Produções fracas disputam público com a Copa

por Marcelo Seabra

Kill Your Darlings poster

Talvez para evitar disputar público com a Copa, os bons filmes parecem estar esperando para estrearem. Por isso, as principais atrações em cartaz atualmente não são das mais animadoras. Duas delas, que pareciam destinadas às prateleiras das locadoras, conseguiram chegar à tela grande. Mas as opções são tão fracas que os jogos do Brasil no mundial estão ficando bem colocados na lista das melhores bilheterias da semana, até mais que as estreias.

Contando mais uma história inspirada na geração beat, como Na Estrada (On the Road, 2012), Versos de um Crime (Kill Your Darlings, 2013) parte para os fatos que envolveram os jovens escritores quando Allen Ginsberg chega a Nova York. Vivido por Daniel Radcliffe, mais lembrado como Harry Potter, Ginsberg entra em contato com outros que viriam a ser grandes escritores, como Jack Kerouac (Jack Huston) e William Burroughs (Ben Foster). No entanto, seu amigo mais próximo é Lucien Carr (Dane DeHaan, o novo Duende Verde), um filhinho da mamãe que pretende revolucionar a literatura quebrando os padrões da época.

Premiere Kill Your Darlings

Pode ser que a forma como estão representando estas figuras históricas não seja adequada. Mas o que fica é que são todos um bando de pretensiosos almofadinhas e é surpreendente que sejam famosos até hoje. Um crime acontece, para chacoalhar as coisas, e o longa toma um rumo de tragédia. Mesmo assim, não consegue empolgar, mantendo o público sempre à distância. Mesmo a curiosa presença de Michael C. Hall, o psicopata Dexter da TV, não salva a sessão da mesmice. O elenco interessante é desperdiçado pelo tal John Krokidas (acima, com o elenco), um diretor estreante sem expressão alguma que não faz muito com o roteiro do também novato Austin Bunn.

Oldboy posterDa série “refilmagens inexplicáveis”, outra obra em exibição é a versão de Spike Lee para o sul-coreano Oldboy. De 2003 para 2013, o que mudou foi para pior. A trama básica é mantida: um sujeito é aprisionado por vinte anos até que, sem nenhum motivo aparente, ele é libertado. O vilão, então, se revela e dá um tempo determinado para que o sujeito descubra quem o outro é e por que o seqüestrou. Não só detalhes foram alterados, mas partes mais importantes também, o que até poderia ser interessante para trazer um ar de novidade a algo já conhecido. Mas todas essas alterações empalidecem frente ao anterior, o que nos deixa sem entender o motivo de ser da refilmagem.

Com Josh Brolin (de Reféns da Paixão, 2013) no papel principal, o protagonista virou um ninja exagerado que se afasta bastante do original, que agia como um animal ao sair do confinamento e, apesar de forte e ágil, também apanhava e sofria. O vilão, vivido por Sharlto Copley (de Malévola, 2014), é esquisito ao extremo, e suas motivações não ficam muito claras devido à necessidade do roteirista Mark Protosevich de se diferenciar do original. A única coisa que atraiu certa atenção para o filme foram as cenas quentes entre Brolin e Elizabeth Olsen (de Godzilla, 2014). Spike Lee já conseguiu resultados muito superiores, e fazendo um trabalho mais autoral, dando a sua cara às produções.

Brolin e Olsen são as atrações do novo Oldboy

Brolin e Olsen são as atrações do novo Oldboy

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A Copa no Cinema

*Por ocasião da Copa do Mundo, já que todos só respiram futebol, convidamos o jornalista e comentarista esportivo Daniel Seabra para relembrar um novo clássico do Cinema Nacional que trata do tema. É um de seus filmes favoritos.

Boleiros e os causos do futebol

Boleiros

por Daniel Seabra

É, já temos uma Copa. E, até agora, que Copa! Para quem duvidava (os adeptos do #naovaitercopa), por enquanto os jogos estão rolando da melhor forma possível, com desfile de craques pelas novas arenas, show nas arquibancadas e torcidas de várias nacionalidades invadindo as capitais que recebem as partidas. Aliás, o entrosamento da turma gringa com os brazucas, tem sido o melhor possível. No rastro da principal competição futebolística do planeta, nada melhor que pipoca e guaraná (para não dizer uma boa cerveja artesanal com um belo churrasco), acompanhado de um filme que tenha como tema o esporte bretão.

Nesta linha, não dá para deixar passar batido Ginga – A Alma do Futebol Brasileiro (Brasil, 2004), O Ano em que meus pais saíram de férias (Brasil, 2006), 1958 – O Ano em que o mundo descobriu o Brasil (Brasil, 2008) e O Milagre de Berna (Das Wunder von Bern, Alemanha, 2003). São exemplos de obras primas que retratam situações envolvendo o futebol. Mas o craque da rodada (eleito por este que vos escreve, claro!) é Boleiros – era uma vez o futebol (Brasil, 1998), de Ugo Giorgetti. O mesmo diretor lançou, em 2006, Boleiros 2 – vencedores e vencidos. Mas como a bola da vez é ao primeiro, vamos aos fatos.

