por Marcelo Seabra
A nova edição do Programa do Pipoqueiro traz comentários e algumas das ótimas músicas da elogiada série Peaky Blinders, produzida pela BBC e distribuída pela Netflix. Aperte o play abaixo e divirta-se!
por Marcelo Seabra
A nova edição do Programa do Pipoqueiro traz comentários e algumas das ótimas músicas da elogiada série Peaky Blinders, produzida pela BBC e distribuída pela Netflix. Aperte o play abaixo e divirta-se!
por Marcelo Seabra
Vários filmes dos anos 2000 passam por essa edição do Programa do Pipoqueiro, tocando gente como The Cult, Moby, Eddie Vedder, Pharrell Williams e John Legend, entre outros! Indicações de filmes para você conferir e músicas das trilhas citadas. Aperte o play abaixo de divirta-se!
por Marcelo Seabra
Imagine um supergrupo de heróis mundialmente famosos, tidos como modelos de comportamento para todos, que na verdade são uns canalhas mais interessados em capitalizar em cima da imagem deles? Essa é a premissa de The Boys (2019), série produzida pela Amazon cujos oito episódios estão disponíveis no serviço de streaming. O estúdio estava tão confiante quanto à qualidade da atração que autorizou a produção da segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira.
Criada por Eric Kripke, também responsável pela bem-sucedida Supernatural, a série tem como co-criadores Evan Goldberg e Seth Rogen, dupla por trás de Preacher e de comédias como Superbad (2007) e É o Fim (This Is the End, 2013). Ou seja: dá pra esperar por uma boa dose de humor. E, de fato, a história tem piadas e situações espirituosas, mas aproveita também para fazer críticas bem colocadas. O capitalismo, o culto à personalidade e até a religião recebem suas bofetadas, com observações ferinas incluídas numa trama de ação cheia de efeitos visuais, agradando a vários tipos de público.
Baseada nos quadrinhos escritos por Garth Ennis e desenhados por Darick Robertson, a série nos apresenta a Hugh Campbell (Jack Quaid, de Rampage, 2018), um sujeito comum que tem a namorada morta pela irresponsabilidade de um super, o Trem A (Jessie T. Usher, de Independence Day: O Ressurgimento, 2016). O velocista é parte de um grupo chamado Os Sete (acima), formado por sete heróis de moral bem duvidosa e gerenciado por uma grande corporação, a Vought International, que cuida da imagem e dos direitos de marketing ligados a eles.
Inconformado, Hughie acaba trombando com Billy Butcher (Karl Urban, o Doutor McCoy da franquia Star Trek), não coincidentemente. O “Açougueiro” Billy é líder de um grupo informal, Os Rapazes (The Boys), que combate os supers, deixando implícito que ele tem uma rixa antiga com o principal deles, o Capitão Pátria (Anthony Starr, de Banshee). Com parceiros com talentos variados, Billy e Hughie vão encarar Os Sete. E vamos conhecendo esses e outros personagens interessantes, com participações especiais de atores facilmente reconhecíveis, como Rogen e Haley Joel Osment (o menino de O Sexto Sentido, 1999, já adulto). É interessante ver Simon Pegg (da franquia Missão: Impossível) em cena como o pai de Hughie: o ator foi a inspiração para o físico do próprio personagem (ao lado), mas se julgou muito velho para vivê-lo.
Os oito episódios são enxutos, coisas estão sempre acontecendo e é fácil manter o interesse. Os atores são sempre convincentes em seus papéis, mesmo aqueles com roupas e poderes mais extravagantes, e surgem situações inusitadas que, dentro daquele universo, fazem todo sentido. Ficar comparando a atração com a revista da Dynamite (antes, na DC) não é justo, já que são mídias diferentes, cada uma com suas opções. O tom é mais ou menos o mesmo, e não falta violência. Mas não se preocupe: é tudo de mentirinha.
por Marcelo Seabra
Alta Fidelidade é outro filme que completa 20 anos de seu lançamento em 2020, e sua fantástica trilha é tocada e comentada no Programa do Pipoqueiro. Aperte o play abaixo e divirta-se!
por Marcelo Seabra
A trilha sonora da vez no Programa do Pipoqueiro é a de Psicopata Americano, longa que completa 20 anos de seu lançamento e traz grandes sucessos da década de 80. Aperte o play abaixo e divirta-se!
por Marcelo Seabra
Com cinco temporadas curtas disponíveis na Netflix, Peaky Blinders é uma ótima opção para maratonar. Mesmo porque é bem difícil assistir a um episódio e não seguir automaticamente ao próximo. Com uma produção impecável, Steven Knight recria a Birmingham do período entre guerras para nos apresentar à família Shelby, ciganos que escolhem a cidade para viver e onde também montam um império criminoso.
À frente do grupo, temos Thomas Shelby, vivido pelo irlandês Cillian Murphy (o Espantalho da trilogia do Batman). Tommy é um veterano de guerra que perdeu seus ideais e praticamente sua sanidade nos combates na França e, ao voltar para casa, passa a dominar as apostas de cavalos, fazendo fortuna para si e para a família. Com um modo característico de se vestir, de terno e boina, o grupo se chama de Peaky Blinders.
Quem pensa que se trata puramente de ficção está enganado. Knight, o criador da série (e de Locke, 2013), se apropria de alguns fatos e nomes para deixar a atração bem cravada na realidade. Os verdadeiros Peaky Blinders existiram desde antes da Primeira Guerra e acabaram presos ou derrotados por gangues rivais, como os Birmingham Boys ou a Gangue do Sabini. Mas o nome virou sinônimo de juventude violenta, podendo ser usado para descrever qualquer arruaceiro.
