Após a queda do Cruzeiro, Mineirão assiste à onda de agressões e vandalismo; veja

Chegamos a um tempo em que “tiro, porrada e bomba” se tornou algo comum. Raro é assistir a comportamentos civilizados

Torcedora que agrediu Alexandre Guzanshe (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Em 2005, o Atlético, diante de quase 50 mil torcedores, caiu para a segunda divisão do campeonato brasileiro. Num Mineirão lotado, viu-se e ouvi-se choros, gritos de Galo, juras de amor e o hino do clube. Nenhum evento de depredação ou violência foi registrado.

Neste domingo, o mesmo estádio foi palco de outra queda de um clube mineiro; desta vez o Cruzeiro. O jogo (derrota para o Palmeiras) teve de ser encerrado antes do término do tempo regulamentar, por falta de segurança. Cadeiras foram arrebentadas e arremessadas contra pessoas. Banheiros destruídos. Móveis e televisores destroçados pelo chão. Bombas de gás e spray de pimenta por todos os lados. Uma verdadeira praça de guerra.

TORCIDA CANTA O HINO DO CLUBE APÓS REBAIXAMENTO

Em 15 anos o Brasil mudou. E mudou para pior. O brasileiro médio é hoje um ser violento. Briga nas ruas, no trânsito, nos bares e nos estádios. Briga em casa, no prédio e no bairro. Briga até mesmo pela internet, nos grupos de WhatsApp e nos espaços de comentários de sites e blogs. Espanca mulheres e idosos. Estupra adolescentes e crianças.

Selvagens, como a moça da foto, proliferam como moscas. Atacou e esmurrou violentamente um fotógrafo do jornal Estado de Minas (Alexandre Guzanshe) porque este registrava as cenas de vandalismo à beira do gramado. Para a valente, como para os assassinos do cinegrafista Santiago Andrade, morto em 2014 após ser atingido por um foguete, quem fotografa ou filma atos de selvageria tem de ser agredido.

JORNALISTA DA BAND MORRE APÓS SER ATINGIDO POR FOGUETE

Aqui mesmo neste blog, uns dois ou três animais, como a selvagem acima — me recuso a adjetivá-la como torcedora ou cruzeirense — , comportam-se da mesma maneira. Xingam a mim e a outros leitores de formas variadas. Por quê? Ora, porque são bestas à solta. Deveriam estar enjauladas, numa cadeia ou cativeiro, mas estão à solta praticando violência.

O Cruzeiro não vai acabar. O Cruzeiro retornará para a primeira divisão, um dia ou outro. Mas a selvageria só terá fim quando o Brasil deixar de ser leniente, para não dizer cúmplice, da violência e do crime. Quando as leis forem rígidas e cumpridas. Quando criminosos encontrarem a Justiça e não a impunidade eterna. Quando ministros de cortes superiores deixarem de soltar amigos corruptos e investirem contra agentes da lei. Quando alguém como Gilmar Mendes deixar de pregar, abertamente, contra o que chama “cultura do encarceramento”.

Encerro com uma provocação mais que oportuna: se a mesma selvagem acima tivesse sido agredida por um policial militar, o que iríamos encontrar, imediatamente, na imprensa, a respeito? Pois é. Passou da hora do pau que dá em Chico dar também no Francisco. Chega de só um lado poder tudo e não dever nada. Parte da violência atual é também por causa disso.

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25 thoughts to “Após a queda do Cruzeiro, Mineirão assiste à onda de agressões e vandalismo; veja”

  1. O blogueiro é uma pessoa sensata e justa que nunca incitou o ódio e o confronto em seus textos ne? Esses eleitores do CHIMPANZE MILICIANO DE EXTREMA DIREITA são um caso a ser estudado. “O inferno são os outros” Dante Alliguieri

    1. Hello Mono-Lover! como estás? E Venezuela? Como está el país cariño?
      nao se preocupe chimp-lover! o lula tá solto e o mais cotado para ser seu representante é o seu filho mais velho… exemplo de cidadão e um trabalhador excepcional. Construiu fortuna muito novo! Símbolo da genialidade brasileira!

