Robert Pattinson chega aos cinemas como o novo Batman

O que faz uma pessoa ser boa? Esta parece ser a questão central trabalhada no novo Batman (ou The Batman, 2022). Quem assume as rédeas para a Warner é o diretor, roteirista e produtor Matt Reeves, famoso por ter levantado a franquia Planeta dos Macacos nos últimos capítulos. A pergunta é feita no âmbito da sociedade, mas também no pessoal. Por vestir uma fantasia e bater nos criminosos, Bruce Wayne é uma pessoa boa? E quanto aos “cidadãos de bem” de Gotham?

Como ninguém aguenta mais assistir à origem do herói, Reeves vai direto ao assunto com uma sequência inicial bem interessante que situa o espectador. Algo como num episódio intermediário de uma trilogia. Nem precisava da narração, empregada para dar ao longa um clima noir e logo esquecida. Encontramos o personagem quando já está na atividade de vigilante há dois anos, tem uma boa relação com um policial honesto (sim, James Gordon) e é visto com desconfiança por boa parte da cidade.

Como acontece sempre nos quadrinhos, vários personagens marcantes se cruzam e há diversas subtramas sendo lançadas, algumas inclusive para serem desenvolvidas em projetos futuros. E isso deixou a obra com uma duração excessiva, quase três horas. Não fica cansativo, mas muitos podem reclamar. Em alguns momentos, parece estar acabando, apenas para revelar mais pontas soltas que deverão ser resolvidas. Por mais que discussões profundas possam ser iniciadas aqui ou ali, o filme não se pretende uma aula de filosofia.

 Com uma trama de corrupção generalizada, Reeves consegue capturar a atmosfera das revistas em quadrinhos, que geralmente misturam política, ação e outros elementos próximos. Dessa forma, temos um mínimo para prestar atenção e processar, e não faltam sequências de perseguição, luta, tiros e bombas. Na medida do possível, este Batman está mais pé no chão, com situações e reações mais reais do que costumamos ver nesse tipo de filme. Até medo ele sente, o que nos dá a cena mais emocionante dessas quase três horas.

Como geralmente acontece, os atores para adaptações de quadrinhos são escolhidos e os fãs imediatamente começam a criticar. Foi assim com Robert Pattinson e ele se mostra uma ótima escolha para Bruce Wayne e Batman – mesmo que fique claro que ele é frequentemente substituído por dublês nas partes mais demandantes. O Bruce Wayne de Pattinson parece um rockstar de saco cheio da fama: aonde vai, é reconhecido, mas não gosta dessa sensação. O diretor disse em entrevistas que ele e seu parceiro Peter Craig (de Imperdoável, 2021) escreveram o roteiro com o trágico Kurt Cobain em mente. Não por acidente, temos uma canção do Nirvana pontuando o filme todo: Something in the Way.

Quando foi escalado para os papéis, Pattinson estava justamente trabalhando em Tenet (2020), com o diretor Christopher Nolan, responsável pela trilogia do Cavaleiro das Trevas. E, por mais que se evite, as comparações acabam aparecendo. Os filmes de Nolan são ótimos (ok, o terceiro é um tanto menos), e muito já foi falado sobre eles. A maior diferença do trabalho de Reeves é o sentimento que ele injeta e que falta ao colega britânico. Este filme é mais “quente” que qualquer coisa que Nolan tenha feito, e isto contribui com a sensação de urgência, de perigo, de que algo drástico realmente pode acontecer.

Além de Pattinson, temos grandes nomes nos demais papéis. Zoë Kravitz (de Big Little Lies), como sempre, está um tanto blasé, mas nada que atrapalhe. Sua Selina Kyle funciona e tem uma história bem construída. É inexplicável por que colocam o ótimo Colin Farrell (de Magnatas do Crime, 2019) irreconhecível como Pinguim, com horas na cadeira de maquiagem ao invés de contratarem alguém mais próximo fisicamente do gângster. Jeffrey Wright faz um Gordon mais mãos na massa e muito parceiro do Batman, muitas vezes se colocando entre ele e os demais policiais da cidade. Entre outros nomes famosos, temos ainda Andy Serkis (como um Alfred mais jovem), Peter Sarsgaard (o promotor) e John Turturro, ameaçador em suas poucas cenas como Falcone.