Boleiros elenco

Poucos filmes retratam, com tamanha veracidade e riqueza de detalhes, causos do futebol brasileiro, daqueles que quem acompanha o esporte está mais do que acostumado a ver. A paixão da torcida, o nervosismo do técnico no pré-clássico (no caso, Corinthians x Palmeiras), principalmente quando o craque do time se envolve com uma Maria Chuteira na noite anterior, o juiz corrompido, a angústia vivida pelo ex-jogador quando ele passa por sua primeira morte (o fim da carreira), a negociação do craque do time, a revelação brasileira, a relação com o futebol europeu… Está tudo lá, de uma forma que, se tivesse saído da cabeça de algum torcedor, comentarista ou ex-atleta, seria bastante coerente.

É a arte do futebol, ou retratando o melhor do futebol. É a parte boa (pelo menos para quem assiste), ou seja, os contos, as histórias, o extra-campo que permeia (e sempre permeou) o futebol. Principalmente no Brasil, onde é a paixão nacional, país em que somos mais de 200 milhões de treinad… ops, de torcedores. Tudo bem, alguém pode dizer que trata-se somente dos estereótipos do futebol brasileiro. Mas aí é que está a graça. Os casos podem, muito bem, serem baseados em fatos, já que não há ali qualquer absurdo.

A história se desenrola no local em que grande parte dos brasileiros resolve todos os problemas do mundo, ou pelo menos os seus: na mesa de boteco. Ali estão ex-jogadores que relatam experiências que marcaram suas vidas quando corriam atrás da pelota. Até a mesa redonda, outra instituição nacional, amada por 99% dos torcedores tupiniquins (e odiada por 100% das mulheres dos mesmos), é recriada, e aos melhores moldes dos principais programas esportivos nacionais.

E os casos, por várias vezes, extrapolam as quatro linhas. Alguns, mais céticos, podem achar um exagero. Mas quem cresceu acompanhando o futebol sabe que os pais de santo também vestem a camisa e entram em campo para deixar tinindo o grande jogador da equipe, como retratado em uma das esquetes. Ou quando o treinador da escolinha, que invariavelmente reclama dos pais que pagam a mensalidade e querem que seu “Pelé” seja sempre titular, perde um talentoso garoto, com um belo e promissor futuro, para o tráfico de drogas.

osmar santosAinda sobra tempo para uma mais que justa homenagem. Nos créditos finais, Ciro Jatene, um dos grandes locutores do Brasil, se passa por Osmar Santos (ao lado), narrando um jogo fictício, com jogadores de várias épocas. Vale lembrar que Osmar, inventor de expressões que ficaram imortalizadas no esporte nacional, como “Parou por quê, por que parou?” e “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, é grande referência para quem gosta de rádio esportivo. Ele sofreu um grave acidente automobilístico em 1994, que lhe deixou com sérios danos cerebrais e totalmente impossibilitado de exercer sua profissão.

Por tudo o que está retratado na obra, acima de ser um filme sobre esporte, ou mais especificamente sobre o futebol, vale para quem gosta de casos, reais ou não, sobre a vida. Está certo, ligados ao esporte, mas com o cotidiano estampado e com o humor característico de Ugo Giorgetti.

Otávio Augusto é um dos nomes ilustres no elenco

Otávio Augusto é um dos nomes ilustres no elenco

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Penny Dreadful explora na TV temas batidos

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Penny Dreadful

Muito populares na Inglaterra no final do século XIX, Penny Dreadfuls eram histórias lúgubres, com temática sobrenatural e terror gótico, publicadas de maneira serial ao longo de diversas semanas ao preço de um centavo (um penny), principalmente em Londres. Esse tipo de publicação foi o que inspirou o produtor e roteirista John Logan (que escreveu filmes como Skyfall, 2012, e A Invenção de Hugo Cabret, 2011) a desenvolver a série homônima para o canal americano Showtime.

A exemplo das histórias que lhe inspiraram, Penny Dreadful se passa na Inglaterra no final do século XIX. A história tem início quando a filha de um famoso explorador, Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton, de O Turista, 2010), é abduzida por uma estranha criatura que é tão antiga quanto o tempo. Um predador voraz, que aparentemente objetiva se apoderar da outra filha de Malcolm, Vanessa Ives (Eva Green, de 300: A Ascensão do Império, 2014), uma jovem com poderes paranormais que pode se tornar uma ameaça, usando sua irmã como isca.

