Basquete voa alto na Netflix

por Marcelo Seabra

Sempre lembrado por ser um artista inconformado, que busca inovações e projetos variados, Steven Soderbergh dominou a forma de filmar com um Iphone e seu longa mais recente está na Netflix. High Flying Bird (2019) é praticamente um teatro com cenários variados, com diálogos densos e uma série de personagens inteligentes que constantemente se desafiam. E o bônus é a mensagem que fica, contra a ganância que cerca o esporte, que muda o foco do que realmente importa.

Depois da marcante estreia, com o independente e elogiado Sexo, Mentiras e Videotape (Sex, Lies and Videotape, 1989), Soderbergh enfileirou muita coisa boa, de filmes para o Cinema grandiosos e premiados a séries de TV. Ganhou um Oscar de Melhor Diretor por Traffic (2000), quando concorria também por Erin Brockovich (2000). O também premiado Tarell Alvin McCraney, roteirista de Moonlight (2016), se juntou ao diretor para desenvolverem uma história criada por André Holland (de Castle Rock). Não poderia ser diferente: o ator vive o protagonista de High Flying Bird.

Ray Burke é um agente esportivo em meio a um lockout, uma espécie de greve de patrões. Os dirigentes dos times brigam por mais dinheiro dos canais de TV, que pagam pelos direitos de transmissão das partidas. No fogo cruzado, estão os jogadores, que ficam com suas carreiras paralisadas. O principal cliente de Ray é o novato Eric Scott (Melvin Gregg, de American Valdal), que teve seu sonho de jogar na NBA colocado em espera. Entre o agente e o jogador está a assistente vivida por Zazie Beetz (de Velvet Buzzsaw, 2019), uma atriz a ser acompanhada.

O ritmo sofre algumas quedas e o meio do filme se torna um pouco monótono. Mas os diálogos afiados seguram a onda, incluindo na lista de bons intérpretes o cartola de Kyle MacLachlan (de Twin Peaks) e a sindicalista de Sonja Sohn (de Luke Cage). Outras duas participações que merecem ser mencionadas são as de Bill Duke (de Raio Negro), ótimo veterano que vive um técnico de basquete da comunidade local, e Zachary Quinto (o Spock de Star Trek), sempre eficiente como o chefe engomadinho de Burke. E há ainda alguns interessantes depoimentos de astros do esporte.

Alternando-se entre imagens urbanas simples e eficazes e cenários fechados, de escritórios e até elevadores, Soderbergh usa seu IPhone 8 de forma bem satisfatória, creditando sua fotografia e montagem aos pseudônimos de sempre, Peter Andrews e Mary Ann Bernard. Esse formato deve trazer muita agilidade ao projeto, facilitando sua chegada à Netflix. Quando você assusta, o filme, cuja produção foi anunciada há pouco, já está disponível.

Soderbergh conduz as filmagens com seu IPhone

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Netflix reúne veteranos para uma Operação Fronteira

por Arthur Abu

Um grupo de ex-soldados de operações especiais se reúne para uma última missão. O alvo? O chefe de um dos maiores cartéis de drogas da América do Sul. O propósito? Ficarem ricos.

Apesar dos dias de glória dos “guerreiros”, como se intitulam, terem ficado para trás, o elenco de Operação Fronteira (Triple Frontier, 2019) está longe de ser um grupo de veteranos esquecidos. Os amigos são recrutados por Santiago “Pope” Garcia (Oscar Isaac, de Star Wars – Os Últimos Jedi, 2017) e liderados pelo relutante Tom “Redfly” Davis (Ben Affleck, o atual Batman).

Eles são levados à tríplice fronteira da América do Sul inicialmente apenas para uma missão de planejamento estratégico. Mas a oportunidade de voltarem para suas vidas monótonas com os bolsos cheios de dinheiro certamente vai complicar não apenas a missão, mas a confiança entre eles. Com os personagens aos poucos mostrando suas verdadeiras facetas, nos questionamos se queremos ou não que eles completem a missão.

Completando o time de soldados, temos o palestrante do exército e condecorado capitão William “Ironhead” Miller, interpretado por Charlie Hunnam (do novo Rei Arthur, 2017). Apesar de, em seus últimos projetos, ter feito o papel de líder rebelde, Hunnam entrega uma performance mais discreta e deixa a liderança para a experiência de Affleck e o carisma de Isaac.

Pedro Pascal (de Narcos) está bem como o problemático piloto Francisco “Catfish” Morales e Garrett Hedlund (de Mudbound, 2017) fecha o time, como o irmão mais jovem de Ironhead. Sua interpretação varia de jovem irresponsável ao mais humano entre um esquadrão treinado para matar. Fora o quinteto, temos Reynaldo Gallegos (de Logan, 2017) como o chefão do tráfico, Lorea, e a bela Adria Arjona (de Círculo de Fogo 2, 2018), que faz o contato de Pope no cartel.

