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Eduardo de Ávila
Defender, comentar e resenhar sobre a paixão do Atleticano é o desafio proposto. Seria difícil explicar, fosse outro o time de coração do blogueiro. Falar sobre o Clube Atlético Mineiro, sua saga e conquistas, torna-se leve e divertido para quem acompanha o Galo tem mais de meio século. Quem viveu e não se entregou diante de raros momentos de entressafra, tem razões de sobra para comentar sobre a rica e invejável história de mais de cem anos, com o mesmo nome e as mesmas cores. Afinal, Belo Horizonte é Galo! Minas Gerais é Galo! O Brasil, as três Américas e o mundo também se rendem ao Galo.

Sentimento contido de uma Atleticana

Permitam-me, caros leitores, dividir com vocês, neste “Canto do Galo”, um texto da minha filha, Anaísa Ávila. No sábado, abordei aqui o lançamento do livro “O milagre do Horto”, que reúne o sentimento de diversos Atleticanos sobre aquela penalidade no jogo com o Tijuana.

Anaísa, entre muitos, foi distinguida com o convite para ser uma das autoras. Entretanto, sem que qualquer justificativa convincente fosse dada, ela e outros que doaram e até assinaram termo abrindo mão de direitos autorais, foram excluídos da edição. Sem nenhuma comunicação formal ou informal, os responsáveis pela publicação responsabilizaram a editora pela exclusão dos textos.

Pelo sim, pelo não, segue o que seria parte do livro, que terá a participação deste blogueiro. Confesso que achei o dela melhor que o meu e outros que estarão na edição. Mas, como disseram, foi a editora que cortou.

Segue o texto:

 

Partiu Riascos…

Por Anaísa Ávila

Pênalti! Pênalti a favor do Tijuana aos 46 minutos do segundo tempo… Não dá pra acreditar! Não pode ser verdade! O Galo é mesmo um time muito azarado. E o mais garfado da história do futebol.

Olho ao redor: alguns choram, outros ajoelham e começam a rezar, os mais enfurecidos vão embora dizendo que não pode ser assim, roubado, no último minuto, só acontece mesmo com o Galo!

Fico sem reação, olho para os meus amigos: Renato, Henrique e Marina, e ficamos lá, incrédulos. Não era pra ser assim, tão injusto.

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Foto: arquivo pessoal com os amigos mencionados no texto (30-05-2013)

Com a pouca energia que me resta começo a gritar: Victor! Victor! Victor! Sozinha. Os mais descrentes olham pra mim como se eu fosse louca. Essa menina só pode estar de brincadeira! É o fim. O sonho acabou.

Aos poucos, algumas pessoas logo atrás da gente começam a me acompanhar no coro: Victor! Victor! Victor!

O juiz autoriza, nos calamos. É possível sentir a tensão no ar ao respirar. É agora: tudo ou nada! Está nas mãos de Riascos, ou do Victor.

Riascos parte para a bola…

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Foto e capa: UAI/Superesportes

VICTOR! VICTOR! VICTOR! Surreal… Com a perna esquerda ele tira! Quando eu já achava que tudo estava perdido. VICTOR! Naquele momento ele se consagra. Começa a virar santo. O maior herói que eu já vi no Galo. Operou um verdadeiro milagre!

Que momento! O sentimento é inexplicável. O caldeirão do Horto desaba. É a libertação!

Classificados! O Galo está na semifinal. Parece mentira! Aquele momento de euforia parecia que não ia acabar nunca. Os gritos, os choros, os torcedores pagando promessas e subindo as escadas de joelhos. Foi lindo! O sonho ainda está vivo!

 

 

30 thoughts to “Sentimento contido de uma Atleticana”

  1. Muito bom o texto dela. Emoção a flor da pele!
    Eu estava (estou) exilado em Macapá, no único bar mineiro que tinha aqui (não tem mais), do qual sinto muita falta. Me ajoelhei embaixo da TV, com o rosto no chão. Desesperado! Mas, de repente, uma mensagem veio do Céu dizendo para me acalmar, que os tempos de injustiça e sofrimento sem final feliz haviam acabado. Dizendo para eu levantar a cabeça e assistir ao momento mais marcante da história recente, se não de toda a história centenária do Galo!
    Prefiro acreditar que foi uma mensagem divina do que alguém, em algum lugar por perto, estar assistindo em uma TV onde o lance passou antes, hehe! 😀
    Acordei no dia seguinte pela manhã em um quarto no segundo andar do bar, parte da casa do dono e meu amigo, que não me deixou ir embora de moto no estado etílico em que fiquei. Era quase hora do almoço de quinta-feira e eu ainda estava lá: naquele lugar, com aquela bandeira, vestido com aquela camisa, transbordado com aquela alegria.
    O fato é que aquela noite nunca acabou! Nunca vai acabar!
    GAAAAAAAALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!