Episode 1

Para resgatar Mina das garras da criatura, Sir Malcolm recruta a ajuda de um ator de shows de faroeste, um excelente atirador que atende pelo nome de Ethan Chandler (Josh Hartnett, de 30 Dias de Noite, 2007) e que procura fugir de seu passado, e do doutor Victor Frankenstein (Harry Treadaway, de O Cavaleiro Solitário, 2013), um cientista fascinado por experimentos envolvendo a vida e a morte e uma certa busca pela imortalidade.

A exemplo de diversos filmes, livros e quadrinhos anteriores (sendo o mais famoso deles A Liga Extraordinária, de Alan Moore, que gerou um terrível filme homônimo em 2003), Penny Dreadful procura combinar personagens consagrados da literatura inglesa do século XIX com outros originais em uma mesma história. A série tenta criar a ambientação de histórias consagradas naquele período, trazendo um pouco da modernidade que caracteriza boa parte das produções para TV atualmente, especialmente no que diz respeito ao erotismo e violência. Nudez e corpos desmembrados são coisas quase rotineiras aqui.

Mesmo com a boa recriação quase fiel da Londres do fim do século XIX, uma cidade que pouco antes havia passado pelo trauma de Jack, o Estripador, e da presença sempre competente de Eva Green, a série promete mais do que entrega. A história principal, apesar de interessante, não parece muito coesa, os roteiristas querem incluir o maior número de referências vitorianas possível (o monstro de Frankenstein, o Dorian Gray de Oscar Wilde e o dr. Van Helsing de Bram Stoker são personagens que aparecem e se integram à história ao longo da série), sendo que algumas dessas participações parecem relativamente forçadas. Essas aparições, ao contrário de agregar valor à trama, acabam tendo o efeito contrário. Talvez, investir em uma história completamente original, com menções pontuais sobre a presença desses personagens na Londres da época, fosse uma jogada mais inteligente.

Apesar desses pontos negativos, Penny Dreadful, cuja primeira temporada foi programada para oito episódios, conseguiu ser chamativa o suficiente para ter sido renovada para uma segunda temporada. Esperemos que até lá seus roteiristas acertem o passo e dêem à trama mais atenção do que à necessidade de incluir participações especiais. A estréia por aqui está programada para o dia 13 de junho, na HBO.

O Dr. Frankenstein investiga criaturas estranhas

O Dr. Frankenstein investiga criaturas estranhas

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Vilã Disney vira Angelina Jolie em releitura

por Marcelo Seabra

Maleficent poster

Aqueles que passaram a infância cercados por personagens Disney devem se lembrar bem de Malévola, uma bruxa de visual fantástico que amaldiçoa a pobre Aurora e a transforma na Bela Adormecida. O desenho não era dos mais interessantes do estúdio, ainda mais por ter uma heroína que só dorme, mas viram potencial na vilã, o suficiente para que ela ganhasse um longa só dela. Só, não exatamente, mas focado nela. Malévola (Maleficent, 2014) acabou sendo também um veículo para Angeline Jolie voltar a aparecer e ser o destaque indiscutível, de longe a melhor coisa no filme. Ela não dava as caras desde o fracasso retumbante de O Turista (The Tourist, 2010).

Desde os primórdios do Cinema, contos de fadas servem como inspiração. Mais recentemente, observamos um grande número de adaptações que tentam ser mais reais, pés no chão, gerando alguns constrangimentos, como A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood, 2011), e a insossa dose dupla de Branca de Neve de 2012. Malévola busca o passado da personagem para explicar o porquê de sua maldade, desenvolvendo seu enredo em torno dos fatos já conhecidos – e até mudando-os. Ao querer explicar demais a gênese da personagem, a roteirista Linda Woolverton (de Alice no País das Maravilhas, 2010) pega todo o material pré-existente e cria contrapontos e justificativas para abrandar o comportamento de sua protagonista. Assim, até o nome dela deixa de ter razão para ser o que é.

Maleficent cartoon

O grande problema de se ter um vilão como protagonista é a necessidade óbvia de ter que criar alguma identificação com o público. Para isso, o sujeito, que deveria ser ruim até mandar parar, acaba virando uma vítima das circunstâncias, da vida ou dos que o cercam. Quem era para ser a maldade encarnada acaba virando um coitadinho, de quem sentimos até pena. Em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), o Coringa funciona tão bem talvez devido ao mistério que o cerca. Ele é uma força da natureza, isso é tudo o que sabemos. Na série Hannibal, o Dr. Lecter é um interessante contraponto ao agente do FBI que acompanha e em momento algum vira vítima. Pelo contrário, a admiração que o público tem deve-se à sua inteligência e sangue frio, algo meio masoquista. Dexter é outro que nos ensinou a torcer por uma figura extremamente problemática, nem de longe um herói.

