Bernie traz uma atuação única de Jack Black

por Marcelo Seabra

Bernie

Uma detalhada construção de personagem infelizmente chega direto nas locadoras: Bernie (2011), do diretor Richard Linklater, não ganhou uma oportunidade em cartaz, apesar dos atores famosos. Talvez, eles não sejam célebres o suficiente. O filme é baseado em uma história real e aparentemente não teria material suficiente para um longa-metragem, mas acabou chegando às vias de fato e o resultado ficou curto, com meros 104 minutos, mas o suficiente para ser interessante. E ganhou um subtítulo desnecessário: Quase um Anjo.

O argumento para Bernie foi retirado de um artigo de uma revista mensal do Texas, assinado por Skip Hollandsworth. O jornalista retratou um fato notável em uma pequena comunidade do estado. Os habitantes de Carthage tinham Bernie Tiede em alta consideração, ele era praticamente um popstar na cidade. A amizade dele com uma viúva idosa de humores contrários aos dele deixaram todos perplexos, e os desdobramentos são ainda mais surpreendentes. O papel principal ficou com Jack Black, que havia trabalhado com Linklater em Escola de Rock (School of Rock, 2003), e se mostrou uma escolha formidável. Black não era o sujeito que você pensaria para viver um diretor assistente de funerária extremamente amável, prestativo, simpático e culto, visto por muitos como homossexual, mas, para todos os efeitos, assexuado.

Bernie duo

Para conseguir um fôlego maior com uma história simples, Linklater e seu co-roteirista, Hollandsworth, desenvolvem muito bem não só o personagem-título, mas toda a comunidade. Podemos conhecer Carthage em detalhes e vários cidadãos da cidade que conviveram com o verdadeiro Bernie dão depoimentos, concedendo ao longa um ar ainda maior de veracidade. Bernie tinha muito jeito com as pessoas e estava presente nos momentos mais difíceis, em enterros e missas, e dava mais do que o suporte necessário. No caso de Marjorie Nugent (vivida pela veterana Shirley MacLaine), ele acabou desenvolvendo uma amizade que logo passou a funcionar mais para ela que para ele. A possessiva senhora passa a tratá-lo como uma propriedade e a vida do pobre Bernie vira um inferno.

O trio principal, completo por um inspirado Matthew McConaughey, é o grande chamariz do longa. Black consegue evitar os maneirismos habituais de trabalhos como As Viagens de Gulliver (Gulliver’s Travels, 2011) e passa longe de ser inconveniente ou exagerado, vivendo um sujeito que conseguiria vender um caixão caro para um indigente, mas ficaria com pena e o ajudaria a pagar. MacLaine usa toda sua experiência para criar uma milionária detestável com um traço de carência, já que a cidade não faz muita questão da presença dela, nem mesmo a família a atura. E McConaughey emenda uma sequência de bons trabalhos (como O Poder e a Lei, Killer Joe e Magic Mike) e parece finalmente ter se cansado de comédias românticas bestas que não aproveitam o potencial dele.

Bernie é uma boa diversão e uma ótima oportunidade para ver Jack Black trabalhar bem, o que não é muito comum. Ele deveria fazer um pacto de parceria com Linklater, diretor que parece saber como aproveitá-lo. Como bônus, ainda observamos características de uma pequena cidade texana e os hábitos de seus habitantes, que podem ser tão peculiares quanto o próprio Bernie.

Nada mais americano que Bernie Tiede

Nada mais americano que Bernie Tiede

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Michael Bay busca o sonho americano

por Marcelo Seabra

Pain and Gain

Se colocarmos um desavisado para assistir a Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, 2013), ele pode nem perceber que se trata de um longa dirigido por Michael Bay. Depois de descobrir quem assina, é possível perceber a mão de Bay. Mas, aí, você já foi contaminado. Sem robôs ou grandes explosões, ou mesmo aquela câmera nervosa que é marca registrada do cineasta, sobra a oportunidade de contar uma boa história. Exagerada, mas real. Isso é reforçado em mais de um momento, para não deixar o espectador esquecer que aquelas pessoas tapadas realmente existiram.

Mark Wahlberg mais uma vez mostra que tem carisma para segurar um filme como protagonista. Como é mal aproveitado em bobagens como Atirador (2007) e Max Payne (2008), alguns não têm muita confiança nele, esquecendo de belos trabalhos como em Boogie Nights (1997) e O Vencedor (2010), para ficar em dois exemplos famosos. Ele se mostra em boa forma física para encarar o papel de um professor de academia que se cansa da rotina e decide correr atrás do sonho americano, nem que seja roubando-o. Para isso, ele recruta dois colegas que o têm como um modelo de sucesso e inteligência: um é vivido por Anthony Mackie (de Caça aos Gângsteres, 2013), o outro por Dwayne Johnson (de G.I. Joe: Retaliação, 2013). Juntos, eles mostrarão que a estupidez humana não tem limites.

