James Wan comanda mais um Sobrenatural

por Marcelo Seabra

Insidious 2

A exemplo do primeiro filme, Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2, 2013) é um filme de terror que não engana o público. Pelo contrário: ele se passa antes, durante e depois de seu antecessor, explicando muitas coisas que ficaram no ar e ninguém reparou. Com basicamente o mesmo elenco, esta sequência vai mais longe na premissa, abusando das viagens ao mundo espiritual e das verdades já estabelecidas. Se você não é dos que compraram a ideia no primeiro filme, não será este que irá agradar. Para os demais, será um prato cheio.

No início, muita coisa é explicada para situar o espectador desavisado que chegou ao cinema sem ter visto a parte um, o que é aconselhável fazer (inclusive, pode haver spoilers à frente sobre a parte um). Na verdade, a intenção dos realizadores não é só reapresentar os fatos, mas ir além deles, do que já sabemos. Algumas informações chegam a serem repetidas três vezes, mas de ângulos diferentes, acrescentando detalhes importantes para a trama. E o diretor e roteirista James Wan mostra mais uma vez saber exatamente o que está fazendo, abusando de quartos escuros, objetos suspeitos e movimentos rápidos de quem não deveria estar lá para criar o clima de suspense que todo fã do gênero procura.

A história, mais uma vez bolada por Leigh Whannell, com ajuda de Wan, reencontra a família Lambert de onde os deixamos anteriormente. O pai, Josh (Patrick Wilson, o Coruja de Watchmen, 2009), conseguiu buscar o filho no além, mas sabemos que há algo errado com ele. A mãe, Renai (Rose Byrne, de X-Men: Primeira Classe, 2011), continua vendo coisas e se assustando na nova casa, já que eles foram morar com a mãe de Josh (vivida por Barbara Hershey, de Cisne Negro, 2010). Como o cartaz deixa claro, o que quer que estivesse assombrando os Lambert foi junto com eles para a casa onde Josh morava quando novo. Como eles não podem mais recorrer a Elise (Lin Shaye, em participação pequena), entra Carl (Steve Coulter, da série Banshee), outro investigador paranormal que vai auxiliar a dupla Specs e Tucker (Whannell e Angus Sampson).

Insidious 2 widow

Como a mitologia já está estabelecida, os roteiristas puderam dar uma enlouquecida e ir mais longe. Eles chegam, por exemplo, a explorar melhor a personagem da velha viúva, responsável por uns bons sustos em ambas as produções. O casal protagonista permanece dentro do esperado, e vale mencionar a boa maquiagem de Wilson, que externa o que se passa dentro dele. O resto do elenco também cumpre bem a função. Shaye divide sua Elise com sua versão mais nova, Lindsay Seim, e elas parecem estar bem em sintonia, assim como Hershey e Jocelin Donahue (de The House of the Devil, 2009), que repetem o mesmo tipo de dinâmica.

Com outro sucesso de bilheterias em cartaz, Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), Wan se consolida como um dos grandes nomes do terror da atualidade. O Capítulo 2 não recebeu as mesmas críticas positivas que o Capítulo 1 ou mesmo que Invocação, isso é fato. Mas a renda levantada já garantiu o Capítulo 3, previsto para 2015. Se continuar nas mãos de Wan, podemos esperar coisa boa por aí.

Insidious 2

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Diretor retrata geração dos anos 2000

por Marcelo Seabra

Spring Breakers

Quatro meninas bonitinhas, sendo duas delas estrelas da Disney, de biquínis no cartaz de um filme chamado Spring Breakers: Garotas Perigosas (2013). Claro que dava para ter um preconceito e passar direto, ignorando solenemente o que poderia ser uma bobagem. Não é exatamente o que deduzimos, indo além de uma aventurazinha juvenil, e aproveita para fazer alguma crítica, ou ao menos uma observação sobre a geração dos anos 2000. Não chega a ser bom, mesmo sendo melhor do que parece.

A primeira coisa que se pode imaginar é que as tais menininhas do cartaz não farão cenas mais quentes, por terem uma fama a manter. Elas podem ter servido para ajudar o diretor Harmony Korine a levantar o orçamento necessário, mas já começam a jogar contra a produção desde o início. A proposta é radicalizar e mostrar como meninas em torno dos 20 anos podem ficar cansadas da rotina e acabar fazendo loucuras, inclusive atos contra a lei. E o pior: elas não vêem problema nisso, já que o objetivo é se divertir. É o diretor e roteirista dizendo que a geração atual quer se satisfazer, não importam as consequências. Por isso, a escolha das atrizes era fundamental para dar autenticidade e fazer o público comprar a produção.