Outro que aparece pouco e não passa despercebido é Paul Dano (de Okja, 2017). Indo do insignificante ao destemperado, o ator nos entrega um vilão interessante, psicótico e mais inteligente do que parece. E é o Charada que permite a Batman assumir o nome pelo qual ele é muito chamado nas revistas: Detetive. Aqui, ao contrário de filmes anteriores, temos o herói de fato investigando pistas, forçado por seu antagonista a trabalhar ao lado de Gordon, seguindo a cartilha policial. E, nesse meio do caminho, apanhando, levando tiros e desenvolvendo outras habilidades pelas quais ele será famoso.

A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino (da trilogia do Homem-Aranha), pontua bem os momentos de tensão, chegando às vezes próximo do invasivo. Vindo dos grandiosos Duna (Dune, 2021) e O Mandaloriano (The Mandalorian), o diretor de fotografia Greig Fraser consegue algumas das imagens mais bonitas de uma adaptação de quadrinhos, batendo Zack Snyder ou qualquer outro que você possa lembrar. E os efeitos visuais, da Industrial Light & Magic, se unem aos efeitos práticos, maquiagem e figurinos para criarem aquele universo de Gotham, que lembra cidades futuristas como a de Blade Runner (1982), misturando anúncios publicitários e miséria.

Uma das principais críticas feitas ao personagem da DC aparece em um diálogo de Batman: por que Wayne não usa seu dinheiro para combater a pobreza através da filantropia, ao invés de usar uma fantasia e bater nos criminosos? Talvez, porque “homens de bem” desviariam esse dinheiro, o que nos leva a esta outra questão: cidadãos respeitados na cidade levam vidas duplas, o que reflete bem a sociedade em que vivemos. Valores como família e religião encobrem os crimes mais diversos e sórdidos. Tocando nesse ponto, Reeves realiza um filme atual, que mistura diversão com crítica social, e honra a clássica criação de Bob Kane e Bill Finger. E já aguardamos a sequência e possíveis derivados.

Matt Reeves ainda não foi confirmado numa possível sequência

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Leatherface protagoniza um novo Massacre da Serra Elétrica

Começando com uma rápida contextualização, primordial para quem não conhece a franquia, o novo Massacre da Serra Elétrica (Texas Chainsaw Massacre, 2022) logo estabelece seu ritmo e parte para a matança. Nono filme a usar esse nome (e suas variantes), ele desconsidera os anteriores e volta na fonte, o clássico de Tobe Hooper de 1974.

Contando novamente com a narração de John Larroquette, como no original, este episódio nos revela que houve apenas uma sobrevivente na chacina de Leatherface, como o psicopata texano ficou conhecido. Sally Hardesty, vivida duas vezes pela saudosa Marilyn Burns e agora por Olwen Fouéré (de Mandy, 2018), funciona aqui como Jamie Lee Curtis para o universo de Halloween. Como está em voga, temos a personagem clássica interagindo com novas possíveis vítimas, permitindo à franquia seguir em frente com ares novos.

Quase cinquenta anos depois das famosas mortes, sem nenhuma notícia do maníaco, um grupo de quatro jovens quer levantar a cidade de Harlow, praticamente abandonada devido à má fama. Dois deles, empreendedores famosinhos, têm planos de vender imóveis recém adquiridos e fundar um movimento de restaurantes e bares no local. Outras duas desavisadas os acompanham, e os possíveis investidores logo chegarão.

Curto e objetivo, este novo Massacre da Serra Elétrica foge um pouco das convenções do gênero. Os corpos dilacerados, por exemplo, não ficam escondidos até o último minuto, e o assassino logo se revela. Cortesia da experiente dupla Fede Álvarez e Rodo Sayagues, responsáveis por reviver também a franquia Evil Dead (no longa de 2013). Se o diretor e o roteirista, David Blue Garcia e Chris Thomas Devlin, não são muito conhecidos, a dupla de produtores criou uma história que faz sentido e, ao mesmo tempo, homenageia o cânone.

Se o elenco não é nada memorável, ao menos Leatherface tem uma presença forte o suficiente para deixar o público apreensivo. Vivido pela primeira vez por Mark Burnham, o psicopata está envelhecido e ganha uma relação maternal que lhe dá um pouco de profundidade. Nem por isso torcemos por ele ou algo assim, ele continua sendo o vilão. E não é imortal como Jason ou Freddy, o que o torna uma figura mais trágica e palpável.