    Obs.: depois daquela noite, nem as burradas do Aguirre me fazem desacreditar do Galo! rsrs

  2. Caros
    Estava então na costa do sauípe, com 2 sobrinhos que dormiam. Fui ver no enorme lobby de entrada, 1 Tv gigante de cada lado ( uns 80 m entre uma e outra) e poucos atleticanos – eu e 4 casais.
    Foi loucura! Fiquei andando na praia sozinha, pirando de alegria. Nunca mais quero ter tanta alegria sem um galo do meu lado!
    Hoje Deus abençoará e festa haverá pela detonada no sampa. Oxalá Victor mostre sua Divina inspiração. Galoooo

  3. Naquele dia estava na casa de meus pais, a família se dividiu em dois locais porque havia uma festa de aniversário de minha irmã. Eu, na sala, com meu pai e minha esposa. O resto da turma no terraço. Na sala, estávamos acompanhando numa emissora e no terraço em outra. Por questões de tecnologia de transmissão, a TV do terraço estava adiantada cerca de 10 segundos. Enquanto na sala, Riascos ainda se preparava para bater o penalti ouvimos gritos e comemorações. Eu, incrédulo, disse na hora: – Escutem a cambada de cruzeirenses comemorando. Meu pai, mais confiante, disse: -Não, eu acho que são os meninos lá no terraço! E meu pai estava certo!!!!

  4. Parabéns pelo texto, lembranças que ficam … e eu assitia ao jogo já na cama, tenso, intimidado pela angustia … minha “esposa raposa” já cochilava … quando então, naquele lance … imaginei muita coisa, mas nunca que o Leonardo Silva chutaria aquele “lazarento” jogador do Tijuana, daquela maneira, naquele instante, naquele lugar.
    Em sua tentativa de se livrar da bola, ele chutou minhas esperanças para cima e lá permaneceram, pausadas, levitando.
    Esbravejei como nunca e, nisso, acordei minha “esposa raposa” que, meio sonolenta, resolveu, já interessada no nosso fracasso, que acompanharia a cobrança do pênalti.
    Segundo a segundo, já me dava como entregue. Do apito até a defesa, foi um lapso de tempo que parece que não vivi, tal a distancia que me sentia da TV, embora ela ali estivesse, a pouco mais de um metro.
    Como xinguei o Leonardo Silva, xinguei como nunca.
    Entre o apito, a corrida, o chute e a defesa, passaram-se alguns anos de minha breve história de torcedor (53 anos).
    Ao final daquilo tudo, veio a redenção, no pé esquerdo do Victor.
    Minha “esposa raposa” que me observava, comedida, meio que decepcionada, logo se acomodou e dormiu, enquanto eu fiquei como andarilho pela casa, a ouvir todas as resenhas em radio e tv, para acalmar a alma e enfim dormir.
    Não consigo expressar as emoções vividas naqueles parcos minutos.
    Uma certeza ficou para sempre: nos apaixonamos pelo Galo, na direta proporção de seus defeitos, quanto mais eles se apresentam e nos provocam, mais o adoramos … porque vencer, vencer, vencer … esse é mesmo, o nosso ideal. PARA SEMPRE seja louvado !!!

  5. Caro Eduardo, no momento do Penalti estava em casa com meu filho na época com 10 anos. Deu vontade de chorar, xinguei demais e lembrei de quantas entregas o Galo já tinha feito. Pensei mais uma e saí da sala. Mas assim como sua filha, meu filho gritou da sala.. Pegou Pai, o Victor Pegou. Não acreditei. Fui igual São Tomé, só acreditei vendo. Daí pra frente foi só alegria e somente consegui dormir no outro dia a noite. A cena não me sai da cabeça e hoje meu filho com 13 anos é goleiro, graças a São Victor.

  6. Anaísa Ávila, o seu texto é simplesmente espetacular! Tenha certeza de uma coisa, neste espaço aqui ele será lido e apreciado por muitas pessoas e assim como eu agradecerão sua dedicação e amor ao nosso glorioso Galo. Parabéns.

  7. … ouvi uma explosão, sabia que era o galo. Corri para a televisão , como tem uns 4 seg. de fuso horário da tv para o rádio, pude ver ao vivo o São Vitor defender o pênalti . Passei a ouvir meu coração, que como minha voz, também gritava. Pura emoção, emoção,…., emoção.

  8. Lá fui eu para Belo Horizonte assistir mais um jogo do Galo, ou melhor, o jogo do Galo. No caminho, em todos os sinais que parava, me deparava com vários ambulantes vendendo aquelas “lindas” máscaras do filme Pânico e, por todo lado, faixas com o famoso lema: “Caiu no Horto, tá morto!” Em todo aquele percurso, animado por conversas com meus irmãos pelo celular, foi muito difícil segurar a ansiedade de ver o GALO estrelado pelo R10 na Libertadores. Confesso que sentia uma autoconfiança exagerada no ar. No fundo, pensava que aquele jogo já estava no papo, nosso foco agora era saber quem seria nosso adversário na semifinal. Ao mesmo tempo, contribuindo nessa dose de ansiedade, carregava nos ombros a fama de ser pé frio. Esse “título”, criado por sobrinhos gozadores, ganhava força, pois sempre fiz questão de assistir os jogos decisivos do GALO. E, justo neles, o Atlético sempre entregava o jogo e minha fama só aumentava. Discutir pra que!?!
    Diante disso, na hora de sair pro jogo, passou esse filme na minha cabeça e, numa decisão corajosa (para mim mesmo), arrumei uma desculpa e não fui. Fiquei na casa de minha mãe vendo o jogo com ela e minha esposa. Fiquei imaginando se o GALO perdesse aquele jogo, considerado “milho no papo”, minha fama ia atravessar fronteiras.
    Na hora do pênalti, olhei incrédulo para minha mulher e falei: “Graças a Deus, não fui”, seguido de um “Ô time entregador”. Diante daquela defesa inesquecível do Victor, gritei sem parar na janela por muito tempo. De tanto falar na milagrosa defesa, ganhei de presente do meu genro um quadro. Depois disso, fui a diversas decisões saindo de lá com a vitória. O Galo se tornou um time ganhador. Mas confesso que até hoje me pego pensando sobre aquela decisão: “E se eu tivesse ido?”
    Sidnei Scalioni