Para quem não se lembra, Korine foi incensado em 1995 como o criador de Kids, longa escrito por ele e dirigido por Larry Clark que pretendia ser o retrato dos jovens da década de 90. Festas, drogas, sexo e nenhum comprometimento era o que os personagens buscavam. As coisas não mudaram muito desde então, Korine continua difundindo essas ideias. Em Spring Breakers, quatro amigas de muito tempo decidem aproveitar o recesso que dá nome ao filme, a Spring Break, uma espécie de feriado prolongado tradicionalmente comemorado nos Estados Unidos em cidades praianas com muita bebida, quando todos parecem perder inibições em prol do prazer.

Spring Breakers girls

Para o elenco principal, foram reunidas Selena Gomez (cantora e atriz de diversas atrações adolescentes) e Vanessa Hudgens (de High School Musical), queridinhas dos adolescentes, além de Ashley Benson (da série Pretty Little Liars) e Rachel Korine, esposa e musa do diretor. Elas reúnem dinheiro para a viagem roubando um restaurante e viajam sem culpa para uma praia da Flórida, Saint Pete, onde gastam como celebridades. Depois de terem problemas com a polícia, são ajudadas por um dublê de mafioso e de rapper, Alien, e entram de cabeça no mundo de violência dele. Alien é mais um papel em que James Franco parece estar se divertindo sendo ele mesmo, com pequenas variações, como vimos em É o Fim (This Is the End, 2013).

A história parece se passar em uma cidade dos sonhos, o que os tons de cores e a trilha reforçam. Alguns efeitos de edição e de som, como a antecipação de certas falas, tentam dar uma roupagem moderna, e os rumos que a história toma levam o projeto a um território perigoso, o da pretensão misturada com exagero. Korine parece querer ser cult imediatamente. Pela recepção que o filme teve nos festivais do Rio e de Veneza, onde estreou, isso pode não estar muito longe da realidade.

As garotas se esforçaram para chamar a atenção geral

As garotas se esforçaram para chamar a atenção geral

PS: No mais recente Papo de Redação, podcast da equipe do site Cinema em Cena, Spring Breakers foi um dos filmes discutidos. Confira aqui: http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=51581&cdcategoria=31

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Drácula renasce na TV

por Marcelo Seabra

Dracula

Depois de quatro anos como o soberano da Inglaterra, Jonathan Rhys Meyers descobriu uma forma de continuar usando figurino de época vivendo um personagem poderoso. Do Henrique VIII de The Tudors, ele passou a ser Drácula na nova encarnação do morto-vivo mais famoso de todos. Criada por um jornalista e escritor de quadrinhos, Cole Haddon, a série é produzida e exibida nos Estados Unidos pela mesma rede responsável por Hannibal (2013), a NBC, o que mostra que não é só a TV a cabo que tem interesse em bancar produções ambiciosas e de teor adulto.

Em boa companhia, Rhys Meyers entra para uma turma que inclui Max Schreck, Bela Lugosi, Christopher Lee, Gerard Butler e Gary Oldman, para ficar nos mais famosos, já que a lista completa de intérpretes do ícone teria páginas. Seu charme canastrão, devidamente empregado em Tudors, volta a atacar, já que ele vive um milionário misterioso que fura pescoços nas horas vagas. Ele é acordado na Londres do fim do século XIX e parece ter um propósito firme: acabar com uma tal Ordem do Dragão, uma sociedade secreta formada pelos cidadãos mais relevantes financeiramente falando. Eles teriam sido responsáveis pela morte da mulher de Drácula, e são quem acoberta mortes ligadas a vampiros (o que teria sido o caso de Jack, o Estripador).

