
Ele assinava Caixeta (João Bosco) e foi pároco na histórica Igreja de São Sebastião lá em Araxá. Chegado numa cervejinha, circulava bem entre as carolas e as almas rebeldes da juventude. Era portanto um ícone na cidade, que embora já bem mais que centenária, ainda mantinha o ambiente interiorano. Os medos eram só da mula sem cabeça, mulher de branco, a loira do banheiro e personagens locais como Luzia Doida e Solange, essas duas perambulavam pelas ruas e eram provocadas pela meninada. Certa ocasião, essa alma rebelde caiu num confessionário com o padre Bosco, com aqueles pecados que a igreja católica enfiava nas nossas cabeças. Tudo coisinha boba, mas que o bom menino – que não faz xixi na cama – também não podia desafiar mamãe e papai. Ai, ele salomonicamente, teve uma bela tirada. Ao invés de ajoelhar no milho, sugeriu esquecer as palavras chulas dos pecados e não repetir. Bom para todos.
Mas que relação tem isso com o Galo, indaga o/a leitor/a deste espaço Atleticano. Nada, absolutamente nada, não fosse uma pequena analogia que tem me ocorrido nos últimos dias. Daí me fez até lembrar do finado e saudoso sacerdote que passou pela minha terra. Qual entre nós, quinze dias atrás, não estava horrorizado e horrorizando com a situação do Galo. Pouquíssimos e eu me coloco entre aqueles que estavam com as energias exaurindo pelo ralo. Deixei isso registrado aqui, por vezes, afinal minha condição de Torcedor me autoriza a sonhar só com vitórias e títulos. Até admito algumas derrapadas, mas desde que ao final de cada temporada, possa viver natal e virada de ano com o orgulho da nossa Atleticanidade.
E as coisas andavam obscuras, culminando com aquele 22 de julho, quando um jogador pedia rescisão e outros notificavam o Galo por inadimplência. Foi um dia tenso para a Massa. Talvez possa ser lá na frente entendido como a virada de chave da relação gestão/time/torcedor que andava por um fio. Talvez, insisto, tudo vai depender de resultados administrativos e técnicos daqui para a frente. É inegável que o rendimento do time, de 2021 para cá, é infinitamente superior em qualquer tempo no passado. Todos reconhecem isso, estou entre aqueles que torce pelo Galo e não por gestores, mas é importante que eles recuperem a confiança do Atleticano que acreditou nas promessas feitas por ocasião dessa transição. Reconheçam, se necessário, que o caminho encontrou desvios ou o que for. Temos, como me disse o padre Bosco, que não repetir os erros e avançar. Todos nós queremos o Galo Forte e Vingador!

Por fim, sem a intenção de sugerir e menos ainda em convocar, incitar, induzir ou instigar o Torcedor por aderir a opção dos donos da saf, eu quero confiar na reação do meu Galo Doido em campo. Daquele que o atual treinador, Cuca, em sua passagem de 2021 afirmou que aqui chega funcionário e sai torcedor. E que nós, Atleticanos da arquibancada, cada qual com sua história, sigamos como sempre apoiando e festejando nossa caminhada rumo e em busca de grandes conquistas. Me atrevo em repostar aqui, recebi ontem num grupo, manifestação de um entre os maiores ídolos de todos os tempos. Hulk, junto do Reinaldo, Ronaldinho e tantos outros – se for avançar na lista sei que ficará incompleta -, que honraram e honram esse sentimento de vestir a camisa do Galo e se tornar imortal nas páginas que irão seguir para todo o sempre do nosso Clube Atlético Mineiro.
“Era o final de 2020 e eu estava em Campina Grande, descansando e pensando no passo seguinte depois da China. Se meu telefone não tivesse tocado com o Rodrigo Caetano, que era o diretor de futebol do Atlético, perguntando “Quer vir pra cá?”, eu teria ido pra Turquia. Jogaria dois ou três anos e passaria o resto dos meus dias me sentindo incompleto, lamentando uma lacuna que não consegui preencher, apesar de todas as conquistas.
Mas o telefone tocou e eu respondi “sim” na hora! Eu sabia que era só ladeira a favor me esperando em Belo Horizonte. O Galo me dava a chance de realizar o sonho de jogar ainda em alto nível pro meu povo, dentro do meu país.
Na chegada na Cidade do Galo, o Acaz, meu assessor de imprensa, me entregou uma edição especial da revista Placar com os maiores ídolos da história do clube. Eu virava as páginas e só super-herói de verdade ia aparecendo, como Éder e Reinaldo.
Eu tinha 34 anos, mas a empolgação era de 18. Bateu uma vontade grande de estar naquele almanaque. E eu sempre acreditei que fosse possível, porque uma coisa que aprendi lá em Campina Grande e principalmente aqui, com a fé inabalável da nossa torcida, é que só vence na vida quem acredita do primeiro ao último minuto. E que só clube gigante nunca para de abrir espaço pra novos ídolos. Eu estava num dos maiores do mundo, o Maior de Minas, só dependia de mim.
