Arlequina reúne uma turma de Aves de Rapina

por Marcelo Seabra

Depois de chamar atenção em meio aos criminosos do horroroso Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016), Arlequina seguiu caminho para ter sua aventura solo. Mas ela não está exatamente sozinha em Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn, 2020), ganhando a companhia de outras personagens que costumam ser vistas andando por Gotham City. Batman e Coringa não foram convidados para a festa, deixando o protagonismo para estas mulheres que, mesmo diferentes, precisam se unir contra um vilão poderoso.

Margot Robbie, indicada ao Oscar este ano como atriz coadjuvante por O Escândalo (Bombshell, 2019), volta ao papel da namorada do Palhaço do Crime, criada em 1992 por Bruce Timm e Paul Dini para o desenho do Homem-Morcego. Desta vez, no entanto, a briga entre o casal foi feia e Arlequina precisa aprender a se virar sozinha, sem poder contar com seu “pudinzinho”. Mas era a proteção do Coringa que garantia a segurança dela no submundo da cidade. Agora, ela está à própria sorte. Entre seus vários desafetos, está o dono de bar e mafioso Roman Sionis (Ewan McGregor, de Doutor Sono, 2019).

Com várias situações se cruzando, Arlequina percebe que há outras mulheres fugindo de Sionis e que elas deveriam se unir. Nesse meio tempo, conhecemos a misteriosa Caçadora (Mary Elizabeth Winstead, de Projeto Gemini, 2019); a cantora Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell, de True Blood); a policial Renee Montoya (Rosie Perez, de A Escolha Perfeita 2, 2016); e a trombadinha Cassandra Cain (Ella Jay Basco, fazendo sua estreia na tela grande). Não temos a oportunidade de conhecer a fundo nenhuma delas. As histórias que ficam mais claras são as de Arlequina, que já conhecíamos, e da Caçadora, e mesmo assim bem por alto.

Fãs dos quadrinhos podem ficar chateados com as muitas mudanças do roteiro em relação à fonte. Sionis, o Máscara Negra, por exemplo, é bem menos ameaçador e mais caricato. Para o filme, funciona bem, e McGregor parece estar se divertindo. Ele é tão espalhafatoso quanto os demais elementos em cena, o que resulta em uma obra bem mais colorida que outras produções da DC. A Gotham mostrada aqui é bem diferente da cidade deprimente de Coringa (Joker, 2019), a fotografia de Matthew Libatique (de Venom, 2018) está mais para o Batman de Joel Schumacher, sempre acompanhada de músicas interessantes que reforçam o poder feminino da obra.

Se o roteiro de Christina Hodson (de Bumblebee, 2018) é raso, a diretora Cathy Yan (de Dead Pigs, 2018) costura bem as sequências e imprime um ritmo ágil ao longa. As coreografias de lutas são bem falsas, com capangas levando um chute na barriga e caindo desacordados, o que se alterna com tiros e explosões que elevam o nível de violência, sempre com aquele ar de mentirinha. Aves de Rapina não chega a ser um Deadpool, o que parecia ser a ideia aqui. Mas é divertido o suficiente e passa longe de um Esquadrão Suicida, o que é uma ótima notícia. E nada impede que cada personagem ganhe sua aventura solo, que vá desenvolvê-las melhor.

Sionis e Victor Zsasz são os vilões aqui

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Oscar 2020 – Indicados e Previsões

por Marcelo Seabra

A entrega dos Oscars, o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), chega este ano à sua 92ª edição. Trazendo novamente polêmicas devido à falta de indicados que não sejam homens brancos, o que deixou de fora grandes nomes, a festa ainda assim conseguiu trazer atenção a grandes produções. São nove os indicados na categoria Melhor Filme, e várias outras produções aparecem em outras categorias

Mais uma vez, não teremos um apresentador, mas vários artistas passando pelo palco, revezando-se entre os prêmios. Na parte musical, além das interpretações das canções indicadas, o grande destaque é a jovem cantora Billie Eilish, além da prestigiada Janelle Monáe. E é essa a graça dos Oscars: celebridades premiando umas às outras e o público acompanhando tudo com grande fascínio.

O recordista em indicações esse ano é Coringa (Joker, 2019), com 11 no total. Uma das barbadas da noite é o prêmio de Melhor Ator para Joaquin Phoenix, que surpreendeu a todos com uma atuação impecável na construção daquele que viria a ser o grande vilão das histórias do Batman. Mas o favorito em duas das categorias principais, Melhor Filme e Melhor Diretor, é 1917 (2019) e seu diretor, Sam Mendes, que pode repetir o feito de 2000, quando levou as duas estatuetas por Beleza Americana (American Beauty, 1999).

