Ultimato conclui a saga dos Vingadores – sem spoilers

por Marcelo Seabra

Ao longo de 11 anos, a Marvel criou e fortaleceu seu universo cinematográfico, jogando no mercado 21 filmes estrelados por seus super-heróis. Muitas vezes, com uns participando do filme dos outros, já que estão todos na mesma casa. Com Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019), chegou o momento de os irmãos Russo concluírem esse arco de histórias, trazendo as consequências do que vimos em Guerra Infinita (2018). O que só poderia resultar no filme mais grandioso do estúdio.

A discussão de qual seria o melhor filme desse universo vai sempre passar pelos personagens favoritos. Existe uma divisão entre os fãs, que escolhem ser do time do Homem de Ferro ou do Capitão América. Essa dualidade foi reforçada em Capitão América: Guerra Civil (2016), mas os dois acabaram chegando a um meio termo. É fácil fazer as pazes quando uma ameaça maior planeja acabar com 50% da vida existente.

Alguns pontos interessantes da trama de Ultimato não serão tratados para que não se estrague a experiência do espectador. O que se pode dizer, sem riscos, é que o tempo de cena de cada herói é bem equilibrado, valorizando até os menos importantes. Em três horas de duração, fica fácil tirar uns minutinhos para cada um. Afinal, temos atores caros ali, e o salário tem que se justificar. Mas, acima do cinismo ligado aos valores envolvidos, nota-se um grande respeito com o fã, já que o roteiro inteligente e intrincado segue uma lógica facilmente vista numa revista em quadrinhos. E a diversidade está mais presente que em qualquer outro.

Ao longo desses 11 anos, tivemos episódios que flertaram com diferentes gêneros e subgêneros, da espionagem ao “filme de roubo”, passando pela aventura pura e simples, aquelas que te fazem torcer, temer e até chorar. Ultimato tem momentos em várias dessas áreas, misturando muita coisa que vimos antes e as levando além, aumentando o grau de intensidade. Ele faz uma homenagem a tudo o que foi construído, inclusive com referências a outras obras, e tem a coragem de ir adiante, não apenas reciclando. Às vezes, os planos ficam um pouco confusos, mas nada que já não tenhamos visto nesse universo.

O elenco, assim como a equipe de produção, demonstra uma familiaridade muito grande com seus personagens, com os elementos tratados e entre si. Estamos vendo uma família, com seus altos e baixos, suas brigas e reconciliações. Tudo é muito familiar para o público também, que já sabe o que esperar. E é exatamente essa proximidade que nos faz temer pelo destino daqueles que seguimos há mais de uma década. Uma das grandes perguntas que todos se fazem, ainda antes da sessão, é: quem vai morrer?

A questão de quem fica e quem vai é, sim, um dos grandes segredos de Ultimato. Daí a preocupação de todos com os famigerados spoilers. Mas, mesmo tendo algum desses segredos estragados, o filme ainda é extremamente divertido, fazendo o nerd mais rabugento se sentir uma criança. E não estranhe se algumas lágrimas rolarem. Várias vezes. E a marcante trilha de Alan Silvestri segue trazendo arrepios à coluna.

Kevin Feige levou o elenco a várias estreias pelo mundo

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Drama finlandês forma um belo quadro

por Marcelo Seabra

Chega aos cinemas essa semana mais um exemplo de idoso ranzinza com problemas familiares. O tipo que Clint Eastwood encarna tão bem dessa vez aparece em uma produção que a Cineart foi na Finlândia buscar para nós. O Último Lance (Tuntematon Mestari, 2018) é um drama que mistura negócios, relações familiares e um choque de gerações entre um avô que perde vendas para a internet e seu neto antenado, que usa o Google como um bom detetive. E isso dá uma mistura interessante.

A exemplo de A Mula (The Mule, 2018), para ficar no longa mais recente de Eastwood, esta nova atração nos cinemas tem como protagonista um senhor em seus 80 anos, distante da filha e neto, que se dedicou ao trabalho de uma vida e hoje vê a clientela secar. Com dificuldade de se adaptar aos novos tempos, o Sr. Olavi (Heikki Nousiainen) entende que fechar sua loja de obras de arte é inevitável. Mas ele se depara com um quadro misterioso e quer ter a satisfação de arrematar algo uma última vez, numa tentativa de lucrar e garantir a aposentadoria.

O jovem neto de Olavi está passando do limite entre rebelde e malfeitor. Otto (Amos Brotherus) precisa entregar um relatório de estágio de alguma empresa e, por ter sido pego roubando, ninguém o aceita. O último recurso é tentar o avô que ele mal conheceu, que poderia recebê-lo em sua loja e assinar o tal relatório. Desde o início, essa relação será marcada por altos e baixos, e acabamos conhecendo a mãe de Otto, Lea (Pirjo Lonka), uma mulher sofrida que se vira para criá-lo sozinha sem poder contar nem com o ex-marido, nem com o pai.

