

Em 2024, foi a vez de Martin Scorsese revisitar as filmagens feitas por Albert e David Maysles para o documentário What’s Happening! The Beatles in the USA (1964). Para Beatles ’64, as imagens foram restauradas, remontadas e acrescidas de entrevistas atuais, nas quais os Beatles remanescentes e outras figuras importantes falam sobre a influência da banda em suas vidas. O ano de 1964 foi tão importante por ter sido quando eles chegaram aos Estados Unidos, tomando um vulto muito maior do que quando estavam restritos à Inglaterra. O advento da televisão foi fundamental, através do famoso programa de Ed Sullivan.

Atuando como produtor, deixando a direção para o parceiro habitual David Tedeschi, Scorsese consegue reunir gente bacana e conduz as entrevistas, como já fez em outros documentários musicais. Foi fazendo George Harrison: Living in the Material World (2011) que Scorsese e seu então editor, Tedeschi, ficaram próximos de Olivia, a viúva de Harrison, que produz a obra ao lado de Paul, Ringo e Sean Ono Lennon. Tanta gente importante envolvida conseguiu gerar mais material relevante, deixando o resultado, ainda que enxuto, essencial para se entender a época. Mesmo sem querer, os Beatles lideraram um movimento conhecido como “A Onda Britânica”, abrindo as portas dos EUA para outros colegas músicos – além de mostrarem para diversos jovens, dos dois lados do Atlântico, que era possível fazer o que eles fizeram.

É muito interessante ver artistas renomados, como Smokey Robinson e Ronald Isley (dos Isley Brothers), dizerem que se sentiram honrados por terem suas músicas gravadas pelos Beatles em início de carreira e logo viram os papéis se inverterem, com os rapazes de Liverpool virando ídolos deles. Ronnie Spector, da Ronettes, o cineasta David Lynch e o maestro Leonard Bernstein são outros famosos vistos em depoimentos (atuais e da época), todos reforçando a importância dos Beatles para a música e para o mundo. Muita gente tentou pegar carona na fama deles, como o apresentador Murray the K, o que vemos claramente.

É engraçado que discussões sobre qual seria o melhor álbum da banda acabem ficando entre o Álbum Branco e o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, indicando que essa fase mais madura dos Beatles seria mais importante ou relevante. Beatles ’64 reforça a falta de pretensão e a diversão da fase mais inicial, com sucessos como Love Me Do, Please Please Me, Help! e From Me to You. Gostando-se ou não da música deles, os Beatles têm sua relevância reafirmada de tempos em tempos, o que pode ser conferido no Disney+.

Os Beatles chegaram ao prestigiado Ed Sullivan Show e tomaram o mundo

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Novas séries enchem a programação de streamings

Com diversas séries estreando nos muitos serviços de streaming disponíveis, O Pipoqueiro fez uma pequena seleção para te apresentar algumas, com base apenas nos primeiros episódios. Vamos ver o que já dá para inferir pelo início de cada série!

Senna (Netflix)

Maior produção até hoje da Netflix Brasil, a série recria boa parte da carreira do ídolo nacional Ayrton Senna, trazendo bons momentos para os fãs de corridas de carros. Gabriel Leone faz um ótimo trabalho no papel principal e, segundo ele mesmo disse em entrevistas recentes, a produção não deve nada aos grandes projetos de Hollywood.

A mesquinharia da família Senna – leia-se Viviane Senna – é que acabou chamando atenção. A irmã do piloto só disponibilizou a consultoria da família à série se a Netflix garantisse excluir a “viúva” Adriane Galisteu, namorada dele na época da morte. Dessa mesma forma, sabemos que há informações importantes da biografia de Ayrton que são mantidas de fora, como as vezes em que a cabeça quente dele lhe garantiram um olho roxo. Ou a relação que manteve com uma menina menor de idade.

A série acaba mostrando pontos interessantes da carreira do piloto, mas entra na categoria das biografias chapas brancas, que mostram o biografado quase como um santo. Ainda assim, a obra tem se mantido no primeiro lugar entre as mais assistidas do streaming, e ajuda a apresentar o ídolo aos mais novos, nascidos depois daquela fatídica corrida em Ímola.