A cerimônia será realizada no próximo domingo, 9 de fevereiro, quando o Brasil poderá se sagrar campeão como Melhor Documentário. Segundo os palpites lá fora, as chances de Democracia em Vertigem (2019) não são as melhores, com outros fortes concorrentes à frente. Abaixo, você confere a lista de indicados nas 24 categorias, com links para as críticas disponíveis no Pipoqueiro. O número 1 em frente indica o meu palpite para o vencedor e o número 2 indica aquele que eu gostaria que ganhasse. Se os dois coincidirem, terá apenas um X.

Melhor Filme

O Irlandês – 2
Adoráveis Mulheres
Era Uma Vez em… Hollywood
Parasita
História de um Casamento
1917 – 1
Coringa
Ford vs Ferrari
Jojo Rabbit

Melhor Diretor

Bong Joon-Ho, por Parasita
Martin Scorsese, por O Irlandês – 2
Sam Mendes, por 1917 – 1
Todd Phillips, por Coringa
Quentin Tarantino, por Era Uma Vez em… Hollywood

Melhor Ator 

Antonio Banderas, por Dor e Glória
Leonardo DiCaprio, por Era Uma Vez em… Hollywood
Adam Driver, por História de um Casamento
Joaquin Phoenix, por Coringa – X
Jonathan Pryce, por Dois Papas

Melhor Atriz

Saoirse Ronan, por Adoráveis Mulheres
Charlize Theron, por O Escândalo
Scarlett Johansson, por História de um Casamento – 2
Renée Zellweger, por Judy – Muito além do Arco-Íris – 1
Cynthia Erivo, por Harriet

Melhor Ator Coadjuvante 

Brad Pitt, por Era Uma Vez em… Hollywood – 1
Joe Pesci, por O Irlandês – 2
Al Pacino, por O Irlandês
Anthony Hopkins, por Dois Papas
Tom Hanks, por Um Lindo Dia na Vizinhança

Melhor Atriz Coadjuvante 

Kathy Bates, por O Caso Richard Jewell
Laura Dern, por História de um Casamento – X
Scarlett Johansson, por Jojo Rabbit
Florence Pugh, por Adoráveis Mulheres
Margot Robbie, por O Escândalo

Melhor Roteiro Adaptado

O Irlandês – X
Jojo Rabbit
Coringa
Adoráveis Mulheres
Dois Papas

Melhor Roteiro Original

Entre Facas e Segredos
História de um Casamento
1917
Era Uma Vez em… Hollywood – 1
Parasita – 2

Melhor Filme Internacional

Corpus Christi (Polônia)
Honeyland (Macedônia do Norte)
Os Miseráveis (França)
Dor e Glória (Espanha)
Parasita (Coreia do Sul) – X

Melhor Animação 

Como Treinar o Seu Dragão 3
Perdi Meu Corpo
Klaus – X
Link Perdido
Toy Story 4

Melhor Fotografia 

1917 – X
O Irlandês
O Farol
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood 

Melhor Figurino 

O Irlandês – 2
Jojo Rabbit
Adoráveis Mulheres – 1
Era Uma Vez em… Hollywood
Coringa

Trilha Sonora Original 

Coringa – X
Adoráveis Mulheres
História de Um Casamento
1917
Star Wars: A Ascensão Skywalker

Melhores Efeitos Visuais

Vingadores: Ultimato – X
O Irlandês
O Rei Leão
1917
Star Wars: A Ascensão Skywalker

Melhor Documentário 

Indústria Americana
The Cave
Democracia em Vertigem – 2
Honeyland
For Sama – 1

Melhor Montagem

Ford vs Ferrari – 1
O Irlandês – 2
Jojo Rabbit
Coringa
Parasita

Melhor Canção Original 

I Can’t Let You Throw Yourself Away, de Toy Story 4
(I’m Gonna) Love Me Again, de Rocketman – X
Into The Unknown, de Frozen 2
I’m Standing With You, de Superação – O Milagre da Fé
Stand Up, de Harriet

Melhor Direção de arte 

1917 – 1
O Irlandês – 2
Jojo Rabbit
Parasita
Era Uma Vez em… Hollywood

Melhor Mixagem de Som 

Ad Astra
Ford vs Ferrari – X
Coringa
1917
Era Uma Vez em… Hollywood

Melhor Edição de Som

1917
Coringa
Star Wars: A Ascensão Skywalker
Era Uma Vez em… Hollywood
Ford vs Ferrari – X

Melhor Maquiagem e Penteado 

Malévola: Dona do Mal
1917
O Escândalo – X
Coringa
Judy: Muito Além do Arco-Íris

Melhor Curta-Metragem 

Brotherhood – X
Nefta Footbal Club
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

Melhor Animação em Curta-Metragem

Dcera (Daughter)
Hair Love – X
Kitbull
Memorable
Sister

Melhor Documentário de Curta-Metragem 

In the Absence – X
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
Lifeovertakesme
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

São muitos indicados para uma foto só!