Um diferencial desse novo Massacre é trazer, mesmo que discretamente, questões importantes para a discussão. Tem se tornado relativamente comum nos filmes de terror mais relevantes engrossar o caldo com temas como gentrificação, a falência do capitalismo e até racismo, que nunca perde sua relevância e atualidade. Não se engane: o jorro de sangue continua sendo o foco, mesmo que a trama tente ser mais densa. Pena que o final, tentando chocar gratuitamente, vá contra tudo o que foi estabelecido até então.

Leatherface continua justificando seu apelido

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DC ataca na TV com Pacificador

Apresentado ao público no segundo Esquadrão Suicida (The Suicide Squad, 2021), o Pacificador é um personagem bem contraditório. Se acha um super-herói, mas não tem poderes. Jura defender a paz, mas não hesita em matar para conseguir isso. E, ao menos no filme, não tinha nada de profundidade, sendo apenas mais um entre vários criminosos condenados destacados para uma missão quase impossível. Suicida. Agora, na TV, ele tem uma história bem desenvolvida e se tornou protagonista de sua própria série. 

Criado nos anos 60 na finada Charlton Comics e vendido à DC no fim da década de 80, o Pacificador já teve diferentes encarnações. O diretor e roteirista James Gunn, ao pensar na sua versão do Esquadrão Suicida, convocou Christopher Smith, um diplomata pacifista que usa a violência para defender o que acredita. Gunn criou uma versão ainda mais interessante e, antes de mais nada, bem estúpida. Smith é do tipo que acredita em tudo que lê na internet e se informa pelo Facebook. Parece ter um bom coração, mas a criação pelo pai nazista e um trauma de infância ferraram sua cabeça, fazendo com que desenvolvesse uma personalidade homicida que acabou metendo-o em encrencas.

No filme do ano passado (que reabilitou o Esquadrão depois da bomba de 2016), Smith recebe a oportunidade de sair da prisão para uma missão complicada e, assim, diminuir sua pena. Passados esses eventos, a série começa com o sujeito sendo convocado para uma nova tarefa, que ele aceita para evitar o encarceramento. O mais engraçado é que sempre acompanhamos os demais personagens confabulando, mas ele sempre boia e mal sabe no que está se metendo.

Sem saber qual ou o que é o alvo, Smith se junta a uma equipe inusitada formada por uma mercenária fodona e dois auxiliares que parecem nunca ter ido a campo e são liderados por um cara que parece ser muito mau, mas do qual não sabemos nada. Acima deles, segue a burocrata Amanda Waller, novamente vivida por Viola Davis. A eles, se junta Adrian Chase, um vigilante que domina como ninguém armas e lutas e atende pelo nome de… Vigilante! Ele considera Smith seu melhor amigo, e a recíproca não é verdadeira. E é tão burro quanto.

Além de escrever os oito episódios da série, Gunn ainda dirigiu cinco. Ele diz ter percebido o potencial do personagem durante a realização do longa, e gostou muito do trabalho do intérprete dele, John Cena. Ex-lutador, ele fez diversas comédias bestas e ações descerebradas até que alguém notasse seu talento dramático. Mas não se engane: comédia e ação são os pontos principais de Pacificador. E os demais nomes do elenco, completo por Danielle Brooks, Freddie Stroma, Chukwudi Iwuji, Jennifer Holland, Steve Agee e o veterano Robert Patrick, o eterno T-1000, são ótimos e bem variados, trazendo tipos muito interessantes à atração. E você ouvirá os melhores diálogos que a televisão pode oferecer.

Quem viu qualquer trabalho anterior de James Gunn sabe exatamente o que esperar. Músicas características de uma vertente, uma trama louca e discussões engraçadíssimas que parecem saídas de Seinfeld são algumas das assinaturas do roteirista, que sempre se mostra também um diretor muito criativo. A dancinha da apresentação que o diga. Exibida pela HBO Max, braço televisivo da Warner/DC, a série é a primeira desse universo compartilhado da casa de Superman e Batman, e não deixa de fazer piada com seus medalhões. Mesmo em curtos oito episódios, sobra para todo mundo. E já ficamos na expectativa por uma próxima temporada.

Essa dupla é uma das melhores surgidas na TV dos últimos anos

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Como ter a melhor noite de date em casa

por mixfrases

Não tem nada melhor do que se aconchegar para uma boa noite de filmes em casa. E se for com o seu crush, então, melhor ainda, né? Às vezes, tudo o que a gente quer é curtir em casa mesmo. E, com boa companhia, melhor ainda.

Veja agora dicas infalíveis para ter a melhor noite de encontro em casa e ainda curtir aquele filminho do lado de quem você gosta.