Passeando por Helsinki, a câmera de Tuomo Hutri nos dá uma impressão de que a capital está deixando Olavi pra trás, uma parte antiga sendo tomada pela modernidade. Hutri tem no currículo o trabalho mais famoso do diretor Klaus Härö, que também contou com a roteirista Anna Heinämaa: o elogiado O Esgrimista, de 2015. Härö evita sentimentalismos baratos e o roteiro bem amarrado de Heinämaa nos permite conhecer o suficiente dos personagens para nos importarmos com eles, e querer dar uma surra em um certo representante da casa de leilões.

A música de Matti Bye, que evoca grandes nomes do passado, dá o tom em diferentes momentos, das notas mais discretas às mais majestosas. E o elenco, famoso em sua Finlândia natal, é bem afinado e honra o texto. O Último Lance não é exatamente inovador, chocante, nem mesmo otimista. As peças simplesmente se encaixam. É uma boa forma de se gastar uns cem minutos, acompanhando personagens tridimensionais que rapidamente captam sua atenção.

A relação entre eles é o coração do filme

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Atrizes são as forças de Duas Rainhas

por Marcelo Seabra

Deixado em segundo plano devido às parcas indicações na temporada de premiações, Duas Rainhas (Mary Queen of Scots, 2018) acabou demorando a chegar ao Brasil. Com dois importantes papéis femininos, o longa dá espaço para duas atrizes brilharem: Saoirse Ronan e Margot Robbie, que vivem respectivamente as rainhas da Escócia e da Inglaterra. Entre acertos e tropeços, o resultado acaba ficando no meio do caminho, sem empolgar ninguém.

Um problema que costuma acometer produções de época inspiradas em fatos amplamente divulgados é a falta de veracidade. Filmes não são cunhados para serem aulas de História e os realizadores acabam tomando decisões visando atingir maior dramaticidade. Mas daí a mudar o que aconteceu deliberadamente e não tirar disso uma obra grandiosa não se justifica. O roteiro de Beau Willimon (de Tudo Pelo Poder, 2011) toma certas liberdades em relação ao livro em que se baseia, de John Guy, fugindo dos fatos, e acaba abraçando o mundo, o que seria melhor desenvolvido numa série (como House of Cards, também escrita por Willimon).

O título nacional também não ajuda. O filme enfoca especificamente Mary (Ronan, de Ladybird, 2017), que volta da França ao ficar viúva para assumir o trono da Escócia que é seu por direito. Ao ser coroada, Mary dispara os alarmes na Inglaterra, onde sua prima Elizabeth (Robbie, de Eu, Tonya, 2017) governa com mão de ferro e uma pequena dose de paranóia, já que todos poderiam estar conspirando contra ela. Nasce entre as duas um misto de admiração, carinho e rivalidade, e a única base histórica para o livro e o roteiro são as cartas trocadas entre elas.

O próprio filme acaba se perdendo de seu propósito inicial, tirando o foco de Mary e correndo para Elizabeth, tendo dificuldade para se alternar entre as duas. A causa principal defendida acaba sendo o feminismo, já que a culpa dos conflitos e das inimizades é dos homens que cercavam as rainhas e as aconselhavam – um dos principais é interpretado por um diabólico Guy Pearce (de The Rover, 2014). Um diálogo, inclusive, deixa esse machismo vigente bem claro, quando um conselheiro de um lado diz ao do outro algo como “Como deixamos isso acontecer?”, questionando como deixaram mulheres serem as pessoas mais poderosas daqueles países.

São muitos pontos levantados e Willimon tem dificuldade de tratar todos. A experiência anterior da diretora Josie Rourke fica clara em algumas passagens: o teatro. Fazendo aqui sua estréia no Cinema, Rourke cria momentos típicos dos palcos, algo que às vezes funciona, colocando força nos diálogos, e em outras vezes parece pequeno, subaproveitando as possibilidades quer o Cinema oferece. Em sua maior parte, Duas Rainhas enche os olhos com seu apuro técnico. Todos os recursos visuais funcionam, da maquiagem aos figurinos, passando pela bela fotografia. Tudo isso pontuado pela interessante trilha sonora de Max Richter (da série The Leftovers).

A falta de foco de Willimon ainda tem outra conseqüência desastrosa: ele tenta amarrar tantas pontas que parece sem tempo para terminar de uma forma apropriada. O fim é apressado, se amarrando de qualquer jeito ao início desnecessário, que de cara mostrou ao espectador o que acontecerá. Se você não conhecia a história real, teria a chance de ser surpreendido, mas o filme lhe rouba isso. As críticas ao mau uso da religião, personificada pelo personagem do ótimo David Tennant (de Jessica Jones), são mais um elemento em meio a tantos, todos mal aproveitados.