À frente do elenco, Jolie encarna a diva traída, sempre linda e com uma expressão melancólica. Seu visual, assim como de todo o filme, é fantástico, compensando esteticamente os problemas de conteúdo. Sharlto Copley (de Elysium, 2013) é competente com o trabalho que lhe é designado. Mas a jornada de seu personagem é apressada e tudo parece pré-combinado, como se de fato um roteiro regesse sua vida e fosse necessário passar por certos pontos. Elle Fanning (de Ginger & Rosa, 2012), bem crescida, é pura luz como a princesa que se contrapõe às sombras de Malévola. Como acontece com Copley, Fanning também fica presa à pressa do texto, que parece só se importar com a protagonista. Entre os demais nomes, identificamos facilmente Sam Riley (de Control, 2007), como o pássaro que assume diversas outras formas, e Imelda Staunton (de A Garota, 2012) e Juno Temple (de Lovelace, 2013) como duas das fadas que cuidam de Aurora. A falta de experiência do diretor, o técnico de efeitos visuais Robert Stromberg, fica clara na confusão de sequências que não entendemos e na falta total de noção de como criar suspense ou expectativa, entregando logo um final para poder encerrar a sessão.

Não que não tenha muita coisa interessante ali. Como já vinha acontecendo em obras como Enrolados (Tangled, 2010) e Valente (Brave, 2012) e tem em Frozen (2013) o ponto alto, o papel da mulher tem crescido, ela deixa de ser uma mocinha em perigo para ter participação ativa na trama. E o conto de fadas tradicional é pervertido (no bom sentido), deixando por terra algumas ideias machistas e formulaicas. Isso também acontece em Malévola, com personagens de caráter duvidoso, que podem mudar de posição moral, incluindo aí até a fada do título. Mas a fraqueza do longa também está aí: como as obras anteriores já indicaram um novo caminho a se seguir, o esperado é que este novo projeto iria mais longe, mas ele não passa de requentar algumas ideias já vistas nas animações citadas.

A irmãzinha de Dakota Fanning é linda e talentosa

A irmãzinha de Dakota Fanning é linda e talentosa

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Tom Cruise estrela nova invasão à Terra

por Marcelo Seabra

Edge of Tomorrow

Por algum motivo, as ficções-científicas na carreira de Tom Cruise são raras e espaçadas, como Minority Report (2002) e Guerra dos Mundos (2005). É curioso, então, reparar que ele seguiu o interessante Oblivion (2013) com No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, 2014), repetindo o gênero. Talvez o bom resultado do primeiro o tenha animado a continuar nessa vizinhança. O segundo, no entanto, conseguiu ir bem além, com um roteiro inteligente, engenhoso e, acima de tudo, divertido.

O papel de Cruise parece feito sob medida, e de fato foi. O livro no qual o longa se baseia, All You Need Is Kill, de Hiroshi Sakurazaka, teve características alteradas quando o astro se juntou ao projeto. O resultado é um protagonista confiante, descontraído, quase um canastrão, e um pouco mais velho do que deveria para estas estripulias. Bem como Cruise. E há ainda oportunidade para uma mulher forte ao lado dele, tarefa dada a Emily Blunt (abaixo). Com dois exemplares de linhas parecidas no currículo (Os Agentes do Destino, 2011, e Looper, 2012), a atriz agora conseguiu merecido destaque como uma militar admirada pela cidade como a guerreira que poderá salvar a todos.

Edge of Tomorrow Blunt

Num futuro não muito distante, a Terra é atacada por uma raça alienígena bastante desenvolvida e os países precisam se unir para contra-atacar. Ofensivas são programadas e os ânimos se exaltam após pequenas vitórias. Cruise é o Major William Cage, um assessor de imprensa do exército que se vê no campo de batalha sem ter ideia do que fazer. Como soldados mais experientes não demoram a morrer, não seria diferente com Cage. Mas ele se vê em um processo à Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993), preso naquele dia por várias vezes e revivendo a sua morte.

No elenco, além de Cruise e Blunt, é justo destacar dois coadjuvantes que roubam momentos. Bill Paxton, visto recentemente em Marvel’s Agents of SHIELD, muito diferente fisicamente, é responsável por cenas engraçadas, mas não deixa de participar da ação. E Brendan Gleeson (de Sem Proteção, 2012) dá o seu peso (sem trocadilho!) a um oficial fundamental à trama. Ambos trazem a autoridade necessária a seus personagens e reforçam um grupo muito heterogêneo, muito competente.