Na série, Tommy faz os planos, monta a logística e dá as ordens a seus soldados. Seu irmão mais velho, Arthur (Paul Anderson, de O Regresso, 2015), é o braço direito, e a tia Polly (Helen McCrory, de Skyfall, 2012) completa a liderança, com outros membros da família e funcionários das empresas Shelby participando da execução. E o que não falta para Tommy é desafeto, além de vez ou outra fazer alianças, o que proporciona participações especiais na série. Temos gente do peso de Sam Neill, Tom Hardy, Adrien Brody, Aidan Gillen, Noah Taylor, Paddy Considine e um surpreendentemente bom Sam Claflin.
Além das ótimas atuações, com atores escolhidos a dedo para representar as nacionalidades de seus personagens, temos uma fotografia urbana fantástica, ressaltando o que é necessário no momento, das ruas sujas e escuras a um salão de festas ornamentado e iluminado. Figurinos perfeitos completam o quadro, e temos uma ótima ideia do que era viver naquela época. Os costumes são muito peculiares, como entregar a arma ao entrar no parlamento e pegá-la de volta na saída. Todos andavam armados e cheiravam cocaína sem cerimônia.
Outro elemento que chama muito a atenção na série são as ótimas músicas que marcam as cenas, de alguns segundos a sequências mais longas. A trilha inclui clássicos (como Black Sabbath), versões de sucessos (como Wonderful Life e I’m No Good), grandes bandas mais recentes (como The White Stripes e Arctic Monkeys) e heróis do cenário independente, caso do ótimo Nick Cave com sua Red Right Hand. A faixa iria apenas aparecer no primeiro episódio, mas casou tão bem que foi adotada como tema da série.
Os assuntos tratados ao longo de Peaky Blinders vão se alternando entre questões familiares, rixas com outros grupos, negócios lícitos e ilícitos, amores, mortes e bebidas. Cerveja, gim e whisky são consumidos à vontade. À medida que a quinta temporada se aproxima, o tom político cresce e as coisas se tornam ainda mais interessantes, além de atuais. Isso torna a espera pela sexta temporada uma tortura. Segundo Knight, o planejamento prevê sete temporadas, chegando ao primeiro ataque aéreo a Birmingham na Segunda Guerra Mundial, que ocorreu em 25 de junho de 1940. É quando a saga dos Shelby termina.
por Marcelo Seabra
Começando uma nova temporada, o Programa do Pipoqueiro destrincha a trilha sonora do filme A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People, 2002) e oferece um passeio pelo cenário punk inglês. Aperte o play abaixo e divirta-se!
por Marcelo Seabra
A HBO segue lançando séries para atrair quem está em casa, e as apostas não são baixas. A nova I Know This Much Is True (2020) traz Mark Ruffalo (o atual Hulk da Marvel) em papel duplo e o ator está ótimo em ambos. Na direção e roteiro dos seis episódios, temos Derek Cianfrance, que adapta o livro de Wally Lamb, creditado como produtor executivo. A atração, que tem tudo no lugar certinho, com uma produção impecável, tem apenas um defeito: a história é deprimente demais!
Apesar de ter outros filmes no currículo, Cianfrance ainda é muito lembrado por Namorados para Sempre (Blue Valentine, 2010), drama badalado que teve até indicação ao Oscar. Tanto esse quanto os demais trabalhos do diretor são muito tristes, com episódios relativamente pouco traumáticos, como o fim de um relacionamento, aos mais complexos, como assassinatos e perdas graves. Lamb criou um protagonista cujo irmão gêmeo é paranoico e esquizofrênico, a mãe foi acometida por um câncer, o pai é desconhecido, o padrasto é abusivo, a filha morreu e a esposa o deixou. É aí que conhecemos Dominick Birdsey, um pintor de paredes vivendo nos anos 90.
Ao contrário do que geralmente é feito quando um ator interpreta dois papéis, Cianfrance não quis ir revezando entre eles. A opção foi filmar todas as cenas de um irmão primeiro, dar tempo a Ruffalo para emagrecer e passar pelas transformações necessárias para só depois gravar a participação do outro irmão. Dessa forma, o ator pôde criar dois personagens distintos e bem ricos, com nuances e trejeitos próprios a cada um. A aposta no nome de Ruffalo em premiações da televisão é certa, talvez como coadjuvante e principal. Ele era fã da obra e foi acertadamente indicado pelo próprio autor.
Além da dose dupla de Ruffalo, o elenco inclui nomes bem interessantes. A mãe, uma figura muito presente, ficou a cargo de Melissa Leo (de O Vencedor, 2010 – ao lado), sempre muito delicada e amorosa, mesmo lidando com situações difíceis. A ex-mulher é vivida por Kathryn Hahn (de Capitão Fantástico, 2016 – acima), enquanto a atual namorada é Imogen Poots (de Sala Verde, 2015). E temos ainda Rosie O’Donnell (de A Escolha Perfeita 2, 2015), Archie Panjabi (de Run, 2020), Juliette Lewis (de Ma, 2019) e Bruce Greenwood (de Doutor Sono, 2019). Nomes não tão chamativos do grande público, mas muito competentes.
Quando a série começa, somos apresentados a todos calmamente, mas logo temos um episódio bizarro: Thomas, o irmão doente, se mutila em sacrifício e é internado num manicômio. Acompanhamos, então, a jornada de Dominick para ajudar Thomas, um martírio que ele conhece desde que nasceu e que já toma por natural. Ruffalo procurava um projeto para poder trabalhar com Cianfrance, que ele admirava, e encontrou o livro perfeito para adaptarem. Triste como o diretor parece gostar. Difícil de assistir, ainda mais em tempos tão desafiadores.