Pain and Gain

O plano é aparentemente simples: os três fortões seqüestram um cara rico e não muito honesto e apenas tomam posse do que ele tem. É aqui que entra o empresário insuportável de Tony Shalhoub (o detetive Monk, da TV), a vítima. No elenco, servem como um bom reforço Rob Corddry (de Meu Namorado É um Zumbi, 2013), Rebel Wilson (de A Escolha Perfeita, 2012), Ken Jeong (da trilogia Se Beber, Não Case) e Ed Harris (ótimo em Virada no Jogo, 2012). As consequências seguem o estilo Fargo (1996), com pretensos criminosos fazendo burradas que os obrigam a irem mais longe, enfiando o pé mais fundo na lama. Mas não se esqueça: é tudo baseado em fatos, relatados em artigos por Pete Collins para o Miami New Times.

Bay fica no limite entre uma sátira e uma apologia à violência. Mas não deixa de servir como crítica ao capitalismo e ao modo de vida americano, com uma busca cega pelo que supostamente é direito de todos os cidadãos do país. A religião não fica de fora, com espetadas claras que não fogem do crível. Mesmo porque, é bom lembrar, é tudo verdade. Ou quase tudo: alguns personagens são mesclados em um, outros têm o nome trocado por questão de segurança. Justiça seja feita, é o longa mais interessante de Bay – o que não é difícil, numa carreira marcada por Bad Boys, Transformers e grandes destruições cercadas por ação descerebrada. Quem sabe é sinal de um bom (re)começo?

O diretor e o trio principal prestigiam o lançamento do longa

O diretor e o trio principal prestigiam o lançamento do longa

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The Bridge é nova versão de sucesso nórdico

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

The BridgeÉ inegável que a TV norte-americana passa por um momento criativo como poucas vezes visto em sua história. Prova disso é o sucesso de público e crítica de séries como Game of Thrones, Mad Men, Boardwalk Empire e da recém terminada Spartacus, só para citar algumas. Uma das razões dessa criatividade toda pode ser a (r)evolução que a internet proporcionou não só no que diz respeito à forma de transmitir essas séries – tendo a Netflix como exemplo máximo, um canal online que tem investido pesado em produção original e disponibilizado todos os episódios de uma vez só, de forma que o espectador não precise esperar uma semana entre um e outro – mas também com relação ao acesso fácil que roteiristas e produtores têm ao que de melhor se produz fora dos Estados Unidos. Assim sendo, quando a inspiração falta e a originalidade dá uma empacada, repaginar para a realidade dos compatriotas algo produzido em outros continentes – especialmente na Europa – pode ser uma boa solução.

The Bridge é um produto dessa tendência. A exemplo de The Killing, ela é uma adaptação ianque para Bron/Broen, série escandinava produzida em 2011 cuja trama se baseia na descoberta de um corpo deixado na ponte que faz a fronteira entre Dinamarca e Suécia. Exatamente na fronteira, de forma que cabe a um inspetor dinamarquês e a uma sueca dividirem a jurisdição do caso em busca do assassino. Bron/Broen teve uma temporada entre setembro e novembro de 2011 e a segunda deve estrear no próximo mês, de acordo com o site IMDB.  A versão é produzida e exibida pelo canal a cabo FX. No Brasil, ela já está na grade de programação da emissora, sendo transmitida aos domingos, às 23h.

A nova série mantém essa mesma premissa. Um corpo é deixado exatamente na linha que separa El Paso (Texas, EUA) de Juarez (Chihuahua, México), de maneira relativamente interessante: metade do corpo nos EUA, metade no México, em cima de uma ponte. Inicialmente, como o corpo parece pertencer a uma cidadã americana, o caso fica a cargo da divisão de homicídios da delegacia de Crimes Contra Pessoas de El Paso, com a detetive Sonya Cross (Diane Kruger, de Bastardos Inglórios, 2009) liderando as investigações. Não se passa muito e uma descoberta altera os rumos da investigação. Isso faz com que a jurisdição do caso tenha que ser dividida entre EUA e México e obriga Sonya a trabalhar com o detetive Marco Ruiz (Demian Bichir, de Selvagens, 2012).

The Bridge

Como de costume, em The Bridge as coisas logo começam a se complicar e o que parece ser um “simples” caso de assassinato passa a ter ramificações mais profundas e se faz uma crítica, ainda que superficial, à forma como os EUA tratam seus imigrantes. Como a trama do assassino serial seria difícil de sustentar por muito tempo sem se esgotar, os roteiristas adicionaram algumas histórias paralelas, sendo a principal delas aquela que mostra a viúva Charlotte Millwright (Anabeth Gish, de Arquivo X) descobrindo que seu recém-falecido marido, um empresário que seria o homem mais  rico de El Paso, mantinha um túnel ligando os dois países sob sua propriedade. Há, ainda, uma crítica, ainda que sutil, à política de imigração dos EUA, especialmente relacionada aos mexicanos. A cidade de Juarez é mostrada de maneira relativamente estereotipada, como uma terra sem lei onde os cartéis dominam e encontrar um policial honesto é uma tarefa bastante difícil.