Doug Liman, que deu vida nova aos espiões do Cinema com A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002), mostra que está afiado quando se trata de ação com conteúdo, comandando o show. Com explicações precisas para tudo que acontece, o roteiro de Christopher McQuarrie (velho conhecido de Cruise, de Operação Valquíria, 2008, e Jack Reacher, 2012) e dos irmãos Jez e John-Henry Butterworth (de Jogo de Poder, 2010, também de Liman) consegue misturar elementos de várias histórias e ainda sair com um ar fresco, de novidade. O fator repetição traz uma cara de videogame, já que o personagem morre e tenta novamente, e isso dá um considerável trabalho ao montador James Herbert (de Caça aos Gângsteres, 2013), que se sai muito bem. Só vemos de novo o que é preciso, pulando as partes que seriam cansativas para ir direto ao assunto. Sobra apenas a diversão.

O casal principal e Paxton compareceram à Comic Con

O casal principal e Paxton compareceram à Comic Con

 

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X-Men de ontem e amanhã se encontram

por Marcelo Seabra

X Men Days of Future Past

Após 2011, quando foi lançado X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class), ficou a expectativa por um longa que fosse melhor ou que tivesse a mesma qualidade. Bryan Singer, responsável pelos dois primeiros filmes dos personagens, voltou à cadeira e comandou X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, 2014), adaptação de um arco famoso de autoria de Chris Claremont e John Byrne que certamente está entre os mais interessantes da Marvel. O resultado é uma obra que consegue o que parecia impossível: criar a ligação entre a trilogia original e Primeira Classe e dar mais fôlego à cinessérie, com novos personagens e novas questões a serem discutidas.

Desde 2000, temos acompanhado os dramas dos mutantes mais queridos dos quadrinhos no Cinema. Bryan Singer não era um diretor conhecido, apesar de ao menos dois ótimos filmes na bagagem, e foi o início de uma tendência de se contratar cineastas mais marcantes para este filão. Apesar de brigas internas com o produtor, Singer conseguiu criar uma identidade para a franquia, num universo mais pé no chão do que estávamos acostumados a ver os heróis das revistinhas. Tomando diversas liberdades, algumas necessárias e outras apenas por opção, o diretor e sua equipe começaram um novo momento no Cinema.

Após dois filmes com os mutantes, Singer aceitou o desafio de reviver um ícone, que resultou no fraco Superman: O Retorno (Superman Returns, 2006) e na saída do diretor do terceiro X-Men, que foi realizado pelo medíocre Brett Ratner e é normalmente o mais malhado da série. Com a volta de Singer, aparece a oportunidade que ele buscava de finalmente utilizar em cena os Sentinelas, os robôs que perseguem e matam os mutantes. Eles são responsáveis por algumas das cenas mais impactantes do filme e remetem a novos clássicos da ficção-científica, principalmente O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2, 1991), que por sua vez foi inspirado pelas revistas. O andróide de Schwarzenegger ainda é lembrado em uma cena engraçada com Wolverine, uma das várias que trazem uma necessária leveza à obra.

X Men Days of Future Past trio

A trama demanda do público uma grande boa vontade, já que o roteiro de Simon Kinberg (de Sherlock Holmes, 2009) não chega a ser totalmente amarrado. Vemos algumas conveniências, como um personagem ter um poder que não era para ser dele exatamente. Como o mundo dos X-Men é muito rico, algumas dessas alterações visam simplificar as coisas, já que não daria para colocar tudo em duas horas e pouco. Num futuro apocalíptico, os poucos mutantes que sobreviveram se unem para uma última tentativa de salvar seus pares e mesmo os humanos. Como o plano envolve viagem no tempo, cria-se a oportunidade para utilizar as versões mais jovens de Charles Xavier, o Professor X, e Erik Lehnsherr, mais conhecido como Magneto. Por isso, o enorme elenco é liderado tanto por Patrick Stewart e Ian McKellen quanto por James McAvoy e Michael Fassbender. Todos ótimos, diga-se de passagem, e Magneto segue sendo o personagem mais interessante e marcante dentre todos.

X Men Days of Future Past PetersMais uma vez, Wolverine é colocado como destaque e é ele quem conduz a história. Pela sétima vez, Hugh Jackman se mostra muito à vontade no papel, tanto na versão mais nova quanto na grisalha. Outra que ganha bastante espaço é Jennifer Lawrence e sua Raven, também chamada de Mística. É o ataque dela ao industrial Bolivar Trask (Peter Dinklage, de Game of Thrones) que serve como estopim para toda a revolução que se dará. Nicholas Hoult (Fera), Ellen Page (Kitty Pryde), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Lucas Till (Destrutor), Halle Berry (Tempestade) e Daniel Cudmore (Colossus) são alguns dos atores que retomam seus papéis, com maior ou menor participação. As principais adições respondem por Omar Sy (de Intocáveis, 2011), como Bishop, e Evan Peters (da série American Horror Story – acima), como Mercúrio, protagonista do melhor segmento do longa.