Decepcionam-se aqueles que assistem querendo apenas explosões e tiros do começo ao fim. O filme não é tão raso. A Netflix volta a abordar a lealdade entre “irmãos de armas” e o sentimento de rejeição sentido pelos ex-combatentes, temas recorrentes na recém-cancelada série O Justiceiro. Mas mesmo essa lealdade é testada e a ganância pode transformar essa fortuna em um Tesouro de Sierra Madre (como no filme de 1948).

A trilha sonora, empolgante desde o início, vai do Trash Metal, com Pantera e Metallica, aos clássicos de Bob Dylan, Creedence Clearwater Revival e Fleetwood Mac. O roteiro demora a retomar o ritmo explosivo do começo, com a sequência numa favela, e utiliza a trilha recheada de sucessos talvez para manter interessados os espectadores em momentos mais monótonos.

A produção sofreu vários atrasos e mudanças no elenco. Inicialmente, a vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (de Guerra ao Terror, 2008) estava cotada para dirigir um elenco que cogitou Tom Hanks, Johnny Depp, Channing Tattum, Tom Hardy e Mahershala Ali. Bigelow acabou ficando com a produção executiva, mas seu parceiro constante Mark Boal se manteve como roteirista. A direção de J. C. Chandor (de O Ano Mais Violento, 2014), como sempre, nos presenteia com um bom filme, com uma história ambiciosa. Aqui, o porém é o ritmo inconstante.

Durante as filmagens, o elenco fez a festa de funcionários de um restaurante no Havaí

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Repescagem Oscar 2019: Querido Menino Anulado

por Marcelo Seabra

À medida em que os filmes vão estreando nos Estados Unidos, começa o barulhinho de Oscar, com previsões e suposições. Quando as indicações são reveladas, a carreira internacional dos que não estrearam ainda é diretamente afetada. Tivemos, esse ano, duas produções muito boas que passaram batido por terem sido esnobadas no prêmio. Ambas sobre famílias, focando no filho e suas questões. Enquanto Querido Menino (Beautiful Boy, 2018) mostra um rapaz se afundando em drogas, Boy Erased – Uma Verdade Anulada (2018) nos apresenta a um jovem que entra num programa de conversão de gays.

Com duas interpretações muito marcantes, Querido Menino traz a família Sheff, da qual o pai é um escritor que mora numa casinha afastada da cidade. O filho, em seus 17, 18 anos, começa a usar drogas e rapidamente perde o controle ilusório que viciados pensam ter. Steve Carell (de Vice, 2018) e Timothée Chalamet (de Me Chame Pelo Seu Nome, 2017) vivem os personagens principais e demonstram uma química enorme, funcionando muito bem como pai e filho.

O fato de o roteiro, escrito por Luke Davies e Felix van Groeningen (também diretor do longa), ser baseado nos livros dos verdadeiros David e Nic Sheff traz muito veracidade ao projeto. Nada é idealizado e acompanhamos de perto o buraco em que o menino se enfia, e acaba aprisionando toda a família. Groeningen vem do elogiado Alabama Monroe (2012), e seu co-roteirista, Davies, fez sua estreia também com um filme sobre drogas: Candy (2006).

Em Boy Erased, um pastor batista percebe que seu filho possa ser homossexual, o que ele considera ir contra suas crenças. Por isso, oferece uma escolha ao jovem: participar de um programa de conversão da igreja, para “resolver o problema”, ou se afastar da família e ser deixado de lado. Não é difícil imaginar o que ele escolhe. E é igualmente fácil se colocar no lugar dele e sentir toda a angústia que se instaura em sua cabeça. E o roteiro também é baseado no livro do personagem, Garrard Conley.

No papel principal, Lucas Hedges (ao lado) mais uma vez mostra que não brinca em serviço. Apesar da pouca idade (nascido em 1996), ele já coleciona ótimos trabalhos, como Manchester à Beira-Mar (2016). E ajuda, claro, ser filho (na ficção) de Russell Crowe (de A Múmia, 2017) e Nicole Kidman (de Aquaman, 2018), dois atores com um grande domínio de sua arte. O bom roteiro, somado ao talento deles, afasta qualquer possibilidade de clichê ou maniqueísmo, mostrando pessoas reais que, mesmo metendo os pés pelas mãos, estão tentando acertar.

A grande surpresa de Boy Erased é descobrir que, além de atuar nele, Joel Edgerton o escreveu e dirigiu. Ele fez sua estreia atrás das câmeras em O Presente (The Gift, 2015), um suspense surpreendente que mostrou que ele sabia bem o que estava fazendo. Aqui, Edgerton dissipa qualquer dúvida que possa ter ficado, se mostrando um diretor correto que entrega um filme bem amarrado, enxuto e poderoso. Ele fica na cabeça por um longo tempo e, assim como Querido Menino, rende boas discussões.