Estas dicas são um oferecimento do site mixfrases, que tem uma série de mensagens de boa noite para compartilhar antes de começar a sua noite de encontro perfeita!

1 – Escolher o filme antes do encontro

Quem não tem aquele hábito de perder horas em frente ao aplicativo de streaming escolhendo um filme? Será que isso não poderia acabar fazendo vocês perderem um longo tempo do date escolhendo? Depois ainda precisa ver o filme e será que sobraria tempo para namorar um pouco depois?

Por isso que talvez escolher o filme antes do encontro pode ser uma ótima dica para não perder um tempo precioso com seu crush.

2 – O que comer?

Uma ideia seria comer e beber algo que tenha a ver com o tema do filme escolhido. É uma forma de sair da mesmice e fazer algo legal e interessante.

Mas, se quiser ficar no básico e simples, vamos de pipoca e um vinho mesmo. Às vezes, menos é mais.

3 – Projetor para a noite de cinema em casa

Quer elevar as coisas e realmente recriar aquela sensação de cinema? Então você vai querer usar um projetor! Para alcançar a tela grande em casa, você precisará de um projetor portátil e, opcionalmente, de uma tela de projetor.

Essa terceira dica é realmente para quem quer ousar e impressionar!

4 – Agora, que tal caprichar no som?

Agora que você tem a tela grande, que tal combinar um áudio de qualidade? Alguns alto-falantes são poderosos e profissionais para um som surround matador.

Basta configurá-los ao redor de vocês para se sentirem imersos no filme!

5 – Prepare um ambiente aconchegante

Por que essa é uma das melhores ideias para uma noite de encontro em casa? Porque ao contrário de um teatro real, você pode montar uma área super sonhadora e aconchegante, completa com travesseiros, cobertores e outros peluches macios para relaxarem enquanto assistem.

Puxe todos os seus travesseiros e cobertores mais macios e faça um pequeno ninho para você e seu amorzinho, no chão ou no sofá.

6 – Noite romântica de filme ao ar livre

Que tal ousar mesmo? Pegue seu projetor, suas almofadas e seus alto-falantes e leve-os para seu quintal. Curtir uma boa noite de cinema em casa nunca foi tão excitante, não é mesmo?

Uma noite de encontro seguindo as nossas dicas de hoje tem tudo para ser a melhor! Com bom filme e boa companhia então… Melhor ainda!

Visite o site mixfrases para ver as melhores mensagens de boa noite que vão te:

  • Ajudar a relaxar e a dormir melhor;
  • Inspirar para acordar cheio de propósito;
  • Mostrar lindas mensagens para compartilhar com seus amigos e inspirá-los também.
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Licorice Pizza é um PTA mais leve e divertido

O Cinema de Paul Thomas Anderson nunca foi fácil de digerir, mesmo para os iniciados na sua obra. Pensando no público comum, ou seja, toda a imensa maioria das pessoas que não fazem questão de saber nome de diretor ou entender a linguagem crítica, e ainda preferem filmes dublados, PTA (como é conhecido entre seus fãs) seria considerado o “cara que faz filmes chatos de três horas de duração”.

Não precisamos explicar porque essas afirmações são equivocadas em tantos aspectos, afinal, nas páginas do Pipoqueiro temos principalmente o público interessado em amadurecer e aprofundar seu entendimento de uma obra de arte. Mas podemos sim apontar Licorice Pizza, indicado ao Oscar 2022 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original (também assinado pelo diretor), como o filme ideal para ser um cartão de visitas para quem ainda não se apaixonou pelo diretor.

Licorice Pizza é uma comédia de amadurecimento (o chamado coming of age) e finalmente coloca uma personagem feminina no foco principal de uma das narrativas originais do diretor. É reconfortante que a mente por trás de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) e O Mestre (The Master, 2012) tenha decidido seguir um caminho leve para lançar seu primeiro filme pós-pandemia. Ainda que o humor não seja novidade na sua filmografia, desta vez somos presenteados com muitos momentos feitos para arrancar boas risadas.

A trama acompanha o jovem ambicioso Gary (Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Hoffman) e sua paixão avassaladora por uma garota mais velha chamada Alana (a cantora Alana Haim, em sua estreia no cinema). Juntos, vivem uma série de aventuras comerciais para saciar seus desejos mais íntimos: ter reconhecimento e liberdade financeira para serem felizes.