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Tom Hanks emociona como o vizinho Mr. Rogers

por Marcelo Seabra

Muito conhecido nos Estados Unidos, Fred Rogers tinha um programa na televisão voltado para crianças. Ao invés de brincadeiras e competições, ele promovia discussões sobre temas importantes que normalmente não eram levados ao público mais jovem – e, por isso mesmo, marcou muita gente. Um Lindo Dia na Vizinhança (A Beautiful Day in the Neighborhood, 2019) nos leva a esse universo e apresenta um pouco do que Mr. Rogers era em frente e também atrás das câmeras. Basicamente: o mesmo cara legal.

Para nos levar junto nessa jornada, temos Lloyd Vogel (Matthew Rhys, de The Post, 2017, e da série The Americans), um jornalista premiado conhecido e temido pelos textos densos que geralmente expunham os pecados dos envolvidos nas matérias. Ninguém queria ser alvo de um perfil escrito por Vogel, mas Rogers não viu problema. A partir dessa missão, os dois se conhecem e, ao contrário do que esperamos, é Vogel quem vai revelar seus traumas e medos. O personagem é inspirado em Tom Junod, jornalista da revista Esquire que teve sua forma de ver a vida mudada após o encontro com Fred Rogers.

Para viver a personalidade da TV, foi escolhida uma das maiores personalidades do Cinema: o premiado e querido Tom Hanks (também de The Post). Em meio a tantos escândalos na indústria, Hanks mantém sua imagem de bom moço e essa aura imaculada ajuda a criar Rogers, um sujeito que parecia alheio a todo o cinismo e maldade que o cercavam, mas nem por isso ingênuo ou apalermado. Parece ser simplesmente uma escolha de vida: buscar o otimismo e ver o melhor nas pessoas. Mesmo naquelas que já te deixaram na mão.

O roteiro, escrito por Noah Harpster e Micah Fitzerman-Blue (ambos de Malévola: Dona do Mal, 2019), evita sentimentalismos baratos e armadilhas comuns nesse tipo de jornada, quando uma pessoa calejada pela vida começa a ver as coisas de forma mais positiva. Olhando por esse lado, Rogers é um antagonista, já que faz um contraponto a Vogel, levando-o a pensar fora da caixa à qual ele estava acostumado. O próprio Tom Junod atestou isso em entrevistas. O que vemos no filme é ficção, mas a moral da história é a mesma.

É fato que Hanks alcançou um patamar em que é prazeroso até vê-lo lendo a lista telefônica. Ele acaba ficando em segundo plano, já que o filme foca mais em Vogel e sua tarefa, e lamentamos que ele não tenha tanto tempo em cena. Mas Rhys, mesmo que um pouco apagado frente a um gigante, consegue evitar estereótipos e criar uma figura interessante. Os demais coadjuvantes completam um belo quadro. O destaque é Chris Cooper (acima, de Adoráveis Mulheres, 2019), outro ator excelente a quem cabe um papel rico: um pai que errou muito e busca redenção.

Com tanta dor precisando ser curada, seria muito fácil escorregar para o dramalhão. A diretora Marielle Heller (de Poderia Me Perdoar?, 2018) faz um ótimo trabalho mantendo o tom do filme, com momentos engraçados e até contemplativos. Se a sequência de sonho tira o espectador do longa e atrapalha a experiência, outras vão tirar lágrimas facilmente e fazer pensar. As colocações do Mr. Rogers de Hanks vão levar o público a refletir sobre suas vidas e, quem sabe, deixar um sorriso no rosto de cada.

A caracterização ficou ótima

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Jojo Rabbit leva a comédia à guerra

por Marcelo Seabra

Para seguir o nazismo, precisaria ser alguém bem maligno, você pode pensar. Mas sabemos que nazistas não têm chifres ou rabos pontudos – basta ir a qualquer lugar bem movimentado e olhar para os lados. Eles se parecem fisicamente com você. E, também como você, nasceram crianças. A comédia frequentemente é usada para críticas poderosas e é isso que temos em Jojo Rabbit (2019). É através dos olhos de um garotinho de 10 anos que vemos o horror do regime que levou a humanidade à Segunda Grande Guerra.

Ao contrário de A Vida É Bela (La Vita È Bela, 1997), aqui temos o menino totalmente inserido no contexto da guerra. E o diretor e roteirista Taika Waititi (de Thor: Ragnarok, 2017) não ridiculariza Hitler (como Chaplin fez em O Grande Ditador, 1940) ou seus seguidores (como Mel Brooks em Primavera para Hitler, 1967). Ele os mostra como seres humanos que fazem coisas monstruosas e não pensam duas vezes antes de seguirem um pensamento raso e mal construído. Fazia sentido para eles, no contexto em que viviam, e poucos viram necessidade de irem contra. Por isso, chegaram onde chegaram.