Edgerton brilha em frente e atrás das câmeras

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Tex é faroeste italiano nos quadrinhos

por Kael Ladislau

Adaptar histórias em quadrinhos para o cinema não é coisa nova. Na verdade, é uma prática que se inicia junto do século XX, quando a sétima arte ainda engatinhava, mas já levava o personagem Krazy Kat, de George Herriman, dos jornais para a telona. Hoje dominado pela DC e Marvel, o segmento das HQs no Cinema está cada vez mais seguro e ganhando mais e mais adeptos.

Mas a chamada “nona arte” não tem apenas suas representações pelas gigantes americanas e não conta apenas histórias de ficção-científica. Sua trajetória ao longo da história também perpassa pelo velho oeste americano, contadas por italianos. Sim, o Western Spaghetti também tem seu representante no cinema – e nos quadrinhos. Estamos falando de Tex Willer.

Tex é um personagem de HQ criado em 1948 pelos italianos Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallepinni. O fascínio dos europeus pelo gênero puramente americano não era novidade e ele já vinha de décadas. Não diminuiu quando a ditadura fascista boicotava tudo quanto era produto importado. Inclusive os filmes. Foi aí que começou a crescer a produção de faroestes, que contavam histórias passadas nos EUA, mas tudo gravado na Europa. Esse vislumbre também era visto fora dos cinemas, em jornais que publicavam histórias de personagens que se aventuravam pelo Novo México, Arizona, Texas…

É nesse contexto que surge Tex Willer, que teve uma meteórica ascensão e passou pela década de 50 firme e forte e chegou na década de 60 como o principal nome das HQs italianas (os Fumettis). Ele fez com que Bonelli se tornasse uma espécie de Stan Lee macarrônico, criando mais e mais personagens, sempre com Tex de carro-chefe de sua editora. Dado o sucesso do personagem e os faroestes em pleno vapor, é claro que a ideia de levar o mocinho para as telonas surgiu, mas sempre foi postergada. Foi só na década de 80 que finalmente Tex teve suas aventuras contadas nas salas de Cinema, mas…

A década de 80 já não via mais no faroeste o seu maior expoente audiovisual. Na verdade, a ficção-científica ganhava as bilheterias mundo à fora desde o final da década de 60, com Star Wars e 2001, de Kubrick. Se a gente segmentar mais, os faroestes à italiana já não tinham fôlego nenhum: os filmes de Sérgio Leone, maior representante desse subgênero, foram os mais bem recebidos pelo público mundial, isso também em 60 e só. Fora ele, foram poucos cineastas italianos devidamente reconhecidos fora da velha bota ou mesmo na Europa.

Mas o nosso mocinho dos Fumettis chegou aos cinemas em 1985 com a história Tex Willer e os Senhores do Abismo (Tex e il Signore Degli Abissi). Tex é apresentado de forma fiel a seu cânone: um ranger do Texas – uma espécie de polícia da fronteira – que também é chefe indígena da tribo Navajo, posto herdado de seu sogro falecido e devido ao tremendo respeito que os nativos têm pelo branco. No Cinema e nas HQs, Tex é acompanhado por Kit Carson, outro ranger, e seu fiel parceiro Jack Tigre, um navajo que cavalga ao lado do nosso mocinho. Nas HQs, ainda existe Kit Willer, mas ele não aparece no filme.

Tex é chamado pelo comando dos rangers para desvendar o sumiço de um carregamento de armas militares em pleno deserto. Tex, Carson e Tigre vão investigar esse desaparecimento e descobrem que ele faz parte dos planos de uma espécie de revolta por parte de índios que vivem no México, liderados por uma divindade que se utiliza de pedras vulcânicas para matar seus inimigos.

A história que o filme apresenta é adaptada de uma das inúmeras histórias que Tex vive ao longo desses pouco mais de 70 anos de vida editorial. Mas está longe de ser a melhor ou a mais ideal para ir às telas. A pegada um pouco fantástica não caiu no gosto nem dos fãs, nem do público que não conhecia o personagem e nem mesmo de seus criadores, que detestaram o resultado.

Assinado por Duccio Tessari, que assina a direção de clássicos do bangue bangue italiano como Uma Pistola para Ringo, de 1965, o filme é mal dirigido e tem efeitos pobres. Infelizmente, ele não representa a força que Tex tem na Itália e no Brasil – onde é publicado há quase 50 anos ininterruptamente. Os pontos fortes do filme existem e um deles está no nome de Giuliano Gemma (de O Dólar Furado, 1965 – acima), talvez o maior ator italiano do faroeste. O galã vive o protagonista e sua caracterização é bem satisfatória, tendo o apreço de fãs até hoje.

O elenco ainda tem nomes como William Berger, que interpreta o rabugento, mas divertido, Kit Carson. A maneira como Berger atua, fazendo as caretas e as piadinhas típicas do personagem boneliano é outra atração que caiu nas graças dos fãs. As atuações em si são pontos fortes sobretudo por conta de Gemma e Berger. Mas as locações também merecem menção e os devidos créditos. Os italianos sempre fizeram questão de caprichar nos espaços utilizados e que remetem bem ao Velho Oeste Americano. Ainda, elas lembram bem os cenários vistos no papel em traços como os de Galeppinni, Giovani Ticci, Guglielmo Lettèri, entre outros.