O grande atrativo de The Bridge, no entanto, é justamente Diane Kruger, intérprete até surpreendente no papel de Cross, uma detetive que não tem tato social algum, um tipo de característica que em muitas séries é atribuída a personagens masculinos. Sonya costuma ser extremamente objetiva e, aparentemente, não sabe e nem consegue compreender como as pessoas ditas “normais” funcionam em seu dia a dia. E, ao contrário de personagens da mesma estirpe, como o House de Hugh Laurie e o Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch, Sonya não é um gênio, de forma que suas esquisitices acabam se tornando um alívio cômico e facilitam a empatia do público para com a personagem.

Eis a tal ponte da doscórdia

Eis a tal ponte da discórdia

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O terror chega pelos céus

por Marcelo Seabra

Dark Skies

Filmes de baixo orçamento que dão certo e arrastam um público grande acabam virando uma franquia sem sentido, como aconteceu com Jogos Mortais (Saw, 2004). Esse novo Os Escolhidos (Dark Skies, 2013) parece ter sido feito com esse propósito: dar cria e render muito dinheiro. Mas nem por isso trata-se de uma obra ruim. Pouco dinheiro para gastar não significa necessariamente uma produção pobre. Pode ser bem o contrário: sem ter condições de grandes espetáculos visuais, o filme acaba usando mais a sugestão, o que está lá e não vemos. E o resultado disso costuma ser interessante.

O diretor Scott Stewart tem uma carreira que não o credita dar passos largos. Legião (Legion, 2010) e Padre (Priest, 2011) não fazem muito bem a um currículo, e ele deve ter decidido voltar ao básico. Uma casa, luz e sombras, uma família… e a sugestão de alienígenas estarem por perto. Afinal, mesmo o mais cético, vendo tudo o que está acontecendo à volta, começa a dar o braço a torcer. É o caso do casal Lacy (Keri Russell, a eterna Felicity da TV) e Daniel Barrett (Josh Hamilton, de J. Edgar, 2011). Ela começa a ver as evidências, enquanto ele só quer defender a prole. Filmes sobre fantasmas, bem mais comuns, seguem a mesma estrutura. Coisas estranhas começam a acontecer, os personagens passam a aceitar a possibilidade de haver algo sobrenatural, buscam um “perito” (aqui é J.K. Simmons, da trilogia do Homem-Aranha – abaixo) e o ritmo se acelera.

Dark Skies - JK Simmons

Mesmo seguindo uma espécie de fórmula do gênero, Os Escolhidos consegue ser interessante e ter vida própria. A dinâmica familiar é a espinha do filme, e logo percebemos nos importar com aquelas pessoas. É mais ou menos o que acontece com Sobrenatural (Insidious, 2010), outro bom suspense que conta com produtores em comum, assim como A Entidade (Sinister, 2012). Sustos fáceis, que costumam irritar o espectador mais exigente, não acontecem – ou acontecem em um volume aceitável, dependendo do ponto de vista. Fica a sensação de que os agentes Mulder e Scully vão aparecer e enquadrar o caso nos Arquivos X. Para buscar credibilidade, o longa chega a citar tipos de aliens comumente aceitos entre ufologistas, como os greys, que seriam os responsáveis por pesquisas com humanos e sequestros como o retratado em Fogo no Céu (Fire in the Sky, 1993).

Com um quarteto seguro à frente do show, Stewart, que também é o roteirista, dispensa um pouco da ambição dos projetos anteriores e tenta fazer uma mistura de ficção científica e suspense à moda antiga. Alguns vão julgar o ritmo muito lento, outros vão chamar a atenção para os clichês, ou até para a crítica rasteira ao modo de vida norte-americano. Os Escolhidos pode ser um bom divertimento. Não insulta a inteligência de ninguém e não traz grandes surpresas. Fica bem ali, na média. Resta esperar para ver se vai virar mais um Atividade Paranormal, que já tem o quinto episódio programado para 2014.

"Você disse cinco???"

“Você disse quinto???”

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Sequências de Smurfs e RED chegam juntas

por Marcelo Seabra

The Smurfs 2 posterRED 2Em 2011, o longa dos Smurfs fez mais de 500 milhões de dólares nas bilheterias, quase cinco vezes o seu custo de produção. Um ano antes, a adaptação de quadrinhos RED – Aposentados e Perigosos quase realizou a mesma façanha, ficando pouco abaixo de quadruplicar o seu custo. Era de se esperar que ambas as produções tivessem sequências, e foi exatamente o que aconteceu, e em tempo recorde. Em 2013, mais precisamente em agosto, chegaram juntos aos cinemas RED 2 e Os Smurfs 2. O veredicto, para bem ou para mal, é que trata-se de mais do mesmo. Quem se divertiu nos primeiros vai gostar das continuações, e quem não gostou deve manter distância.

