Peaky Blinders voltam com um filme

Quatro anos após a (inconclusiva) conclusão da sexta e última temporada, com a ascensão do nazismo mundo afora, temos mais uma história com os Peaky Blinders (2013-2022), com a volta do oscarizado Cillian Murphy como o protagonista. E praticamente só ele, já que muitos integrantes do elenco principal ficaram de fora, o que a trama justifica – e facilita a compreensão para quem não conhecia a série. Todas as peças acabam bem encaixadas pelo criador e roteirista da atração, Steven Knight, mas O Homem Imortal (The Immortal Man, 2026) mistura uma certa melancolia a uma sensação de correria. Afinal, quem estava acostumado a ver as histórias se desenrolarem por vários episódios reencontrou Tommy Shelby na Netflix por meros 112 minutos.

Tratado como Tom por seu fiel escudeiro Johnny Dogs (Packy Lee), Shelby vive isolado em uma de suas propriedades no interior, distante de sua Birmingham, assombrado por seus muitos entes queridos levados pela violência que o cercava. Ele quer acreditar que colocar aquelas histórias no papel pode silenciar os fantasmas de sua cabeça, mas seus traumas vêm da época em que serviu na Primeira Guerra e só pioraram desde então.

É assim que reencontramos o lendário Tommy Shelby, um gângster com quem apenas um desavisado ousaria bater de frente. Ou alguém com um grupo muito poderoso por trás, caso do agente nazista inglês John Beckett, vivido por Tim Roth (o Abominável da Marvel – acima). O ator veterano é um dos novos nomes a aparecerem nesse universo. Rebecca Ferguson (a mãe de Paul Atreides na franquia Duna) vive a cigana que tentará levar Tommy de volta às ruas de Birmingham para ajudar seu filho mais velho, Duke, na pele do astro onipresente Barry Keoghan (de Saltburn, 2023). Diz a lenda que Murphy ligou para convidar Keoghan para ser “seu filho” no dia dos pais.

O toque fantasioso da trama, envolvendo espíritos, não deveria ser surpresa para ninguém, já que os ciganos Romani sempre tiveram um pé no sobrenatural. No entanto, nada disso precisa ser levado muito a sério, podendo não passar de sentimentos manifestados visualmente. Ou truques, pura e simplesmente. E a parte real é inspirada na chamada Operação Bernhard, idealizada pelos nazistas alemães, que visava desestabilizar a economia britânica ao jogar milhares de libras falsas no mercado (e inspirou o longa Os Falsários, 2007). Afinal, Peaky Blinders sempre gostou de borrar a fronteira entre os livros de História e a ficção.

Além de trazer Murphy e Knight, O Homem Imortal conta com Tom Harper na direção, papel que ele desempenhou na primeira temporada da série. A caracterização, figurino, design de produção, cenários e demais elementos de cena são fidedignos como sempre, ambientando muito bem a história de Knight. Soluções fáceis para problemas complicados já haviam aparecido na série, notadamente na temporada quatro, e acabam enfraquecendo a impressão que o filme deixa. Ainda assim, é ótimo reencontrar aqueles velhos amigos. O produtor inclusive já revelou em entrevistas que duas novas temporadas de Peaky Blinders serão lançadas em breve, levando adiante as aventuras de Duke Shelby.

Keoghan lidera o futuro dos Peaky Blinders

Sobre Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.
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