Infelizmente, Tex Willer e os Senhores do Abismo sofreu com a demora em ser realizado, a escolha da história e o pouco caso de seus idealizadores. Mas o ícone Tex Willer vive forte nas bancas da Itália, Brasil e Portugal – por exemplo – e tem ganhado muito público, outrora chamado de velho. Com a “redescoberta” do gênero no Cinema – com novos clássicos como Django Livre (Django Unchained, 2012), Os 8 Odiados (The Hateful Eight, 2015), ambos de Quentin Tarantino, e Bravura Indômita (True Grit, 2010) e o recente A Balada de Buster Scruggs (The Ballad of Buster Scruggs, 2018), dos irmãos Coen, para citar os mais famosos – sopra um fio de esperança no fã de Tex para ver seu herói novamente no Cinema. Quem sabe surfando na onda do sucesso da Marvel? Dessa vez, a época é a ideal.

O que não faltam são histórias de Tex para serem adaptadas

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Capitã Marvel é a primeira protagonista do estúdio

por Marcelo Seabra

“Lute como uma garota”. Essa é a mensagem que Capitã Marvel (Captain Marvel, 2019) parece querer passar. Consertando uma falha do Universo Cinematográfico da Marvel, o filme traz uma heroína como protagonista e aproveita para dar força às mulheres em diversos momentos. Todas as características que aprendemos a esperar desse filão estão lá, as boas e as ruins. Alguns buracos foram preenchidos, pontas amarradas e brechas para sequências foram deixadas.

Não sendo um profundo conhecedor da personagem nos quadrinhos, não tenho como apontar as alterações que ela sofreu. Mas é seguro afirmar que elas existem e são necessárias. E isso já causou um levante de fãs mais radicais, que não se sensibilizam com questões de direitos humanos, por exemplo, mas gritam a plenos pulmões quando o Cinema mexe em seus cânones sagrados. Não foi a primeira vez, não será a última. Nem uma bela homenagem ao saudoso Stan Lee amolece esses corações.

Estreando nos estúdios Marvel, a vencedora do Oscar Brie Larson (por O Quarto de Jack, 2015) vive a personagem do título. O começo do filme é um tanto confuso, misturando linhas temporais e cenários. Isso é compreensível, dado o estado de confusão mental da própria Vers, como a chamam. Tomamos conhecimento de uma rixa entre raças alienígenas e ela está bem no meio, sendo uma peça importante para uma possível vitória. O que complica é o fato de Vers não ter memória de nada anterior a seu resgate, após um acidente.

A partir daí, o roteiro escrito a seis mãos – incluindo os diretores, os parceiros habituais Anna Boden e Ryan Fleck (de Parceiros de Jogo, 2015) – se desenvolve e se encaixa no universo que já conhecemos. Um dos personagens principais, inclusive, é ninguém menos que Nick Fury, na pele de um Samuel L. Jackson rejuvenescido. Os demais filmes não chegam a fazer falta, mas há várias referências. E, falando em referências, é muito clara uma a Indiana Jones. E, como acontece com os Guardiões da Galáxia, a trilha sonora tem grande importância. A diferença é que, ao invés de clássicos sessentistas, temos grandes sucessos dos anos 90, que ajudam a situar a aventura em 1995.

Além das músicas, há vários elementos que reforçam a época. O uso de computadores e internet, por exemplo, gera várias piadas – e foi possível ouvir na sessão uma pessoa dizendo a outra: “Era assim mesmo”, e cair na risada. O humor segue exatamente a linha que conhecemos, com momentos mais inspirados, outros nem tanto. Manter as características que a Marvel já consolidou no Cinema é uma certeza de sucesso. Mas também é uma repetição de uma fórmula que, para muitos, se desgastou. Ou nunca foi exatamente satisfatória.

Outra certeza que temos é dos nomes interessantes no elenco. Além da premiada Larson, são introduzidos Jude Law (de Os Crimes de Gridelwald, 2018), Annette Bening (de Ruby Sparks, 2012), Djimon Hounsou (de Aquaman, 2018) e Ben Mendelsohn (de Jogador Nº 1, 2018), para ficar nos mais famosos. Tudo funciona bem, das atuações aos efeitos. Em certos momentos, o roteiro cai numa mesmice, para logo depois voltar a entusiasmar. E surgem umas tiradas fantásticas, como classificar Fury, um “humano macho”, como de pouco ou nenhum risco. É, de fato, um filme para mulheres, mas que pode também agradar a homens. Basta não ser um chato.