Para a direção e roteiro de Smurfs 2, quase tudo permaneceu como estava. Raja Gosnell é o responsável e os mesmos quatro roteiristas (J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick e David Ronn) assinam, com a inclusão de Karey Kirkpatrick, cujo currículo inclui diversas aventuras juvenis (como As Crônicas de Spiderwick, 2008). A estratégia de não se mexer em time que está ganhando deve funcionar, já que o longa ruma para a mesma direção bem sucedida que o anterior. Mesmo não tendo nada de novo a apresentar, muito menos o frescor e a curiosidade que naturalmente abandonam sequências.

The Smurfs 2 Smurfette

As criaturinhas azuis, invenção do cartunista belga Pierre “Peyo” Culliford, voltam a ter problemas com o mago Gargamel (Hank Azaria), o eterno inimigo delas. No dia do aniversário de Smurfette (voz de Katy Perry), todos se fingem de bobos para preparar uma surpresa para ela, mas a garota acaba acreditando que ninguém gosta dela. É então que somos apresentados à criação dela, já conhecida por quem acompanhava os personagens em outras mídias. Gargamel se aproveita da situação para tentar tirar de Smurfette a essência Smurf que ele tanto busca, que dará a ele poderes inimagináveis. Para isso, ele conta com duas novas criaturinhas, os Danadinhos, versões cruas e más dos Smurfs.

Como Gargamel passou para o mundo dos humanos, Papai Smurf (voz do falecido Jonathan Winters) reúne uma trupe e vai atrás da filha desgarrada. Em Nova York, eles voltam a encontrar com os Winslow, vividos por Neil Patrick Harris e Jayma Mays e o garoto Jacob Tremblay, o filho crescidinho deles. Brendan Gleeson (de Sem Proteção, 2012) engrossa o caldo como o padrasto de Patrick. Piadinhas visuais batidas, uso sem restrições da palavra Smurf e algumas lições de moral são enfiadas goela abaixo do público, que não demora a perceber a Smurf em que se meteu. Talvez agrade os menores, mas os pais ficarão aborrecidos. E nem adianta mencionar o grande número de talentos no time original de dubladores porque encontrar uma cópia com as vozes em inglês é mais difícil que ganhar na loteria.

RED 2 cast

Para RED 2, que traz o subtítulo Aposentados e Ainda Mais Perigosos, algumas modificações foram feitas. O diretor Robert Schwentke dá lugar a Dean Parisot (de As Loucuras de Dick e Jane, 2005), enquanto os roteiristas Jon Hoeber e Erich Hoeber se mantêm. No elenco, as novidades convocadas respondem por Anthony Hopkins (de Hitchcock, 2012), Catherine Zeta-Jones (de Terapia de Risco, 2013), Byung-hun Lee (dos dois G.I. Joe), Neal McDonough (da série Justified) e David Thewlis (de Cavalo de Guerra, 2011). Isso tudo para trazer novo fôlego à ação, mas não se fugiu do esquema do primeiro.

O trio principal, formado por Bruce Willis, Mary-Louise Parker e John Malkovich, volta a se meter em problema quando alguém vaza um documento confidencial para a internet e os ex-agentes Frank e Marvin são citados. Como eles não têm ideia do que está havendo, vai ser necessário correr atrás dos fatos e descobrir quem está atrás deles. Sarah, a namorada de Frank,  aproveita para fugir da rotina e vai junto. No meio do caminho, claro, eles vão se encontrar com Helen Mirren (que brinca com seu papel mais famoso) e Brian Cox (de Coriolano, 2011), seus velhos conhecidos.

Algumas viagens internacionais serão obrigatórias, não vão faltar mortes e explosões e os personagens seguem fazendo piadas com as situações vividas. O bom humor que permeia a produção ajuda a agüentar os longos 116 minutos, que se tornam cansativos com tantas idas e vindas. Muitas pontas são deixadas e leva tempo para resolver tudo. Malkovich rouba a cena com frequência, já que Willis não parece estar muito animado. Byung-hun Lee é um tanto novo para o personagem, teria sido muito melhor chamar um ator mais velho, como Jet Li, Chow Yun-Fat ou mesmo Jackie Chan. Os demais nomes do elenco estão adequados, não há um grande destaque.