Um Espião Infiltrado (A Man on the Inside, Netflix)

Um professor de engenharia aposentado é contratado por uma detetive particular para se infiltrar num asilo e desvendar um roubo. Ótima oportunidade para Ted Danson brilhar, engraçado e sedutor na mesma medida, despertando também os ciúmes de um colega. Todos vão reconhecer um traço de um familiar em Charles. E vão também se lembrar de Stephanie Beatriz, a diretora da instituição, que já foi a policial Rosa Diaz de Brooklyn 9-9.

Criada por Michael Schur, que também produziu The Good Place, Brooklyn 9-9, Master of None e Parks and Recreation, Um Espião Infiltrado traz alguns rostos conhecidos e conta uma história leve e bem humorada. Danson está afiado e deve chamar atenção na temporada de premiações, mas a série não fica apenas na comédia. Há questões interessantes sendo pinceladas, como as que acompanham a terceira idade – a necessidade de se manter ativo, o contato com familiares, a possibilidade de fazer novos amigos e assim em diante.

Duna: A Profecia (Dune: Prophecy, HBO)

Derivada dos filmes de Denis Villeneuve, a série se passa dez mil anos antes deles, mostrando a criação e o avanço das Bene Gesserit, o grupo de mulheres que consegue desenvolver poderes sobrenaturais e visa conquistar poder. Com apenas seis episódios, a atração traz os sobrenomes famosos da história, como Harkonnen e Atreides, e rostos igualmente conhecidos, como Emily Watson, Olivia Williams, Mark Strong, Mark Addy e Travis Fimmel.

A exemplo do que fez com A Casa do Dragão, a HBO sabiamente pegou uma saga famosa e bem sucedida e criou o chamado spin off, esticando a história em outra direção e deixando a porta aberta para várias temporadas e possíveis outras séries. Quem gosta de intrigas palacianas vai se deliciar com os desafios enfrentados pelo Imperador Corrino (Strong) para manter seu poder e a paz, e há a trama principal, com as irmãs Valya (Watson) e Tula (Williams) construindo a Ordem das Bene Gesserit. Pro público mais jovem e cheio de hormônios, temos também uns rostinhos bonitos que prometem manter o clima quente.

Landman (Paramount+)

Tendo criado o sucesso Yellowstone e seus derivados, além de Tulsa King e Operação Lioness, Taylor Sheridan devia estar com tempo livre, fora escrever, dirigir e produzir episódios – e até atuar, vez ou outra. Para se ocupar, criou Landman, série sobre a bilionária indústria do petróleo, “que está dando nova forma ao nosso clima, economia e geopolítica”, como diz o release oficial.

Como sempre coloca nomes importantes à frente de suas atrações, Sheridan dessa vez convocou Billy Bob Thornton como protagonista, uma espécie de negociador e resolvedor de problemas para uma companhia petrolífera. Ainda temos, de brinde, Demi Moore (vindo do elogiado A Substância) e Jon Hamm (o eterno Don Draper de Mad Man) como os astros desse elenco estrelado. Michelle Randolph, que vive a filha de Tommy Norris, já ganha atenção da mídia estrangeira como uma grande promessa.

Seguindo o costume entre os protagonistas de Sheridan, Tommy um código de honra bem próprio, além de um humor rabugento e um cinismo constante. O que, convenhamos, é necessário para o trabalho dele, que envolve sangue frio quando explosões acontecem, pessoas morrem e aviões da companhia são roubados. Deve ter sido um bom homem quando entrou nessa, mas é hoje é uma pessoa bem diferente. E o personagem se encaixa muito bem com Thornton, que vinha carecendo de um bom papel desde a primeira temporada de Fargo.

Bônus: Yellowstone (Paramount+)

Uma das séries mais assistidas dos últimos anos, Yellowstone tinha em Kevin Costner sua principal força. O problema surgiu no intervalo entre as duas partes da quinta temporada: o ator, envolvido na realização de seu amado projeto Horizon (2024), comunicou que não voltaria para a segunda, o que demandou dos envolvidos uma solução que fizesse sentido. Como continuar uma série com a saída de seu personagem principal?