Mendelsohn é o líder dos Skrulls

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Repescagem Oscar 2019: Rua Beale e Poderia Me Perdoar

por Marcelo Seabra

Da mesma forma que a indicação ao Oscar de Melhor Filme pode dar vida nova à carreira de um longa nos cinemas, a não indicação pode jogá-lo para escanteio. Se a estreia ainda não tiver ocorrido quando as indicações são anunciadas, ela pode até não acontecer. Por isso, da mesma forma que obras como Pantera Negra (Black Panther, 2018) e Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 2018) ganharam bastante holofote, outras passaram batido – mesmo que tenham sido indicadas em outras categorias, e até mesmo tenham levado alguma coisa. Duas delas seguem abaixo.

Se a Rua Beale Falasse

Novo trabalho do premiado diretor Barry Jenkins (de Moonlight, 2016), Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk, 2018) recebeu três indicações ao Oscar, levando o de Melhor Atriz Coadjuvante – as outras foram de Trilha Original e Roteiro Adaptado. Regina King, que ganhou vários prêmios nessa temporada, realmente está muito bem como a mãe de uma jovem que tem o namorado preso, falsamente acusado de estupro, e logo descobre estar grávida.

Segundo o escritor James Baldwin, autor da história, a rua Beale do título poderia ser qualquer rua americana, que vê seus cidadãos negros sofrerem abusos sem terem feito qualquer coisa para merecer. No filme, o que vemos é um casal sofrer assédio e, ainda sim, ser apontado como a parte errada da história. Um policial mal-intencionado é o suficiente para jogar um jovem na cadeia e amarrar os destinos de duas famílias.

Com uma fotografia comum e um roteiro e montagem que mais parecem de novela, Se a Rua Beale Falasse de fato não é o melhor filme do ano. Mas certamente merecia mais uma indicação que alguns dos agraciados. A história é forte o suficiente para chamar atenção, e a interpretação do casal central é mais que correta. KiKi Layne e Stephan James (de Selma, 2014) têm uma química convincente e conseguem tranquilamente levar o público para o drama de seus personagens. É um filme que merecia mais atenção.

Poderia Me Perdoar?

Na melhor interpretação de sua carreira (o que não é difícil), Melissa McCarthy (de Caça-Fantasmas, 2016) é a protagonista de Poderia Me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me, 2018). Ela vive uma escritora intragável que já não consegue arrumar trabalho, apesar do talento para a escrita. Por acaso, ela vê uma salvação em forjar cartas de gente famosa, vendendo para colecionadores pelo suficiente para pagar o aluguel.

Lembrando os melhores filmes de falsários, como Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can, 2002), a diretora Marielle Heller (de O Diário de uma Adolescente, 2015) se equilibra bem entre o drama e a comédia, mantendo um humor irônico bem interessante. O roteiro, assinado por Nicole Holofcener (de À Procura do Amor, 2013) e Jeff Whitty, cobre bem os fatos que precisamos saber, tornando a sessão bem enxuta e divertida.

Uma trilha sonora agradável se junta a uma fotografia sensível, que ressalta a beleza da cidade sem idealizá-la. Entre vários acertos, o maior é a participação de Richard E. Grant (de Logan, 2017). Ele aparece de repente, em um bar, e se torna o melhor (e único) amigo da escritora, e rouba a cena sempre que está nela. Não à toa, ambos receberam indicações da Academia, além de Melhor Roteiro Adaptado. O filme não ganhou nada, mas a atenção é muito bem-vinda.

A dupla merecidamente foi indicada ao Oscar

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Na Netflix: Polar e Velvet Buzzsaw

por Marcelo Seabra

Polar

Nada original, a ideia de um assassino fodão que é perseguido por todos os outros é sustentada por um nome apenas: Mads Mikkelsen (o Hannibal da TV). Já vimos essa trama em filmes como John Wick (2014) e nas adaptações de quadrinhos RED (2010) e O Procurado (Wanted, 2008). E Polar (2018) é mais um produto similar, também baseado em quadrinhos, pulando das revistas para a Netflix.

Mikkelsen, um ótimo ator que precisa fazer pouco para satisfazer, vive um assassino conhecido como Black Kaiser que se aproxima dos 50 anos, quando a instituição para a qual trabalha o obriga a se aposentar. Mas a aposentadoria custa caro aos empregadores, que optam por eliminá-lo, enviando um grupo de alta periculosidade atrás dele. É nesse ponto em que começa o festival de absurdos, com cenas de luta e sexo igualmente trabalhadas, nas quais o diretor sueco Jonas Åkerlund se mostra criativo. Pena o roteiro ser tão estúpido.

Duas participações especiais distraem o público da mesmice da trama, e temos Vanessa Hudgens mais uma vez tentando se desvincular de sua imagem de certinha de High School Musical. Uma emboscada numa casa vale o ingresso – se fosse pago – e o que se segue é o esperado, apesar de uma ou outra surpresa. Para quem gosta de ver uns tiros voando e socos acertando seus alvos, é um prato cheio.