    1. Caro Sidnei, imagino o que passou. Seu irmão, meu inseparável companheiro de Horto – Silvio -, também sofreu. Todos nós piramos, mas hoje vivemos e vivenciamos glórias. Gaaalooo!

  9. Galo é emoção…é coração… é diferenciado…Assisto até hoje e ainda fico torcendo é incrível…e parabéns a todos por detalhes…é IMPRESSIONANTE…PARABÉNS…São fortes EMOÇÕES….Agradeço a DEUS todos os dias por isso…

  10. Belo depoimento ! a garota retratou toda a angústia e euforia que todos nós atleticanos com certeza sentimos naquele dia, parabéns !

  11. Dudu, bom dia.
    Primeiramente, gostaria de parabenizar sua filha pelo texto. Muito bem redigido e fiel ao sentimento de todos naquele momento. No dia daquele jogo, eu estava de férias no México com a minha esposa e minha mãe. Estávamos assistindo ao jogo no esporte bar do hotel, e rodeados de mexicanos. No momento do pênalti, meu sentimento foi de fracasso e a vontade de ir para o meu quarto, para não ter que escutar a gozação dos mexicanos que ali estavam. Minha mãe foi quem me disse para ficar e esperar pois o jogo só acaba quando o apito soa. Portanto, ali fiquei, e graças a Deus e a São Victor, eu pude ver os mexicanos se calarem, e assistirem a mim pedindo mais uma tequila para celebrar o feito e acalmar os nervos. Inesquecível. Um grande abraço, e Aqui é Galo Porra.

  12. No momento do milagre do horto, estava vendo o jogo em ksa, com minha esposa, grávida de 5 meses, dormindo ao lado. Tava me contendo com o nervossismo do jogo para não incomodá-la. Na hora q o arbitro assinalou o penalti, não acreditei. Comecei a me lamentar sem fazer barulho, muito triste. Quando o Victor defendeu aquela bola, soltei o grito q tava entalado. Victor! Aqui é Galo!
    E gritava, chorava, minha esposa levou um susto com aquilo e acordou brava. Falou q meu filho, que estava na barriga dela tb tinha assustado. E começou o drama, do medo de ter perdido meu filho, ela falava q ele não estava mexendo. E isso só foi acontecer, cerca de 2 horas depois, nos deixando um pouco mais aliviados, para podermos deitar e dormir. E pra mim conseguir absorver todas essas emoções q só o Galo nos proporciona. Hj meu filho tem 2 anos e 8 meses e Graças a Deus e já comemorou muitos titulos.

    1. Relato emocionante, caro Guilherme. Imagino o misto de festa e tensão. Legal e seu filho ainda vai comemorar muito.

  13. Salve salve Canto do Galo ! O sentimento de 03 anos atrás continua vivo em nossas memórias como se não houvesse amanhã e não atoa , o valor do livro – 48′ ,57″ – é o exato momento em que a bicanca do Victor fez o nada, virar o tudo e o sonho tornar-se realidade . Procuro pelo meu coração até hoje,não sei onde o danado foi parar .. hehehehe ,mas valeu a pena ! Felicite vossa guria por mim,mandou bem na letra e foi isso mesmo que todos sentimos naquele eterno momento .Parabéns !
    Mudando de alhos para bugalhos!realmente nossa torcida ficou muito chateada com a perda do mineiro – principalmente com o time -,tanto é que ontem no embarque para a terra da garoa,foram lá dar o apoio ao time .Parabéns aos envolvidos ,prova monstra de amor ao ALVINEGRO e tbm, que estamos juntos e prontos para a batalha que está por vir .
    Sou ALVINEGRO … e o sentimento não pode parar … olê olê olê …olê olê ola … a cada dia te amo mais … SOU ALVINEGRO e o sentimento não pode parar …. VAMUUUUU GALOOOOOOOÔ …!

    1. ObriGalo! Será transmitido. Impressionante. Cada um de nós revive aquele momento. Acabou seno mágico em nossas vidas.

    2. Não consigo conter as lágrimas. Meu Coração infartado naquele ano, pulsa forte… “EU TÔ ACHANDO QUE NÃO VOU AGUENTAR”. Parabéns. Saúde e Paz……

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