Gary era um ator mirim e não aceita viver do seu passado. Trambiqueiro do bem, não consegue deixar de aproveitar as oportunidades de negócios que surgem no seu caminho. E faz questão de sempre levar seus amigos (muitos deles sequer entraram na adolescência) para participarem dos “empreendimentos”.

Mas é Alana que dá o charme especial de Licorice Pizza. Vivendo com os pais e com um emprego que odeia, ela sonha pela grande oportunidade de fazer dinheiro e poder se livrar da família. PTA cria uma personagem incrível, que lida com assédios, com as frustrações de ser uma mulher que vive com adolescentes de 15 anos, que acredita que o caminho para o sucesso precisa envolver lidar com homens mais velhos (e interessados especialmente na sua juventude).

O desenvolvimento desses dois personagens é feito com a leveza de quem nunca se aventurou nesse tipo de filme. Poderia ser surpreendente, mas não é. A genialidade e talento de Paul Thomas Anderson finalmente foram usados para criar um entretenimento inteligente para ser visto e adorado por qualquer pessoa, o que irá ampliar muito o alcance das suas obras anteriores.

Licorice Pizza é um filme para se apaixonar, rir bastante, pensar no amor e saber que está tudo bem para os grandes diretores se permitirem um momento leve, em que podem fazer uma homenagem para seus amigos e relembrar os velhos tempos.

PS: Muito feliz de fazer minha primeira participação no Pipoqueiro, falando justamente de um trabalho do Paul Thomas Anderson. Valeu, mano Seabra!

Bradley Cooper tem uma ótima participação

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Conheça seis dos indicados ao Oscar 2022

Os indicados ao Oscar 2022 foram revelados e, fora os títulos principais, com diversas indicações (como Ataque dos Cães, com 12), há vários filmes lembrados em poucas categorias, por características específicas, como Melhor Cabelo e Maquiagem (caso de Casa Gucci). Conheça a seguir alguns desses indicados.

A Filha Perdida (The Lost Daughter, 2021)

A badalada estreia de Maggie Gyllenhaal na direção adapta um livro da premiada escritora Elena Ferrante. O elenco eficiente é liderado por Olivia Collman e Jessie Buckman, que vivem a mesma personagem em momentos diferentes. Enquanto mais velha, ela vive uma situação que a faz lembrar de quando tomou decisões que a sociedade normalmente recriminaria. Assuntos importantes, como o impacto da maternidade na vida de uma mulher, se perdem em um roteiro (indicado) falho que quer desesperadamente nos levar a acreditar em algo apenas para mostrar que aquilo não aconteceu de fato.

Os Olhos de Tammy Faye (The Eyes of Tammy Faye, 2021)

Drama eficiente sobre a facilidade com que evangelizadores se perdem ao começarem a ganhar rios de dinheiro doados pelos seguidores. Jessica Chastain e Andrew Garfield são excelentes vivendo o casal que começa bem-intencionado, mas logo passa a valorizar muito carros chiques e casacos extravagantes. Mesmo sendo uma história real, é facilmente transposto para países como o Brasil, onde escândalos com mercadores da fé não são raros.

Tick, tick… Boom (2021)

A vida de Jonathan Larson foi mais interessante que as peças que ele escreveu – como Rent. Andrew Garfield brilha em mais um papel e se firma como um dos melhores atores de sua geração trazendo um alento a todos que se sentem velhos aos trinta e acham que deveriam ter sido mais na vida. Otimista sem ser piegas, o filme mostra também o lado difícil de se dedicar a um sonho e ter que abrir mão do que não é considerado prioridade, por mais importante que seja.

A Pior Pessoa do Mundo (Verdens Verste Menneske, 2021)

Uma personagem crível, falha e amável nos faz seguir sua jornada sem ver o tempo passar. Falado em norueguês, o longa traz uma história original do também diretor Joachim Trier e Eskil Vogt que poderia ser ambientada em diversos países, a identificação com Julie é muito fácil. Mérito também da ótima Renate Reinsve, que faz com que acreditemos em cada uma de suas ações e torçamos por ela em suas vidas profissional e amorosa. É quase um Fleabag: Origens.

Luca (2021)

Ambientado na costa da Riviera italiana, Luca traz um garoto que busca viver as emoções da idade e amadurecer na velha tradição dos filmes “coming of age“. Só que há um pequeno segredo: ele e o amigo são criaturas marinhas que, quando em terra, secos, tomam forma humana e se misturam aos demais. É sensível, bonito e serve como alegoria para jovens que se descobrem LGBTQIA+, tendo mais com o que lidar que o de costume.