Dracula couple

Assumindo uma nova identidade, talvez para afastar velhos inimigos, o conde se torna o americano Alexander Grayson, um industrial que financia pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias baratas e limpas. Na verdade, o que ele pretende é tirar dos tais figurões toda a riqueza que a exploração do petróleo deu a eles. No meio do caminho, claro, ele encontra Mina Murray (Jessica De Gouw, de Arrow), a suposta reencarnação da falecida sra. Drácula. A origem do personagem não é recontada, mas vez ou outra flashbacks são usados para tornar certas passagens mais claras. E não espere encontrar tudo como Bram Stoker deixou: a série não pretende mexer nas “regras” que regem o mundo dos mortos-vivos (não é Crepúsculo!), mas revirou tudo que cerca Drácula. Jonathan Harker (Oliver Jackson-Cohen, de Mundo Sem Fim, acima, com De Gouw), por exemplo, deixou de ser um correto imobiliário e agora é um jornalista que se acha muito pouco para Mina, complexo que o impede de pedi-la em casamento.

Com Drácula como protagonista e os capitalistas gananciosos como antagonistas, além de um mocinho aborrecido, fica difícil torcer para alguém. O maior desafio da série, além de seguir o cânone vampirístico, é fazer com que o público simpatize com o vampiro. Toda a questão da vingança ajuda, fortalece o quesito “ele não é tão mau assim”, ou “há uma razão para essa matança”. A exemplo de The Blacklist (2013), outra boa série da TV aberta, Drácula parece ter um novo alvo a cada episódio, buscando se aproximar de seus objetivos. Dependendo dos números de audiência, pode ser que ele consiga chegar ao final da lista e finalmente reconquiste Mina.

Rhys Meyers aproveita para fazer uma boquinha

Rhys Meyers aproveita para fazer uma boquinha

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Cate Blanchett é a nova musa de Woody Allen

por Marcelo Seabra

Blue Jasmine

O encontro de uma ótima personagem com uma intérprete inspirada é sempre um momento fantástico de se conferir. É isso que Woody Allen nos proporciona com seu novo Blue Jasmine (2013), o trabalho que chega agora ao Brasil cercado de barulho positivo pelo mundo. E com o próximo no forno, em pós-produção. Afinal, há décadas ele não falha, com um filme fresquinho todo ano, sempre alternando de médio a ótimo. O resultado deste, graças principalmente a Cate Blanchett, é dos melhores.

Aposta dada como certa para os prêmios de atuação feminina do próximo período festivo, Blanchett é magnética em todas as suas cenas, ofuscando até bons colegas de elenco, como Alec Baldwin e Sally Hawkins. Ela recebeu o Oscar de atriz coadjuvante por O Aviador (The Aviator, 2004) e teve outras quatro indicações, além de dois BAFTAs, dois Globos de Ouro e outros muitos. Sob a batuta de Allen, Blanchett constrói uma figura de várias facetas, amarga, que acredita no que prefere acreditar, com ilusões de grandeza, claramente inspirada na Blanche DuBois de Um Bonde Chamado Desejo, famosa peça de Tennessee Williams da qual o longa pega alguns elementos.

Blue Jasmine couple

A Jasmine do título é uma socialite de Park Avenue, que é o mesmo que dizer uma esnobe da alta classe de Nova York, daquelas que se acham muito engajadas socialmente por darem festas para arrecadar fundos para alguma obra de caridade. O marido, o executivo importante Hal (Baldwin, do fraco Para Roma, com Amor, 2012, também de Allen), a mima com conforto e luxo enquanto faz seus negócios escusos. Após tudo cair por terra, ela vai com uma mão na frente e outra atrás pedir asilo à irmã, uma trabalhadora humilde que julga sempre ter sido deixada de lado por não ser a favorita dos pais (Hawkins, de Grandes Esperanças, 2012). Estando em dificuldades, é fácil lembrar da família.

Diversos personagens engraçados e autênticos cruzam a tela, todos representados por atores competentes que enriquecem o quadro. O sumido Andrew Dice Clay (de Entourage) é um exemplo, como o ex-cunhado peça rara, enquanto o atual é vivido por Bobby Cannavale (de Parker, 2013), também com muita intensidade. No meio dessa situação entra o comediante Louis C.K. em uma grata surpresa, já que trata-se de uma obra de ficção, e o elenco conta com Peter Sarsgaard (de Lovelace, 2013), Michael Stuhlbarg (de Hitchcock, 2012) e o jovem Alden Ehrenreich (de Dezesseis Luas, 2013).

A trilha sonora, como sempre quando se trata de Allen, é um caso à parte, marcada pela recorrente Blue Moon, canção que tocava quando os protagonistas se conheceram. Também responsável pelo roteiro, o diretor cuida muito bem da edição, que vai e volta no tempo dando ao público as informações necessárias para um bom entendimento da trama. Os diálogos iniciais, excessivamente expositivos, dão uma impressão errada sobre o que viria pela frente, pois logo o diretor se mostra muito hábil como contador de histórias. Allen consegue criar uma heroína antipática e dar a ela um lado trágico e até patético, o que traz nossa simpatia imediata a ela.