Margot Robbie e Saoirse Ronan lançam o filme em Nova York em novembro de 2018

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Super-Homem espanhol chega à Netflix

por Marcelo Seabra

Com tantos super-heróis chegando ao Cinema, era de se estranhar não haver mais paródias, já que elas costumam acompanhar modismos. A Netflix acaba de contribuir com essa causa disponibilizando uma produção que fez grande sucesso nas salas da Espanha. Superlópez (2018) é uma comédia despretensiosa que estreou em seu país no final no último novembro e emplacou a segunda maior bilheteria do ano de uma produção nacional.

A engraçada proposta de ter um Super-Homem espanhol surgiu em 1973 nas mãos do quadrinista Jan, nome artístico de Juan López Fernández. O personagem foi criado para uma tirinha cheia de humor e duplos sentidos e foi muito bem recebida, ganhando mais espaço e mais coadjuvantes. Em 2003, foi feito um curta de animação com ele, e era questão de tempo até termos uma versão de carne e osso.

No Cinema, Superlópez ganhou o rosto de Dani Rovira, com Julián López, Alexandra Jiménez e Maribel Verdú nos papéis principais. Juan nasceu em outro planeta, de um experimento científico, e antes que caísse nas mãos do ditador de Chitón (gíria local para “cala a boca”), é despachado pelos pais para a Terra, mais especificamente os Estados Unidos – destino que parece óbvio, eles reforçam. Mas um acidente de percurso o desvia para Barcelona, onde ele cresce disfarçando seus poderes extraordinários e levando uma pacata vida de escritório.

Em apenas um dia, o colega de Juan, Jaime (López), o apresenta à nova colaboradora, Luisa (Jiménez), e nosso herói para um trem desgovernado, o que chama a atenção da mídia. Outra que presta atenção é Ágata Muller (Verdú), a filha do tal ditador que seguiu Juan e esperou todos esses anos para levá-lo de volta e orgulhar o pai. A partir daí, temos situações engraçadas, leves, que chegam até a fazer piada com o fato de se tratar de uma produção espanhola, já que não há heróis no país.

Também são exploradas as características mais peculiares dos super-heróis dos quadrinhos, como eles terem um uniforme e a troca sempre ocorrer rapidamente. O diretor, Javier Ruiz Caldera, tem experiência com paródias (como Anacleto: Agente Secreto, de 2015), e seus roteiristas, Diego San José e Borja Cobeaga, sabem bem conduzir as coisas, dando ênfase ao que julgam importante e deixando o resto de lado. As filmografias deles envolvem vários projetos em comum, o que explica a cumplicidade entre eles.

O elenco é todo bem afiado, com destaque para os cômicos pais adotivos de Juan, vividos por Gracia Olayo e Pedro Casablanc, e para o ditador General Skorba (Ferran Rañé), um vilão sempre muito educado. Sem precisar de efeitos especiais caros ou nomes de grande apelo no elenco, Superlópez consegue divertir por uma hora e meia mantendo um bom nível nas piadas e situações, brincando e ao mesmo tempo homenageando suas fontes. E isso já é mais que a maioria das comédias de Hollywood conseguem.

A equipe celebra a estreia nos cinemas espanhóis

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Faroeste ganha fôlego com Godless

por Kael Ladislau

Um dos exemplos mais recentes de um faroeste reinventado, Godless é uma minissérie criada por Scott Frank (roteirista de Logan, 2017) para a Netflix em 2017. Ainda que seja um western clássico, não podemos dizer que a série se prende aos pieguismos do gênero. A cidade de La Belle, no Novo México, sofreu com um acidente em sua mina de carvão, que matou os 83 homens que trabalhavam nela. Sobraram poucos homens e muitas mulheres, que tiveram que se virar. E é aí que Godless se difere das demais obras clássicas do gênero.

Longe de serem meras mocinhas, as cidadãs do pequeno povoado tocaram o barco de suas vidas. Nesse contexto somos apresentados a Alice Fletcher (Michelle Dockery, de Sem Escalas, 2014), uma rancheira exilada do restante do povoado que cria cavalos ao lado do filho mestiço e da mãe índia de seu falecido marido. Alice e as cidadãs de La Belle são surpreendidas com a presença do caçador Roy Goode (Jack O’Connell, de Invencível, 2014). Ferido, Goode foge de seu pai de criação e bandido sem escrúpulos, Frank Griffin, interpretado pelo excelente Jeff Daniels (sim, o Harry de Debi & Loide, 1994). Jack promete – e cumpre – dizimar todos que protegerem o seu filho adotivo, que lhe roubou uma baita quantia.

Os sete episódios da série mostram a perseguição de Griffin a seu filho, escondido em La Belle com outro nome, dado pelo xerife com fama de acovardado – e míope – Bill McNue (Scoot McNairy, de Narcos México). A única que sabe da verdadeira identidade do forasteiro é Alice, que o contrata como domador de seus cavalos, mas sem saber do perigo que esse “asilo” lhe traz.