Casa Gucci (House of Gucci, 2021)

Uma história de traição, vingança e crime que usa um tom de farsa que pode não ter agradado a muitos. Atores de língua inglesa falando com sotaque italiano e misturando expressões nas duas línguas pode ficar um pouco cômico, fugindo da premissa de uma briga de família por um império milionário da moda. Um elenco estelar que inclui Lady Gaga, Adam Driver, Jeremy Irons, Al Pacino e Salma Hayek conduzido pelo grande Ridley Scott poderia ter alçado um voo maior. Está longe de ser ruim, mas teria um resultado melhor nas mãos de um Scorsese, acostumado a filmes crus de máfia.

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Summer of Soul honra festival de música esquecido

Em 1969, mesmo ano do famoso Festival de Woodstock, houve outra grande festa da música reunindo alguns dos maiores nomes da época. O Harlem Cultural Festival aconteceu várias vezes a partir de 1964, mas foi em 69 que ele tomou um vulto maior, sendo realizado todos os domingos entre 29 de junho e 24 de agosto. Com tudo sendo filmado, era de se esperar que fosse feito um documentário à altura do festival, mas os rolos de filme acabaram abandonados em um sótão. Até 2021.

O cineasta Hal Tulchin, responsável pelas filmagens, lançou na televisão dois especiais de uma hora no mesmo ano do evento. A maior parte do material permaneceu inédita até que, no ano passado, o músico Questlove (nome artístico de Ahmir Thompson) se comprometeu com a empreitada e fez sua estreia na direção. Summer of Soul (…ou, Quando A Revolução Não Pode Ser Televisionada) (Summer of Soul (…Or, When the Revolution Could Not Be Televised, 2021) é o resultado de mais de 40 horas de registros, esquecidos por 50 anos.

Em cartaz nos cinemas e no Hulu, além de já estar na programação do canal a cabo Telecine, o longa traz um misto de shows antológicos, depoimentos marcantes e um panorama da época. Teria o festival sido deixado de lado por ter sido ofuscado por Woodstock? Ou por ter sido feito por e para minorias? Negros e hispânicos eram o público-alvo, que lotou o Parque Mount Morris, e os shows eram predominantemente de artistas negros. A falta de interesse de investidores impediu Tulchin de conseguir fundos para a realização até que, após a morte dele, o produtor Robert Fyvolent comprou os direitos.

Summer of Soul traz apresentações de gente como Stevie Wonder, Nina Simone, Sly and The Family Stone, The 5th Dimension, Mahalia Jackson, B.B. King, entre vários outros. Com artistas como esses tocando, é de se surpreender que o documentário tenha demorado tanto tempo para sair. O lançamento, em janeiro de 2021, foi realizado no Festival de Cinema de Sundance, onde o longa ganhou dois prêmios. Em sites de críticas, os elogios são efusivos, chegando a classificar o longa como o melhor documentário de música já feito.

Exageros ou não, é fato que Questlove fez uma grande estreia na direção e é um prazer assistir a tantos shows excelentes, oferecidos ao público gratuitamente em um parque aberto. Eram outros tempos, em que famílias inteiras compareciam, e muitas crianças certamente foram impactadas. Algumas, já adultas, dão depoimento no filme e ajudam a nos situar no contexto da época. Mesmo quem não viveu aquele momento terá saudades.

Sly Stone é o responsável por um dos grandes momentos do longa

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Guillermo del Toro adapta O Beco do Pesadelo com ótimo elenco

Depois de uma bem-sucedida adaptação em 1947, o romance Nightmare Alley, de William Lindsay Gresham, chega aos cinemas novamente: O Beco do Pesadelo (2021). Dessa vez, pelas mãos do roteirista e diretor Guillermo del Toro, recentemente premiado por A Forma da Água (The Shape of Water, 2017). E, no papel que já foi de Tyrone Power, temos um Bradley Cooper afiado, cercado por ótimos atores num elenco que é provavelmente o melhor do ano.

Dividido em capítulos que seguem as cartas do Tarot, o livro foi publicado em 1946 depois de um longo período de gestação. Gresham havia sido voluntário durante a Guerra Civil Espanhola e, lá, conheceu um ex-funcionário de circo que contou um pouco de suas experiências. O jornalista, então, criou um protagonista que, à procura de emprego, chega a um circo e é contratado como ajudante dos artistas. Fazendo amizade com a mentalista da equipe, ele logo aprende os segredos do número de leitura de mentes.