De volta após um hiato de quase dois anos, Yellowstone está próxima de acabar, com a segunda parte da quinta temporada consistindo de apenas seis episódios. Sem Costner. Por mais boa vontade que os fãs tenham, e por melhor que seja o que inventaram para dar seguimento à história, a ausência de Costner grita, deixando os demais atores meio perdidos – o que faz sentido, já que é o mesmo sentimento dos personagens, que sentem a falta de seu pai e líder.

Como é comum acontecer a séries, o final de Yellowstone promete ser melancólico, longe da potência de temporadas passadas. O gol de Taylor Sheridan foi anotado e ele segue criando mais e mais atrações, como Landman deixa bem claro. Os fãs da série, no entanto, mereciam mais consideração por parte de seu astro, que segue alimentando sua fama de difícil.

Bônus #2: não perca Shrinking!

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Celebre a carreira de John Williams com documentário

Alguém menos ligado a Cinema pode se perguntar: quem é John Williams? Com dois minutos de exibição de Music by John Williams (2024), essa mesma pessoa terá soltado vários “Nossa!”, tamanho é o peso da carreira desse monstro da música. Recordista em prêmios e indicações, ele trabalhou com diversos diretores, mais notadamente Steven Spielberg, para trazer à tela trilhas inesquecíveis que se mesclam de maneira definitiva às imagens que acompanham.

Disponível no Disney+, o documentário toca por alto no processo de trabalho de Williams, mais focado em apresentar sua carreira e histórias interessantes dessa jornada, o que não falta. Com um justo destaque à trilha memorável de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, 1977), que fez o nome do maestro explodir, o longa passa por vários outros filmes, como Tubarão (Jaws, 1975), Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977), Superman (1978), Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida (Riders of the Lost Arc, 1981), E.T. (1982), Jurassic Park (1993) e A Lista de Schindler (Schindler’s List, 1993), entre vários outros.

Não poderiam faltar diversos depoimentos de gente famosa, dos óbvios Spielberg (acima) e George Lucas a Seth MacFarlane, criador do desenho Family Guy e altamente influenciado pelo trabalho de Williams, passando pelo cantor Chris Martin, do Coldplay, e o exímio violinista Itzhak Perlman, e mais diversos artistas de várias áreas. Muitas são as pessoas na condição de ídolos que têm Williams como seu próprio ídolo, o que mostra o tamanho do compositor e de sua contribuição. Nos depoimentos, é possível notar também o quanto Williams é uma figura querida, o quanto todos gostam de estar perto dele. Um gentil gênio, pode-se dizer.

Passando rápido pela vida pessoal dele, já que há acontecimentos marcantes que não poderiam ser relevados, Music by John Williams acaba funcionando mais como uma celebração da vida e da obra desse sujeito brilhante, relembrando até projetos menores e sequências de grandes sucessos. Apesar de preferir a liberdade de criar obras originais, Williams sentia um certo afeto pelo que já havia assinado e fazia questão de, sempre que possível, ficar responsável pelos derivados também. Por isso, por exemplo, que ele fez as trilhas de todos os Star Wars e Indiana Jones, deixando sua marca inconfundível em todos os episódios dessas franquias.

Indispensável a fãs do Cinema, Music by John Williams é também um belo passeio para não iniciados, já que situa bem quanto a filmes e pessoas. Não dá para cobrir uma vida tão superlativa em 100 minutos, mas o resumo é eficiente, garantido pelo experiente documentarista Laurent Bouzereau. É muito provável que, após essa sessão, você queira rever alguns dos novos clássicos mencionados. Ou, ao menos, ouvir as trilhas. Culpa de Williams.