Velvet Buzzsaw

A Netflix reuniu o trio de O Abutre (Nightcrawler, 2014) para mais um filme estranho, com personagens de moral duvidosa num mundo cheio de intrigas e mentiras. Ao invés de câmeras perseguindo acidentes à noite, Velvet Buzzsaw (2019) se aventura pelo círculo da arte, nos apresentando a todo tipo de gente que compõe esse universo. Mas, dessa vez, o diretor e roteirista Dan Gilroy perdeu a mão e não conseguiu amarrar as pontas que deixou soltas.

Novamente como protagonista, Jake Gyllenhaal agora é um crítico de arte com influência tamanha que é capaz de valorizar ou derrubar uma obra ou artista. Em meio a uma rotina de sorrisos falsos e palavras vazias, ele se depara com as pinturas de um desconhecido recentemente falecido que havia deixado um pedido claro: no caso de sua morte, que destruíssem toda a sua obra. A ganância fala mais alto e logo tudo é colocado à venda.

Gilroy aproveita essa alegoria para levantar algumas discussões sobre o preço da arte e sua comercialização. Ao criticar a falta de profundidade daquelas pessoas, ele acaba realizando uma obra igualmente rasa. Como trabalha com o sobrenatural, ele até ameaça criar regras, algo necessário para quem está acompanhando e chegou agora. Mas essas regras logo são deixadas de lado, o que deixa o público meio perdido. E os acontecimentos que se seguem entram numa mesmice que será difícil controlar o sono.

Fechando o trio de O Abutre, Rene Russo (acima) vive a dona da galeria que é mais próxima do crítico de Gyllenhaal. O elenco ainda conta com Zawe Ashton, Tom Sturridge, Natalia Dyer, Billy Magnussen e os ótimos John Malkovich e Toni Collette. Mesmo com todos esses nomes, Velvet Buzzsaw (que aparece no IMDB como Toda Arte É Perigosa) não anima. O longa se constrói sobre um mistério que nunca se revela e que não faz sentido. Não funciona como terror, muito menos como drama. É mais um filme para sumir no meio do enorme acervo da Netflix.

Gyllenhaal é atração principal de Velvet Buzzsaw

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Making a Murderer e o instigante caso de Steven Avery

por Kael Ladislau

O que era antes um caso mal esclarecido no estado do Wisconsin, nos EUA, ganhou fama global graças à Netflix. Making a Murderer é uma série documental que conta a história da família Avery, mais precisamente de Steven e, posteriormente e paralelamente, de seu sobrinho, Brendan Dassey. Como se trata de um caso real e ainda em curso, talvez sejam necessários pequenos spoilers da série nesse texto.

A plataforma de streaming disponibilizou duas temporadas da série documental. A primeira foi lançada no final de 2015 e a segunda, em outubro de 2018. Elas narram os julgamentos de Steven – um de 1985 e outro de 2005 – acusado uma hora de agressão sexual e outra de estupro seguido por assassinato.

O caso poderia ser mais um dentre tantos que – infelizmente – acontecem mundo afora. Mas a ação contra Avery tem inúmeras irregularidades judiciais que fazem seus advogados acreditarem num complô. Nem mesmo a confissão de uma pessoa para o caso de 1985 faz com que a justiça volte atrás. Apenas em 2003, num exame de DNA, é determinada a inocência de Avery, e se seguiu um processo de Steven contra o Estado, que durante todo o caso, ignorou deliberadamente algumas provas fundamentais a favor do réu. Isso renderia a Avery uma multa milionária.

Mas aí vem uma nova acusação em 2005. Dessa vez, do assassinato de Tereza Halbach e com a uma confissão, que gera dúvidas, do sobrinho Brendan (acima), então com 16 anos e com um suposto QI baixo. Tanto tio quanto sobrinho vão em cana em pena perpétua.

Dado o teor enigmático do processo, a acusação injusta no passado e o complexo sistema judicial norte-americano, a série da Netflix navega detalhando cada nuance das ações, desde as mais antigas às mais recentes, e mostra algumas relações entre elas. Paralelamente, a acusação contra Brendan ganha seu próprio fôlego e rumos distintos, mesmo que ambas seja relacionadas pelo caso e pelas particularidades do processo. A série não deixa de focar a família Avery, sobretudo Dolores, mãe de Steven. O cotidiano dela, de seu marido Allan e dos demais filhos no ferro-velho dos Avery é bem abordado, mostrando como os casos afetaram nos negócios familiares.

Making a Murderer fez com que o mundo descobrisse o caso Avery e que uma legião pró Steven e Brendan surgisse ao redor do globo. O que pode ser reflexo da falta de equilíbrio da série, que mostra bem o trabalho da defesa, mas pouco aborda a acusação. Outro resultado da série é a aparição de personagens na segunda temporada que acabam se relacionando de alguma maneira com os envolvidos no processo. E, claro, a relativa fama que os advogados adquirem.

O fato é que os casos são intrigantes. A primeira temporada é cheia de reviravoltas que fazem você querer devorar todos os 10 capítulos de uma vez. A segunda, por ser um período de abordagem menor que na primeira, mostra a lentidão do processo, o que afeta também o ritmo do documentário. Ainda assim, vale a pena conhecer a história de um dos mais enigmáticos casos de assassinato dos EUA.