Ainda que seja esse o principal mote da série, Godless ainda conta os diversos problemas que a cidade enfrenta por não ter mão de obra qualificada para trabalhar em sua mina de carvão. E nesse plano que vemos personagens excelentes, como Mary Agnes (Merritt Weaver, da série Nurse Jackie), irmã do xerife e espécie de líder entre as viúvas de La Belle. Os contextos da série são diversos.

O expectador fica atento a cada minuto dos episódios, afim de saber como todos os eventos se relacionam e como se dará o eminente embate entre Griffin e Goode. Ou, então, como se sairá o xerife míope, que vai provar suas qualidades indo atrás de Griffin, temendo sua reação ao descobrir que o filho estava escondido na cidade.

A história é contada por ótimas paisagens e uma cenografia que faz jus ao faroeste. Sem falar da opção de se contar em preto e branco os flashbacks que vez ou outra são mostrados, que trazem uma colorização em elementos fundamentais para a narrativa, como sangue num corpo. Há também referências a clássicos westerns, como Rastros de Ódio (The Searchers, 1957), de John Ford.

Mesmo com uma trama bem sólida entre os protagonistas masculinos, Godless se destaca por dar um novo papel às personagens mulheres no gênero: elas dão tiros, resolvem seus próprios problemas, tomam decisões e se apaixonam. Bem diferentes do retrato da mocinha indefesa e dependente de seu pai ou marido, visto em outros clássicos westerns.

As mulheres são a grande força de Godless

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A Rede Vespa e Os Últimos Soldados da Guerra Fria

por Marcelo Seabra

*O texto abaixo foi escrito em 2011, ano de lançamento do livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais. Esta semana, o cartaz da adaptação para o Cinema, Wasp Network, foi divulgado, concretizando uma previsão de oito anos atrás. O roteiro e a direção são de Olivier Assayas.

Os Últimos Soldados da Guerra Fria – A Resenha

É muito interessante conhecer a história de perto. Uma coisa é ler em um livro, ouvir alguém contar. Outra, é ir ao lugar, conversar com as pessoas, ver as evidências de perto. O novo livro do prestigiado Fernando Morais, autor de Olga, Chatô – O Rei do Brasil, A Ilha e outros, chama-se Os Últimos Soldados da Guerra Fria e revela fatos até então desconhecidos sobre os chamados Cuban Five, ou Cinco de Cuba. Na verdade, sobre toda a rede Vespa. No meu primeiro contato com essa história, não tinha ideia do que significava tudo isso.

No início da década de 90, Cuba se recuperava da crise que a queda de sua parceira econômica, a União Soviética, trouxe através do turismo. Hotéis de luxo eram construídos na ilha, milhares de pessoas visitavam o país. Por isso, empregos eram criados e a receita que entrava ajudava a manter a economia cubana em dia. O problema é que Fidel Castro e seus partidários tinham muitos inimigos morando nos Estados Unidos, sediados principalmente na Flórida. E esse pessoal não estava nada satisfeito vendo Castro e o país se recuperarem.

Os grupos anticastristas da Flórida já promoviam ações para tentar minar o governo cubano, como jogar pragas nas plantações e interferir nas transmissões do aeroporto de Havana. Com o crescimento do turismo em Cuba, o foco passou a ser outro: atacar aviões, hotéis e até navios em águas internacionais. Várias mortes foram causadas, o terror estava se instaurando e a ameaça à economia voltou a pairar sobre a ilha.

Foi aí que se formou a rede Vespa. Foi reunido um grupo de 12 homens e duas mulheres que se fingiram de desertados e se dirigiram aos Estados Unidos. A missão era se infiltrar em grupos de extrema direita e descobrir os planos de ataques para poder preveni-los. Desta forma, muita informação foi passada, muitas vidas foram salvas, muitas bombas foram desarmadas. Em 1996, dois aviões de um destes grupos, o Hermanos al Rescate, foram abatidos pela artilharia cubana em espaço aéreo internacional, com o saldo de quatro cidadãos americanos mortos.

O FBI já vinha investigando atividades de cubanos na Flórida há anos, e esse era o momento propício para o ataque. Buscando os 14 membros da rede Vespa, o FBI invadiu as casas onde eles moravam e conseguiu prender 10 dos 14. Dos 10, cinco se renderam às ofertas dos americanos e, em troca de detalhes das operações, entraram em programas de proteção à testemunha. Os cinco que ficaram presos se tornaram conhecidos como Cuban Five, ou Los Cinco de Cuba. Em Cuba, são vistos como heróis nacionais; nos Estados Unidos, são considerados culpados por espionagem, conspiração para cometer assassinato e outras atividades ilegais.