Johannes “Jojo” Betzler (Roman Griffin Davis) cresce em meio à ascensão nazista e é levado pelo sentimento nacionalista que vê em vizinhos, amigos e parentes. Como deve ter acontecido com milhares de alemães. A diferença é que Jojo tem uma mãe (Scarlett Johansson, de História de um Casamento, 2019) que discretamente ousa ser diferente. Sabemos que nem todos os alemães aderiram, o que não é preciso para que um grupo chegue ao poder. Como muitos jovens impressionáveis, Jojo admira Hitler, mas não é pouco! É a ponto de vê-lo como um amigo imaginário (vivido pelo próprio Waititi). A escolha de colocar uma criança como protagonista é muito acertada, conseguimos ter empatia com ele mesmo sendo o seu pensamento tão torpe. E Davis é uma ótima descoberta.

Grandes diretores, como Spielberg (de 1941: Uma Guerra Muito Louca, 1979), já derraparam ao fazerem comédia com uma guerra. Waititi, partindo do livro de Christine Leunens, demonstra uma sensibilidade ímpar ao tratar as situações que envolvem Jojo, não o poupando, mas mostrando como foi possível para ele aprender com tudo aquilo. Os demais personagens nazistas são um tanto exagerados, mas não podemos afirmar que a realidade não fosse próxima disso. O clima de fábula não impede que o roteiro aponte os absurdos perpetrados pelos seguidores do ditador, algo que um longa pesado como Filhos da Guerra (Europa Europa, 1990) fez bem, mas de outra forma.

Com boas atuações de um elenco que inclui Sam Rockwell, Rebel Wilson, Alfie Allen, Stephen Merchant e Thomasin McKenzie, Waititi mostra ser capaz de conduzir produções menores também, sem um orçamento como os dos estúdios Marvel. A recriação da época é bem interessante, nos levando para o período e nos fazendo pensar. Se queremos afastar a besta, não podemos permitir que alguém a alimente. É responsabilidade de todos. Principalmente de quem é responsável por jovens como Jojo, que representam o nosso futuro.

Taika Waititi manda seu recado a Hitler e seguidores

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Robert Eggers surpreende novamente com O Farol

por Marcelo Seabra

Depois do sucesso atingido com A Bruxa (The Witch, 2015), qualquer passo de Robert Eggers seria ansiosamente esperado. E o novo trabalho do diretor e roteirista não decepciona: O Farol (The Lighthouse, 2019) causa tanto estranhamento quanto o longa anterior, talvez até mais. Permeado por influências claras de grandes autores e de mitos gregos, ele ainda conta com duas ótimas atuações para assombrar seu público.

Escrito em parceria com o irmão, Max, Robert nos apresenta a dois zeladores que chegam a uma ilha na Nova Inglaterra para cuidarem de um farol no meio do nada. Eles só têm um ao outro até o dia marcado para a volta do barco que os levará embora. O isolamento, ainda mais em meio a tempestades homéricas, lembra O Iluminado (The Shining, 1980), mas Stephen King não é uma influência aqui. A ideia parte de um conto inacabado de Edgar Allan Poe, mas os Eggers acabaram se afastando do escritor para se aproximarem de H.P. Lovecraft.

Pesadelo é uma boa palavra para descrever O Farol. A belíssima fotografia em preto e branco de Jarin Blaschke (de Shimmer Lake, 2017, e também de A Bruxa) acentua as sombras e aumenta o clima de tensão que surge da relação entre os dois sujeitos. Temos um zelador mais velho e experiente, que atua como chefe; e outro mais novo, que optou pela vaga para mudar de ares e acaba se ocupando das tarefas domésticas, longe do farol propriamente dito. Rapidamente, entrar lá se torna uma obsessão para ele e mais um motivo de atrito entre os dois. E a crescente tensão é inclusive sexual, mas não no sentido erótico: é mais uma disputa de quem manda naquele enorme símbolo fálico, numa metáfora para uma masculinidade frágil.

Ator que dispensa apresentações, Willem Dafoe (de Aquaman, 2018) é uma atração à parte. Seu personagem se alterna entre o profissional exemplar e o alcoólatra irritante, arrumando confusão por qualquer coisa. E sobra para Robert Pattinson (de Bom Comportamento, 2017) aguentá-lo. Ambos se mostraram bem ágeis nos diálogos, usando termos apropriados para a época e para o mar, onde o veterano tem experiência. E o público não demora a se perder, não sabendo o que é realidade e o que pode estar apenas dentro da cabeça deles, o que leva a uma conclusão nada conclusiva.