Conheça as principais contribuições de John Williams ao Cinema

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Halloween Especial 2024

Enquanto alguns aproveitam a época para comemorar o Dia das Bruxas, outros reclamam do fato do Halloween ser uma festa estrangeira – o que deu origem ao meme sobre o Natal ter sido criado em Osasco. O que importa, no entanto, é falar sobre os filmes de terror/suspense lançados mais recentemente, o que O Pipoqueiro faz abaixo:

Longlegs – Vínculo Mortal (2024)

O longa tem atrativos que não dizem respeito a seu resultado, possíveis apostas para chamar público: conta com Maika Monroe à frente do elenco, atriz revelada no ótimo terror Corrente do Mal (It Follows, 2014); é escrito e dirigido por Osgood Perkins, filho do eterno “Norman Bates” Anthony Perkins, de Psicose (Psycho, 1960); e traz uma rápida e extravagante participação de Nicolas Cage, figura sempre curiosa. Esses três elementos atraem o espectador, que acaba vendo uma trama sem pé nem cabeça em que algumas informações são jogadas e nada encaixa. Você entende o que quiser e gosta se lhe convier.

MaXXXine (2024)

Destinada a ser uma estrela do cinema, Maxine Minx vê pessoas próximas sendo assassinadas logo quando tem sua grande chance de chamar atenção. Conclusão da trilogia iniciada com X – A Marca da Morte (2022), seguido por Pearl (2022). Com a trama passada na década de 80, o roteirista e diretor Ti West aproveita elementos reais e exagera outros, criando uma obra instigante, com bons momentos de tensão e uma ótima oportunidade para Mia Goth brilhar.

Pisque Duas Vezes (Blink Twice, 2024)

Um milionário da tecnologia (Channing Tatum) conhece uma garçonete (Naomi Ackie) numa festa e a convida para curtirem um feriado prolongado com amigos em sua ilha particular. A atriz Zoë Kravitz faz sua estreia na direção com uma trama que exige uma certa suspensão de descrença, já que alguns elementos forçam a barra um tantinho. No entanto, a partir do momento em que deslancha, o filme consegue envolver o espectador e cria um bom suspense, com um elenco interessante que inclui Christian Slater e Haley Joel Osment (o garoto de O Sexto Sentido, 1999).

A Primeira Profecia (The First Omen, 2024)

Filmes cuja missão é explicar outro filme ou personagem tendem a ser bem ruins e ainda enfraquecem a obra original. Felizmente, não é o caso aqui. Esta primeira profecia é uma pré-continuação do já clássico A Profecia (The Omen, 1976) e nos apresenta a uma jovem que se prepara para se tornar freira e percebe que algo de estranho acontece no convento onde foi morar. Sem grandes pretensões e com ligações tímidas com o longa de Richard Donner, o filme consegue andar com as próprias pernas, sem as apelações usuais de outros exemplares, e ainda nos presenteia com uma atuação de Bill Nighy, sempre um espetáculo, além de Ralph Ineson e da nossa Sonia Braga.

O Exorcismo (The Exorcism, 2024)

Joshua John Miller até agora havia sido produtor, roteirista e ator. Pelo resultado da empreitada, não deveria ter tentado a direção. Esse O Exorcismo consegue ser pior que O Exorcista do Papa (2023), bobagem lançada anteriormente que também conta com a presença de Russell Crowe se constrangendo frente a um demônio. O australiano, que parece perdido em sua carreira, desta vez vive um colega de profissão que se prepara para viver um padre exorcista em um filme – que é claramente uma cópia do clássico de 1973. O pobre ator, já atormentado pelos malefícios do álcool, agora vai descobrir o que é sofrer – fazendo o mesmo com seus espectadores.

Hellboy e O Homem Torto (Hellboy: The Crooked Man, 2024)

Depois de duas encarnações (em três filmes: 2004, 2008 e 2019), Hellboy agora é vivido por Jack Kesy (de O Assassino, 2023) e deixa de lado a parafernália do escritório secreto para o qual trabalha e vai para o meio do mato dos Apalaches. Acompanhado da colega parapsicóloga Bobbie Jo Song (Adeline Rudolph), ele vai parar numa comunidade rural assombrada por bruxaria e deve enfrentar o sinistro Homem Torto, uma espécie de demônio que coleta almas. O filme tem um clima bem-vindo de quadrinhos e deixa a pretensão lá embaixo. Num papel de destaque, temos Jefferson White, bom e velho conhecido dos fãs de Yellowstone.