Com ação suficiente para divertir o público, alternando com cenas de muita emoção, Dias de um Futuro Esquecido passa facilmente por seus 131 minutos sem aborrecer. Não falta conteúdo e nem visual. Personagens bem construídos representados por ótimos atores, guiados por um diretor que sabe aonde quer chegar e como. Em meio a tanto Motoqueiros Fantasmas e Lanternas Verdes, é muito bom ver uma obra dessa magnitude, que respeita a inteligência alheia e vai com maestria do engraçado ao triste, nunca deixando de entreter. E cresce a expectativa por A Era de Apocalypse.

O elenco em peso foi à Comic Con promover o longa

O elenco em peso foi à Comic Con promover o longa

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Wagner Moura salva vidas na Praia do Futuro

por Marcelo Seabra

Praia do Futuro PosterDepois de vários trabalhos elogiados e uma clara evolução técnica, o diretor Karim Ainouz chegou a Praia do Futuro (2014), sua mais nova obra. Em cartaz pelo país, o longa ainda tem o atrativo de ter Wagner Moura no papel principal, um dos mais importantes atores do Cinema nacional da atualidade. Ter tido um bom destaque no Festival de Berlim só ajuda.

Moura, muito lembrado como o Capitão Nascimento dos dois Tropa de Elite, faz um membro do Corpo de Bombeiros que é salva-vidas na praia de Fortaleza que dá nome ao longa. Após uma tragédia, quando não conseguiu salvar uma pessoa, ele se aproxima do sobrevivente e começa a repensar sua vida. Em meio a estas reflexões, temos belas imagens da cidade e das praias, cortesia do diretor de fotografia Ali Olay Gözkaya. Por cima, músicas escolhidas a dedo, como Heroes, de David Bowie, que já fora usada no trailer.

Todo o elenco está muito bem e a novidade é o jovem Jesuíta Barbosa, que já havia sido destaque em Tatuagem (2013). Ele vive o irmão do protagonista, alguém que viu sumir seu herói de infância, a figura mais perto de paterna que tinha. Moura mostra que consegue fugir das armadilhas habituais e constrói um sujeito longe de seus maneirismos habituais, sem histrionismos ou exageros. Muito contido, seu Donato é um cara discreto, trabalhador, em busca de uma identidade. Clemens Schick (de Cassino Royale, 2006) completa o trio principal como o alemão que bagunça a vida de Donato e o leva à Alemanha. O som não ajuda muito e torna alguns diálogos incompreensíveis, mas conseguimos captar os mais importantes.

Praia do Futuro Donato

Assim como acontece com alguns filmes ditos “de arte”, Praia do Futuro termina sem dar respostas. Pios, ele deixa no ar pontas levantadas durante a sessão. E não é possível entender as ações dos personagens, que agem de uma forma que parece conveniente para o roteiro, mas sem lógica. Talvez por isso, seja um pouco difícil criar algum tipo de identificação com o protagonista. E os desdobramentos terminam bem insatisfatórios, sem conclusões para os eventos que acompanhamos.

Se, tecnicamente, Ainouz demonstra um crescimento inegável, o roteiro é um pouco deixado de lado, carecendo de um desenvolvimento melhor. Motivações são fundamentais para entendermos os porquês dos personagens, e esta é uma grande falha aqui. Um ponto muito positivo é o fato de a homossexualidade dos personagens ser apenas uma característica em meio a tantas outras, e isso não ser o foco do longa. Assim como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), a orientação sexual do sujeito não é razão para conflito, discussão ou piada. Ela apenas está lá. Berlim, após uma mudança radical de ambientação, passa a fornecer belas paisagens. E o conflito de culturas traz mais problemas para Donato, que ainda não se acostumou totalmente àquele país. E o fim chega antes de qualquer resolução, e o público fica a ver navios.

Diretor e elenco promovem o longa em Berlim

Diretor e elenco promovem o longa em Berlim

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Judoca brasileiro ganha cinebiografia

por Marcelo Seabra

Grande Vitoria posterFrequentemente, temos belas histórias proporcionadas pelo esporte. Uma delas ganhou as telas recentemente e marca a estreia do global Caio Castro no Cinema. A Grande Vitória é a história de um conceituado judoca e treinador brasileiro, Max Trombini, que encontrou seu caminho após começar a praticar judô. O diretor e roteirista Stefano Capuzzi Lapietra é outro que tem seu debut, indicando com este trabalho correto que um bom futuro pode estar por vir.