  2. Olá Inundado, de minha parte muitas constatações. O América deixa escapar a classificação naquele contexto; a China Azul dá esse vacilo, e o LINDÃO, também conhecido como GALO faz esse papel ridículo. Tão ridículo que o “Deretor” disse que a nota era cinco no ano, mas no último jogo escala time reserva e ai foi o “fica rico, fica pobre” e descolamos da 11a posição.
    Muito disso é ao meu ver a época ruim nas Alterosas, sem esquecer as DORES por Mariana e Brumadinho, dolorosos termômetros. Contudo há, no mínimo, mais um raciocínio, pois Santa Catarina, um dos poucos estados em fase não tão ruim na economia, restou sem nenhum time na série A.
    Estou tentando assimilar.

  3. Prezado articulista, você desenvolve bem sua análise até o ponto em que você opina sobre decisões do STF, destacando as da lavra de Gilmar Mendes. Os votos dados por ele, a meu juízo, são sempre bem fundamentados. Não vejo nas posições do ministro comportamento leviano. Por último, faço registrar, que não podemos julgar com o mesmo raciocínio ações de pessoas/cidadãos e de agentes do estado. Respondendo a pergunta deixada; digo que não podemos aceitar violência por parte do estado, por intermédio de seus agentes. Lógico também, que à senhora/selvagem deve ser aplicada as penalidades da lei.

  4. INIMIGO MORA DENTRO DE NÓS MESMOS
    Quem levou o Cruzeiro para a série B não mora do outro lado da rua, nem em outro estado ou país. O maior inimigo não são os atleticanos, a CBF, os Juízes, o VAR etc: ele mora dentro da própria casa do Cruzeiro: a direção corrupta, amadora e incompetente; os jogadores (principalmente os medalhões pagodeiros); os treinadores retrógrados e a própria torcida ( que assistiu passivamente a roubalheira e, depois, protagonizou cenas de verdadeira selvageria.
    Do mesmo modo, quem levou o Brasil para a maior recessão econômico, moral, social e administrativo de sua história não mora nos EUA, na Europa, na Argentina, nem mesmo na Venezuela: ele mora dentro da mente dos próprios brasileiros. É a mente desses brasileiros que deu ordem aos seus dedos para, nas urnas eleitorais, digitarem e redigitarem os nomes dos corruptos, retrógrados e incompetentes Lula e Dilma, que, além de protagonizarem a maior roubalheira da história do Mundo, quebraram o País e promoveram uma onda de baderna, intolerância, ódio e selvageria entre os brasileiros.

  5. Quanta bobagem! Quanta violência já tivemos dentro e fora dos estádios, infelizmente. E a maior de todas as violências, o desvio do dinheiro publico para motivos espúrios…
    Temos o Pacote de Segurança do MS Moro e a PEC da Prisão em 2ª instância a serem votados. Que votem! E parem de chorar!

  6. O cruzeiro colheu o que plantou no seu trabalho dentro do campeonato. Trabalhou para ser rebaixamento e não para ser campeão. Sou a favor de uma legislação onde o time perca pontos quando houver brigas e destruição de patrimônio por parte de sua torcida. Afinal a torcida não é o 12º jogador?
    Sou a favor que aqueles que praticaram a destruição sejam punidos dentro da lei e mais, que trabalhem na reforma do estádio como parte da pena a ser cumprida.

  7. Na minha opinião, futebol É uma merda, só serve pra alienar a atenção do povo.
    É pura ilusão ‘sentir’ que se o time ganhar aumenta a estima e a felicidade.
    Não entendo como existem canais de tv em que os caras falam de futebol O DIA INTEIRO.
    Um monte de canais passam os mesmos lances de um jogo dezenas de vezes por dia em quase todos os jornais em vários horários…é UM PORRE principalmente ouvir os comentaristas ‘sábios’!
    PQP gente, ACORDEM!
    O comportamento dos torcedores no mineirão comprova o quando o futebol acrescenta à cultura.
    ‘Pense bem’ se eu vou caluniar e brigar com um vizinho por causa de um time de futebol que ganhou ou perdeu uma partida ou campeonato, seria meu atestado de ignorância.
    Comportamento ‘zero’ é consequência da cultura ‘zero’.

    1. Sopão, há outros meios de gostar, viver em envolver-se com o esporte bretão fora dessa via dos comentaristas nauseabundos. Acompanho desde 1977 e a despeito de tantos inimigos deste universo fascinante não perdi o gosto. Essa desculpa da calúnia e da briga com o vizinho é apenas falaciosa, inclusive, se todos os senões que existem conduzissem na abstenção, as pessoas racionais já estariam nas cavernas penduradas que nem morcegos.