Allen dirige o novo Stanley Kowalski, Cannavale

Allen dirige o novo Stanley Kowalski, vivido por Cannavale

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Chucky é um brinquedo assassino e incansável

por Marcelo Seabra

Curse of Chucky

Em 1988, Don Mancini criou um personagem marcante que iria acompanhá-lo provavelmente pelo resto de sua vida. Lá se vão 25 anos e o boneco Chucky está em seu sexto longa, além de três curtas. Junte meia dúzia de personagens meia boca, daqueles que a gente já consegue chutar a ordem de abate, e você tem A Maldição de Chucky (Curse of Chucky, 2013), nova desculpa que o criador e roteirista inventou para trazer o pequeno psicopata à vida. Algumas imagens de arquivo farão a alegria dos saudosistas da década de 80. E não podia faltar a risadinha de Brad Dourif, o único intérprete que Chucky já teve no Cinema.

Charles Lee Ray é o nosso velho conhecido que, encurralado e alvejado pela polícia, consegue fazer uma espécie de ritual de bruxaria que transfere sua alma a um brinquedo conhecido como Bonzinho (ou Good Guy). Com essa premissa trash, Mancini vem assustando gente desde que Chucky atacou o jovem Andy Barclay, no primeiro Brinquedo Assassino (Child’s Play). Desde então, ele foi retalhado, incendiado, matou de formas variadas (até de susto!), arrumou uma noiva e até um filho! Dessa vez, o responsável criou uma forma de amarrar as coisas que nos leva ao passado de Charles Lee, meio que uma volta às origens. Tudo, claro, sem ignorar o que já foi feito na cinessérie, mas abandonando o tom de paródia adotado nos últimos, buscando algo mais, digamos assim, sério.

Curse of Chucky scene

Agora, Chucky vai parar na casa de uma mulher (Chantal Quesnelle, de The Kennedys) abalada por algo ocorrido há anos que vive com a filha (Fiona Dourif, do papai Brad). Por ser paralítica, a garota necessita de cuidados especiais, mas é forte e procura sempre mostrar ser independente. Com a misteriosa morte da mãe (alguém adivinha o culpado?), outros membros da família chegam para dar conforto (e tentar vender a casa) e logo uma menininha encontra o Bonzinho. A afeição é imediata e começa a contagem de corpos (ou continua, porque ela nunca parou).

Clichês do gênero não faltam e o meio do filme se torna bem aborrecido. Quem assistir em casa (ou seja, todos) deve resistir a acelerar trechos com o controle. O final consegue ser mais interessante do que se espera, apesar de termos uns três finais: quando você acha que acabou, faltava mais alguma coisa (ou coisas). Ao longo da projeção, pistas são deixadas para um possível final que não se concretiza, mas o que vemos não chega a ser ruim. É provável que A Maldição de Chucky, mais do que qualquer outro fim, sirva para introduzir o personagem a um novo público. Afinal, são quase dez anos desde a última aventura, muitos adolescentes por aí não o conhecem. E a franquia não dá sinais de parar, apesar do cansaço.

Sempre tem a gostosa da vez, papel de Maitland McConnell

Sempre tem a gostosa da vez, papel de Maitland McConnell

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Os Jogos Vorazes continuam!

por Marcelo Seabra

HG Catching Fire poster

Depois de vencer os Jogos Vorazes, o que cabe a Katniss Everdeen? Essa é a resposta que Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013) traz. Com o elenco original, a produção mudou de diretor e segue de onde a anteriora parou. O resultado, para a satisfação dos fãs da série, é na mesma linha do primeiro, talvez até superior. Afinal, não é mais necessário apresentar os personagens, é possível partir para a ação, adiantando a trama. Mas não espere por conclusões: elas virão nas duas partes finais.