Como fez em A Bruxa, Eggers parece entregar uma obra fechada, mas te permite interpretar na direção que achar melhor. Vários elementos são usados na costura, dos autores citados ao mito de Prometeu, mais óbvio. Quem gosta de tudo mastigado pode ficar frustrado. Mas, independentemente de qualquer problema encontrado, Dafoe e Pattison sem dúvida valem o ingresso, e têm suas atuações reforçadas pelas belas cenas criadas por Blaschke, merecidamente indicado ao Oscar e a tantos outros prêmios.

O diretor apresenta seu elenco em trajes contemporâneos

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Sam Mendes mira prêmios com 1917

por Marcelo Seabra

Volta e meia, nos deparamos com uma ameaça mais séria de guerra no planeta. Para algumas nações, isso é uma realidade constante, ainda que localmente. Por isso, é importante que o Cinema nos lembre frequentemente dos horrores que já vivemos. Agora, foi a vez do premiado Sam Mendes contar uma história da Primeira Guerra, e o filme acumula mais de 150 indicações a prêmios! 1917 (2019) já chega aos cinemas nacionais comemorando uma arrecadação fantástica pelo mundo.

Com um roteiro aparentemente simples, escrito com sua parceira de Penny Dreadful, Krysty Wilson-Cairns, Mendes tinha uma visão desde o início: o filme seria feito com uma só tomada contínua. O avô do diretor serviu na Guerra como mensageiro e sua função era salvar vidas correndo por terrenos perigosos. Essas histórias deram origem a 1917, longa enxuto em seus 119 minutos que deve seu sucesso também a outro grande nome: Roger Deakins (de Blade Runner 2049, 2017). Foi o lendário diretor de fotografia que ajudou a esconder os cortes e dar a impressão de continuidade.

Não é a primeira vez que somos enganados com esse truque no Cinema. Hitchcock lançou Festim Diabólico (Rope) em 1948 usando uma saída simples: ele fazia seus cortes filmando telas pretas, de onde poderia continuar depois sem ser percebido. Outros usaram recurso parecido, como Birdman (2014), mas Deakins teve outra carta na manga: uma nova tecnologia que permite parar e continuar sem que se perceba a pausa – e nem por isso foi fácil. É importante ressaltar que não se trata apenas de um artifício curioso, um motivo para chamar público. O resultado dá um senso de urgência enorme, passamos pelos apertos vividos pelos personagens junto com eles.

Apesar de um currículo respeitável, os dois protagonistas não são muito conhecidos, tendo feito em sua maioria participações pequenas. Dean-Charles Chapman (acima, à esquerda) era o cantor vizinho do fã de Springsteen em A Música da Minha Vida (Blinded By The Light, 2019), além de ter encarnado o Príncipe Tommen em Game of Thrones. E George McKay (acima, à direita) deve ser reconhecido como o filho mais velho de Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016), além de Orgulho e Esperança (Pride, 2014). Os dois vivem os cabos que precisam atravessar um campo inimigo para levar uma mensagem a outro pelotão inglês.

Chapman e McKay são expressivos na medida certa, deixando transparecer medo e inexperiência, apesar da postura de durões. Pelo fato de todos os envolvidos serem ingleses (fora os inimigos alemães, claro!), temos participações especiais bem interessantes (alguém falou em O Espião Que Sabia Demais?). O trailer estraga a surpresa de algumas, outras prevalecem. Uma infinidade de figurantes completa o elenco, ajudando a recriar a guerra. Deakins aproveita para realizar tomadas de tirar lágrimas dos olhos. Em meio a mortes e lama, há espaço para poesia, o que potencializa o aperto sentido em certos momentos.

Provável vencedor do Oscar de Melhor Filme, com outras nove indicações, 1917 é de fato uma obra muito bonita e pode trazer o segundo prêmio da Academia a Mendes, Melhor Diretor por Beleza Americana (American Beauty, 1999). O montador, Lee Smith, levou a estatueta do careca por nada menos que Dunkirk (2017), outra obra-prima. A trilha discreta de Thomas Newman (de Estrada Sem Lei, 2019) completa o quadro. Com tantos talentos reunidos, não é de se surpreender o resultado. E nem tanto reconhecimento.

Mendes dirige das trincheiras

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Ótimas atrizes são o destaque de O Escândalo

por Marcelo Seabra

Sororidade é um termo que vem do latim e define a importância de mulheres se unirem para serem ouvidas. Vivemos em um mundo machista e, muitas vezes, os piores espécimes masculinos estão em posição de liderança. Por isso, para terem os mesmos direitos e oportunidades, as mulheres deveriam se unir. Este é um dos pontos centrais tratados em O Escândalo (Bombshell, 2019), longa já em cartaz em reconta os fatos ligados ao processo entre funcionárias e o todo-poderoso executivo do canal Fox News.