A Garota da Vez (Woman of the Hour, 2023)

Mais conhecida pela franquia A Escolha Perfeita (2012, 2015, 2017), Anna Kendrick partiu para a direção com um drama real chocante. Vendido como a história da garota que foi a um programa de namoro na TV escolher entre três pretendentes, o filme foca muito mais na vida de Rodney Alcala (Daniel Zovatto), um psicopata de conversa mole que seguiu livre e desimpedido matando. O filme parece não decolar, mas a história é interessante e Kendrick é uma figura simpática.

Aproveitando o assunto, do qual gosta pouco, nosso amigo Tullio Dias, editor do site Cinema de Buteco, passou para comentar mais algumas produções:

Terrifier 3 (2024) é o lançamento de horror de 2024 com os fãs mais leais e devotos. Somente para eles que o longa parece ter motivo de existir. São mais de duas horas de violência gráfica gratuita que não dizem absolutamente nada, exceto que Art, o palhaço, não gosta de Natal.

Daddy’s Head (2024) é uma viagem muito louca que vai garantir belos sustos dentro de um ambiente misterioso. Após a morte do patriarca da família, a esposa 300 anos mais jovem precisa decidir se vai cuidar do enteado – enquanto coisas estranhas começam a acontecer.

 

New Life (2023) é um daqueles filmes que subvertem a nossa expectativa e nos surpreendem do começo ao fim. Para quem gosta de um famoso subgênero do cinema, não tenho a menor dúvida em eleger como o filme do ano na categoria.

Falando em subverter expectativas, Strange Darling (2023) é outra narrativa surpreendente. Seja da linha do tempo não linear dividida em capítulos ou pelo desempenho dos seus atores, o longa apresenta um encontro que não saiu nada bem.

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Agatha e Pinguim representam disputa Marvel X DC

DC e Marvel estrearam novas séries em live action em streamings recentemente e, se fosse o caso de uma disputa entre as duas editoras, a vitória teria sido de lavada. Enquanto a DC nos deu Pinguim (The Penguin), produto derivado do último filme do Batman (2022) com foco no vilão, a Marvel finalmente trouxe Agatha Desde Sempre (Agatha All Along), protagonizada por uma bruxa pouco conhecida lançada em Wandavision (2021) – e esperada desde então.

Criada nos quadrinhos em 1969 por Stan Lee e Jack Kirby, Agatha Harkness era a governanta e babá de Franklin, filho do casal fantástico Reed e Sue Richards. Após ajudar o Quarteto Fantástico em uma batalha, ela revela ser uma bruxa e descobrimos que ela fazia parte das Bruxas de Salem, tendo traído e deixado as colegas para seguir um caminho no bem. Na TV, Agatha foi apresentada quando Wanda Maximoff sequestrou uma cidade inteira e criou uma vida idílica de sitcom na série Wandavision.

Percebendo que Wanda tinha poderes que a caracterizavam como a mítica Feiticeira Escarlate, Agatha foi à tal cidade, mas, ao invés de conseguir roubar os poderes da rival, acabou aprisionada e vivendo uma vida falsa como policial. A nova série começa aí, novamente com Kathryn Hahn no papel. Um jovem gótico (Joe Locke, de Heartstopper) a liberta da prisão mental de Wanda e ela parte em busca de seus poderes. Para consegui-los, ela precisa formar um grupo de bruxas e passar por um tal Caminho das Bruxas.

Os dois primeiros episódios liberados pelo Disney+ mostram um tom mais cômico, numa trama boba, apresentando um grupo de bruxas que se detesta, mas pretende usar umas às outras para conseguirem voltar a seus dias de glória. Fica difícil prever como essas personagens vão se encaixar nas próximas produções do Universo Cinematográfico Marvel, ou se essa série é apenas um alívio cômico que será relevada, como parece que farão com o Cavaleiro da Lua e a She-Hulk. De qualquer forma, como atração isolada, não parece destinada à grandeza.