Os advogados do caso viraram celebridades

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Conheça duas novas comédias da Netflix

por Marcelo Seabra

A Última Gargalhada

Dois senhores entrados em anos se reencontram após décadas sem contato. Um era um agente de artistas que conseguia shows nas melhores casas do país. O outro era um comediante promissor que abandonou a carreira de repente para fazer algo mais “sério”, e virou dentista. Viúvos, vivendo num asilo, eles não se darão por vencidos facilmente, e embarcam numa nova turnê.

Essa é a trama de A Última Gargalhada (The Last Laugh, 2019), produção original Netflix que reúne Chevy Chase e Richard Dreyfuss em mais um desses filmes de veteranos saudosos, como Última Viagem a Vegas (Last Vegas, 2013) e Despedida em Grande Estilo (Going in Style, 2017). Dessa vez, são só dois, e o filme se segura totalmente nas costas deles. Chase, visto recentemente no reboot de Férias Frustradas (Vacation, 2015), continua com um carisma enorme, enquanto Dreyfuss (de RED: Aposentados e Perigosos, 2010) demonstra maior domínio como ator.

Com cara de produção para a TV, com um orçamento mais apertado e uma filmagem bem convencional, o longa serve mesmo para que possamos ver o talento de seus protagonistas. Enquanto Dreyfuss é mais clássico, ou que estamos acostumados a ver, Chase tem um ar estranho, como quem perdeu o timing da piada e a faz ficar melhor. As situações que eles vivem não são nada mirabolantes e ainda somos presenteados com uma participação de Andie McDowell (de Magic Mike XXL, 2015).

Dumplin’

Aproveitando-se da beleza da ex-Friends Jennifer Aniston, quase aos 50 e tão maravilhosa quanto aos 20, Dumplin’ (2018) propõe discussões comuns à adolescência, com o agravante da protagonista ser gordinha e filha de uma miss local. Os questionamentos normais da idade são elevados ao cubo, já que a garota não se sente à altura da mãe. Ou do bonitão com quem trabalha (Luke Benward – abaixo).

Danielle Macdonald, vista recentemente no comentado Bird Box (2018), vive Willowdean, uma colegial criada pela tia que é fã número um de Dolly Parton. Quando a tia morre, ela perde seu suporte e é obrigada a contar mais com a mãe, que apesar de ser bem-intencionada, é distante. As muitas atividades que ela acumula na comunidade não lhe deixam muito tempo para a própria filha.

Buscando desafiar o senso comum, que só premia meninas bonitinhas padrão, Willowdean se inscreve no concurso gerenciado pela mãe. A partir daí, o roteiro da produtora Kristin Hahn (baseado no livro de Julie Murphy) dá um tiro no pé, tornando a protagonista uma jovem birrenta que não sabe o que quer. O público se afeiçoa a qualquer outro personagem, menos a ela. A personagem de Aniston é simpática, tentando acertar, e a melhor amiga (Odeya Rush, de Lady Bird, 2017) de Willowdean a atura apesar de suas chatices.

Buscando passar uma mensagem de aceitação da diversidade, a diretora Anne Fletcher (de Belas e Perseguidas, 2015) mais uma vez demonstra também comprometimento com a causa feminista, o que é muito sadio. Mas faltou um texto mais original, ou que fosse mais longe. Depois de quase duas horas, as amizades e laços familiares são exaltados, todo mundo fica feliz e ninguém mais se lembra de ter assistido a Dumplin’.

Os veteranos de A Última Gargalhada valem a sessão

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Oscar 2019 – Indicados e Previsões

por Marcelo Seabra

Está chegando o momento de conhecermos os vencedores da 91ª edição do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS, no original), o popular Oscar. Diz a lenda que uma bibliotecária da Academia, Margaret Herrick, disse que a estatueta lembrava seu tio Oscar. Em 1934, um importante colunista de Hollywood usou o nome para se referir ao prêmio e pegou! Em 1939, a própria Academia oficializou o apelido.

Todos os envolvidos na indústria cinematográfica costumam ter suas carreiras valorizadas ao levarem um careca desses para casa. Os filmes ganham público, mesmo os que já haviam saído de cartaz costumam voltar. Por isso, a festa de entrega é um grande evento, televisionado para mais de 225 países. Nos Estados Unidos, é exibido pelo canal ABC, que também retransmite online pelo aplicativo ou no site abc.com.

Depois de muita fofoca e polêmica, definiu-se que não haveria apresentador como sempre acontece – nos últimos dois anos, a função coube a Jimmy Kimmel. Segundo a Academia, nomes que passarão pelo palco incluem Daniel Craig, Chris Evans, Tina Fey, Whoopi Goldberg, Amy Poehler, Maya Rudolph, Tessa Thompson, Constance Wu, Javier Bardem, Angela Bassett, Chadwick Boseman, Danai Gurira, Michael B. Jordan, Michael Keaton, Paul Rudd e Michelle Yeoh. Entre as atrações musicais, temos Jennifer Hudson, Gillian Welch e David Rawlings, Bradley Cooper e Lady Gaga, Bette Midler e ainda uma apresentação de Queen + Adam Lambert (acima).