Jennifer Lawrence, agora vencedora do Oscar (por O Lado Bom da Vida, 2012), volta como a protagonista Katniss, a guerreira que trouxe um pouco de esperança para os moradores dos 12 distritos ao vencer a mistura de disputa mortal e reality show promovida pela Capital. Ao contrário do que era esperado, houve dois vencedores, e a garota e Peeta Mellark (Josh Hutcherson, de Amanhecer Violento, 2012) agora são o casal mais seguido do país. E precisam manter as aparências como se estivessem apaixonados, mesmo não tendo intimidade alguma. O Presidente Snow (Donald Sutherland, de Crossing Lines) espera que o casal faça propaganda do governo, mas o povo está mais disposto a vê-los como símbolo de rebelião, do poder do cidadão comum. A menina não é tola e vai mostrar ser mais que um peão na mão do governo.

Com Francis Lawrence (de Água para Elefantes, 2011) no lugar de Gary Ross, as coisas parecem ter ficado um pouco mais sombrias, como a história pede. Realmente, trata-se de uma aventura juvenil que arrebatou o público adolescente mundial, mas isso não significa que não possa atrair adultos também. De forma geral, o roteiro, assinado por Simon Beaufoy (de Quem Quer Ser um Milionário?, 2008) e Michael Arndt (de Pequena Miss Sunshine, 2006), reúne bem as características do livro de Suzanne Collins e minimiza possíveis falhas, inclusive dando mais espaço para os personagens masculinos, Peeta e Gale (Liam Hemsworth, de Os Mercenários 2, 2012), que deixam de ser tão chatos e passam a ter uma função melhor delimitada na trama.

HG Catching Fire scene

Junto aos nomes já citados, o bom elenco é completado pelo retorno dos veteranos da série, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Stanley Tucci e Toby Jones, além das novidades, que respondem por Philip Seymour Hoffman, Jeffrey Wright, Amanda Plummer, Sam Claflin e Jena Malone. Algumas participações são maiores que outras, mas cada um tem a sua função. No próximo filme, certamente vamos entender melhor alguns detalhes, como a motivação de determinado personagem. Continua havendo muitas referências a outras obras, começando pelos soldados: se parecem com Stormtroopers (de Star Wars), mas estão mais para Fahrenheit 451 (1966) quando entram em ação.

Aqueles que ficaram chateados com os finais dos primeiros episódios de O Senhor dos Anéis, alegando que eles não tinham fim e precisavam do último para se completar, vão permanecer com a mesma sensação. Apesar de, na literatura, Jogos Vorazes ser uma trilogia, no Cinema serão quatro episódios, com A Esperança – Parte 1 para novembro de 2014 e A Esperança – Parte 2 para um ano depois. Aí, sim, teremos o final da jornada de Katniss.

O apresentador mala de Stanley Tucci está de volta

O apresentador mala de Stanley Tucci está de volta

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Michael Shannon é um Homem de Gelo

por Marcelo Seabra

The Iceman poster

Alguns filmes conseguem nos fazer torcer por seu personagem, por pior que ele seja. Se o protagonista é um assassino da máfia, é bem complicado demonstrar qualquer simpatia. Talvez este seja o principal defeito de O Homem de Gelo (The Iceman, 2012): acompanhamos a vida daquele sujeito à distância, sem nunca nos envolvermos. Mas não deixa de ser uma história interessante e um estudo de personagem rico, e ainda ganhamos outra ótima performance de Michael Shannon.

Mais famoso como o General Zod de O Homem de Aço (Man of Steel, 2013), Shannon já vinha chamando a atenção em diversos trabalhos, como no longa O Abrigo (Take Shelter, 2011) e na série Boardwalk Empire. Como o psicopata Richard Kuklinski, ele mais uma vez mostra ser capaz de fazer muito com um roteiro que não lhe daria muitas possibilidades. Baseado no livro de Anthony Bruno e no documentário de James Thebaut, O Homem de Gelo é basicamente dividido em três partes: a transição de trabalhador para executor, a carreira na máfia e o declínio. Como a segunda parte é a mais longa, pulamos de uma morte a outra e as coisas só não caem na mesmice pela presença forte de Shannon.

The Iceman

Kuklinski, que ficou famoso pelo apelido que denuncia sua frieza, tocava um negócio de pornografia escondido da esposa (uma pequena participação de Winona Ryder, de Cisne Negro, 2010). Quando um mafioso acaba com seu trabalho, outro é oferecido: ele teria que matar uma pessoa. Quando cumpre a tarefa com tanta diligência, o tal chefão, Roy DeMeo (Ray Liotta, de O Homem da Máfia, 2012), o mantém na função. Em 40 anos de “carreira”, estima-se algo em torno de 100 mortes, e nenhum arrependimento. E tudo isso sem que a família Kuklinski tivesse a menor noção do verdadeiro emprego do respeitado pai. Além de Liotta, a produção conta com bons nomes no elenco, como David Schwimmer, James Franco, Chris Evans, Robert Davi e Stephen Dorff.