RED 2 tem o seu charme, mas Smurfs 2 é difícil de aguentar

RED 2 tem a sua graça, mas Smurfs 2 é difícil de aguentar

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Ray Donovan é boa novidade na TV

por Marcelo Seabra

Ray Donovan banner

A estreia nos EUA foi em 30 de junho e já está em exibição na HBO Brasil. Ray Donovan, nova série do Showtime, bateu recorde de audiência em sua estreia, com 1,35 milhão de espectadores, superando Dexter e Homeland. Quem ganha com isso, claro, é o público, com tantas boas séries em exibição na TV. Difícil é selecionar qual assistir, ou ficar o resto da vida sentado no sofá seguindo tudo. Ray Donovan vem mostrando ser uma das que valem a pena e pode bem ser adotada por aqueles que ficarão órfãos com o fim de Dexter, que está no meio de sua última temporada.

Lembra do Mr. Wolf, personagem de Harvey Keitel em Pulp Fiction (1994)? “Eu sou Winston Wolfe, eu resolvo problemas”. Ele cuidava de situações delicadas, como sumir com um cadáver e limpar a cena do crime, que possivelmente mandariam os envolvidos para a cadeia. Pois Ray Donovan, o protagonista da série homônima, faz exatamente isso, com duas diferenças: ele tem toda uma estrutura legal por trás, atuando como complemento; e ele realmente coloca as mãos na massa, não ficando apenas nas instruções. Ah, e os clientes não são uns criminosos quaisquer, mas gente da alta sociedade de Hollywood. Entre artistas e empresários, acontece muita coisa que o americano médio nem sonha, e isso se deve a Ray e sua turma, que acobertam tudo quando devidamente pagos para isso.

Ray trabalha para uma firma de advocacia muito prestigiada e lidera a divisão não divulgada, mas que todos parecem conhecer. Ele é uma lenda entre as celebridades que costumam se meter em enrascadas, e tem dois colaboradores de confiança para ajudá-lo. Outra característica interessante de Ray é a família: além da mulher e filhos, ele tem um irmão traumatizado que não trabalha (Dash Mihok, de O Lado Bom da Vida, 2012), enquanto o outro é um ex-boxeador com Parkinson que cuida de um ginásio (Eddie Marsan, de Jack – O Caçador de Gigantes, 2013). Mas problemas mesmo ele tem com o pai, o detestável ex-presidiário Mickey, vivido com visível prazer pelo veterano Jon Voight (abaixo), hoje mais lembrado como o pai da Angelina Jolie. Outro medalhão do elenco é Elliot Gould, o pai de Ross e Monica em Friends, que faz o excêntrico e milionário mentor de Ray. E a presença de James Woods (da série Shark) é prometida ainda para a primeira temporada.

Ray and Mickey

No papel principal, Liev Schreiber mostra que tem condições plenas de segurar uma série nas costas. No Cinema, ele costuma ser coadjuvante, como em X-Men Origens: Wolverine (2009), no qual viveu o vilão Victor Creed, e na série Pânico (Scream), em que fazia o assassino condenado injustamente Cotton Weary, além de vários outros. Entre projetos de grandes orçamentos e produções independentes, ele é sempre competente, e merecidamente ganhou mais responsabilidade agora, à frente de um bom elenco.

Muitos elementos da trama serão descobertos aos poucos, os primeiros episódios deixam muitas pontas soltas. Recebemos dicas sobre certos personagens, mas elas chegam cifradas e fragmentadas. O fato de serem muitos personagens também não facilita a compreensão, mas dá veracidade à série. Afinal, Ray encontra muita gente em seu dia a dia, como acontece na vida da gente, e não fica restrito a apenas dois ou três núcleos. Para haver identificação com o público, o protagonista tem profundidade, fugindo do estereótipo do cara durão que quebra tudo e resolve as coisas no braço. Ray tem muito carinho e preocupação por sua família e ainda ajuda alguns pobres coitados que cruzam seu caminho.

Claro que, com números de audiência tão bons e tanta cobertura da mídia, Ray Donovan teria garantida a sua continuidade em 2014. Ann Biderman, a criadora da atração (e roteirista de Inimigos Públicos e As Duas Faces de um Crime), teve a confirmação da segunda temporada menos de um mês depois da exibição do primeiro episódio, o que mostra a confiança que o Showtime está demonstrando. E, como se a série ainda precisasse de mais atenção, o produtor executivo Bryan Zuriff se declarou culpado de comandar uma central ilegal de apostas e de lavagem de dinheiro. Ele teria até ligações com a máfia russa. Enfrentando a possibilidade de pegar até cinco anos de cadeia, ele anunciou estar deixando o programa para resolver seus “problemas pessoais”.

A "família" se reúne para o lançamento em Los Angeles

A “família” se reúne para o lançamento em Los Angeles

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Monstros e robôs garantem a diversão

por Marcelo Seabra

Pacific Rim banner

Tudo o que Michael Bay e Roland Emmerich tentam fazer há anos, Guillermo del Toro conseguiu: um bom filme com robôs, alienígenas e destruição em massa. Homenageando os clássicos filmes de monstros japoneses (os kaiju eiga), com direito a citação ao final para os mestres Ishirô Honda e Ray Harryhausen, del Toro dirige Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013), longa de ação que consegue ser fantasioso, divertido e ambicioso. Depois de uma rápida contextualização, vamos direto para o campo de batalha, que é nada menos que o mundo todo.