Roger Ailes foi incumbido pelo dono do império Fox, Rupert Murdoch, de tocar o canal de notícias e, numa análise fria e objetiva, foi muito bem-sucedido. Aumentou em várias vezes a audiência, a fama e o valor de mercado do canal. Mas a que preço? De que forma? É isso que o diretor Jay Roach e o roteirista Charles Randolph escancaram. Ambos tinham experiência em filmes sobre a realidade escandalosa em que vivemos. Roach assinou, entre outros, Recontagem (2008), Virada no Jogo (2012), Os Candidatos (2012) e Trumbo (2015), e Randolph levou o Oscar por escrever A Grande Aposta (2015).

Contando com um elenco dos sonhos, Roach refaz a equipe do Fox News de 2016 e nos leva para dentro das articulações do Partido Republicano antes da eleição que iria colocar Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Charlize Theron (de Atômica, 2017) vive a âncora do canal destacada para mediar o evento, Megyn Kelly. A história de Kelly é uma das três seguidas pelo filme, que também nos apresenta a Gretchen Carlson (Nicole Kidman, de O Pintassilgo, 2019) e Kayla Pospisil (Margot Robbie, de Era Uma Vez em… Hollywood, 2019). O que elas têm em comum, além de trabalharem na mesma empresa? O assédio de Ailes (John Lithgow, de Cemitério Maldito, 2019).

As três atrizes realizam performances impecáveis, complementadas pelo sempre ótimo Lithgow (abaixo). Entre elas não há muitas cenas, mas todas têm embates com ele, o chefão que busca mulheres lindas, com belas e compridas pernas, para colocar no ar. Ailes acreditava que isso chamaria público – mesmo com os homens que assistem ao canal se declarando conservadores, de família, os tais cidadãos de bem. E ele não estava de todo errado, já que a audiência do Fox News cresceu muito sob a gestão dele. A hipocrisia pode ser encontrada no mundo todo.

Com uma montagem ágil, o longa alterna sua atenção entre elas. O roteiro não se importa tanto com as personagens, mas com os fatos ligados à questão do assédio. Nesse ponto, é importante ressaltar a batalha entre Kelly e o contumaz misógino Trump, que direcionou sua base de fãs para infernizar a jornalista. Mais ou menos o que acontece com a família presidencial brasileira e seus desafetos. Além do elenco principal, temos um desfile de gente competente em papéis secundários, como Allison Janney, Kate McKinnon, Connie Britton, Stephen Root, Mark Duplass, Malcolm McDowell e Brigette Lundy-Paine, estrela da série Atypical.

Ailes e Trump são os grandes vilões dentre gente da pior espécie, como são os empregados do Fox News. É triste observar que não havia qualquer tipo de união entre as lindas colegas de trabalho, cada uma muito preocupada com sua própria carreira. Era um olho em si e o outro na concorrência – como no momento em que Carlson vai à sala de Ailes e fica com uma pulga atrás da orelha sobre a presença de Pospisil. Mesmo passando por situações humilhantes, elas só se preocupavam em crescer, defendendo enquanto isso todo tipo de ponto de vista ultrapassado, antiquado, que reforça exatamente o machismo do qual eram vítimas.

Roach e elenco prestigiaram o lançamento do longa

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Richard Jewell é mais um herói de Eastwood

por Marcelo Seabra

Não é de hoje que Clint Eastwood opta por filmar histórias reais, principalmente de personagens que ele considera heróis da pátria. Se forem injustiçados, então, é um prato cheio. Foi assim com Sully (2016), biografia do piloto que realizou um pouso milagroso para depois ser atacado de todos os lados. E é assim com O Caso Richard Jewell (Richard Jewell, 2019), sobre um outro episódio que ganhou as manchetes há alguns anos. É mais um sujeito cuja saga Eastwood se sentiu compelido a contar.

É importante deixar claro que Eastwood, apesar de muito experiente e de ter obras-primas em seu currículo, não é infalível. Com o Sniper Americano (American Sniper, 2014), o diretor entregou um trabalho tecnicamente impecável, mas altamente discutível ao colocar um psicopata como o modelo do soldado americano. E o mais recente 15h17: Trem Para Paris (15:17 to Paris, 2018) tem ainda mais problemas, a começar por ser chato e enrolar bastante para chegar ao ponto que interessa. A boa notícia é que Jewell não se aproxima desses exemplos negativos. A má é que o longa ainda está longe do brilhantismo de um Gran Torino (2008), ou Sobre Meninos e Lobos (2003), ou Os Imperdoáveis (1992), ou…

Quando o longa começa, conhecemos um sujeito que claramente tem um déficit intelectual. Richard (Paul Walter Hauser, de Infiltrado na Klan, 2017) é totalmente dependente da mãe (Kathy Bates, de Estrada Sem Lei, 2019), que o trata como uma criança, e ele tem uma ideia fixa de ser policial. Sua total falta de jogo de cintura faz com que siga regras ou ordens à risca, o que obviamente lhe trará muitos problemas. Pulando entre empregos, ele consegue uma vaga como um dos muitos seguranças nos Jogos Olímpicos de 1996.

