Skip to main content
 -
Eduardo de Ávila
Defender, comentar e resenhar sobre a paixão do Atleticano é o desafio proposto. Seria difícil explicar, fosse outro o time de coração do blogueiro. Falar sobre o Clube Atlético Mineiro, sua saga e conquistas, torna-se leve e divertido para quem acompanha o Galo tem mais de meio século. Quem viveu e não se entregou diante de raros momentos de entressafra, tem razões de sobra para comentar sobre a rica e invejável história de mais de cem anos, com o mesmo nome e as mesmas cores. Afinal, Belo Horizonte é Galo! Minas Gerais é Galo! O Brasil, as três Américas e o mundo também se rendem ao Galo.

Atire a primeira pedra! II

Arquivo/EM da Press
Arquivo/EM da Press
Ricardo Galuppo
Parte I

Em outubro de 2008, quando o ainda lutava para voltar a ter um time vencedor, o Atlético foi a São Paulo enfrentar o Palmeiras numa partida importante pelo campeonato brasileiro. O jogo foi disputado num sábado à tarde e o Galo perdeu por 3 a 1, depois de sair ganhando com um gol de Renan Oliveira. O resultado adverso, porém, não foi o que mais irritou a torcida naquele final de semana. Na sexta-feira, o jovem lateral direito Mariano, que na época tinha 22 anos e estava começando a conquistar a confiança da torcida, fugiu do hotel em que a delegação estava hospedada.

Junto com ele, o lateral esquerdo Calisto e o meia Lenílson foram curtir a night numa boate conhecida do bairro de Pinheiros. Voltaram para a concentração com o dia já claro. O técnico Marcelo Oliveira se irritou e disse que não trabalharia mais com o trio. A torcida, claro, se voltou contra os jogadores. Os contratos foram rescindidos sem que o clube visse a cor do dinheiro investido nos atletas. (No dia da dispensa, os três tiveram que sair da sede de Lourdes num carro da PM, para se livrar da fúria da Galoucura).

Todos os envolvidos nessa história saíram perdendo. Depois da farra, Calisto e Lenílson vagaram por clubes de menor envergadura e nunca mais vestiram uma camisa importante como a do Galo. Mariano, o mais talentoso dos três, acabou indo para o Fluminense do Rio de Janeiro. Depois, fez carreira em times da Europa até que, em julho deste ano, já com 34 anos, voltou ao Atlético a pedido de Jorge Sampaoli. 

CHAPADÃO!

Mariano teve dezenas de razões para se arrepender e, pelo que ele mesmo declarou ao retornar ao Clube, colocou a cabeça no lugar depois do episódio. Nem todos têm essa chance. Na trajetória do Atlético, como de qualquer outro clube brasileiro, sempre houve jogadores que deixaram o deslumbramento com a condição de ídolos falar mais alto do que a responsabilidade pela condição de atletas. Alguns se deixaram envolver por essa sensação de onipotência e se envolveram em situações que acabaram custando caro para eles e para o clube. 

Um caso notável foi o do artilheiro Paulo Roberto Patrício de Souza, autor de 22 gols nos 88 jogos que disputou pelo Galo. O nome completo talvez não diga muito aos torcedores. Mas muitos se lembram do jogador que, no dia 23 de junho de 1983, pisou no gramado do Mineirão não para defender o Galo — mas para curtir um megashow do Kiss, banda nova-iorquina de rock pesado que fez muito sucesso nos anos 1980.

Flagrado pela torcida cantando, dançando e, segundo consta, sob o efeito de substâncias pouco adequadas ao estado de sobriedade exigido de um atleta (ou seja, o cara estava chapadão), ele ganhou o apelido de Paulinho Kiss. A diretoria, na época comandada por Elias Kalil, deu uma, duas, dez oportunidades ao rapaz. E foi assim até chegar o momento em que sua conduta fora do campo, somada à influência que ele exercia sobre os jogadores menos afamados, passou a ter na balança um peso maior do que o dos gols que marcava com a camisa do Galo. E Paulinho foi embora sem que o clube recuperasse o investimento feito anos antes para tirá-lo do América. 

Depois de sair do Atlético com apenas 25 anos de idade e uma carreira inteira pela frente, Paulinho vagou por clubes menores e pendurou as chuteiras em 1988, devido a uma contusão grave no tempo em que defendia o Marília, do interior de São Paulo. Tomou jeito na vida, se casou com uma antiga namorada, montou um negócio próprio e trocou o rock por ritmos menos frenéticos. Morreu em 2015, com 55 anos, em consequência de um aneurisma.

Dylan e Marrony podem ter um futuro brilhante pela frente e tomara que consigam, em campo, mostrar que a ida à balada não desviou suas carreiras do bom caminho. Quanto à torcida do Galo, o melhor a fazer é não dar ouvidos aos corneteiros que vêm perdendo  poder na medida em que o clube se acerta e passa a ser administrado de cabeça fria, e não com base no código moral e de conduta que parece definido por fundamentalistas. O Atlético só se tornará um clube moderno no dia em que o bom senso falar mais alto e que torcedores que lucram com a marca sem dar nada em troca deixem de exigir o que não podem. 

No que diz respeito à Galoucura, a torcida precisa parar de exercer um poder que não tem. Também precisa parar de agir como fiscal da vida alheia e fazer sua parte para que essa pandemia acabe logo e a torcida possa voltar aos estádios nos domingos de futebol. 

2 thoughts to “Atire a primeira pedra! II”

  1. Caro conterrâneo, Eduardo de Ávila, galo doido de Araxá.
    Dou-lhe razão sobre essa mania de polícia da torcida, principalmente das organizadas, caso da galoucura. Isso não é papel de torcedor.
    Mas, sobre a atitude imatura desses dois jovens e promissores jogadores, recorrente no nosso futebol, concordo, mas cada vez menos vangloriada e mais evitada mediante o profissionalismo que hoje existe, devo lembrar ao estimado conterrâneo, que é tempo de pandemia. Essa atitude “impensada”, diante de tamanha publicidade e esclarecimentos sobre a pandemia, não tem o mesmo peso das anteriores. Não é apenas uma balada que após a ressaca poderá prejudicar os dois atletas e o time em um jogo apenas, é tempo de pandemia, sofremos na pele, e na tabela, os efeitos desses atos irresponsáveis, mesmo para dois jovens profissionais.

  2. Prezado! Não estou aqui a julgar ninguém só vou lembrar de dois jogadores jovens q incorreram no mesmo tipo de vacilo. Ramón Osni e Renato Ribeiro duas crias da base! Ambos jogaram as promissoras carreiras no lixo por trocarem a vida regrada_ não é preciso ser como a de um monge,a fique claro!_ q um atleta deve ter,por “noitadas” e polêmicas por onde passaram. Atitudes como essas não são facilmente aceitas por boa parte da “torcida de um Clube de Massa” e o GALO é um deles. Quer jogador mais polêmico q o Éder Aleixo? O apelido de Bomba coube-lhe bem, além de explosivo_ 25 expulsões num curto espaço de tempo_ o cara aprontou todas e mais algumas dentro e fora das quatro linhas, chegou a um ponto em q a pressão foi tamanha_até no aquecimento lembro dele sendo vaiado_ que não restou outra saída ele, a ñ ser buscar novos ares. Reza a lenda q ñ adiantou muito não! O que se espera do corre q os jogadores tomaram, e q venha a servir-lhes de lição e uma coisa te falo; vão ter de jogar muita bola p apagar o vacilo q deram. Sorte deles não estar tendo público presente nos estádios,muita sorte aliás!!!!
    Saudações Atleticanas # GALOSempre

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.