Em vários momentos, Lapietra poderia ter perdido a mão e transformado a obra em um dramalhão. Mas ele se contém e consegue manter o nível. Ajuda contar com o auxílio de um bom elenco – ao menos, na primeira parte da história. Moacyr Franco, bastante premiado por O Palhaço (2011), faz o avô do garoto, alguém que o trata com carinho e ensina valores importantes, além de uns golpes para vencer o colega brigão. A morte do avô faz o menino perder seu referencial e as brigas se tornam cada vez mais freqüentes. A solução vem a partir da sugestão do professor de educação física: aulas de judô. Detalhe: o professor é ninguém menos que o próprio Trombini, numa participação especial.

Grande Vitoria

Na primeira etapa, Max é vivido por Felipe Falanga, que já havia feito o jovem Lula no longa de 2009. Compensando seu artificialismo com carisma, Falanga consegue cumprir sua obrigação. Para a versão adulta, foi convocado Caio Castro, um ator que precisa treinar um bocado para chegar perto da naturalidade dos veteranos do elenco. Tato Gabus Mendes, como o sensei Josino, consegue fazer a figura paterna sem ser chato ou moralista, contribuindo muito para o resultado positivo do filme. Suzana Pires (de O Tempo e o Vento, 2013), como a mãe de Max, é outra a mesclar os dilemas de uma pessoa que não sabe bem como demonstrar afeição ao filho mesmo tendo ele como principal preocupação na vida.

Como ponto negativo para o elenco, temos Sabrina Sato, que tenta evitar rir em cada cena em que aparece. Se como comediante a moça já não ajuda, como vimos em O Concurso (2013), num drama é que não seria bem sucedida. O constrangimento é visível e o uso da imagem dela no cartaz é claramente uma tentativa enganosa de chamar público, já que ela nem faz um personagem tão importante. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, faz uma ponta e não chega a se comprometer, de tão rápida que é sua aparição. Com um minuto a mais em cena, talvez, a crítica seria mais severa. Outros nomes, como Domingos Montagner, Felipe Folgosi e Rosi Campos, não chegam a causar uma impressão forte, também por passarem rapidamente pela tela.

Com um maestro de renome encarregado da trilha sonora, era de se esperar algo magistral. Mas João Carlos Martins não tem experiência com Cinema e seus temas acabam martelando no público as emoções que deveriam sentir. Em diversos momentos, isso chega a incomodar. No quesito fotografia, a coisa funciona melhor, com belas imagens por Toni Gorbi. As tomadas nos tatames são bem elaboradas, permitindo que até que não conhece nada de judô entenda o que está acontecendo. E há transições bem elaboradas entre cenas que tornam a produção mais elegante. Como os pontos positivos se sobrepõem, Trombini deve ter ficado satisfeito com a adaptação de seu livro e com a forma como a sua vida foi retratada.

Jornal de Ubatuba juntou Castro e os verdadeiros Trombini e Josino

Jornal de Ubatuba juntou Castro e os verdadeiros Trombini e Josino

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Godzilla é apresentado às novas gerações

por Marcelo Seabra

 

Uma das criaturas mais famosas do Cinema, Godzilla (2014) ganha vida nova e dá às gerações mais jovens uma oportunidade de conhecê-lo. Já está em cartaz essa versão moderna e rica, com um orçamento que permitiu um largo uso de efeitos especiais e a contratação de alguns nomes famosos para o elenco. O resultado, para aqueles que estão preocupados, é bem superior à bomba de 1998, última tentativa norte-americana de reviver o personagem. Não que isso signifique muita coisa.

Com apenas um longa na bagagem como diretor (Monstros, 2010), Gareth Edwards pôde empregar sua experiência como técnico de efeitos para dar vida às criaturas da famosa produtora japonesa Toho. Mas a ideia aqui, levemente inspirada no novo clássico Tubarão (Jaws, 1975), é desenvolver os personagens e a trama ao máximo, para só depois revelar a atração principal. O lagartão demora um pouco a aparecer, e chegamos até a conhecer antes os “vilões”, outras duas criaturas esquisitas que parecem unidas contra a humanidade. A origem das três não fica muito clara, mas as possibilidades são expostas.

 

Com belas imagens e uma mensagem de fundo sobre a arrogância do homem frente à natureza, o filme teria tudo para ser bom. Mas o roteiro, escrito por Max Borenstein (com história de David Callaham, de Os Mercenários, 2011), cai em várias armadilhas que tornam a sessão um tanto cansativa e aborrecida. O comportamento dos monstros, por exemplo, é ditado pela necessidade dos roteiristas, é tudo muito conveniente. Não há regras estabelecidas, o que permite que qualquer coisa possa acontecer. Os diálogos, de uma forma geral, são fracos e expositivos, e alguns chegam a constranger pelo didatismo e clichês. E o principal problema é o mesmo cometido por Zack Snyder em seu O Homem de Aço (Man of Steel, 2013): repetidas lutas que não vão dar em nada entre seres praticamente indestrutíveis e a destruição generalizada das cidades por onde eles passam.