Esse ano, Roma e A Favorita lideram nas indicações, cada um com 10, e são seguidos por Nasce uma Estrela e Vice, com oito. Como tenho feito há anos, listo abaixo todos os indicados, com link para aqueles que têm crítica completa no Pipoqueiro – basta clicar para ler. O número 1 em frente indica o meu palpite para o vencedor e o número 2 indica aquele que eu gostaria que ganhasse. Se os dois coincidirem, terá apenas um X.

Melhor Filme

Bohemian Rhapsody

A Favorita

Green Book – O Guia

2 Infiltrado na Klan

Nasce uma Estrela

Pantera Negra

1 Roma

Vice

 

Melhor Direção

1 Alfonso Cuarón (Roma)

2 Spike Lee (Infiltrado na Klan)

Yorgos Lanthimos (A Favorita)

Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)

Adam McKay (Vice)

 

Melhor Ator

Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)

X Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Christian Bale (Vice)

Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)

Viggo Mortensen (Green Book – O Guia)

 

Melhor Atriz

Olivia Colman (A Favorita)

Lady Gaga (Nasce uma Estrela)

X Glenn Close (A Esposa)

Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

Yalitza Aparicio (Roma)

 

Melhor Ator Coadjuvante

Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)

1 Mahershala Ali (Green Book – O Guia)

2 Adam Driver (Infiltrado na Klan)

2 Sam Elliott (Nasce uma Estrela)

Sam Rockwell (Vice)

 

Melhor Atriz Coadjuvante

X Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

Marina de Tavira (Roma)

Amy Adams (Vice)

Emma Stone (A Favorita)

Rachel Weisz (A Favorita)

 

Melhor Roteiro Original

Green Book – O Guia

Roma

No Coração da Escuridão

X A Favorita

Vice

 

Melhor Roteiro Adaptado

X Infiltrado na Klan

The Ballad of Buster Scruggs

Se a Rua Beale Falasse

Nasce uma Estrela

Poderia Me Perdoar?

 

Melhor Animação

X Homem-Aranha no Aranhaverso

Os Incríveis 2

WiFi Ralph

Ilha de Cachorros

Mirai

 

Melhor Filme Estrangeiro

X Roma (México)

Guerra Fria (Polônia)

Assunto de Família (Japão)

Cafarnaum (Líbano)

Nunca Deixe de Lembrar (Alemanha)

 

Melhor Documentário

RBG

Minding the Gap

Hale County this Morning, the Evening

Of Fathers and Sons

X Free Solo

 

Melhor Direção de Arte

O Retorno de Mary Poppins

A Favorita

O Primeiro Homem

Roma

X Pantera Negra

 

Melhor Fotografia

X Roma

Nasce uma Estrela

A Favorita

Guerra Fria

Nunca Deixe de Lembrar

 

Melhor Figurino

2 A Favorita

The Ballad of Buster Scruggs

Duas Rainhas

O Retorno de Mary Poppins

1 Pantera Negra

 

Melhor Maquiagem

X Vice

Border

Duas Rainhas

 

Melhor Montagem

A Favorita

Infiltrado na Klan

Bohemian Rhapsody

Green Book – O Guia

X Vice

 

Melhor Trilha Sonora

1 Se a Rua Beale Falasse

Ilha de Cachorros

Pantera Negra

O Retorno de Mary Poppins

2 Infiltrado na Klan

 

Melhor Canção Original

X Shallow (Nasce uma Estrela)

All the Stars (Pantera Negra)

I’ll Fight (RBG)

The Place Where Lost Things Go (O Retorno de Mary Poppins)

When a Cowboy Trades His Spurs for Wings (The Ballad of Buster Scruggs)

 

Melhores Efeitos Visuais

1 Vingadores: Guerra Infinita

Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível

2 Jogador nº 1

O Primeiro Homem

Han Solo: Uma História Star Wars

 

Melhor Edição de Som

X O Primeiro Homem

Pantera Negra

Roma

Um Lugar Silencioso

Bohemian Rhapsody

 

Melhor Mixagem de Som

X O Primeiro Homem

Roma

Nasce uma Estrela

Bohemian Rhapsody

Pantera Negra

 

Melhor Curta-Metragem

X Marguerite

Fauve

Mother

Skin

Detainment

 

Melhor Curta-Metragem – Animação

X Bao

Animal Behavior

Late Afternoon

Weekends

One Small Step

 

Melhor Curta-Metragem – Documentário

End Game

Lifeboat

A Night at the Garden

X Period. End of Sentence

Black Sheep

Cuarón deve se sagrar o melhor mais uma vez

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