Buscando aplicar o que aprendeu, Stanton Carlisle (Cooper, de Nasce Uma Estrela, 2018) deixa a trupe e vai para a capital, levando consigo a bela “garota elétrica”, Molly (Rooney Mara, de Maria Madalena, 2018). Juntos, Stan e Molly fazem diversas apresentações e caem nas graças da alta roda da sociedade. Mas o ambicioso Stan não fica satisfeito e começa a buscar golpes mais elaborados, que envolvem a suposta invocação de falecidos. Ele se justifica dizendo que, assim, traz paz aos vivos.

Ajudando del Toro a contar essa história (coescrita por Kim Morgan), temos grandes nomes do Cinema, como Cate Blanchett (de Não Olhe Para Cima, 2021), Willem Dafoe (o Duende Verde de Homem-Aranha), David Strathairn (de Nomadland, 2020) e Toni Collette (de Estou Pensando em Acabar com Tudo, 2020), para ficar nos de maior importância para a trama. Com o avanço da sessão, outros vão aparecendo, com boas surpresas guardadas. Ninguém está menos que fantástico, incluindo os que têm menor participação ou são menos lembrados pelo público, como Holt McCallany (de Infiltrado, 2021) e Paul Anderson (de Peaky Blinders).

Outro ponto muito relevante é a fotografia de Dan Laustsen, frequente colaborador do diretor (também de A Forma da Água). O ótimo contraste de luz e sombras traz aquele clima clássico do Cinema noir. O protagonista, no entanto, foge dessa fórmula consagrada, passando longe de ser o durão de bom coração. A jornada de Carlisle é muita rica e Cooper se mostra à altura para a missão, com uma estética impecável à Clark Gable ajudando a compor o personagem.

A duração de O Beco do Pesadelo pode ser um ponto negativo, com suas duas horas e meia de projeção. Talvez devido à estrutura do livro, o filme também parece dividido em capítulos, e corre o risco de ficar cansativo. No entanto, as viradas da trama e as muitas qualidades da obra devem te segurar acordado sem dificuldades, além de trazer, ao final, algumas reflexões sobre a natureza humana.

Willem Dafoe é o chefe do circo que reúne artistas de quinta categoria

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Spencer vai fundo na mente de Lady Diana de Gales

Logo de cara, entendemos duas coisas sobre a família real inglesa: a vida deles é regida por uma série de regras e costumes; para quem já nasceu nesse meio, pode até ser mais fácil aceitar isso tudo, mas para quem chega é bem difícil. E o mundo inteiro deve achar um sonho conseguir a façanha de entrar nesse universo. Dito isso, Spencer (2021) mostra um outro lado, diferente do que estamos acostumados a ver. A protagonista, Diana Spencer, não está exatamente vivendo um conto de fadas sendo a Princesa de Gales.

Já vimos fatos relacionados à vida de Lady Di em diversos documentários e até no oscarizado A Rainha (The Queen, 2006). Com ela no centro de uma produção ficcional, é a primeira vez. O roteirista Steven Knight, criador da série Peaky Blinders, parece gostar de imaginar o que se passava no entorno de fatos tornados públicos. No que diz respeito a Diana, sabemos que ela estava insatisfeita com seu casamento e acabou chegando ao divórcio. Mas não conhecemos os detalhes dos últimos dias dela como uma mulher casada, e é o que Knight nos proporciona.

Para filmar um texto tão intimista e elaborado, só um cineasta igualmente sensível daria conta. A missão coube ao chileno Pablo Larraín, que já havia se debruçado sobre a vida de outra esposa célebre em Jackie (2016), mais uma vez investigando o que se passaria na cabeça de uma pessoa passando por um período difícil e, ainda assim, sob o escrutínio público. Larraín e Knight devem ter ideias em comum e esta parceria deu muito certo. O diretor dá vida às palavras do roteirista com uma produção rica, cenários e figurinos que não só funcionam muito bem, mas também lembram os reais, que apareciam frequentemente na televisão.

Para interpretar Diana, era preciso alguém extremamente competente. Afinal, o longa está mais preocupado com os pensamentos dela, com seu estado mental, o que é complicado mostrar em frente às câmeras. A tarefa foi muito bem executada por Kristen Stewart, que há muito deixou para trás a fama adquirida pela franquia Crepúsculo (Twilight) e já mostrou seu valor em filmes como Seberg Contra Todos (2019) e Personal Shopper (2016). Com uma notável semelhança física, a atriz procura interpretar a princesa, e não imitá-la. É nos movimentos mais delicados, como uma inclinação da cabeça, que ela se aproxima mais de sua biografada.