Uma mochila deixada próxima da multidão chama a atenção de Richard, que logo mobiliza a todos para investigarem o objeto. Seu instinto se prova correto: era uma bomba. Após salvar dezenas de vidas, Richard vira celebridade e chama a atenção do FBI. Sem ninguém melhor para incriminar, os agentes passam a investigar o sujeito como se ele próprio houvesse colocado a bomba apenas para virar herói. Para jornalistas atrás de um furo, o personagem Richard Jewell é um prato cheio, e a mídia trata de expô-lo ao máximo.

Com essas duas críticas claras, às autoridades e à mídia, Eastwood constrói um bom filme, mas pesa a mão um tanto ao vilanizar os dois personagens criticados. Jon Hamm, o eterno Don Draper de Mad Men, tenta sair das armadilhas do roteiro, dando alguma simpatia a seu agente do FBI, mas o resultado se alterna entre burro e incompetente. E as coisas ficam ainda piores para a jornalista vivida por Olivia Wilde (da série Vinyl – acima), que representa a escória da profissão. Muitos podem argumentar que há uma forte dose de machismo na construção do roteirista Billy Ray (do mais recente Exterminador do Futuro).

No papel-título, a composição de Hauser é impecável e ele vai, pouco a pouco, gravando seu nome na cabeça do público. Bates como sempre é um espetáculo, merecidamente indicada a diversos prêmios. O vencedor do Oscar Sam Rockwell (por Três Anúncios para um Crime, 2017) tem sucesso ao mudar o tom de seu personagem, um advogado que aparece como um almofadinha e acaba se tornando alguém melhor. Aos mocinhos, cabe uma missão mais fácil, até mais agradável, que a Hamm e Wilde.

Com uma montagem ágil, O Caso Richard Jewell apresenta uma boa reconstituição dos fatos e consegue inserir doses de humor em um assunto pesado. Mesmo passando de duas horas de exibição, não fica cansativo, e demora pouco para começarmos a torcer por Jewell. Num primeiro momento um bobão, ele transparece uma pureza que faz com que o vejamos como a mãe o faz: como uma criança. E sentimos sua frustração e seu desespero em sua jornada para se provar inocente.

Estes são os personagens reais desse drama

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Paulo Gustavo fecha a trilogia de Dona Hermínia

por Marcelo Seabra

Tendo levado milhões aos cinemas e arrecadado o suficiente para estacionar no primeiro lugar das bilheterias nacionais, Dona Hermínia é um inegável fenômeno. O que não fica claro é o porquê. Minha Mãe É Uma Peça 3 (2019) está em cartaz em trocentas salas, com diversas sessões esgotadas, e continua no lugar-comum das comédias padrão Globo Filmes.

Em 2013, Paulo Gustavo levou sua peça de sucesso à tela grande e usou todo o material que tinha. Alguns momentos realmente engraçados se alternavam com comentários espirituosos, evitando repetir preconceitos numa comédia para todos os públicos. Tamanho foi o sucesso que o comediante teve que correr e produzir outro episódio, e a falta de conteúdo ficou muito clara. Com todo o estoque de piadas gasto no primeiro, só sobrou gritaria e palavrões. O segundo filme não tem sequer um bom momento, com situações requentadas e clichês mal amarrados.

Inspirado por sua mãe e sua própria vida, Paulo Gustavo criou a Dona Hermínia, mãe de três que dispara milhares de palavras por segundos. Ela faz observações sarcásticas sobre tudo e todos, em meio a um cotidiano de dona de casa que não tem de fato nada para fazer, já que o trabalho doméstico fica por conta da empregada. A ela, sobra fazer compras no supermercado, sair com as amigas da terceira idade, arrumar confusão com o ex-marido e atazanar os filhos.

Além do filho mais velho, que mora em outro estado e pai de seu único neto, Hermínia tem outros dois que moravam com ela. Nessa terceira parte, tanto Marcelina (Mariana Xavier) quanto Juliano (Rodrigo Pandolfo) já estão se arrumando na vida, cada um em sua casa, e a mãe fica esperando o telefone tocar para ter a oportunidade de se meter nas vidas deles. Com uma grávida e o outro se casando, é um prato cheio para ela.