Todos foram condenados, após um julgamento que durou sete meses, e as penas vão de 15 anos a duas penas de prisão perpétua. Gerardo Hernandez ainda brincou com Fernando Morais, em um contato intermediado por familiares e autoridades, dizendo que, por ser comunista, não acreditava em Deus e, por isso, cumpriria apenas uma das penas. O escritor contou esta e outras histórias em uma palestra em Belo Horizonte, realizada para a promoção do livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria. Foram 40 entrevistas, divididas entre Cuba e Estados Unidos – além de uma no México. Somadas ao material escrito levantado e aos vários depoimentos colhidos em off, elas deram condições a Morais de detalhar bem as situações e mostrar, mais uma vez, o apuro de sua técnica jornalística e a imparcialidade de seu texto, que busca sempre comprovação por fatos e documentos.

Tive a fantástica oportunidade de conhecer Cuba, onde passei férias em 2009, e foi quando tomei conhecimento da história dos cinco. Havia cartazes em diversos estabelecimentos pedindo a libertação deles. Sempre que eram mencionados, a aura de mártires pairava, e era difícil para mim e para meu colega viajante separarmos a verdade do exagero. Confesso que, até bem recentemente, eu não conhecia a situação a fundo e não saberia dizer quem estava certo: o povo cubano ou as autoridades americanas. Com o livro de Fernando Morais, fica fácil tirar conclusões e entender melhor a história.

O elenco de Wasp Network conta com Edgar Ramírez, Gael García Bernal e Wagner Moura

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Costner e Harrelson caçam Bonnie e Clyde

por Marcelo Seabra

No início de 1934, Bonnie Parker e Clyde Barrow eram um casal procurado em vários estados norte-americanos por assaltos e assassinatos. Há quem diga que foram injustiçados e se revoltaram, cometendo crimes estrada afora como Robin Hoods modernos. Mas há também quem afirme que tratava-se de criminosos da pior espécie, não merecendo qualquer piedade. Uma história como essas teria que chamar a atenção do Cinema.

Em 1967, Arthur Penn criou um clássico que até hoje faz escola: Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas. Com os memoráveis Faye Dunaway e Warren Beatty (abaixo) nos papéis principais, o filme elevou a carga de violência dos padrões de então e marcou com suas perseguições de carros. No entanto, fora a excelência cinematográfica, teve quem questionasse a romantização dos fora-da-lei. Agora, um novo filme pode ser visto como o outro lado: Estrada Sem Lei (The Highwaymen, 2019). E comete exatamente esse pecado: a romantização de um lado.

Em seu trabalho, Penn buscou mesclar o glamour com que a dupla era vista pelos moradores das cidades por onde passavam com a crueza de uma bala entrando na carne e a ferindo seriamente, com sangue jorrando. Se a visão que se tinha era de dois anti-heróis jovens e bonitos escapando das autoridades, na realidade eles eram dois fugitivos que não tinham sossego e pulavam de esconderijo em esconderijo, com um pequeno escorregão significando sua queda.

A nova produção da Netflix inverte os lados: os protagonistas, dessa vez, são os caçadores. Os Texas Rangers, espécie de xerifes das estradas, tinham sido debandados e não mais existiam, por serem difíceis de serem controlados. Frank Hamer era um dos mais famosos, de muitas habilidades e praticamente infalível. Já após os 50 anos, que antigamente pesavam bem mais do que hoje, Hamer é convidado a sair de sua aposentadoria, deixar a esposa rica em casa e sair entre as cidades atrás do famoso casal. Para a missão, ele convoca um antigo companheiro, Maney Gault.

Nos papéis de Hamer e Gault, temos dois atores irretocáveis: Kevin Costner (de Estrelas Além do Tempo, 2016) e Woody Harrelson (de Han Solo, 2018). É bem verdade que eles são capazes de cumprir a tarefa amarrados e vendados, mas isso não tira nada do mérito deles. Costner, inclusive, já contribuiu muito com o gênero faroeste, com filmes como Dança com Lobos (Dances With Wolves, 1990) e Wyatt Earp (1994), além de incontáveis policiais, como Os Intocáveis (The Untouchables, 1987), para ficar nos exemplos mais famosos.

O problema do roteiro de Estrada Sem Lei é se propor a ser um contraponto ao clássico de 67 e, por isso, não ter uma alma própria. Em tempos de regimes totalitários e violência policial crescente, não é nada interessante ter um filme que exalte figuras que aceitam que precisarão matar para resolver a questão. Dá a impressão de que, por mais que a sociedade queira fazer a coisa certa, é preciso ter à mão quem faça a coisa errada. OK, eles sentem um peso nas costas. Mas, ainda sim, estão prontos a fazerem tudo de novo. Bonnie e Clyde eram violentos sim, e talvez a força fosse necessária. Mas, com um plano bem bolado e um número superior de oficiais, talvez não fosse preciso se equiparar ao casal apelando para o massacre como primeira opção.