Um dia eu percebi que pisar no campo do Mineirão vestindo a nossa camisa alvinegra, ouvindo a Massa cantando sem parar, vendo o meu pai fantasiado de Hulk pulando igual um guri na arquibancada, aquilo era mágico, pois me transportava para um estado de felicidade que eu só conheci de menino lá na minha terra. Era parecido com puxar a carroça de maçãs com Denilson, ou voltar pra casa de roupa ensanguentada e cabeça erguida depois de carregar osso de boi, ou só sentar na calçada do bairro e tomar um refresco de caju.” HULK
Em tempo: amanhã tem Vasco pelo Brasileiro, terça sorteio da Copa do Brasil e quinta Godoy pela Sul-americana, isso é ser Galo!

Volto aqui para dizer que, nestas histórias dos Araxaenses deste espaço, falando sobre os padres Torga e Bosco, não me obriguem a contar as histórias do Seminário do Caraça, onde fui estudante interno por um ano, principalmente contando sobre o grande Irmão Bento, sobre os lobos e as cascatas, além da pedra na qual se escorregou e caiu Dom Pedro II e lá se encontra, na mesma pedra, gravado o nome dele… Como não pode, e nem deve, faltar pertinência nos comentários do blog algo sobre o nosso o nosso Galo, digo mais que nas discussões, desde aquela época, 1959, eu já era Galo e “brigava” com um Flamídia chato pra caramba…
A ingratidão do blogueiro com Padre Torga, nunca homenageado por esse Canto, beira a heresia. Oxalá, quando estiver ardendo no mármore do inferno, encontre tempo para se arrepender de tamanha mesquinharia. Numa ordem hierárquica e, por óbvio, de santidade, teríamos Padre Torga, Padre Sílvio e Padre João Bosco. Aliás, para quem não sabe, esse último era da Família Caixeta, de Patos de Minas.
Sigo o relator. Carraspana merecida. A lá Toninho de Juiz de Fora!
Tanto o pe. Bosco como o Hulk em seu texto estão certos. Motivação! É o que faz um ato ser pecado ou não, e o que faz um jogador milionário e consagrado no mundo buscar novos desafios.
Que o Hulk continue a demonstrar seu talento e sua força de vontade, e que seu exemplo motive seus colegas.
Boa tarde, Atleticanos, torcer pro Galo realmente não tem explicação, é uma coisa muito louca, coitado daquele que não sente isso plenamente, que trata o Atlético com uma ida ao cinema, uma relés diversão. Só os bobos não vivem o Atlético intensamente! Amar, odiar, a graça da vida é essa, em qualquer horário. GALO SEMPRE. SAN
Quem sabe tudo isso que aconteceu entre a SAF e o Depto. de Futebol do nosso CAM seja mesmo a virada radical para esse segundo semestre.
Queremos acreditar que o time vai corresponder dentro de campo com vitórias e disputar essas Copas com fome de conquistas.
P.S.: dizem alguns viajantes que usam a BR 040 que o Urubu foi visto completamente perdido e sem rumo para achar o caminho de casa.
Com o mesmo sentimento e otimismo do blogueiro, sinto-me feliz por ter sido, ser e morrerei Atleticano. Quanto aos nomes bem lembrados neste espaço democrático hoje, creio que, não sei se estou errado, Ronaldinho, pra mim, foi o maior jogador da história do Galo, como atleta genial e em termos de PROJEÇÃO INTERNACIONAL, pelo seguinte: assisti muito o Rei, Reinaldo, e ainda assisto o Hulk, sendo os dois até por mais tempo que Ronaldinho, ambos geniais, sem dúvida alguma. Contudo, basta ver que o Ronaldinho, até hoje, onde vá pelo MUNDO, é reconhecido, saudado e reverenciado como o gênio que foi, fazendo com que, obviamente, todos saibam que encerrou sua carreira, AINDA COM BRILHO, no nosso Galo. Em síntese do que quero dizer: se o Galo já era muito conhecido lá fora, imaginem hoje, depois que Ronaldinho vestiu o nosso manto sagrado, conquistando títulos e mostrando seu futebol arte para o mundo…
Bom dia Eduardo. Bom dia a todos. Padre Torga é minha referência pois era visionário e te ensinou as consequências do pecado, quando o expulsou, preventivamente da sala de aula. Ao ser questionado Padre Torga, te ensinou quem manda na sua vida: SEUS PENSAMENTOS! Mas Padre eu não fiz nada! Mas pode fazer! Grande Padre Torga! Esse Padre Bosco, perdeu uma boa oportunidade de te aplicar um castigo. Quanto ao Galo, espero que não venda o Scarpa e sumam com Cadu, Bernard, Junior Santos, Fausto Vera e Caio Paulista. Amanhã eu acho que perde para o Vasco: ressaca da eliminação do Flamengo! A conferir…