Mesmo com um bom elenco de apoio, do qual se destacam os sempre competentes Sean Harris (da franquia Missão: Impossível) e Timothy Spall (de Negação, 2016), o foco está todo em Stewart, que carrega o longa sem esforço. Para Diana, perseguida pela mídia e vivendo num casamento fracassado, o fardo era mais pesado. Larraín e Knight nos dão uma boa ideia de como deveria ser. Nesse sentido, Spencer é um filme pesado, que acompanha a protagonista em um momento terrível. Se existisse, uma sequência a ele talvez fosse mais leve, mostrando o peso do qual Diana se livrou ao se divorciar. No entanto, quem conhece a história sabe que mesmo essa felicidade não duraria.

Larraín e Stewart foram ao Festival de Veneza lançar o longa

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Macbeth ganha nova vida no Cinema

Dentre os nomes mais famosos da literatura mundial, William Shakespeare é certamente um dos mais adaptados ao Cinema. E Macbeth é uma de suas peças principais, tendo pelo menos três encarnações bem relevantes na tela grande. Pois agora tem uma quarta, pelas mãos de Joel Coen, que pela primeira vez dirige um longa sem o envolvimento do irmão, Ethan. A Tragédia de Macbeth (The Tragedy of Macbeth, 2021) está disponível no Apple TV+.

Abusando de luz, sombra, contrastes e neblina, Coen faz uma obra com cara de teatro que volta e meia surpreende com uma fotografia em preto e branco belíssima assinada por Bruno Delbonnel (de A Balada de Buster Scruggs, 2018). E com algumas sacadas visuais geniais, como o bosque que anda. Como de costume, o diretor traz junto a maravilhosa esposa, a triplamente oscarizada Frances McDormand (de Nomadland, 2020), que dá um show como a conspiradora Lady Macbeth. E, no papel do protagonista masculino, temos ninguém menos que o também premiado Denzel Washington (de Um Limite Entre Nós, 2016).

O excelente casal principal ainda conta com o grande Brendan Gleeson (da série Mr. Mercedes) como o Rei Duncan, conhecido como justo e carismático. Todo o elenco, do qual se destacam Corey Hawkins (de Infiltrado na Klan, 2018) e Harry Melling (também de Buster Scruggs), é bem competente, dos mais aos menos conhecidos. E completa o quadro a inquietante trilha sonora de Carter Burwell (de A Grande Mentira, 2019), que acentua a tensão da história.

Para quem não conhece, Macbeth acompanha um habilidoso general que defende seu rei e sua Escócia natal com dedicação e força. Após uma campanha vitoriosa, no caminho de casa, ele e o colega Banquo (Bertie Carvel, de The Crown) passam por três bruxas que fazem duas previsões para Macbeth. Quando a primeira se cumpre, ele logo entra na expectativa pela segunda: se tornar o próximo rei da Escócia.

Washington e McDormand declamam os diálogos do bardo inglês com uma desenvoltura assombrosa, tornando o complicado texto mais palatável ao público. Uma observação cabível diz respeito à química entre eles: ela não existe. Os atores parecem ter se conhecido na tarde anterior. Numa outra versão recente, esta de 2015, temos Michael Fassbender e Marion Cotillard dando beijos apaixonados, pegando fogo entre insinuações sexuais.

Ainda lembrando o longa de 2015, o diretor Justin Kurzel e seus roteiristas preencheram os silêncios de Shakespeare com cenas muito bem construídas e cores vivas, encenando os horrores da guerra e dando maior fluidez à trama. Aqui, no roteiro de Coen, o desenvolvimento é mais brusco e as relações, mais frias. E a loucura que toma os personagens chega repentinamente, pecando na construção.

Joel Coen mostra, com esse A Tragédia de Macbeth, que até um trabalho menor seu é bem acima da média. E que é perfeitamente capaz de uma realização solo, sem o irmão. É sempre uma experiência fantástica ver Washington e McDormand em cena e eles são automaticamente inscritos na lista de prováveis indicados na temporada de premiações. E é uma pena não poder dar um Oscar ao criador da obra original, falecido há alguns séculos.

Orson Welles levou Macbeth ao Cinema em 1948

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