A primeira qualidade da obra que fica clara: não se mostram os americanos como heróis do mundo ou principais vítimas. Temos vários lugares sendo contemplados e, apesar dos personagens se entenderem em inglês, não parecem ser todos do mesmo país. As nações se unem para combater um mal que vem do mar, de uma fenda misteriosa no fundo do Oceano Pacífico. Ela parece ser uma porta para outra dimensão de onde vêm criaturas enormes, chamadas kaiju, que só parecem interessadas em destruir cidades inteiras. Para combatê-las, os humanos criam robôs com aproximadamente a mesma altura, os Jaegers, que precisam ser pilotados por duas pessoas. É feita uma espécie de ligação cerebral entre as duas e o robô ganha vida.

Pacific Rim Jaeger

Para o cargo de protagonista, foi convocado Charlie Hunnam, visto em Green Street Hooligans (2005) e mais recentemente em A Fuga (Deadfall, 2012). O ator se mostra uma boa escolha e faz o melhor que pode com o aquele que deve ser o personagem menos desenvolvido de todos, o piloto de Jaegers Raleigh Beckett. O inglês Idris Elba, da série Luther, é o líder que eles precisam na pele do Marechal Pentecost, enquanto a japonesa Rinko Kikuchi, de Babel (2006), está no outro extremo como a bem preparada mas inexperiente Mako Mori. No núcleo mais engraçado, temos Charlie Day (de Quero Matar Meu Chefe, 2011) e Burn Gorman (da série Revenge) como colegas cientistas que se tratam como rivais e querem estar certos, e ainda o Hellboy Ron Perlman como Hannibal Chau, a única figura exagerada do longa. Só conhecemos o necessário de cada um, aquilo que será importante para o roteiro, e até o irritante Day está adequado ao papel.

Algo que pode ser visto como um defeito de Círculo de Fogo (além desse título nacional genérico e repetido) também acontece com produções como The Wolverine (2013) e O Homem de Aço (Man of Steel, 2013): a necessidade de não pegar uma censura alta acaba com a possibilidade de vermos sangue ou cadáveres em cena. Toda aquela destruição fica muito limpa, o que não condiz com o que vemos. No entanto, em momento algum o filme se torna aborrecido como a aventura do Super-Homem, e a destruição tem um porquê. Os monstros a buscam, e eles podem querer ir para o meio de uma cidade. A chuva freqüente até chega a incomodar, mas proporciona belas imagens. E há até uma certa relevância social, já que vemos pessoas aceitando subempregos, mal pagos e perigosos, como numa volta à época da Revolução Industrial, uma discreta crítica aos rumos em que seguimos.

O roteiro, assinado por del Toro e Travis Beacham (de Fúria de Titãs, 2010), baseado numa história do segundo, é bem enxuto, deixando bastante tempo para que os planos sejam executados. No momento em que a trama começa, os Jaegers já não estão dando conta do recado e outra saída é necessária contra os kaijus. A base onde ficam os robôs e toda a equipe envolvida na resistência tem um design fantástico, tudo muito prático e crível, e os próprios robôs são muito bem trabalhados, cada um com uma personalidade, por assim dizer. Os efeitos que dão vida a eles dão também veracidade, já que eles não são ágeis e leves como, por exemplo, os Transformers de Michael Bay. Quando um Jaeger é derrubado, dá para perceber o peso e a dificuldade para se reerguer. Esses detalhes fazem o público se envolver, trazer à tona a criança interior e aproveitar a jornada. No fim, nem parece durar 131 minutos.

Os protagonistas Hunnam e Kikuchi lideram a resistência

Os protagonistas Hunnam e Kikuchi lideram a resistência

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De Niro ainda guarda grandeza

por Marcelo Seabra

Being Flynn

É muito gratificante ver que Robert De Niro ainda tem, lá dentro, aquele talento todo que nos acostumamos a ver. Nos últimos anos, com várias bobagens no currículo (como Poder Paranormal, 2012), muitos devem ter desistido de acompanhar o ator, se prendendo apenas a seus trabalhos mais antigos. Em A Família Flynn (Being Flynn, 2012) ele defende com paixão seu personagem, para a alegria do espectador, e é acompanhado por um colega de mesmo nível, Paul Dano, do recente e igualmente bom Ruby Sparks (2012). Julianne Moore (de Amor a Toda Prova, 2011), com menos tempo em cena, completa a complicada família do título, que está disponível nas locadoras.