Já na DC a conversa é outra. Pertencendo ao mundo sujo e corrupto da Gotham City criada por Matt Reeves, Pinguim já é uma produção da nova fase do Universo DC, agora comandado por James Gunn e Peter Safran – mesmo que à parte dele, já que Batman nunca deve se encontrar com outros heróis. Novamente com um Colin Farrell irreconhecível debaixo de tanta maquiagem e látex, o personagem tem sua história desenvolvida. Oswald “Oz” Cobblepot era apenas um capanga mais alto na hierarquia da quadrilha, e tem a oportunidade de crescer quando o chefe Carmine Falcone é morto (o que acontece em The Batman). Na série, vemos Oz aproveitando essa chance.

A obra tem um tom bem cru, lembrando os bons filmes policiais clássicos, e promete colocar Oz nessa galeria de mafiosos ficcionais marcantes. Além de Farrell, muito à vontade no papel, mesmo debaixo de tanto disfarce, temos Cristin Milioti (de How I Met Your Mother) chamando a atenção. Ambos conseguem ser carismáticos, mesmo tratando-se de dois psicopatas, e o embate entre eles promete.

Tanto Agatha Desde Sempre (no Disney+) quanto Pinguim (na HBO) têm seus episódios divulgados um a um, o que diminui a sensação de culpa do espectador, que sente que está sempre atrasado quando a série é lançada de uma vez. Quem gosta de adaptações de quadrinhos deve continuar acompanhando, tendo duas experiências bem distintas, mesmo as fontes sendo de origens próximas. Vamos aguardar as consequências das obras em seus respectivos universos. O Pinguim de Farrell já está confirmado em The Batman: Part II (2026).

PS: Fica a dica para Batman: Cruzado Mascarado (Caped Crusader), animação em 10 episódios disponível no Amazon Prime Video.  Desenho e roteiros primorosos num clima anos 40, com vilões interessantes e menos óbvios.

A animação está disponível na íntegra – e os episódios, curtos, passam bem rápido

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Shyamalan parte II: o plot twist

O corte do post que aconteceu entre o sexto e o sétimo filmes não foi um acidente. Foi nesse momento, em 2006, que M. Night Shyamalan deu uma grande derrapada e iria demorar um tenebroso período para se recuperar. Foi em 2006 que o diretor lançou

7- A Dama na Água (Lady in the Water, 2006)

O primeiro filme de Shyamalan do qual não gostei, mas não ficou apenas no “não gostei”: é horroroso. O diretor convocou um bom elenco, repetindo Bryce Dallas Howard (de A Vila), e colocou Paul Giamatti à frente desse constrangimento. Giamatti é o zelador de um prédio que descobre uma criatura mitológica (Howard) vivendo na piscina e logo todos os moradores se unem para ajudá-la. Só de lembrar dessa sinopse dá vontade de jogar algo no diretor. Não a toa, o longa deu prejuízo nas bilheterias e teve quatro indicações ao “prêmio” Framboesa de Ouro, levando dois – pior diretor e pior ator coadjuvante, ambos para Shyamalan.

8- Fim dos Tempos (The Happening, 2008)

Outra coisa horrível cometida pelo diretor, desta vez com Mark Wahlberg à frente. Repentinamente, pessoas normais começam a cometer suicídio em massa e um professor de ciências precisa sobreviver com sua família, enquanto tenta entender o que está acontecendo. A explicação do mistério vai te deixar vermelho de raiva. O páreo de ruindade é duro com o longa anterior, o que nos deixa sem entender como Shyamalan continuou conseguindo financiamento para fazer essas coisas.

 

9- O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010)

Continuando em sua busca pelo fundo do poço, Shyamalan adaptou o amado desenho Avatar: A Lenda de Aang para um filme horrendo que conseguiu desagradar a todos. Com atores ocidentais fazendo personagens orientais, o filme foi chamado de “um dos piores de todos os tempos” e matou a ideia inicial de ser o primeiro de uma trilogia.