Apesar da experiência e de trabalhos como A Encruzilhada (Crossroads, 1987) e Os Jovens Pistoleiros (Young Guns, 1988), seus primeiros, o roteirista John Fusco assina bobagens como A Cabana (The Shack, 2017) e é esse lado que fica evidente em certas passagens dessa nova obra. O clichê que rege a relação entre os personagens principais, com o chefe bruto e calado e o colega mais leve e falastrão, é o problema inicial. John Lee Hancock, que comandou outra adaptação de um momento importante da história de seu país, O Álamo (The Alamo, 2004), não demonstra nada próximo do brilhantismo de Penn, o que reforça a sombra sobre seu filme.

Apesar dos problemas, Estrada Sem Lei tem seus méritos e diverte. A bela fotografia contemplativa de John Schwartzman (de Um Pequeno Favor, 2018) tem seus momentos, pontuada pela trilha discreta de Thomas Newman (de Spectre, 2015). A montagem poderia ser mais enxuta, Robert Frazen parece mais acostumado a filmes com pouca ação, como Fome de Poder (The Founder, 2016), também de Hancock. Mas, além de Costner e Harrelson, temos participações menores de Kathy Bates (de Feud), John Carroll Lynch (também de Fome de Poder) e William Sadler (de O Duelo, 2016), gente sempre interessante de acompanhar.

Kathy Bates, mesmo com pouco tempo de cena, é muito boa

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Warner/DC acerta o tom com Shazam

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Quando a Warner/DC anunciou que faria um filme do Shazam (antigamente conhecido como Capitão Marvel), era para ficar com os dois pés e uma mão atrás. Afinal, Shazam sempre foi um personagem leve, quase infantil, e a ideia da empresa de um universo sombrio, cínico e soturno não combinava em nada com essa essência. Felizmente, os fracassos (nesse caso, o retorno financeiro abaixo do esperado pelo estúdio) de público e crítica de Homem de Aço, Esquadrão Suicida e Batman vs Superman acenderam o sinal amarelo no estúdio. Ao invés de tentar fazer algo diametralmente oposto ao que a principal concorrente – a Marvel Studios – estava fazendo, porque não seguir a mesma fórmula?

O principal movimento da Warner na direção certa foi diminuir os poderes de Zack Snyder, até então a mente por trás de toda a iniciativa da criação de um universo cinematográfico da DC, e trazer Geoff Johns a bordo. Para aqueles que o desconhecem, Johns é uma das principais mentes criativas da editora. Atuando como roteirista de quadrinhos, ele foi o responsável por reformular personagens como o Lanterna Verde, Aquaman e o próprio Shazam, só para citar alguns, antes de passar um tempo como chefe criativo da empresa e, finalmente, abrir uma produtora exclusivamente para cuidar das adaptações da DC para a telona.

A influência de Geoff como produtor pode ser sentida inicialmente em Mulher-Maravilha (2017), que já se diferenciava bastante dos filmes de Snyder. Ao invés de um sentimento de desesperança e cinismo, com personagens atuando de forma sombria e, muitas vezes, descaracterizados em relação aos quadrinhos, vimos no filme da Amazona um primeiro sinal do que estava por vir. Filmes mais leves, mais divertidos e, porque não?, mais coloridos, onde a esperança é o sentimento mais presente.

Se, em Aquaman (2019), os fatores diversão e cores se fizeram bastante presentes, em Shazam eles chegam a limites jamais explorados em um filme da DC. Sim, fãs da DC que acham que os filmes da Warner só podem ser sérios: Shazam é o filme da DC que mais segue a fórmula da Marvel Studios. E, considerando todos os elementos que giram em torno do personagem, nada funcionaria melhor do que isso.

Para não estragar surpresas, o que pode-se dizer sobre Shazam (2019) é que se trata de um filme de origem. É um filme sobre como o orfão Billy Batson (Asher Angel, da série Andi Mack), por uma série de acasos, acaba sendo agraciado com os poderes do Mago Shazam (Djimon Hounsou, de Capitã Marvel, 2019) e assume o posto de campeão da magia. Ao dizer o nome do mago, Billy se transforma no mortal mais poderoso da Terra (vivido por Zachary Levi, da série Chuck).

Shazam é um filme que trata, de maneira bem condizente com seu material de base, como um menino rebelde de 14 anos se comportaria se, de repente, adquirisse capacidades super-humanas e como ele tiraria proveito delas. As sequências em que a versão adulta de Billy testa seus poderes, com a ajuda do “especialista em heróis” Freddy (Jack Dylan Grazer, de It, 2017), um dos adolescentes que mora na mesma casa de acolhimento de Billy, são hilárias. Freddy, aliás, é um dos grandes trunfos do elenco. Ele incorpora o nerd fã de super-heróis que, muitas vezes, não sabe muito o que diz, mas, graças ao seu conhecimento a respeito de seres poderosos, é fundamental na jornada de Billy para se tornar o campeão que deve ser.