Nick Flynn (Dano) tem seus vinte e muitos anos, pretende ser escritor, mas segue pegando as oportunidades que aparecem. Na verdade, essa vontade de ganhar a vida com literatura é influência do pai, Jonathan (De Niro), que nunca foi presente e sempre se disse, por cartas, um escritor de mão cheia. Na verdade, Jon é um ninguém que, após cumprir pena, nunca se acertou em um emprego por se achar demais para qualquer coisa, e não parou em um lugar. Em sua cabeça, ele é um enorme talento que logo será descoberto, mesmo que os anos avancem e nada aconteça. “Tudo que escrevo é uma obra prima”, ele diz.

Being Flynn generations

Depois de jogar o astro na fogueira em Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família (Little Fockers, 2010), o diretor Paul Weitz compensa De Niro com um papel interessante, dramático e denso. Com American Pie (1999) como estreia, ninguém esperaria algo muito profundo de Weitz, mas o cineasta e roteirista se alterna entre projetos interessantes (como Um Grande Garoto, 2002) e bobagens dispensáveis. O livro de memórias do próprio Nick Flynn, Another Bullshit Night in Suck City, serviu como base para o roteiro, e dessa vez Paul não contou com a colaboração do irmão, Chris.

Como um dos trabalhos de Jon é dirigir um táxi, é inevitável associá-lo a Travis Bickle, de Taxi Driver (1976), também interpretado por De Niro. Talvez, seja uma versão menos desajustada e com delírios de grandeza, e podemos imaginar o que teria sido de Travis ao envelhecer. Dano também tem uma grande oportunidade de mostrar seu talento. Nick tem sua vida bagunçada pela repentina aparição do pai e a proximidade traz conflitos que podem derrubá-lo. Aparecendo nos flashbacks, Julianne Moore vive a sofrida mãe de Nick, uma mulher trabalhadora que desistiu de esperar pelo marido e foi à luta para criar o filho. Completando o elenco, merece destaque Olivia Thirlby (a Juíza Cassandra de Dredd, 2012), como a (quase) namorada de Nick, e Wes Studi (o Sagat de Street Fighter, 1994, lembra?), que vive o encarregado pelo abrigo para moradores de rua.

“Não importa o quanto você é bom, ninguém pode matar uma pessoa com palavras”, diz Jon Flynn. Um filme tampouco tem esse poder. Mas A Família Flynn pode levar a boas reflexões sobre envelhecimento, paternidade e a velha questão a respeito do nosso lugar no mundo. Pode parecer muita coisa para uma produção hollywoodiana de 100 minutos, mas é por aí. De brinde, ainda temos uma boa trilha sonora de Badly Drawn Boy.

"Are you talking to me?"

“Are you talking to me?”

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Stephen King volta à TV sob uma redoma

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Under the Dome

Imagine que você more em uma típica cidadezinha norte-americana onde nada de mais acontece. O xerife é aquele cara gente boa, no qual praticamente todos confiam e sua força policial é composta por meia dúzia de pessoas; o dono da concessionária local é também um vereador popular entre seus eleitores; há o típico restaurante/café onde grande parte da população local se reúne após a missa de domingo ou um dia de trabalho e é recepcionado por uma simpática atendente; há um jornal local, comandado por uma jornalista curiosa, e uma rádio pirata especializada em rock and roll. Uma cidade pequena, onde praticamente todos se conhecem, costumam se ajudar e nada de extraordinário acontece. Há até aquele confronto de gerações, onde os mais velhos se acostumaram a viver na calmaria da cidade e os mais novos não querem mais nada além de sair de lá em busca de uma vida mais excitante em alguma grande metrópole. Tudo muito típico, tudo muito clichê. Coloque tudo isso junto e você estará em Chester’s Mill, Maine.

Agora, imagine que você, morador de Chester’s Mill, está caminhando para o trabalho e vê um monomotor sobrevoando sua cidade. Imagine seguir aquele monomotor com o olhar despreocupado de quem já viu daquelas aeronaves mais vezes do que consegue se lembrar. E vê-la bater e explodir no meio do ar, como se tivesse trombado em uma parede invisível! Assim, do nada, sua cidade deixa de ser algo tipicamente clichê e passa a ser um lugar bem mais interessante para se viver. Ou, pelo menos, mais aterrorizante na medida em que você se dá conta de que aquela parede invisível é, na verdade, uma redoma dentro da qual toda a sua cidade está confinada.

Under the Dome bookBaseada no livro homônimo escrito por Stephen King, Under the Dome (ou Sob a Redoma, como a obra chegou ao Brasil no ano passado) usa a premissa acima citada para construir suas histórias. A trama foi desenvolvida para a televisão pelo escritor Brian K. Vaughan (mais conhecido pelos fãs dos quadrinhos como a mente responsável pelas ótimas séries “Y: O Último Homem” e “Ex-Machina”, mas cujos créditos televisivos incluem sete episódios escritos para Lost) e segue as vidas das pessoas em Chester’s Mill e as consequências de se viver sob uma redoma.