  8. Ricardo, frequentei o MIneirão quase semanalmente de 1982 a 2001 (quando me mudei de BH), sempre levado pelo meu pai. Hoje não tenho coragem (e nem vontade) de voltar a fazê-lo, nem levando meu pai, menos ainda levando meus filhos. E uma das (muitas) coisas que me incomodam, além da banalização da violência, é que quando duas pessoas brigam, mas uma ou ambas estão usando camisas que remetem a clubes de futebol, a imprensa e a polícia tratam o assunto como “briga de torcidas”. Como se “torcidas” fossem entes com vida própria, com vontade própria. São brigas entre pessoas, ou selvagens, mas que parece ser relevado (ou minimizado) com a alcunha de “briga de/entre torcidas”. Como se isso eximisse as pessoas de culpa e a polícia/justiça de responsabilidade na apuração e penalização dos responsáveis – os próprios brigões. É a banalização de tudo. Um abraço.

  9. Há uma explicação (e não justificativa) para o comportamento que teve torcida do Cruzeiro ontem. Em 2005 o Atlético caiu pq tinha um time limitado. Ponto. Em 2019 o Cruzeiro caiu por casos seguidos de corrupção, falcatruas, desmandos e politicagem (um atrás do outro). A torcida do Cruzeiro apoiou e apoiou e apoiou e foi politicamente correta até o limite. Prova disso é que a média de público do Cruzeiro foi a sexta no campeonato (27.006 torcedores por jogo), enquanto a do Atlético foi a décima terceira (17.604 torcedores por jogo). Ainda: quem trabalhando 8 horas por dia, com filho pra criar, mil coisas pra fazer, cansaço, etc, tem tempo pra ficar protestando pro time (ainda que seja o de coração)? Quase ninguém.

    Então, vão se juntando todos esses elementos e uma hora o ódio e a insatisfação estoura: catarse social. Pum! Vamos quebrar tudo. É assim que acontece.

    A coisa vem lá de cima então.

    Aliado ao fato do barbarismo e a cultura da indiferença e ódio pregada diariamente pelas mídias oficias, as mídias socias, o governo Bolsonaro e os de esquerda, tem-se então um caldeirão como o de ontem.

  10. Quando vejo que por aqui também as pessoas são definidas como esquerdopatas, mastigadores de capim, imbecis, petralhas, jumentos, coxinhas, mortadelas e coisas ainda piores dou completa razão ao blogueiro. Que época mais bárbara e absurda que estamos vivendo. Não poderia ser diferente quando de um lado temos petistas corruptos e do outro um amontoado de fascistas.

  11. O rebaixamento do cruzeiro, time que sou torcedor, é uma repetição “cabulosa” do que aconteceu com o Brasil a bem pouco tempo. Um quadrilha de bandidos tomou o poder e fez o que quis. Limpou os cofres e mandou o time direto para a série B. A pergunta é: Como pode isso? A resposta é, simplesmente pode. Aqui no Brasil pode tudo, afinal, a lei serve ao bandido. Um ladrão de marca maior tem mais privilégios que um vendedor de buchinha.

  12. O cruzeirense foi se viu em meio a um monte de corrupção e desmandos pelos seus representantes dentro e fora de campo. Estão agora protestando e exigindo mudança. E muitos fazendo o mea culpa e reconhecendo sua arrogancia no cenário nacional. Justo. Porque então os petistas não aprendem com as Marias?
    Resposta:
    Porque massa de manobra não pensa. Seria como se a china azul saísse por aí gritando:
    ITAIR! LADRÃO! ROUBOU MEU CORAÇÃO!
    TIAGO NEVES! GUERREIRO ! DA NAÇÃO DO CRUZEIRO!
    ZEZÉ LÁLÁ! BRILHA AS 5 ESTRELAS….
    amarguem a serie B assim com os petistas amargam a herança do lula

  13. Na Anchieta 16 km, em SBC fica um petista escondido e dormindo no banco do carro enquanto o seu radar vai assaltando os incautos.
    Se é mesmo para por ordem na estrada, não seria o caso de se demitir com justa causa esse dorminhoco?

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