Shazam é, principalmente, um filme sobre o valor da família. Sendo um órfão que sempre se virou sozinho, família é uma das coisas que o menino menos valoriza. Mas, na hora em que o bicho pega, quando a cidade da Filadélfia – e o próprio mundo – está sendo ameaçada pelo Dr. Silvana (Mark Strong, dos dois Kingsman – abaixo), que quer os poderes de Shazam para si, Billy descobre que apenas com o apoio de sua família, mesmo que emprestada, é o que fará a balança do poder pender a seu favor e colocá-lo devidamente na jornada de herói.

Shazam é, de longe, o filme mais divertido dessa safra de produções da Warner. E não poderia ser diferente, já que ele conta a história de um menino que, do nada, se transforma em um adulto superpoderoso e volta a ser menino bastando dizer uma palavra. Tanto a personalidade de Billy quanto a de Shazam foram muito bem trabalhadas e, se alguém tinha dúvidas a respeito da capacidade de Zachary Levi para o papel, elas se dissipam logo de cara. Claro, o filme tem aqueles problemas que a maioria das produções desse gênero carregam em seu DNA, como personagens tomando decisões que servem apenas à trama, o abuso da suspensão de descrença em algumas passagens e um terceiro ato um tanto quanto mais longo do que o necessário. Isso, no entanto, não tira em nada seus méritos.

A exemplo de praticamente todas as adaptações de histórias em quadrinhos atuais, Shazam tem duas cenas após seu final, uma no meio dos créditos e uma logo após eles. E, para aqueles que ficaram intrigados com o grande trecho aqui dedicado a Geoff Johns, sugiro que, após assistirem ao filme, leiam o encadernado estrelado pelo personagem de autoria de Johns. Ele foi lançado no Brasil há algum tempo pela Panini, mas, caso você tenha certa fluência em inglês, pode conferir online aqui.

Devagarzinho, Shazam chegou e passou na frente dos colegas

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Tim Burton dá vida a Dumbo

por Marcelo Seabra

Na onda do que parece ser um novo subgênero cinematográfico, as adaptações live action de clássicos Disney, chega às telas Dumbo (2019), novo trabalho do criativo diretor Tim Burton. Numa tentativa de fazer uma obra com os pés no chão, os animais falantes foram cortados e o elenco humano cresceu, buscando compensar essas faltas. O problema de ter muitos coadjuvantes é não poder dar muita atenção a nenhum, e eles ficam longe de atingir o mesmo pico emocional que os ratinhos engraçadinhos do original.

No meio de tantos personagens, até o próprio Dumbo perde espaço. O elefantinho adorável é criado por uma computação gráfica eficiente, como também os demais efeitos visuais do longa. Outro ponto positivo é a reunião de Burton com atores de produções passadas. Temos na tela ninguém menos que Michael Keaton, que viveu Batman (1989 e 1992) e Beetlejuice (1988), além do “Pinguim” Danny DeVito e da “Miss Peregrine” Eva Green. DeVito, inclusive, viveu outro dono de circo do diretor em Peixe Grande (Big Fish, 2003). Encabeçando o elenco, temos um correto Colin Farrell (de As Viúvas, 2018) como um viúvo que volta da guerra para se reconectar aos filhos e à vida civil.

A história do filme é basicamente a mesma do desenho de 1941: um elefantinho nasce num circo que anda meio capenga e é a esperança de dinheiro entrando. Num primeiro momento, todos fazem pouco do bichinho pela estranheza de suas orelhas enormes. Mas eles logo entendem que aquele é o grande trunfo de Dumbo: ele pode voar. Há muitas diferenças entre as duas obras e não vale a pena entrar nesses detalhes, já que uma independe da outra. Mas os temas permanecem os mesmos: aceitação, relações familiares, o mal da ganância.

Como é costume nas produções de Burton, a riqueza dos cenários é espantosa. Tudo é colorido, mas de um jeito meio sombrio, como a Gotham de Batman (1989). O parque Dreamland, inclusive, lembra muito o esconderijo do Coringa em A Máscara do Fantasma (1993), com invenções que vislumbram um futuro bem tecnológico. A diferença de Dumbo para os demais trabalhos do diretor é o tom infantil. Filmes como O Lar das Crianças Peculiares (2016), Frankenweenie (2012) e até Alice no País das Maravilhas (2010) são protagonizados por crianças e as têm como público principal, mas não deixam de agradar os adultos também, revelando camadas que podem ser percebidas por diferentes faixas etárias.