Fãs de Stephen King reconhecerão alguns de seus elementos recorrentes na série. Quando a redoma aparece, numa manhã de domingo, ela isola Chester’s Mill não só do resto dos EUA, mas também de boa parte de sua população, que se encontrava em um desfile em uma cidade vizinha. Isso inclui todo o corpo de bombeiros e todo o poder executivo da cidade, inclusive o prefeito, seu vice e praticamente todos os vereadores, à exceção de James “Big Jim” Rennie (Dean Norris, de Breaking Bad), que logo vai assumir a tarefa de conduzir a cidade, além de ser um dos poucos, ao lado do Reverendo Lester Coggins (Ned Bellamy, de Django Livre, 2012) e do xerife Howard ‘Duke’ Perkins (Jeff Fahey, de Machete, 2010), a ter uma maior noção do motivo de sua cidade ter sido enclausurada.

Under the Dome

Como em quase toda obra de King, há ainda o homem misterioso que logo se revelará um ás na história, o garoto desequilibrado que não aceita o fim do namoro e decide que a ex permanecerá com ele de qualquer jeito, os turistas desavisados que estavam de passagem pela cidade e permanecem presos ali, o garoto curioso que logo começa a ser afetado de maneira relativamente sobrenatural pelo isolamento (e não é o único), o policial que endoida e por aí vai. Como essas histórias se desenrolarão e se cruzarão é o principal combustível da trama, além do fato de explorar como as pessoas reagem quando confinadas em tal ambiente.

Under the Dome estreou nos Estados Unidos no dia 24 de junho e tem conseguido bons índices de audiência e críticas. Sua primeira temporada tem 13 episódios e a segunda já tem produção confirmada. A exemplo de The Walking Dead, espera-se que explore bastante o comportamento humano sob condições extremas de sobrevivência. Com aquele pezinho no fantástico que é marca registrada do escritor, roteirista e produtor Stephen King.

Vários relacionamentos foram prejudicados pela redoma

Vários relacionamentos foram prejudicados pela redoma

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Ricardo Darín se envolve em homicídio

por Marcelo Seabra

Tese Sobre um Homicídio

Apontado como o ator mais popular da Argentina já há alguns anos, Ricardo Darín vem mantendo uma média de dois filmes por ano, a maioria com muitas qualidades. Este ano, seu faro o levou à adaptação do livro Tese Sobre um Homicídio (Tesis Sobre un Homicídio), do jornalista Diego Paszkowski, e o longa acaba de chegar aos cinemas. Em meio a tantos filmes policiais convencionais, ele foge de fórmulas e do que vemos com frequência, já que tem um ritmo mais lento e propõe uma interessante discussão sobre leis e justiça. Pena que não se aprofunde no tema, preferindo focar no jogo de gato e rato.

Darín vive um professor de direito jovem para estar aposentado, mas é nesta condição que se encontra. Não descobrimos muito sobre sua personalidade, apenas recebemos migalhas ocasionais. Ele vai muito a um ginásio de boxe treinar, não perde uma oportunidade de se dar bem com belas alunas e parece ser bem vaidoso, não só quanto à aparência, mas também quanto ao reconhecimento de seus pares e do público em geral. Quando conhece um aluno que lembra ele próprio, muito auto-confiante e marcante, algo chama sua atenção. Gonzalo (Alberto Ammann, de Lope, 2010) é filho de um velho amigo e há muito não se viam. Rapidamente, a forte impressão deixada pelo rapaz é substituída por uma suspeita habilmente construída: seria ele um assassino?

Tese Sobre um Homicídio cena

A exemplo de um suspense de Hitchcock, detalhes fazem o professor ter essa desconfiança. Uma garota é morta perto do campus e, por algum motivo, ele se envolve na investigação. Para funcionar, o roteiro de Patricio Vega força certas situações que deixam até o espectador mais desavisado descrente. Detalhes são muito importantes, como o professor não se cansa de reafirmar, mas uma mente que tende a conspirações dará importância a qualquer coisa. Como em Festim Diabólico (Rope, 1948), testemunhamos um duelo de inteligências, ou ao menos um amontoado de suposições. Ammann mantém sempre feições amáveis que podem muito bem esconder um psicopata, mas não é páreo para a performance forte de Darín, que faz muito com pouco e ocupa todo o quadro.

A direção de Hernán Goldfrid parece ter boa intenção, se é que existe isso. Ele cria tensão com facilidade, usa bem ambientes fechados e escuros e leva o tempo que julga necessário para o desenvolvimento da trama. Alguns vícios, como ressaltar o estado de embriaguez com a imagem embaçada, podem ser relevados. Mas a base da construção não ajuda, as amarras do texto são frágeis e a ambiguidade final só piora o efeito. Fica a sensação de uma bela tentativa que errou o alvo. Podemos, no entanto, continuar acompanhando-o e ver no que dá.

Diretor e elenco de cara limpa

Diretor e elenco de cara limpa

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