Com o livro de Bruno e o documentário de Thebaut, produzido pela HBO, pode-se dizer que O Homem de Gelo é bem fiel aos acontecimentos da vida de Kuklinski. A marcante caracterização de Shannon também é bem próxima, e ele imita até o tom de voz. A reconstituição da época é impecável e a fotografia imprime uma crueza ao filme que assemelha seu visual a grande clássicos do gênero, como um Scorsese ou um De Palma. Mérito do diretor e roteirista Ariel Vromen (de Danika, 2006), que reuniu todos estes talentos. Ele poderia ter se saído ainda melhor se conseguisse humanizar Kuklinski um pouco, talvez focando mais em sua vida familiar e nos conflitos com a esposa.

Este é o momento da virada

Este é o momento da virada

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O sucesso de Sharknado é surpreendente

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Sharknado

A fama de “assassino dos mares” dos tubarões no cinema começou graças ao filme Tubarão (Jaws, 1975), de Steven Spielberg. O sucesso do longa não só projetou a fama de seu diretor, como despertou a ganância dos produtores de Hollywood, que passaram a, sempre que possível, produzir filmes onde tubarões eram os vilões. Infelizmente, com exceção de Tubarão, quase todas essas produções – inclusive as continuações de Tubarão – não são dignas de nota. Sharknado (2013), que combina as palavras shark – tubarão- e tornado, é um filho direto dessa tradição com uma tendência mais recente, que é a produção de filmes de baixo orçamento para lançamento direto em DVD ou na TV.

Sharknado foi produzido pela The Asylum – produtora que tem conseguido uma certa fama nos EUA por lançar versões com baixo orçamento de blockbusters de Hollywood antes que os originais cheguem às telonas. Exemplos dessas produções seriam Transmorphers e Atlantic Rim, quase plágios de, respectivamente, Transformers e Pacific Rim (Círculo de Fogo). Um dos principais parceiros da Asylum em suas produções é o canal a cabo Syfy, cujos executivos também são fãs de filmes de tubarões, já que nos últimos anos nos presentearam com pérolas como Megashark e Sharktopus, apenas para mencionar os mais conhecidos. Por algum motivo qualquer, no entanto, Sharknado, exibido na TV dos EUA no dia 11 de julho, atraiu bastante atenção e criou um burburinho online incomum pra esse tipo de filme. Mesmo sendo uma produção tipicamente televisiva, fez o caminho inverso e migrou para a tela grande. Sua estreia nos cinemas americanos se deu em 02 de agosto, em circuito restrito, com 200 salas exibindo-o. Isso tudo, claro, garantiu uma sequência para o filme, programada para 2014.

Sharknado scene

Talvez um dos motivos do sucesso de Sharknado seja o nonsense de sua história. Sim, tem uma história, e ela começa quando um capitão de um navio pesqueiro negocia com um aparente executivo de uma companhia alimentícia oriental que se interessa por barbatanas de tubarão, cuja sopa é bastante apreciada no oriente. A ocasião é boa para o capitão, pois há uma infestação de tubarões no litoral de Los Angeles. Infelizmente, para ele, as negociações são interrompidas por uma grande tempestade que varre o oceano.

Essa tempestade se divide em diversos tornados, formando trombas de água que se dirigem para a costa. Desafiando todas as leis da física, os tornados sugam não só grandes volumes de água, mas também grande parte da vida marinha do litoral, incluindo – e prioritariamente – os tubarões. Desafiando todas as leis da biologia, os tubarões não só sobrevivem, como vão sendo despejados no litoral vivos a ponto de saírem devorando qualquer um que apareça pela frente. Pra coisa não ficar só tosca, há uma certa contextualização: a tempestade inunda as ruas de Los Angeles com água marinha e os tubarões que não saem voando sobre as pessoas usam dessa água para se deslocar e fazer suas vítimas.