Alguns enquadramentos em olhares e expressões soam forçados e, por vezes, diálogos são excessivamente expositivos. Há situações irreais até para esse universo de fantasia. E esse clima de fábula é constantemente esfregado na cara do espectador, com ênfase até da trilha sonora. Ehren Kruger, roteirista de longas pesados como O Suspeito da Rua Arlington (1999), O Chamado (2002) e A Chave Mestra (2005), também tem suas derrapadas, como três dos Transformers, Os Irmãos Grimm (2005) e Ghost in the Shell (2017), além do constrangimento adolescente Sangue e Chocolate (2007). Dumbo é mais um ponto contra nessa carreira irregular.

As produções de Burton sempre têm cenários maravilhosos

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A história do Mötley Crüe contada pela própria banda

por Arthur Abu

Não é sobre sexo, drogas e rock ‘n’ roll. É sobre muito sexo, abuso de drogas e rock ‘n’ roll do início ao fim. The Dirt (2019), nova produção original da Netflix, estreou recentemente no catálogo. A cinebiografia não é necessariamente uma homenagem ao Mötley Crüe, mas uma confissão relevante de seus quatros membros sobre a história da banda, incluindo vários episódios controversos.

Dois minutos é o suficiente para meros curiosos mudarem de canal e se desculparem com a família (como se tivessem caído no infame gemidão do WhatsApp) ou se empolgarem ao se darem conta de que essa não é uma cinebiografia chapa branca estilo Bohemian Rhapsody (2018), apesar de que comparações serão inevitáveis.

Nikki Sixx (Douglas Booth, de Mary Shelley, 2017), Tommy Lee (Colson Baker, de Bird Box, 2018) Mick Mars (Iwan Rheon, de Game of Thrones) e Vince Neil (Daniel Webber, de O Justiceiro) são quatro rebeldes sem causas ou calças que se juntam para formar uma banda de rock que atinge o sucesso quase instantaneamente. O quarteto tem personalidades tão marcantes que elas chegam a ser caricatas. Logo na introdução, fica claro que veremos em cada um os distintos excessos da vida de um rockstar.

Cada um dos personagens poderia ser a estrela de sua própria história e, por isso, temos um filme sobre uma banda, e não sobre destaques individuais. O elenco jovem e sem rostos muito conhecidos (exceção para Rheon, de Game of Thrones) deixa a caracterização mais natural. Decepcionante é ver praticamente todas as mulheres retratadas como “groupies”, até os relacionamentos mais significativos são superficiais. Fazem parte também do elenco Kathryn Morris (de Fica Comigo, 2017), como a mãe de Sixx, Rebekah Graf faz a famosa atriz Heather Locklear e David Costabile (de The Post, 2017), que vive Doc McGhee, o empresário da banda.

Jeff Tremaine faz sua estreia na direção de uma obra ficcional. Apesar de novato nesse segmento, sua experiência com as bizarrices de Jackass o tornaram a pessoa ideal para levar às telas uma história que não vai jogar a poeira para debaixo do tapete. Fica clara a lição aprendida com Bohemian: eventos e datas da vida real modificados para darem mais dramaticidade à obra irritam não apenas os fãs de carteirinha. E o diretor tem conhecimento de causa, já que produziu também o documentário Mötley Crüe: The End (2016).

Quebras na quarta parede tentam tranquilizar o espectador quanto à veracidade da história, mas ao mesmo tempo são saídas um pouco preguiçosas. Ver outras lendas do rock inseridas na trama, alguns até mais loucos que o próprio Crüe, é um dos pontos positivos. Acertada também foi a decisão de distribuição pela Netflix, e não pela Paramount, que queria lançar um filme mais limpo e apropriado para audiências em geral. Se fosse esse o rumo tomado, provavelmente o filme passaria despercebido em meio a produções musicais mais relevantes.

O figurino e a maquiagem retratam muito bem os “fucking 80s”, como diz Sixx. A resolução disponível em Ultra HD 4K deixa bem viva a pluralidade de cores da época, tornando a estética bem confortável. O roteiro de Amanda Adelson e Rich Wilkes (de Triplo XXX, 2002) é baseado em The Dirt: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band, best seller assinado pelos próprios membros da banda – auxiliados por Neil Strauss. Recheado de clichês, o texto segue uma fórmula já esperada e não surpreende em momento algum.

O foco aqui é a viagem, e não o destino. Incluindo vários sucessos, como Kickstar My Heart e Home Sweet Home e ainda três novas canções feitas para o filme, The Dirt é um presente para os fãs da banda. Para aqueles não tão familiarizados, talvez o sentimento seja o mesmo que senti ao ver o show deles no Rock in Rio 2015 (sem conhecê-los bem): é um espetáculo divertido. Não vai emocionar, mas talvez convença a ler um pouco mais sobre os caras ou adicionar uma música ou outra nas playlists mais agitadas. Afinal, o próprio diretor admitiu que gostava da banda, mas que não era um super fã.

Os membros da banda prestigiaram o lançamento da Netflix

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