Com longas tomadas pelo Rio de Janeiro, o filme tem trechos que parecem mais clipes da prefeitura da cidade. E, falando em clipes, as músicas usadas causam momentos constrangedores, com as personagens cantando sem razão. Piadinhas internas não faltam, como as que envolvem o filme Minha Vida em Marte (2018) e o ator Herson Capri, o Carlos Alberto da história. As boas intenções são visíveis, mas resultam em barras forçadas e mais constrangimento. No entanto, as risadas rolam soltas na sessão, bastando a protagonista gritar “Marcelina!” para todos desabarem em risos. Quando ela resolve dar um apelido, então, ouvimos a mesma coisa seis vezes seguidas e todos riem nas seis.

Como há uma série com a Dona Hermínia em desenvolvimento, dá para apostar que uma trilogia foi o suficiente no Cinema. Na televisão, só Deus sabe onde isso vai parar. O lado bom é saber que Paulo Gustavo se sai bem melhor na telinha, em quadros curtos. As chances de um melhor resultado aumentam. O ator e roteirista tem carisma de sobra para gastar e certamente terá vida longa no mundo artístico. Dona Déa Lúcia, a mãe dele, parece mesmo ser uma peça, como vemos nas cenas reservadas ao final. Mas, como personagem de Cinema, já passou da conta faz tempo.

Este é, de longe, o pior momento do filme

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Kursk traz mais uma tragédia real

por Marcelo Seabra

Invariavelmente, as tragédias do mundo são marcadas pela incompetência e pela arrogância humanas. Foi assim com Chernobyl, é assim na devastação atual na Austrália. Outro desses episódios acaba de chegar aos cinemas: Kursk – A Última Missão (2018) narra o acontecido com o submarino russo em 2000. O fato é recente, mas muitos podem não conhecer os pormenores, assim como o final. Por isso, a tensão tende a aumentar à medida em que o oxigênio dos marinheiros diminui.

O elogiado diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, do ótimo A Caça (Jagten, 2012), partiu do livro de Robert Moore, com roteiro de Robert Rodat (de O Resgate do Soldado Ryan, 1998) e do próprio Moore. O best-seller detalha tudo que foi descoberto nas investigações subsequentes ao naufrágio, e fica por conta dos roteiristas imaginar muito do que teria acontecido, lá embaixo e na superfície. Muitos países se envolveram, tentando diminuir o tamanho da tragédia, o que envolveu muita política no episódio. Mas não estranhe ouvir todos falando inglês, como é comum em produções que buscam aceitação pelo mundo.

Conduzindo o espectador pela trama, temos o personagem de Matthias Schoenaerts – que trabalhou com Vinterberg em Longe Deste Insensato Mundo (Far From the Madding Crowd, 2015). Mikhail Averin é admirado e respeitado pelos colegas, e conhecemos uma boa parte deles em um casamento. Dessa forma, o filme traz um pouco de profundidade a cada um deles, mesmo que não dê tempo para mostrar muito. Quando embarcam, já conhecemos o suficiente para torcer por eles, além de sabermos que tudo se trata de uma história real. Como é costume em filmes-catástrofe (um exemplo é o recente Horizonte Profundo, 2016), ficamos na expectativa pelo que já sabemos e pelo desenrolar.

E quem fica em terra também é importante. Como disse o produtor Luc Besson em entrevistas, a ideia era valorizar o lado humano da história. Se a tentativa de fazer sentimentalismo barato com closes na cara do filho de três anos desanima, a participação da esposa torna as coisas mais interessantes. A Léa Seydoux (de Spectre, 2015) não cabe apenas o papel de mocinha chorosa, como vemos por aí. As mulheres que ficaram esperando que seus maridos retornassem foram tratadas com total descaso pelas autoridades da marinha russa, ponto muito importante mostrado. A reunião convocada é um dos grandes momentos de Kursk, mostrando uma mistura de ingenuidade e burrice dos militares de alta patente.

Os outros nomes mais conhecidos do elenco são os de Colin Firth (de Kingsman: O Círculo Dourado, 2017) e do veterano Max von Sydow (de Star Wars: O Despertar da Força, 2015), dois grandes talentos que cumprem bem suas missões. Firth é responsável por um dos momentos mais fortes do longa, enquanto von Sydow personifica alguns dos pecados mencionados acima. Os diálogos entre todos eles são, em sua maioria, bem escritos, evitando exposições desnecessárias. Não importa que não saibamos os detalhes do funcionamento de um submarino, vamos continuar sem saber. Vinterberg mantém as coisas críveis e honra a memória das vítimas, além de deixar claro que autoridades nem sempre sabem o que fazem.

Max von Sydow, o eterno Padre Merrin, marca presença

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