Sharknado actorsO azar dos bichos marinhos foi dar de cara com Finley “Fin” Shepard (Ian Ziering, da primeira versão de Barrados no Baile), um surfista dono de um bar no litoral que fará de tudo para proteger sua família, inclusive jogar uma estante (!) em cima de um tubarão que nada pela sala de estar (!) de sua antiga casa para salvar a ex-esposa April (Tara Reid, de American Pie: o Reencontro) e a filha Cláudia (Aubrey Peeples). Completam o elenco principal do filme os desconhecidos Cassie Scerbo, Jaason Simmons, Chuck Hittinger e a exceção John Heard (que, pelo currículo que inclui filmes como Esqueceram de Mim I e II e Quero ser Grande, deve estar precisando de grana pra pagar as contas, como Reid).

Com efeitos especiais dignos de uma novela da Record, uma história pra lá de absurda e cenas de impacto que incluem o herói do filme usando uma serra-elétrica pra cortar ao meio um tubarão em pleno ar, Sharknado faz parte daqueles filmes B que, de tão absurdos e amadoristicamente realizados, acabam sendo divertidos. Devido a tanta repercussão, o canal Syfy Brasil anunciou que já adquiriu os direitos de exibição do filme no Brasil. A estreia dobrada acontece neste mês de novembro: dia 22 no Syfy e no dia 24 no Universal.

Pobre Tara, se ofereceu para a sequência e foi dispensada

Pobre Tara, se ofereceu para a sequência e foi dispensada

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Tom Hanks enfrenta piratas em história real

por Marcelo Seabra

Captain Phillips posterEm abril de 2009, piratas somalianos tomaram um navio cargueiro americano e acabaram levando o comandante como refém. Essa é a história que acompanhamos em Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013), novo longa do diretor Paul Greengrass que consegue ser tão tenso quanto Voo United 93 (United 93, 2006), com a diferença de que não foi necessário ter tanta imaginação, já que o livro do próprio Richard Phillips (coescrito com Stephan Talty) serve como base para o roteiro. O outro ponto forte da produção atende pelo nome de Tom Hanks, em mais uma bela interpretação numa carreira tão marcante.

A história de Phillips e do seqüestro do cargueiro Maersk Alabama é envolta em discórdia, membros da equipe do capitão chegaram a procurar a imprensa para desmentir a saga heróica que ele teria vivido. Foi dito que ele era um sujeito egoísta e arrogante que não se importava com a tripulação e os levou direto para a área que vinha sofrendo ataques, mesmo tendo sido repetidamente alertado. Alguns dos profissionais estão até na justiça, buscando compensação financeira pelo episódio vivido, alegando que a falta de segurança no navio foi uma falha consciente da Waterman Steamship Corp. Os engenheiros Mike Perry e John Cronan chegaram a afirmar à CNN que Phillips parecia querer ser tomado como refém, por ter conhecimento do risco e insistir em passar perto da costa da Somália, contra as recomendações.

Captain Phillips scene

Independente da discussão do mundo real, o filme é mais uma demonstração do bom Cinema de Greengrass. A exemplo de seu primeiro longa, Resurrected (1989), que acompanhava um soldado em uma jornada épica de volta para casa, o diretor se interessa por mostrar um grande feito de uma pessoa comum em uma situação extraordinária. Equilibrando a ação entre os pontos de vista dos americanos e dos somalianos, ele eleva o nível da tensão a um ponto que parece que o público está na mesma situação a que está assistindo. Como em United 93 e até em Domingo Sangrento (Bloody Sunday, 2002), conhecer os fatos não diminui em nada o impacto do final. O percurso é o que importa para Greengrass, e a câmera nervosa de Barry Ackroyd (também do United 93) percorre todo o espaço com tamanha urgência que só nos resta acompanhá-la.

Ganhador de dois Oscars e quatro Globos de Ouro, para ficar nos prêmios mais famosos, Tom Hanks consegue o feito de viver um papel que não nos remete a nenhum outro de sua vasta galeria. Para um ator tão conhecido, conseguir fazer o público se desligar dele e ver o personagem é algo a se comemorar. E ele vai mais longe: consegue fazer do Capitão Phillips uma pessoa de verdade, e não um clichê ambulante, um erro que o roteiro de Billy Ray (de Jogos Vorazes, 2012) o ajuda a evitar. Os estreantes somalianos também ajudam no quesito credibilidade, compondo um elenco competente de rostos desconhecidos.