As mulheres da trama não servem para nada e duas grandes atrizes são desperdiçadas, Juliette Binoche (de Cosmópolis, 2012) e Sally Hawkins (de Blue Jasmine, 2013). O destaque do elenco, Bryan Cranston, também não tem uma participação que pode ser descrita como marcante. O ator, que se aposentou de Breaking Bad recentemente, vem fazendo cada vez mais trabalhos para a tela grande e precisa urgentemente acertar a mão. Ele ainda não encontrou um papel à altura de seu talento. A vaga de protagonista fica com Aaron Taylor-Johnson, que já viveu John Lennon e Kick-Ass e agora é esperado como o velocista Mercúrio de Os Vingadores 2. Com porte e corte de militar, o ator vive um onipresente tenente do esquadrão anti-bombas e tenta dar a ele alguma profundidade dramática. A esposa, vivida por Elizabeth Olsen (de Poder Paranormal, 2012), é outra mulher que não apita nada. Curiosamente, Olsen será a irmã de Mercúrio em Vingadores 2, a Feiticeira Escarlate. Também aproveitam para ganhar um dinheirinho Ken Watanabe (de A Origem, 2010) e David Strathairn (de Lincoln, 2012).

Com pouco mais de duas horas de duração, Godzilla consegue ter bons momentos. Mas eles são raros e espaçados. A fotografia de Seamus McGarvey (de Os Vingadores, 2012) é responsável por algumas cenas bem bonitas. Já a trilha de Alexandre Desplat (de Caçadores de Obras-Primas, 2014) parece estar tendo convulsões, com notas soltas que causam estranhamento. A distância entre estes dois elementos, trilha e fotografia, ilustra bem o resultado do longa: algumas coisas funcionam, outras muitas não, e o resultado pende para uma intensa vontade de dormir.

Pai e filho unidos contra o monstro

Pai e filho unidos contra os monstros

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Bruxas de Salem rumam à TV

por Marcelo Seabra

Salem poster

Entre fevereiro de 1692 e maio de 1693, foram conduzidos os chamados julgamentos das bruxas de Salem, somando vinte pessoas (a maioria mulheres) que foram condenadas à morte acusadas de bruxaria. A Vila de Salem e a Cidade de Salem, vizinhas que disputavam o nome e partes do território, foram duas das localidades que receberam os julgamentos. Naturalmente, um episódio que envolve história, política e o sobrenatural ganharia várias encarnações no Cinema e na TV. A mais recente é a série Salem, do canal WGN America, uma atração que não pretende economizar na violência e na nudez, como algumas têm feito.

Com alguns elementos factuais misturados, a série parte logo para a ficção criando um casal central que, obviamente, não vai ter um futuro fácil. A vida se encarrega de separá-los e, anos depois, acontece o reencontro, numa situação completamente diferente. Mary, a heroína, logo se torna a vilã ao se casar com um dos piores sujeitos da cidade, acreditando que seu amor havia morrido na guerra. É importante lembrar que fala-se de uma época em que condenados por determinados crimes, como os de cunho sexual, eram marcados a ferro quente, tamanha era a carolice que imperava. E a caça às bruxas é um assunto sempre em voga, uma metáfora para muitas situações do mundo de hoje.

Salem F

Como trata-se de uma trama ambientada no fim do século XVII, há um trabalho de direção de arte primoroso, os cenários são perfeitos e o figurino enche os olhos. Com tudo no lugar, cabe ao espectador se deixar levar para a época e acompanhar o drama dos pombinhos. Como Mary, a bela Janet Montgomery (de Cisne Negro, 2010) consegue da doçura à amargura, com caras e bocas condizentes. A intérprete faz de sua personagem uma mulher forte, dissimulada e desiludida, tudo na medida certa. Shane West (de Nikita) é John Alden, o ex-soldado que volta à cidade para encontrar as coisas muito piores do que deixou. O fanatismo religioso e as suspeitas deixaram todos paranóicos, pode haver bruxas em qualquer lugar.

Criada pelos roteiristas Brannon Braga (de 24 Horas) e Adam Simon (de Evocando Espíritos, 2009), Salem começou a ser exibida nos Estados Unidos em meados de abril. Se, por um lado, vem dividindo a crítica, por outro a atração tem garantido público e trazido notoriedade para o canal. Em maio, teve sua segunda temporada confirmada, a ser exibida em 2015. O WGN se animou tanto com o sucesso que já tem mais duas séries prontas para entrarem na programação, Manhattan e Ten Commandments, além de outras quatro em desenvolvimento: Radiant Doors, Scalped, Ness e American Dream. Pena que ainda não há previsão para a estreia de nenhuma delas no Brasil.

A felicidade dos pombinhos dura pouco

A felicidade dos pombinhos dura pouco

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