 

 

10- Depois da Terra (After Earth, 2013)

Fica até difícil definir qual é o pior filme do diretor: esses quatro ( 7 a 10) fazem uma disputa bem justa e acirrada. Talvez numa tentativa de juntar mais “poder de celebridade” e levar mais público aos cinemas, o diretor convocou o carismático Will Smith para o papel principal. Dois problemas afetaram o longa: o papel de Smith é completamente insosso, não faria diferença ter uma porta no lugar dele; e o astro insistiu em ter o filho no outro papel importante, deixando claro que carisma não é herdado e Jaden não tem a menor chance de se tornar um sucesso de bilheteria. No entanto, apesar do fracasso de críticas, a jogada funcionou e o filme faturou um bocado – U$ 244 milhões, com um orçamento de U$ 130 milhões.

11- A Visita (The Visit, 2015)

O fime já melhora, tendo em vista os últimos de Shyamalan, mas ainda não é grande coisa. Sem nexo, nos apresenta a uma mãe que perdeu o contato com os pais quando saiu de casa para casar e agora prepara os filhos para ir visitá-los em outra cidade. O casal de velhinhos é interessante, mas bem sem nexo, como tudo o mais nesse filme. Como fez o filme quase em segredo, gastando muito pouco (US$ 5 milhões), Shyamalan teve muito lucro (US$ 98,5 milhões) e recebeu críticas positivas.

 

12- Fragmentado (Split, 2016)

James McAvoy tem 23 personalidades convivendo dentro de sua cabeça, e elas vivem disputando espaço. Com um trabalho meticuloso de criação de cada uma, McAvoy é um dos principais responsáveis pelo resultado positivo do longa. Anya Taylor-Joy é outra força em cena, travando um duelo interessante com o colega, e Shyamalan se atém às regras que cria, fazendo uma obra coerente e instigante.

 

13- Vidro (Glass, 2019)

Quem gosta de Corpo Fechado e de Fragmentado deve ver esse filme sem medo, já que é a conclusão da trilogia e é extremamente satisfatório. Bruce Willis, Samuel L. Jackson e James McAvoy são reunidos, e voltam também outros atores dos longas anteriores, além da adição da ótima Sarah Paulson. O curioso universo iniciado com Corpo Fechado é concluído num filme não muito longo (129 minutos) e nunca cansativo, e Shyamalan não deixa de seguir as premissas que criou, respeitando seus personagens e seu público.

 

14- Tempo (Old, 2021)

Dividindo a crítica, Shyamalan adaptou uma graphic novel francesa com um grande elenco, encabeçado por Gael García Bernal, Vicky Krieps, Rufus Sewell e Alex Wolff. Um grupo de turistas chega a uma praia distante e começa a observar o tempo passando mais rápido, envelhecendo a cada hora que passa. Shyamalan mostra o diretor competente que é tirando muita tensão de uma situação corriqueira como férias familiares e desenvolvendo bem personagens com pouco tempo em cena. Gostando-se ou não, é preciso reconhecer a criatividade do diretor, que expande o conceito da revista.

15- Batem à Porta (Knock at the Cabin, 2023)

Shyamalan adapta um livro de 2018 que traz quatro estranhos mantendo uma família como refém, mas eles não pretendem ferir ninguém. Eles então avisam os pais e a criança que será preciso o sacrifício de um dos três para evitar o fim do mundo. Enquanto isso, catástrofes vão acontecendo no mundo. A premissa parece meio louca, mas acaba funcionando. No entanto, o longa segue morno, parecendo sempre próximo de decolar, até que acaba. Fica na coluna do meio entre os trabalhos do diretor.

16- Armadilha (Trap, 2024)

Como boa parte da filmografia de Shyamalan, Armadilha parece partir de uma premissa pirada, mas felizmente acaba funcionando bem. Os trabalhos horrorosos do diretor parecem agora um pesadelo distante e ele está menos preocupado em ter viradas mirabolantes de roteiro, apenas se atendo a seguir a história de forma coerente, com personagens tomando decisões razoáveis. Dá para esperar coisa boa vindo num 17º filme.

Demais membros da família já começam a aparecer também

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