Independente da verdade por trás dos fatos e das acusações de servir como propaganda para o Governo Obama, com a criação de um herói que eleve a moral dos norte-americanos, Capitão Phillips é uma obra construída de maneira impecável, que nos faz lamentar o fato de Greengrass ultimamente dar um intervalo de três anos entre suas realizações. Resta-nos esperar pela próxima, que infelizmente deve passar longe da série de Jason Bourne, mas certamente terá uma qualidade ímpar.

O ator e o verdadeiro Phillips comparecem ao lançamento mundial, no Festival de Nova York

O ator e o verdadeiro Phillips comparecem ao lançamento mundial, no Festival de Nova York

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Antes do Mordomo, havia o garoto do jornal

por Marcelo Seabra

The Paperboy

O diretor Lee Daniels está muito em evidência devido ao barulho provocado para O Mordomo da Casa Branca (Lee Daniel’s The Butler, 2013), já em exibição no Brasil. Mas seu filme anterior ainda não havia sido lançado no país, e vai chegando a algumas cidades, depois de passar pelo Festival de Cinema do Rio. Obsessão (The Paperboy, 2012) é mais um trabalho forte do ator Matthew McConaughey, à frente (ou ao lado) de um bom elenco que é prejudicado por um roteiro disperso, que abraça o mundo e parece uma colcha de retalhos.

Depois de uma bem sucedida carreira como produtor, Daniels atacou como cineasta, não recebendo muita atenção na primeira tentativa (Matadores de Aluguel, 2005). Com a segunda, Preciosa – Uma História de Esperança (Precious, 2009), ele se tornou mais conhecido e teve várias indicações a prêmios, e o longa ficou com os Oscars de Atriz Coadjuvante (para Mo’Nique) e Roteiro Adaptado (para Geoffrey Fletcher). Um elemento recorrente na filmografia de Daniels é a abordagem de questões raciais, inclusive com o envolvimento de muitos artistas negros. Em Obsessão, ele ainda misturou mais um tema ao caldo: homossexualismo. Experiências próprias devem ser uma forte motivação, já que o próprio Daniels é negro e gay.

Aparentemente, o roteiro, escrito por Daniels e Peter Dexter (autor do livro que serviu de base), coloca como protagonista Jack, jovem desajustado vivido por Zac Efron que é exatamente o personagem mais desinteressante do longa. Efron continua sem mostrar momentos de brilhantismo, ainda mais sem ajuda do texto. McConaughey (de Killer Joe, 2011) é o irmão de Jack, Ward, um repórter de Miami que volta à sua cidadezinha para investigar o caso de um condenado à morte pelo assassinato do xerife local. Hillary Van Wetter (John Cusack, de O Corvo, 2012) aguarda a execução e aceita falar com Ward na condição de poder sempre ver a sua nova namorada por correspondência, a loira fatal Charlotte (Nicole Kidman, de Segredos de Sangue, 2013). Jack vira o motorista da dupla Ward e Yardley (David Oyelowo, de Jack Reacher, 2012) e passa a conviver com Charlotte, que vira a sua obsessão. Só assim para explicar o título nacional.

Brothers

Como se pode perceber pela trama, não faltam personagens, e a descrição acima está bem simplificada. John Cusack foge de seus usuais sujeitos comuns e assume uma persona desprezível, e tem ao seu lado uma Nicole Kidman sexy e debochada. Ambos estão muito bem e dividem um momento particularmente provocante, sempre lembrado em qualquer crítica. Nicole ainda tem outra cena, esta com Efron, muito comentada. McConaughey mais uma vez prova seu talento, e não será surpresa se o virmos subir ao palco da Academia – não por esse papel, mas pelo elogiado Dallas Buyers Club (2013). O veterano Scott Glenn tem uma pequena participação como o pai dos Jansen e a cantora Macy Gray assume a posição de narradora da história, a empregada Anita, que narra os fatos mesmo sem ter presenciado-os, ou mesmo ter ouvido a respeito.

A vida nos pântanos da Flórida pode ser muito interessante para quem assiste de fora, e os Jansen se envolvem com muita gente de caráter duvidoso. Mas a ambientação e os personagens não se misturam bem. Talvez, teria dado um resultado melhor como um novelão, os elementos estão todos lá. Cada um teria mais tempo para um desenvolvimento adequado e o público poderia saber melhor o que está acontecendo. E o mais importante: iria querer saber o que está acontecendo.

O diretor Daniels leva o elenco principal a Cannes

O diretor Daniels leva o elenco principal a Cannes

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